quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Custo de Produção do Arroz Irrigado



As fortes mudanças de mercado em termos de competitividade, decorrentes da globalização da economia, abertura de mercados, formação do Mercosul, exige do produtor brasileiro a postura de empresário rural: eficiência no gerenciamento da propriedade e no aproveitamento dos recursos destinados a produção.
A reestruturação dos fatores de produção ( terra, capital, trabalho), a escolha das tecnologias, o conhecimento da sua realidade e do meio em que produzem, a busca constante de informações e o controle de receitas e despesas, permitem aos produtores definir escalas de produções que os tornem competitivos.
A competitividade do setor, deve ter como base os seguintes pontos:
- Determinação dos custos de produção por área de lavoura;

- Revisão dos arrendamentos;

- Cultivo restrito à áreas economicamente viáveis;
- Adoção de tecnologias e manejos para redução de custos: Plantio Direto, Pré-germinado, densidade de semeadura, adubação, etc.
- Qualidade total: redução das perdas de colheita, irrigação, mão de obra, etc.
- Análise mercadológica permanente, entre outros.

A determinação do custo de produção, elemento-chave para que se estabeleça a competitividade, e sua análise, oferece uma base consistente e confiável para a projeção dos resultados e para o planejamento, principalmente na decisão de o que, quando e como plantar, além de revelar as operações, áreas e atividades de maior ou menor custo.


Coeficientes técnicos e custo de produção do cultivo de arroz irrigado no RS

Os coeficientes técnicos apresentados a seguir, são para os sistemas de cultivo convencional e mínimo que, respectivamente, são realizados em cerca de 53% e 32% da área do Estado. Estes sistemas diferem entre si pela realização da operação "dessecação", apenas no cultivo mínimo, e pelo período no qual executam-se as operações de preparo do solo. No cultivo mínimo, estas são realizadas antecipadamente (janeiro/fevereiro ou agosto/setembro), em épocas mais favoráveis.
O sistema convencional proporciona bons rendimentos, no entanto, segundo Vernetti Jr. e Gomes (2000), a época de semeadura do arroz irrigado no RS, é muito estreita e, o atraso na sua execução, tem influência direta no rendimento, devido ao aumento da possibilidade de ocorrência de frio, na floração. Além disso, no sistema convencional de cultivo, considerando-se as precipitações que normalmente ocorrem na época ideal de semeadura e o tipo de solo utilizado para essa cultura, dificilmente se consegue cumprir o cronograma ideal para àquela prática, sendo em determinados anos necessário refazer algumas operações de preparo de solo.
Na tabela 1, pode-se observar os coeficientes técnicos para o cultivo de um hectare de arrroz irrigado no RS. A determinação dos coeficientes técnicos, tem como base levantamento realizado junto à produtores, em dois municípios gaúchos, e as tecnologias desenvolvidas pela pesquisa.



Os coeficientes demonstram a necessidade de insumos, hora- máquina e mão de obra para o cultivo de um hectare de arroz irrigado, com produtividade estimada de 6000 kg ha-1 , de acordo com a tecnologia preconizada.
Na tabela 2 apresenta-se a estimativa do custo médio das operações e insumos utilizados na lavoura de arroz irrigado, em dois municípios do RS, os valores são baseados em informações de produtores, cuja produtividade média para o sistema cultivo mínimo é 10% maior que o sistema convencional. Cabe ressaltar que estes são custos operacionais, nos quais não estão computadosos juros sobre o capital investido, juros de financiamento, taxas e contribuições, benfeitorias (estradas, cercas, instalações agrícolas) e administração.
Existem custos inferiores e superiores aos apresentados na tabela. Nesses casos, as produtividades também podem variar de acordo com os níveis tecnológicos adotados.
O ponto de equilíbrio no sistema convencional e no cultivo mínimo, considerando-se a média (fev/jun de 2002) do preço de comercialização do arroz irrigado no RS, de R$ 16,84/saco de 50 kg, está em 99,34 sacos /ha e 105,34 sacos /ha, respectivamente.

Tabela 1. Coeficientes técnicos para 1 hectare de arroz irrigado no estado do RS.
Operações/insumos
Unidade
Qt.*/ha
Insumos
-Semente
Kg
160
-Adubo de base
Kg
200
-Adubo coberta
Kg
80
-Herbicida
..Glifosate
L
4
..Propanil
L
8
..Clomazone
L
1
-Fungicida(10% da área)
..Benomil
Kg
0,5
-Inseticida(20% da área)
..Carbofuran
Kg
15
Preparo solo
-Demanche taipas
Hora/máq.
0:50
-Aração/Gradagem
Hora/máq.
0:45
-Aplainamento
Hora/máq.
1:00
-Locação de taipas
Saco/ha
1
-Construção de taipas
Hora/máq.
1:30
-Drenagem
Hora/máq.
0:20
-Limpeza canais
Hora/máq.
1:45
-Dessecação
Aplic. aérea
1
-Mão de obra
Dia/hom.
0,70
Plantio
-Plantio/semeadura
Hora/máq.
1:00
-Mão de obra
Dia/hom.
0,30
Tratos culturais
-Adub. cobertura
Aplic. aérea
1
-Controle pl. daninhas
Aplic. aérea
1,2
-Controle doenças
Aplic. aérea
0,1
-Mão de obra
Dia/hom.
0,40
Irrigação
-Irrigação
Saco/50kg
15
-Irrigador
% produção
1,5
Colheita
-Colhedora
% produção
7
-Graneleiros
% produção
2
-Mão de obra
Dia/hom.
0,20
-Frete externo
R$/t
6
Limpeza/sec/armaz.
% produção
8
Arrendamento terra
Saco/50 kg
13
* Estabelecido pela média de municípios.
Fonte: Dados de pesquisa, Embrapa Clima Temperado

Tabela 2. Padrão de potabilidade para substâncias químicas que representam riscos à saúde.
Custo R$/ha
Operações
Convencional
Cultivo Mínimo
Preparo do solo
253,73
253,73
Dessecação
-
55,43
Plantio
21,73
21,73
Sementes
105,00
105,00
Adubo
74,80
74,80
Adubação de cobertura
54,20
54,20
Controle pl. daninhas/pragas/doenças
199,50
199,50
Irrigação
282,91
285,94
Colheita
266,77
292,75
Secagem/armazenagem
161,66
177,83
Arrendamento
252,60
252,60
Total
1.672,90
1.733,51
Receita (R$ 16,84* X saco 50 kg)
2.020,80
2.222,88
Margem Bruta
347,90
449,37
Relação custo/benefício
1,21
1,25
* Preço médio dos meses fev/jun de 2002, no RS




FONTE: EMBRAPA

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