segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Pragas do Feijão-Caupi



Os insetos, de uma maneira geral, ocorrem na planta em uma determinada época em que o seu estágio fenológico está produzindo seu alimento ideal. Assim, podemos distribuir as pragas do feijão-caupi de acordo com a fenologia da planta (Fig. 1). O conhecimento desta relação inseto/planta é importante na medida que o produtor ou técnico tenha de ir ao campo para uma vistoria ou acompanhamento do nível populacional de uma praga para fins de manejo.


Os insetos, de uma maneira geral, ocorrem na planta em uma determinada época em que o seu estágio fenológico está produzindo seu alimento ideal. Assim, podemos distribuir as pragas do feijão-caupi de acordo com a fenologia da planta (Figura 1). O conhecimento desta relação inseto/planta é importante na medida que o produtor ou técnico tenha de ir ao campo para uma vistoria ou acompanhamento do nível populacional de uma praga para fins de manejo.
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Figura 1. Esquema do ciclo fenológico do feijão-caupi com a ocorrência das principais
pragas.

Manejo das pragas

De acordo com o local de ataque na planta, pode-se esquematizar as pragas do feijão-caupi da seguinte forma:
Pragas subterrâneas: São as que atacam as sementes, raízes e o colo da planta. As de maiores importância são: Paquinha, Broca-do-colo ou lagarta elasmo, Lagarta-rosca.
Pragas da parte aérea: São as pragas que atacam as partes acima do colo da planta como os ramos, folhas e órgãos reprodutivos como as flores, vagens e grãos.
  • Pragas das folhas: Algumas pragas atacam as folhas sugando-lhes a seiva, injetando toxinas, vírus e outros microorganismos causadores de doenças, outras consumindo o limbo e diminuindo a área fotossintética das plantas e ao contrário do que muitos pensam, o feijão-caupi é uma leguminosa sensível ao desfolhamento. As principais pragas desfolhadoras do feijão-caupi são:Vaquinhas, Lagarta-militar, Lagarta-dos-capinzais, Lagarta-preta-das-folhas,Cigarrinha verde, Pulgões, Mosca-branca, Minador-das-folhas.
  • Pragas dos órgãos reprodutivos: Atacam as flores, vagens e grãos. Destacam-sePercevejo-vermelho-do-caupi, Percevejo pequeno da soja, Percevejo-verde-da-soja, Lagartas das vagens, manhoso, tripes.
  • Pragas dos grãos armazenados: Normalmente as pragas que ocorrem por ocasião do armazenamento provêm do campo, a isto é o que se chama de infestação cruzada. A infestação pode ser feita por meio de ovos, larvas ou adultos, que juntamente com as vagens, grãos ou sacarias, chegam aos armazéns, infestando também os grãos já existentes. Por outro lado, grãos sadios provenientes do campo podem ser infestados nos armazéns quando medidas preventivas não são tomadas. Portanto, a contaminação inicial pode ocorrer tanto no campo como nos armazéns. As principais pragas que atacam o feijão-caupi em condições de armazenamento são: Traça, Caruncho-do-feijão.
Orientações para Expurgo das pragas dos grãos armazenados.
Pragas subterrâneas
Paquinha: Neocurtilla hexadactyla (Perty, 1832) (Orthoptera; Gryllotalpidae)
O adulto tem coloração acinzentada, medindo aproximadamente 30mm de comprimento (Figura 2). Asas do tipo tégmina alcançando a metade do abdômen (Bastos, 1982). Pernas anteriores fossoriais e posteriores saltatórias.
Ninfas e adultos alimentam-se de raízes. As plantas recém emergidas, tenras, são mais prejudicadas devido estarem iniciando o desenvolvimento; aquelas mais desenvolvidas cujo sistema radicular se encontre mais resistente, suportam mais os danos provocados pelos insetos.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 2. Adulto de paquinha Neocurtilla hexadactyla (Perty).
Os maiores estragos são verificados quando os solos apresentam-se úmidos. No Nordeste, a maioria das lavouras com feijão-caupi são plantadas em solos arenosos e no período chuvoso, favorecendo, portanto, o ataque da praga.
Em grandes áreas de plantio onde se observa a incidência freqüente de paquinha e de outras pragas subterrâneas, o seu controle pode ser preventivo, utilizando-se produtos no tratamento de sementes, incorporando-os ao solo ou no sulco de plantio.
Esses produtos por serem muito tóxicos devem ser aplicados com máquinas adequadas. No controle pós-plantio, as pulverizações devem ser dirigidas para o colo das plantas.
Broca-do-colo ou lagarta elasmo: Elasmopalpus lignosellus (Zeller, 1848) (Lepidoptera: Pyralidae)
O adulto mede cerca de 15 a 20 mm de envergadura, Figura 3, com asas anteriores acinzentadas.
As fêmeas põem seus ovos na vegetação próxima a lavoura ou nas próprias plantas. Quando pequenas, as lagartas alimentam-se raspando o parênquima foliar.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 3. Adulto da broca-do-colo ou lagarta elasmo: Elasmopalpus lignosellus (Zeller).
À medida que crescem, perfuram um orifício na planta ao nível do solo construindo aí uma galeria ascendente que vai aumentando de comprimento e largura com o crescimento da lagarta e o consumo de alimento.
As plantinhas atacadas apresentam inicialmente um murchamento discreto assemelhando-se a um sintoma de estresse hídrico. Posteriormente, tombam e secam completamente.
Assim que ataca a planta, a lagarta constrói um abrigo de teia e grãos de areia próximo ao orifício de entrada da planta, nele permanecendo quando não está dentro da galeria. São muito ágeis, quando tocadas pulam incessantemente por alguns segundos, sendo este comportamento uma forma de livrar-se dos inimigos naturais.
Completamente desenvolvida, a lagarta mede 15mm de comprimento, Figura 4, de coloração cinza-azulada (Zucchi et al., 1993).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 4. Lagarta da broca-do-colo:Elasmopalpus lignosellus (Zeller).
O ataque de E. lignosellus na cultura do feijão-caupi se dá normalmente em épocas de veranico e principalmente em solos de cerrados ou muito arenosos. Em condições irrigadas, a cultura é menos atacada. As plantas são sensíveis ao ataque até 30 dias após a germinação, quando então, o caule fica mais lenhoso, dificultando a penetração das lagartas.
Portanto, até 30 dias após a germinação deve-se manter vigilância constante pois cada planta atacada é uma planta morta, atingindo a população de plantas/ha e consequentemente a produção.
Produtos para tratamento de sementes ou aplicados no solo no sulco de semeadura protegem eficazmente as plantas após a germinação, entretanto, não se recomenda o tratamento preventivo dessa praga, uma vez que, se as condições climáticas forem favoráveis a cultura (sem veranico), dificilmente a população deste inseto chegará ao nível de dano econômico. Contudo, se no decorrer da condução da cultura ocorrer um ataque que mereça uma medida de controle, recomenda-se uma pulverização com o jato dirigido para o colo da planta.
Lagarta-rosca: Agrotis ipsilon (Hufnagel, 1776) (Lepidoptera: Noctuidae)
Ataca as plantas na região do colo, seccionando-as. Permanece enterrada próximo às plantas atacadas durante o dia e a noite, sai para se alimentar, atacando outras plantas. Aquelas totalmente seccionadas tombam e murcham rapidamente. As mais desenvolvidas, quando atacadas pela lagarta, conseguem se recuperar, em parte, mas a produção é afetada. As plantas mais visadas pela lagarta-rosca são as que acabam de germinar. Alguns dias após a germinação, o caule começa a ficar mais lenhoso, oferecendo resistência ao ataque da praga.
A lagarta de A. ipsilon, mede em torno de 45mm, de coloração marrom-acinzentada e robusta. O adulto é uma mariposa que mede 40mm de envergadura, apresentando asas anteriores de coloração marrom e posteriores branca hialina com o bordo lateral acinzentado. (Zucchi et al., 1993).
O tratamento das sementes para o plantio ou a aplicação do produto no sulco de plantio é uma medida preventiva de controle da lagarta-rosca, prática essa que só deverá ser tomada caso exista necessidade de controle de outras pragas. Após a cultura instalada, caso exista um ataque que mereça uma medida de controle, aconselha-se uma pulverização dirigida para o colo da planta.
Pragas da parte aérea
Pragas das folhas
Vaquinhas: as espécies de vaquinhas mais comuns em feijão-caupi são: Diabrotica speciosa (Germar, 1824) e Cerotoma arcuata (Olivier, 1791) (Coleoptera: Chrysomelidae).
Os adultos dessas espécies medem aproximadamente 4 mm de comprimento. Os de D. speciosa são de coloração verde e amarela e os de C. arcuata, preta e amarela (Figura 5 e 6).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 5. Adulto de vaquinha: Diabrotica speciosa (Germar).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 6. Adulto de vaquinha: Cerotoma arcuata (Olivier).
As fêmeas dessas pragas põem seus ovos nas plantas próximos ao solo. Após cerca de sete dias da postura as larvas eclodem e passam a alimentar-se das raízes das plantas. (Zucchi et al., 1993).
O ataque desses insetos nas raízes das plantas de feijão-caupi podem ser confundidos com o ataque de outros insetos subterrâneos, entretanto, ao analisar as plantas no campo, deve-se observar também o solo próximo das raízes para certificar-se da presença dessas ou de outras pragas subterrâneas.
A ocorrência das larvas de vaquinhas como pragas das raízes em feijão-caupi é muito esporádico, entretanto, é uma praga em potencial, podendo a qualquer momento atingir níveis de danos econômicos.
Os produtos para tratamento de sementes ou aplicação no sulco de plantio podem ser empregados para seus controles, entretanto não se recomenda fazer o tratamento preventivo, devido a sua esporadicidade.
Os adultos alimentam-se das folhas e esporadicamente das vagens, Figura 7, e iniciam esta atividade logo que as plantas emitam os primeiros folíolos. Uma grande população de vaquinhas podem ocasionar grandes perdas da área foliar e nesses casos convém uma análise do percentual de perdas nas folhas e o que essas perdas irão influenciar no rendimento da cultura, para então, ser tomada uma decisão de controle. Entretanto, os maiores danos ocasionados por esses insetos são a sua capacidade de transmitirem vírus. C. arcuata e D. speciosa transmitem o vírus do mosaico severo do feijão-caupi.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 7. Adulto de vaquinha: Cerotoma arcuata (Olivier) alimentando-se de vagem. 
O controle dos adultos visando a diminuição de plantas infectadas por vírus não é uma prática recomendável, por outro lado, a Embrapa Meio-Norte já lançou diversas cultivares com resistência múltiplas à vírus. O uso dessas cultivares é a forma mais correta se evitar a contaminação da lavoura por viroses.
No entanto, caso haja necessidade de um controle visando a diminuição da população devido ao grande consumo de área foliar, pode-se utilizar produtos em pulverização, dando-se preferência aos produtos menos tóxicos e mais seletivos.
Lagarta-militar: Spodoptera frugiperda (J. E. Smith, 1797) (Lepidoptera: Noctuidae)
A lagarta-militar é uma das principais pragas da cultura do feijão-caupi, pode ocorrer em qualquer época em que a planta é cultivada e seu ataque pode iniciar-se logo nos primeiros dias após a emergência das plantas, período em que as mesmas são muito sensíveis ao desfolhamento.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 8. Lagarta-militar, dos milharais ou do cartucho 
Spodoptera frugiperda (J. E. Smith).
As lagartas completamente desenvolvidas medem cerca de 35 mm de comprimento, Figura 8, corpo cilíndrico de coloração marrom-acinzentada no dorso e esverdeada na parte ventral. (Cruz et al., 1999).
Os adultos são mariposas de aproximadamente 30 a 35mm de envergadura com asas anteriores de coloração marrom-acinzentada, tendo os machos, manchas no ápice bem visíveis, enquanto que, nas fêmeas são quase imperceptíveis (Figura 9). Em ambos os sexos as asas posteriores são esbranquiçadas e hialinas.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 9. Adultos de Spodoptera frugiperda(J. E. Smith): fêmea – esquerda e macho – direita.
Os ovos são colocados em massas recobertas por pelos da própria mariposa, próximas às culturas ou sobre a própria planta. Após 3 dias, aproximadamente, eclodem as lagartas, que a princípio, raspam o parênqüima foliar ao redor da postura, se espalham e iniciam a raspagem do limbo das folhas novas e posteriormente, migram para outras plantas, alimentando-se das folhas ou das vagens por todo o resto do estado larval que dura cerca de 20 dias, consumindo cerca de 200 cm2 de folha, sendo que o maior consumo se dá nos dois últimos estágios.
Um comportamento de S. frugiperda é o de seccionar as plantas ainda novas na região do colo, provocando o tombamento das mesmas à semelhança do ataque da lagarta-rosca A. ipsilon. O conhecimento das características das duas lagartas é de fundamental importância para a identificação das espécies e tomada de decisão quanto a medida de controle.
O controle mais indicado para essa praga é o biológico com aplicação do Baculovirus spodoptera. Este inseticida biológico é produzido a partir de lagartas infectadas por este vírus. Conforme recomendações de Valicente & Cruz (1991) a aplicação do baculovirus pode ser feita a partir de lagartas infectadas maceradas em água ou do vírus formulado em pó molhável. Outro produto biológico também recomendado é oBacillus thuringiensis. Esses bioinseticidas são mais eficientes quando aplicados nas lagartas ainda pequenas, no máximo 1,5 cm de comprimento ou quando as plantas estão com os sintomas de folhas raspadas.
A liberação de parasitóides como Trichogramma na cultura é também uma prática recomendável. Cruz et al. (1999) recomendam a liberação de cerca de 100 000 indivíduos por hectare quando aparecerem as primeiras posturas ou adultos da praga.
Lagarta-dos-capinzais ou mede-palmo: Mocis latipes (Guenée, 1852) (Lepidoptera: Noctuidae)
A lagarta-dos-capinzais, M latipes, é uma praga esporádica, entretanto, quando ocorrem condições favoráveis, seu ataque tem-se mostrado devastador na cultura do feijão-caupi.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 10. Adulto de Mocis latipes (Guenée).
O adulto dessa espécie é uma mariposa de aproximadamente 35 mm de envergadura, de coloração acinzentada e asas com uma faixa transversal mais escura nas anteriores e mais clara nas posteriores (Figura 10).
As lagartas completamente desenvolvidas podem chegar a medir cerca de 55 mm de comprimento. Sua coloração é geralmente parda com ligeiras variações, em geral, para a tonalidade clara.
Possuem duas faixas escuras longitudinais limitadas por duas faixas amareladas (Figura 11). Uma das características dessa lagarta, é a forma de como ela caminha, "medindo palmo", devido aos dois primeiros pares de falsas pernas serem atrofiados, daí a derivação de um de seus nomes comuns em algumas regiões do Brasil. Essa lagarta também tem uma forma peculiar de alimentar-se, consome apenas a parte mais tenra da folha, deixando a nervura principal.
Como se trata de uma praga esporádica, é necessário uma vigilância constante na lavoura pois seus ataques normalmente constitui-se de um surto populacional muito grande, podendo em qualquer época de desenvolvimento da planta ocorrer um ataque e prejudicar a produção devido à desfolha.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 11. Lagartas de Mocis latipes(Guenée).
O uso de produtos biológicos, como oBacillus thuringiensis para o controle das lagartas ainda pequenas (até 1,5 cm de comprimento), é de fundamental importância devido às vantagens inerentes a toxicologia e ao meio ambiente.
Lagarta-preta-das-folhas: Spodoptera latifascia (Walker, 1856) (Lepidoptera; Noctuidae)
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 12. Mariposa de Spodoptera latifascia
(Walker).
As mariposas, Figura 12, medem aproximadamente 40 mm de envergadura, de coloração parda com asas anteriores que possuem muitos riscos ou desenhos brancos que se interceptam e asas posteriores brancas (Silva & Magalhães, 1980 e Gallo et al., 2002).
As lagartas, Figura 13, no seu total desenvolvimento chegam a medir cerca de 40 mm a 50 mm de comprimento e têm uma coloração que varia do pardo ao quase negro e são aveludadas. Nos bordos laterais encontram-se listras longitudinais de cor alaranjada marcadas sucessivamente por áreas esbranquiçadas (Santos & Quinderé, 1988).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva 
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Figura 13. Lagarta de Spodoptera latifascia
(Walker) alimentando-se de folha de
feijão-caupi.
Na região Norte, em especial no Estado do Amazonas, essa praga, segundo Nogueira (1981) chega a destruir completamente a lavoura. Nas demais regiões produtoras de feijão-caupi é uma praga pouco agressiva, ocorrendo sempre em baixas populações e esporadicamente.
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Figura 14. Lagarta de Spodoptera latifascia(Walker) alimentando-se de vagem de feijão-caupi.
S. latifascia é uma lagarta desfolhadora mas é comum encontrá-las atacando vagens (Figura 14).
Em casos de altas populações que possam afetar a produção recomenda-se as medidas de controle citadas para S. frugiperda e M. latipes.
Cigarrinha verde: Empoasca kraemeri (Ross & Moore, 1957) (Hemiptera; Cicadelidae)
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 15. Ninfa da cigarrinha verde
Empoasca kraemeri (Ross & Moore) em
folha de feijão-caupi.
Trata-se de um pequeno inseto de coloração verde, Figura 15, o adulto mede aproximadamente 3 mm. Adultos e ninfas localizam-se sempre na face inferior das folhas onde se alimentam. Uma das características desse inseto é a forma peculiar de caminhamento, sempre de lado.
É uma das principais pragas de V. unguiculata no Nordeste e especialmente durante os meses mais quentes e secos.
O ataque dessa praga provoca enfezamento nas plantas, as quais ficam com os folíolos enrolados ou arquiados (Figura 16). Tais sintomas são provocados pela introdução de substâncias tóxicas durante a alimentação na planta, induzindo anomalia de caráter sistêmico. Moraes et al. (1980) mencionam que os maiores danos são causados quando a incidência do inseto se dá no período próximo do florescimento e continua até a formação dos grãos.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 16. Sintomas de enfezamento das
plantas, folíolos enrolados, devido a injeção
de toxinas pela cigarrinha ‘verde Empoasca
kraemeri (Ross & Moore). 
As perdas em plantas não protegidas podem chegar a 39,8%. Devido ao hábito das ninfas e adultos permanecerem na face inferior das folhas para se alimentarem, os inseticidas de contato devem ser aplicados de forma a atingirem essa superfície, por outro lado, os produtos sistêmicos ou que agem por fumigação ou ação translaminar, as pulverizações podem ser feitas na superfície superior das folhas que atingirão os insetos na superfície oposta.
Pulgões: ocorrem no feijão-caupi as espécies Aphis craccivora Koch, 1854 (Moraes & Ramalho, 1980); Aphis gossypii (Glover, 1876) e A. fabae (Scopoli, 1763) (Homoptera; Aphididae) (Santos et al., 1982)
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Figura 17. Planta de feijão-caupi atacada
por pulgão: Folhas, ramos, flores e vagens.
São insetos pequenos, com cerca de 1,5 mm de comprimento, de coloração variando do amarelo-claro ao verde-escuro. Vivem em colônias, sob as folhas, brotos novos e flores (Figura 17).
Os pulgões se alimentam sugando a seiva das plantas, injetando toxinas e transmitindo viroses.
A ação de sucção dos pulgões provoca o encarquilhamento das folhas, ou seja, seus bordos voltam-se para baixo, e a deformação dos brotos. Devido sua alimentação ser exclusivamente de seiva, esses insetos eliminam grandes quantidades de um líquido adocicado do qual se alimentam as formigas que, em contrapartida, os protegem dos inimigos naturais.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 18. Planta de feijão-caupi atacada
por pulgões e exibindo sintomas de "mela
e fumagina".
Essa substância adocicada serve também de substrato para o desenvolvimento de um fungo denominado comumente de "fumagina", de coloração escura, Figura 18, que pode cobrir totalmente a superfície foliar da planta, prejudicando os mecanismos de fotossintetização e respiração.
Com o decorrer do tempo e com o aumento da população de pulgões, as plantas atacadas ficam debilitadas em virtude da grande quantidade de seiva retirada e de toxinas injetadas. Entretanto, é por serem transmissores de vírus que esses insetos constituem uma das pragas mais sérias da cultura merecendo, por isso, especial atenção.
A utilização de cultivares resistentes dispensa a utilização de inseticidas para evitar a contaminação da lavoura pelas viroses.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 19. Variedades de feijão-caupi com resistência múltipla a vírus.
A Embrapa Meio-Norte coordena, no País, o Programa de Pesquisa de Feijão-caupi e dispõe em seu Banco de Germoplasma algumas variedades, Figura 19, com resistência múltipla a diversos vírus, inclusive ao transmitido pelos pulgões (Santos & Freire Filho, 1986; Cardoso et al., 1987; Cardosoet al., 1988; Cardoso et al., 1990; Cardosoet al., 1991 e Freire Filho et al., 1994).
Mosca-branca
É um inseto pequeno, cerca de 1,5 mm de comprimento, Figura 20, com dois pares de asas brancas com cabeça e abdome amarelados. Ao contrário do que muitos pensam as moscas-brancas não são moscas (Ordem Diptera). A posição sistemática atual é de que pertencem a Ordem Hemiptera.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 20. Adultos e ninfas de Bemisia
argentifolii Bellows & Perring em folha de
feijão-caupi.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 21. Folhas de feijão-caupi com
sintomas do Mosaico Dourado do Caupi
transmitido pela mosca-branca.
Até o ano de 1995 a Bemisia tabaci era a única espécie de mosca-branca que causava danos a cultura do feijão-caupi, não pela sua ação direta, mas por ser vetora do Vírus do Mosaico Dourado do Caupi (VMDC), Figura 21, do grupo Geminivírus (Santos, 1982).
A partir desse ano com a chegada no Nordeste, principalmente nos polos produtores de feijão-caupi, de outra espécie de mosca-branca, Bemisia argentifolii a cultura passou a ser alvo não somente de mais um vetor do VMDC, mas também, de uma espécie de mosca-branca mais agressiva, passando a causar também danos diretos pela sucção de seiva e injeção de toxinas na planta causando depauperamento da mesma.
Além desses danos, quando sua população está elevada, suas fezes adocicadas "mela" servem de substrato para o desenvolvimento da fumagina, Figura 22, que ao cobrirem parcial ou totalmente as folhas, prejudicam o mecanismo de respiração e fotossintetização das plantas.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 22. Folhas de feijão-caupi atacada
por mosca-branca e exibindo sintomas de
"mela" e fumagina.
Uma proposta para o manejo da mosca-branca em feijão-caupi, incluindo o uso de variedades resistentes ao VMDC (Figura 36), foi elaborada por Silva et al. (1999). Neste trabalho foram contemplados várias práticas culturais e medidas de controle além de amostragens e níveis de danos para a referida praga.
Níveis de controle para mosca-branca
Conforme Silva et al. (1999) os níveis de danos para controle da mosca-branca são:
  • 60% de Plantas infestadas com um ou mais adultos.
  • 40% de plantas infestadas com ninfas.
Manejo da mosca-branca
  • Eliminação dos restos de cultura.
  • Ações do clima nas populações da mosca-branca.
  • Escolha da variedade.
  • Ações curativas.
  • Avaliação da infestação.
  • Amostragem de 50 plantas/5ha em ziguezague a cada sete dias.
  • Amostragem de adultos: Folíolo do terço superior da planta.
  • Amostragem de ninfas: Folíolo do terço médio
  • Uso da planilha de campo
Minador-das-folhas: Liriomyza sativae (Blanchard, 1938) (Diptera; Agromyziidae)
Trata-se de uma pequena mosca de aproximadamente 1,5 mm de comprimento com olhos amarronzados e abdome amarelado (Figura 23).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 23. Adulto da mosca minadora
Liriomyza sativae (Blanchard).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 24. Sintomas de ataque da mosca
minadora em folhas de feijão-caupi.
A postura é feita dentro da folha e uma fêmea pode ovipositar cerca de 500 ovos que passam por um período de três dias de incubação (Santos & Quinderé, 1988 e Quintela et al., 1991). Ao eclodirem as pequenas larvas vão abrindo galerias irregulares, Figura 24, a medida que se alimentam do conteúdo interno das folhas. Essas galerias aumentam de tamanho e diâmetro a medida que as larvas vão se desenvolvendo, passando aproximadamente 14 dias por este estádio, quando então empupam dentro da própria mina, atingindo a fase adulta em aproximadamente sete dias (Santos & Quinderé, 1988 e Quintela et al., 1991).
Segundo Moraes & Ramalho (1980) os danos dessa praga são devidos a redução da área fotossintética e são mais severos nos meses mais quentes e secos.
Observações em campos de feijão-caupi e outras culturas atacadas por moscas minadoras tem indicado que grandes surtos dessa praga ocorrem quando o produtor utiliza produtos de largo espectro (pouco seletivos) no início dos cultivos, com isto, os inimigos naturais são praticamente destruídos, possibilitando o desenvolvimento rápido da praga.
Pragas dos órgãos reprodutivos
Percevejo-vermelho-do-caupi: Crinocerus sanctus (Fabricius,1775) (Hemiptera: Coreidae)
Corpo com partes amarela-alaranjadas e outras avermelhadas, medem ao redor de 25 mm de comprimento e possuem pernas posteriores com fêmures volumosos avermelhados e com grandes números de pequenos espinhos escuros (Figura 25). As fêmeas fazem posturas nas folhas, cerca de 80 ovos (Quintela et al., 1991), em média 9 por postura (Freitas Júnior. et al., 1987).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 25. Adulto do percevejo-vermelho-do-caupiCrinocerus sanctus (Fabricius).
Após a eclosão das ninfas, essas passam a alimentar-se sugando as vagens, passam por cinco estágios ninfais e quando adultos continuam a alimentar-se das vagens, passando, portanto, 35 dias da fase ninfal e 45 da fase adulta (Freitas Júnior. et al., 1987) totalizando 80 dias de alimentação em média, nas vagens.
Percevejo pequeno da soja: Piezodorus guildinii Westwood, 1837 (Hemiptera: Pentatomidae)
Os ovos dessa espécie são de coloração preta, em forma de barril, dispostos em massas constituídas por filas paralelas contendo cerca de 15 a 20 ovos.
No primeiro estágio, as ninfas apresentam hábito gregário, concentrando-se em colônias, normalmente próximas à postura. Com o seu desenvolvimento, efetuado por meio de 5 ínstares, dispersam-se sobre as diversas partes das plantas. As ninfas apresentam coloração esverdeada, com manchas vermelhas e pretas dispostas sobre o dorso.
O adulto é um percevejo de corpo verde, com uma listra de cor marrom ou vermelha na altura do pronoto, medindo aproximadamente 10 mm de comprimento (Figura 26).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 26. Adulto do percevejo pequeno da
soja: Piezodorus guildinii Westwood.
No final da sua vida pode apresentar coloração amarelada (Gazzoni et al., 1981).
Esta espécie é a mais abundante e juntamente com C. sanctus, compreendem cerca de 70% da população de percevejos na cultura do feijão-caupi.
Percevejo-verde-da-soja: Nezara viridula Linnaeus, 1758 (Hemipera: Pentatomidae)
Os ovos do percevejo verde são colocados na face inferior das folhas, em massas de forma hexagonal, contendo cerca de 100 ovos. Após a eclosão, as ninfas de primeiro estágio permanecem agregadas em torno da postura ou movimentam-se em colônias sobre as plantas. Nesse estádio apresentam coloração alaranjada. No segundo estágio, quando as ninfas apresentam cor geral preta, também pode ser observado seu agrupamento em colônias sobre as plantas.
A partir do quarto estádio as ninfas assumem coloração verde, com manchas amarelas e vermelhas sobre o dorso. Sob determinadas condições, tanto as ninfas do quarto como as do quinto estádio podem apresentar coloração preta na parte dorsal do abdômen.
Na fase adulta, conforme indicado por seu nome comum, o percevejo apresenta coloração verde, tendo manchas vermelhas nos últimos segmentos de suas antenas. (Figura 27)
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 27. Adulto do percevejo-verde-da-soja
Nezara viridula L.
No ato da alimentação, os percevejos injetam toxinas nos grãos e nos orifícios deixados pelo aparelho bucal dos insetos penetram microorganismos que determinam o chochamento dos grãos causando depreciação do produto no ato da comercialização.
Além disso, as toxinas atingem as plantas determinando uma redução em sua produtividade.
O controle desses insetos deve ser feito utilizando-se produtos em pulverização, escolhendo-se aqueles mais seletivos aos inimigos naturais e menos tóxicos ao homem.
Utilizar produtos de carência curta, principalmente se a produção for destinada ao consumo verde.
Lagartas das vagens:
  • Etiella zinckenella (Treitschke, 1832) (Lepidoptera; Phycitidae)
O adulto é uma mariposa com cerca de 20 mm de envergadura, com asas anteriores de cor cinza e posteriores, de coloração cinza clara, com franjas brancas nos bordos. A lagarta tem o corpo verde claro e a cabeça escura quando nova, e corpo rosado quando bem desenvolvida, medindo, aproximadamente 20 mm de comprimento no seu máximo desenvolvimento (Santos & Quinderé, 1988).
Os ovos são depositados nas flores ou nas vagens. As lagartas após a eclosão abrem um orifício nas vagens e se alimentam dos grãos verdes. Nos orifícios de entrada das lagartas as vagens apresentam um estrangulamento e são encontradas fezes obstruindo-os (Moraes & Ramalho, 1982) o que indica a sua presença no interior das vagens.
  • Maruca testulales (Geyer, 1832) (Lepidoptera; Pyraustidae)
O adulto de maruca, Figura 28, é uma mariposa com aproximadamente 20 mm de envergadura e de coloração marrom-claro, apresentando nas asas áreas transparentes, por falta de escamas (Santos & Quinderé, 1988 e Quintela et al., 1991). Tem longevidade aproximadamente de sete dias e a fêmea oviposita em médias 150 ovos nas gemas de folhas e flores.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 28. Adulto de M. testulales.
O período de incubação dos ovos é em torno de cinco dias e as lagartas passam por cinco ínstares e alimentam-se nesse período de pedúnculos, flores e vagens. A penetração das lagartas nas vagens ocorre principalmente no ponto de contato desta com as folhas, ramos ou outra vagem (Moraes & Ramalho, 1982).
O orifício de entrada da lagarta da Maruca embora possa apresentar sinais de excrementos permanece sempre aberto e sem estrangulamento na vagem (Figura 29).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 29. Vagens ligadas por excrementos no orifício de penetração da lagarta.
A ocorrência tanto de E. zinckenella quanto de M. testulales é esporádica, mas quando ocorrem com grandes populações os danos podem ser significativos. Para o controle dessas pragas deve se dar preferência aos produtos de carência curta e a aplicação dirigida para as vagens, local preferido para o seu ataque.
Manhoso: Chalcodermus bimaculatus (Fiedler,1936) (Coleoptera; Curculionidae)
Em alguns estados do Nordeste é considerado uma das principais pragas do feijão-caupi, no entanto, nos Estados do Piauí e Maranhão é de ocorrência esporádica, ocorrendo com mais freqüência em cultivos irrigados e consecutivos.
O adulto é um besouro com aproximadamente 5 mm de comprimento, de coloração preta (Figura 30). Alimenta-se de folhas, ramos, mas principalmente das vagens. Quando se alimenta em plantas jovens pode transmitir virose como o Mosaico Severo do Caupi (Silva & Santos, 1992).
Os adultos fazem orifícios nas vagens que podem ser de alimentação e de postura (Figura 30).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 30. Manhoso: Chalcodermus
bimaculatus(Fiedler) alimentando-se de
vagem de feijão-caupi. Vagens apresentando
pontos escuros, orifícios de posturas e
alimentação.
Os orifícios de postura são feitos pelas fêmeas através da inserção do seu aparelho bucal na vagem até atingir o grão, em seguida, com o ovipositor, introduz o ovo no orifício e cobre-o com uma secreção que o protege dos inimigos naturais e inseticidas, esses orifícios, formam posteriormente uma cicatriz saliente, característica da postura do manhoso. Os orifícios de alimentação permanecem abertos.
Cada fêmea pode ovipositar em média 120 ovos (Quintela et al., 1991), um ovo em cada orifício de postura.
As larvas são recurvadas e branca-leitosas, chegam a medir aproximadamente 6 mm de comprimento quando completamente desenvolvidas. Uma larva pode consumir completa ou parcialmente um grão. Após seu completo desenvolvimento, que se dá no interior do grão, as larvas abandonam as vagens para empuparem no solo. Essa fase se completa em duas semanas aproximadamente segundo Quintela et al. (1991).
O controle das larvas no interior dos grãos ou vagens verdes é muito difícil devido a dificuldade de penetração dos inseticidas e, por terem elas aparelho bucal mastigador, os produtos de ação sistêmica se tornam ineficazes. Para o controle dos adultos a aplicação de produtos com ação de contato e ingestão seriam mais recomendados com as pulverizações dirigidas para as vagens, alimento preferido pelo inseto adulto.
Segundo Quintela et al. (1991), pulverizações com Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae na superfície do solo tem evidenciado um controle de 30 a 50% de larvas e pupas e a utilização desses fungos em áreas de secagem de vagens para o controle das larvas que saem das sementes ou mesmo a destruição dessas larvas são práticas que podem diminuir a reincidência da praga nas safras subsequente. Outras práticas para o controle de C. bimaculatus são sugeridas pelos mesmos autores como a coleta de vagens remanescentes no campo, principalmente as infestadas, e a queima ou incorporação profunda dos restos de cultura.
Tripes: (Ordem Thysanoptera)
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 31. Adulto de tripes coletado em inflorescência de feijão-caupi.
São insetos pequenos, em torno de 0,5 a 13 mm de comprimento medindo a maioria das espécies cerca de 1 mm apresentando dois pares de asas franjadas (Figura 31).
Em feijão-caupi os tripes têm se tornado importante praga nos últimos anos, principalmente, nos períodos secos ou de veranico.
Até o momento não se determinaram qual a espécie ou espécies que ocorrem na região Meio-Norte, entretanto, Chagas (1993) mencionam a ocorrência da espécieFrankliniella schultzei (Trybom) atacando inflorescência de feijão-caupi no Rio Grande do Norte.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 32. Colônia de tripes em inflorescência
de feijão-caupi.
Os tripes atacam com maior freqüência a inflorescência, Figura 32, provocando o abortamento das flores, em grandes populações, podem atacar também as folhas e ramos, no entanto, o ataque as inflorescências causam os maiores prejuízos e como escondem-se entre as pétalas, dificultam a ação dos inseticidas.
Pragas dos grãos armazenados
Traça: Plodia interpunctella (Huebner, 1813) (Lepidoptera; Pyralidae)
São pequenas mariposas, Figura 33, de aproximadamente 20 mm de envergadura, cabeça e tórax avermelhados, asas anteriores com dois traços distais também avermelhados e com o terço basal de coloração acinzentada, com alguns pontos escuros nítidos (Galloet al., 2002). As lagartas são de coloração branco rosadas que se tornam mais escuras quando próximas de empuparem. Neste período, tecem um casulo de teia e restos de alimento e excrementos, Figura 33, entre os próprios grãos, sacarias ou frestas das paredes. Uma fêmea oviposita de 100 a 400 ovos distribuídos isoladamente ou agrupados sobre os grãos (Gallo et al., 2002).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 33. Traça: Plodia interpunctella
(Huebner) nas fases de larva pupa e adulto.
Por terem o corpo mole esta traça não penetra profundamente em grãos armazenados a granel, atacando mais os grãos da superfície principalmente aqueles trincados ou quebrados. Quando armazenados em sacarias, são mais atacados.
Caruncho-do-feijão: Callosobruchus maculatus (Fabricius,1775) Coleoptera; Bruchidae)
São besouros de aproximadamente 3 mm de comprimento, apresentando nos élitros manchas amarronzadas que em repouso formam um "X", Figura 34, vivem cerca de 5 a 8 dias. As fêmeas põem em média 80 ovos segundo Quintela et al. (1991) nas superfícies dos grãos. Ao eclodirem, as larvas penetram nos mesmos alimentando-se do conteúdo interno. Dentro dos grãos, transformam-se em pupas e, após a emergência, os adultos perfuram um orifícios de saída, Figura 34, e fora dos grãos, reiniciam o ciclo biológico.
O controle de P. interpunctella e C. maculatus, pelo fato de apresentarem infestação cruzada e proporcionarem a contaminação dos armazéns, deve obedecer o seguinte esquema para os grãos armazenados em sacarias:
  • No período da entressafra, os armazéns devem ser limpos e desinfestados, com aplicação de inseticidas por meio de pulverização, polvilhamento ou nebulização, procurando atingir principalmente os locais de esconderijo dos insetos, como cantos de paredes, fendas dos trados, rachaduras de pisos e paredes, locais escuros, etc.
  • Realização de expurgo em todo o material a ser estocado e posteriormente, pulverização ou polvilhamento das superfícies do material expurgado.
  • Fazer monitoramento dos grãos armazenados, fazendo mensalmente uma amostragem de cada lote e expurgando novamente aqueles infestados.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 34. Adulto de Callosobruchus maculatus
(Fabricius) em grãos apresentando ovos e
orifício de saída dos insetos.
Expurgo
Segundo Gallo et al. (2002), expurgo, é a operação que visa a eliminação dos insetos que se encontram nos produtos armazenados em suas diversas fases de desenvolvimento, procurando atingir uma eficiência de 100% no controle.
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 35. Pastilhas de fosfina para expurgo
de grãos armazenado.
Na operação de expurgo, são empregados defensivos conhecidos como fumigantes sendo a fosfato de alumínio (fosfina) o mais utilizado atualmente (Figura 35).
A operação de expurgo pode ser realizada com os grãos a granel ou ensacados. A granel, os grãos são depositados em silos verticais, horizontais ou armazéns graneleiros.
Na operação de expurgo em grãos acondicionados em sacos, seguem-se as seguintes etapas:
  • Empilhamento da sacaria sobre estrados de madeira (Figura 36);

Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 36. Sacos de feijão empilhados sobre
estrados de madeira para serem expurgados. 
  • Cobertura da sacaria com um lençol impermeável de forma que as laterais do lençol se estenda sobre o piso cerca de 1,0 m (Figura 37).
  • Disposição das "cobras de areia" sobre as laterais do lençol que se estende sobre o piso de forma que o lençol fique em contato com este e evite a saída dos gases do inseticida (Figura 37).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva
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Figura 37. Lençol impermeável cobrindo a
sacaria em expurgo. Detalhe das "cobras
de areia" evitando a saída dos gases.
  • Deixar um dos lados da pilha sem as "cobras de areia" para dar acesso à pessoa que vai colocar as pastilhas de fosfina (inseticida).
  • Distribuir as pastilhas de fosfina na quantidade recomendada pelo fabricante em diferentes locais da pilha de sacos.
  • Após a colocação das pastilhas, vedar o acesso colocando as "cobras de areia" no local do acesso.
  • Obedecer o período de exposição dos grãos e de carência. 
Em grãos armazenados em silos ou armazéns graneleiros, normalmente as partilhas de fosfina são adicionadas aos grãos na esteira de carregamento, em doses recomendadas, à medida que esses locais estão sendo carregados com os grãos.
A fosfina é um gás inodoro, portanto, o odor de etileno "carbureto" (gás de alerta) é para alertar as pessoas que trabalham com este produto ou se encontre nas proximidades dos locais onde a mesma está sendo usada, que a fosfina está no ambiente.
A pastilha do inseticida começa a liberar o gás venenoso uma hora após entrar em contato com o ar, entretanto, dependendo das condições de temperatura e umidade, este tempo pode ser mais reduzido. Neste sentido, aconselha-se que a distribuição do produto pelas sacarias, seja o mais breve possível e, após a aplicação, evitar a presença de pessoas e animais no local.



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