segunda-feira, 19 de outubro de 2015

CULTURA DO FEIJÃO CAUPI (Resumo)



A CULTURA DO FEIJÃO CAUPI 

Botânica: - Família: Fabaceae = Leguminosae -
Gênero: Vigna - 
Espécie Vigna Unguiculata (L) Walp 




Centro de Origem: Sudeste asiático O feijão Caupi é uma cultura tradicionalmente explorada por pequenos agricultores, normalmente descapitalizados, por isso mesmo, na maioria das vezes, com emprego de pouca tecnologia. Tara-se de uma leguminosa de alto valor nutricional, e com boa aceitação no mercado. É uma cultura pouco exigente no que diz respeito à fertilidade do solo, pois tem a grande vantagem de ser uma planta fixadora de nitrogênio, um dos elementos essências à cultura. No entanto, variações climáticas podem afetar significativamente a produtividade da cultura. 

Clima 
O bom desenvolvimento da cultura ocorre quando a temperatura média do ar fica na faixa de 18 a 34°C. Quando essa temperatura estiver abaixo de 8 a 11°C, a cultura não se desenvolve. Altas temperaturas inibem o crescimento das plantas do feijoeiro Caupi, prejudica a polinização, provoca abortamento de flores, vingamento e retenção final de vagens. Além de contribuir para a ocorrência de doenças. A cultura do feijão Caupi exige um mínimo de 300 mm de precipitação para que produza a contento, sem a necessidade de utilização da prática de irrigação. Assim, as regiões cujas precipitações oscilem entre 250 e 500 mm são consideradas aptas para a exploração da cultura. Na região Meio-Norte do Brasil, a principal causa da variação da produtividade de grãos feijoeiro Caupi em condições de sequeiro está associada á disponibilidade hídrica no solo, devido principalmente à má distribuição das chuvas, que limitam o crescimento e o desenvolvimento da cultura. Outros fatores, como a radiação solar e a umidade relativa do ar, também afetam essa produtividade. 

3 Solo 
O feijão Caupi pode ser cultivado em quase todos os tipos de solo. De um modo geral, desenvolve-se bem em solos com regular teor de matéria orgânica, soltos, leves e profundos, arejados e dotados de uma média a alta fertilidade. No entanto, solos de baixa fertilidade podem ser utilizados, com aplicação de fertilizantes químicos ou orgânicos. 

3.1 Correção de acidez 
As recomendações de correção de acidez devem ser feitas com base em resultados de análise química do solo, e deve levar em consideração a percentagem de saturação de alumínio no solo. Para a cultura do feijão Caupi, recomenda-se que seja feito correção de acidez do solo quando essa percentagem de saturação for igual ou superior a 20%. 

3.2 Adubação 
Além do carbono, hidrogênio e oxigênio, que estão presentes na atmosfera, são essenciais às plantas os macros e os micronutrientes que estão presentes no solo. No caso de qualquer desses nutrientes presentes no solo em níveis muito baixos, constatados por meio de análise de solo, a correção da fertilidade deve ser feita para que a cultura se desenvolva e produza satisfatoriamente. 

Recomendação de adubação química (kg/ha) para a cultura de feijão Caupi com base em resultados de análise de solo. Época N P2O5 K2O P no solo mg dm- ³ K no solo mg dm- ³ Plantio - 0-5 6-10 >10 0-25 26-50 >50 - 60 40 20 40 30 20 Cobertura 20 - - Fonte: EMBRAPA - 2000 

4 Época de plantio 
A melhor época de plantio para as variedades de ciclo médio (70 a 80 dias) é na metade do período chuvoso de cada região. Para as variedades de ciclo precoce (55 a 60 dias), recomenda-se fazer o plantio dois meses antes da previsão de término do período chuvoso. Com isso evita-se que a colheita seja feita em períodos com maior probabilidade de ocorrência de chuvas. Na região Nordeste do Brasil, a má distribuição das precipitações pluviométricas, torna a agricultura de sequeiro uma atividade econômica de alto risco. Para reduzir esse risco é recomendado que se faça o plantio do feijão Caupi escalonado, e num sistema policultivar. A semeadura escalonada consiste em distribuir diferentes variedades com diferentes características de ciclo de desenvolvimento, em diferentes épocas, dentro de intervalo de tempo mais indicado para o plantio da cultura na região. Dentre as vantagens do plantio escalonado, podemos citar: - diminuição dos riscos de perdas por adversidades climáticas; - maior proteção do solo contra erosão; - melhor distribuição das práticas de implantação da lavoura; - possibilidade de colheita e beneficiamento da produção num maior intervalo de tempo; - oportunidade de colocação da produção no mercado por um maior período de tempo e épocas mais adequadas, quando melhore preços podem ser alcançados. Em relação ao sistema de policultivo, a diferença é que variedades de ciclos diferentes podem ser plantadas na mesma época. Quando o cultivo for irrigado, a flexibilização da época de plantio é maior. No entanto, devem ser observadas as oscilações de preços do produto no mercado. Num sistema irrigado deve-se optar por variedades mais precoces e produtivas, e que sejam  indicadas para esse sistema de cultivo. A semeadura deve ser feita em períodos em que o florescimento não coincida com períodos de altas temperaturas. 

5 Métodos de plantio 
O feijão Caupi pode ser plantado pelos mais variados métodos, desde os mais rudimentares até os motomecanizados, com plantadeiras adubadeira. 

5.1 Plantio manual 
É o mais usado em pequenas propriedades, utilizando-se enxadas e “matracas”, também conhecidas como “tico-tico”. Esse tipo de plantadeira permite um melhor rendimento que as enxadas. 

5.2 Plantio a tração animal 
É feito com a utilização de plantadeiras simples, que contém apenas os depósitos de sementes e fertilizantes. São implementos com dispositivos que permitem colocar o fertilizante em faixa, ao lado e abaixo da semente. 

5.3 Plantio motomecanizado 
O implemento que executa esse tipo de plantio tem o mesmo princípio da plantadeira a tração animal. A diferença está na produtividade do serviço e no fato de que algumas possuem mecanismos que facilitam o controle da distribuição da quantidade de semente desejada. 

6 Densidade de plantio 
Uma das causas da baixa produtividade de grãos de feijão Caupi, na região Nordeste do Brasil é a escassez ou excesso de plantas por unidade de área. A escassez pode ser ocasionada por falhas que ocorrem na linha de plantio, podendo ser conseqüência da má regulagem de plantadeira, utilização de sementes de baixo vigor, danos causados por insetos ou doenças que matam as plantas ou devido ao plantio efetuado com pouca umidade no solo. A densidade ótima de plantio é definida como sendo o número de plantas capazes de explorar de maneira mais eficiente e completa uma determinada área de solo. Pesquisas já mostraram que a maior produtividade de grãos é obtida com uma densidade de plantio em torno de 50 a 60 mil plantas por hectare, para variedades de porte ramador e 70 a 90 mil plantas para variedades de porte moita. 

7 Espaçamento 
O número de plantas por unidade de área é definido pela função do espaçamento entre linhas de plantio e a densidade de planta por metro linear. Para variedades de porte ramador é recomendado o espaçamento de 0,8 a 1,0m entre linhas. Para variedades de porte moita, o espaçamento mais recomendado é de 0,6 m. A densidade de semente recomendada por linha de plantio é de 6 a 8 por metro. Plantando-se a cultura na densidade correta haverá um melhor aproveitamento interceptada pelas plantas, principalmente nas regiões que apresentam grande intensidade luminosa, como é o caso da região Nordeste do Brasil.

8 Cultivos consorciados 
O feijão Caupi no Meio-Norte do Brasil é cultivado, em grande parte, em associação com outras culturas, sendo a mais comum o milho. O cultivo em consórcio possibilita a subsistência do produtor, a utilização permanente de mão-de-obra, a alimentação diversificada, e o melhor controle de erosão do solo e de pragas, doenças e ervas invasoras. Este sistema de cultivo é uma opção para o aproveitamento intensivo da terra, além de proporcionar renda familiar relativamente estável ao longo dos anos. 

8.1 Vantagens de cultivos consorciados 
Dentre as principais vantagens deste sistema de cultivo podem ser citadas: - Maior produção de alimento por unidade de área cultivada; - Estabilidade de produção, pois diminui os riscos de insucesso total da lavoura, ou seja, se uma cultura falha ou produz pouco a cultura consorte pode compensá-la. - Aumenta a proteção vegetativa do solo, protegendo-o contra erosão; - Permite melhor aproveitamento de mão-de-obra e o seu uso com mais eficiência; e - Diminui a incidência de pragas e doenças tanto na cultura principal como na consorte. 

8.2 Desvantagens do consórcio - 
Dificuldade de utilização de práticas culturais mais eficientes e capazes de levar a altas produtividades; - Tecnologias mais evoluídas são de difícil utilização neste sistema de cultivo, principalmente quando é pretendido o uso de mecanização. 

8.3 Consorcio Milho x Feijão Caupi 
A associação de milho com feijão Caupi pode ser feita de diversas maneiras. As duas culturas podem ser plantadas simultaneamente na mesma fileira, ou em fileiras intercaladas. Neste caso os sistemas mais utilizados são os de uma fileira de milho para uma de feijão, uma de milho para duas de feijão. Um outro sistema é o de faixas alternadas, sendo o de duas fileiras de milho para três de feijão Caupi o mais recomendado. Neste caso deve ser preservado o espaçamento recomendado para as culturas. 

 9 Escolha de variedades 
Deve ser feita de acordo com indicação da pesquisa para a região, que normalmente levam em consideração as condições climáticas da região e as exigências do mercado consumidor. Vale ressaltar que as tradições regionais também devem ser levadas em consideração. Também deve-se levar em consideração o ciclo da cultivar na hora do planejamento da lavoura. O ciclo do Caupi para as condições tropicais, está classificado em, superprecoce, precoce, médio, médio-precoce, médio-tardio e tardio. Esses ciclos podem ser detalhados da seguinte maneira: Ciclo superprecoce – a maturidade é alcançada até 60 dias após a semeadura; Ciclo precoce – a maturidade é alcançada entre 61 e 70 dias após a semeadura; Ciclo médio – a maturidade é alcançada entre 71 e 90 dias após a semeadura; Ciclo médio-precoce – a maturidade é alcançada entre 71 e 80 dias após a semeadura; Ciclo médio -tardio – a maturidade é alcançada entre 81 e 90 dias após a semeadura; Ciclo tardio – a maturidade é alcançada a partir de 91 dias após a semeadura. 

10 Tratos culturais 
Para a cultura do feijão Caupi, os mais importantes são: - controle de ervas invasoras; - controle de pragas e doenças; e - manejo de restos culturais. 

10.1 Controle de plantas invasoras 
São definidas como plantas invasoras qualquer espécie vegetal crescendo em local não desejado, e que de alguma forma interferem com as atividades produtivas esperadas pelo agricultor. O período crítico de competição das invasoras com o feijão Caupi ocorre aproximadamente até os 35 dias após a emergência. As espécies que se desenvolvem posteriormente a esse período não interferem diretamente na produção de Feijão Caupi. Na necessidade de eliminação de invasoras de determinada área, deve-se, sempre que possível utilizar o controle integrado, ou seja, a combinação de dois ou mais métodos, potencializando os efeitos individuais e aumentando os efeitos das práticas. O planejamento do controle deve levar em consideração a disponibilidade de mãode-obra e de implementos agrícolas. O controle normalmente pode ser: Preventivo – tem o objetivo de prevenir a introdução, o estabelecimento e/ou a disseminação de determinadas espécies de invasoras em áreas de cultivo não infestadas. Controle cultural – aproveitamento de características agronômicas de culturas comerciais com o objetivo de levar vantagens sobre as ervas invasoras. Controle mecânico – utilização de práticas de controle de plantas invasoras por meio de efeitos físico-mecânico, como a capina manual e o cultivo mecânico. A utilização de enxadas, e principalmente, os cultivadores a tração animal são os métodos mais comuns de controle de plantas invasoras em feijão Caupi. Controle químico – é recomendado para grandes áreas, quando justificado, ou em áreas com mão-de-obra escassa. Nesse método são utilizados herbicidas, que podem ser classificados em, de pré-plantio incorporado (PEI), pré-emergente (PE) e pós-emergente (POS). esse método de controle de invasoras deve ser um complemento de outras práticas de manejo, e deve ser utilizado com o objetivo de reduzir as necessidades dos métodos de controle manual ou mecânico. 

 10.2 Principais pragas e seu controle 
Os insetos, geralmente atacam as plantas naquela época em que o seu estágio fenológico está produzindo seu alimento ideal. Assim as pragas do feijão Caupi se distribuem de acordo com estágio fenológico da cultura (Fig.10.2.1). O conhecimento dessa relação inseto/planta é importante para que o técnico ou produtor faça um acompanhamento adequado do nível populacional das pragas para fins de manejo e/ou controle. O controle é normalmente feito com a utilização de produtos químicos, e nunca deve ser realizado sem a orientação e acompanhamento técnico.

10.3 Doenças 
Os agentes de doenças que infestam o feijão Caupi determinam perdas tanto no volume de produção quanto na qualidade do produto. A forma de controle mais recomendada engloba um conjunto de procedimento a serem utilizados por ocasião da implantação da cultura. Entre tais procedimentos constam, a utilização de variedades resistentes, sementes sadias e certificadas, rotação de cultura, época correta de semeadura. Solos encharcados devem ser evitados. No caso de todos esses procedimentos falharem, o controle químico é recomendado. Mas só deve ser feito com orientação e acompanhamento técnico. As principais doenças que infestam a cultura do Caupi se dividem em: 
Podridão de raiz-colo-caule - Tombamento (Damping off); - 
Podridão das raízes; - 
Podridão do colo; - 
Podridão cinzenta do caule; - 
Murcha de fusarium; e - 
Murcha/podridão de esclerótico. 
Doenças foliares - Mosaico severo do Caupi; - 
Mosaico rugoso; - Mosqueado severo; - 
Mosaico do pepino; - 
Mosaico dourado; - Carvão; - 
Mancha café; - 
Cercosporiose (Mancha vermelha); - 
Mela; - Mancha zonada; - Ferrugem; - 
Mancha de alternaria; - 
Oídio cinza; e - 
Mancha bacteriana. 
Doenças das flores vagens e sementes - 
Sarna; - Mofo cinzento das vagens. 

11 Colheita 
O momento da colheita constitui-se num fator de grande importância para a obtenção de grãos de boa qualidade. A colheita deve ser realizada quando as plantas atingirem a maturidade fisiológica, que caracteriza-se pela mudança da cor das vagens e dos grãos obedecendo aos padrões das variedades consideradas. A maturação fisiológica no feijão Caupi ocorre normalmente vinte dias após o início da fase de formação das vagens. A colheita antecipada faz com que o tempo e o custo para secagem sejam elevados, além de dificultar o processo de trilha. Se for adiada, pode ser reduzida a produtividade de grãos, em função da deiscência das vagens no campo. Poderá haver também deterioração dos grãos por eventuais incidências de fungos e ataque de insetos, além de aumentar os riscos de germinação de grãos nas vagens. 

11.1 Colheita Manual 
O feijão é colhido vagem por vagem, e a debulha é feita manualmente ou por meio de bateção. 

11.2 Colheita Mecânica 
É feita por meio de máquinas especiais para essa operação. 

11.3 Colheita Semimecanizada. 
É a combinação da colheita manual e mecânica, envolvendo as operações de arranquio e recolhimento manual e bateção (trilha) mecanizada. 

12 Secagem e Armazenamento 
A secagem é um processo que utiliza o ar como um meio para conduzir calor e transferir o excesso de umidade da massa de grãos para a atmosfera. Isso geralmente em duas etapas: - Pré-secagem das ramas – feita ao sol na sua forma original ou enleirada no campo, ou ainda espalhada em lonas ou terreiros; - Secagem dos grãos após a trilha – normalmente e feita ao sol, espalhando-se os grãos em lonas ou terreiros. 

13 Armazenamento 
Normalmente é feito a granel, em silos ou ensacados, em armazéns. 

14 Comercialização - 
Em feiras livres, e nas Centrais de Abastecimentos Estaduais, baseado no preço mínimo estabelecido pelo governo, ou a livre concorrência





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