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terça-feira, 8 de setembro de 2015

A Cultura do Arroz (Resumo)



Prezados amigos: Com esta publicação, damos por encerrados os trabalhos aqui neste blog sobre "A Cultura do Arroz", nosso objetivo é contribuir com uma página para Produtores, Profissionais da área, Estudantes, compilando, agregando, reunindo dados que possam facilitar o estudo e conhecimentos ora em questão, nossos agradecimentos à EMBRAPA, EPAMIG E AOS MESTRES DA HORTICULTURA.
Para melhor entendimento, publicaremos todos os slides disponíveis até o momento, procurando sempre que possível, atualizá-los e se quiserem aprofundar mais sobre algum assunto mais especifico, sugerimos no "Blog" procurar o marcador de "Arroz" e ao clicar, serás direcionados ao conjunto de publicaçôees refentes a esta cultura.
Com relação aos slideshares, para melhor visualização, clique na aba inferior do mesmo, naquele quadradinho com duas setas invertidas para visualizares em tela cheia, se por acaso tiveres interesse em fazer o download do mesmo, clique no titulo logo abaixo do slide, serás direcionado ao servidor, onde há a opção para baixar para seu o "PC".

MEUS SINCEROS AGRADECIMENTOS POR SUA VISITA, SALIENTADO QUE ESTE É UM TRABALHO DE CONTRIBUIÇÃO, SEM NENHUMA VANTAGEM ECONÔMICA, REALIZADO APENAS PELO PRAZER E AO ETERNO AMOR À AGRICULTURA.

ABRAÇOS.

Carlos Pena
Origem do Arroz
•A maioria dos autores acredita que ele seja originário da Ásia Sul-Oriental, região que inclui a China, a Índia e a Indochina. Evidências arqueológicas na China e na Índia atestam a existência do arroz há cerca de 7000 anos.
•As referências mais concretas, entretanto, remontam ao ano de 2822 a.C., cerimônias instituídas pelos imperadores da China, que consistia em semear, eles próprios, anualmente, as sementes de arroz.
•Na Europa, a introdução do arroz na cultura de seus povos se deu através dos mouros no século VIII, na Península Ibérica. A partir daí, difundiu-se nos demais países. Sete séculos depois, no final do Século XV, a cultura do arroz é introduzida, nas regiões da Lombardia, Veneto e Piemonte.
•Nos Estados Unidos informações datam a chegada do arroz em 1694, na Carolina, e em 1718, na Louisiana.
Cultura do arroz
•Arroz e sociedade
–Profunda influência cultural.
–Principal produto alimentar nas diversas culturas:
•Significado religioso e cultural.
•Culturas com lendas em que o arroz está ligado à sua própria origem.
•Cultura chinesa:
–“she fan” significa “comer” bem como “comer arroz”.
–“Fan Dian” significa “restaurante” bem como o “lugar onde o arroz é servido”.
•Cultivo do arroz
–Cultivado na actual Tailândia (7.0 anos a.C.) e mais tarde passou para a China (?) substituindo o milho.
–O cultivo molhado do arroz substituíu o cultivo seco, alterando a paisagem da Ásia das monções e exigindo esquemas de irrigação próprios e muito trabalho intensivo.
De onde vieram os alimentos?
• As culturas agrícolas originaram-se nas áreas onde viveram povos como os maias e os incas, na América, os sumerianos, na Mesopotâmia, e os chineses, no leste da Ásia. Na América do Sul, os indígenas cultivavam diversos tipos de batata. A origem desse alimento são as montanhas da atual Bolívia, onde se encontram mais de 300 tipos diferentes! Os sumerianos desenvolveram a agricultura do trigo, e os chineses, do arroz. A maior parte da população mundial, em nossos dias, tem como base alimentar pelo menos um dos produtos desenvolvidos por esses povos.
O Arroz no Brasil
•O arroz foi introduzido no Brasil pela frota de Pedro Alvares
Cabral, o arroz e presunto foram os últimos presentes deixados aos índios.
•1530 -Porém o cultivo do arroz para uso próprio só é relatado após 1530 na capitânia de São Vicente.
•Quanto ao Rio Grande do Sul, atual estado maior produtor de arroz, Auguste de Saint Hilaire, em sua viagem ao Estado, realizada nos anos de 1820/21, já fala da ocorrência de lavouras desse cereal. Outros autores citam os colonos alemães de Santa Cruz do Sul e Taquara como os introdutores da cultura no Estado, sempre em pequenas lavouras, em estilo colonial.
•Mas é, em 1904, no município de Pelotas, que surge a primeira lavoura empresarial, já então irrigada.
Arroz, o cereal mais consumido no mundo
•O arroz, cereal de maior importância alimentar no mundo.
•A China é o principal produtor mundialde arroz, com 184.070 mil toneladas, ou seja 29% do total produzido, seguida pela Índia com 21,5%.
•A produção brasileira corresponde a apenas 1,8% da produção mundial e tem se mantido próxima a 10 milhões de toneladas, alcançando em 2006 1.526.685 toneladas.
•De maneira geral, o arroz é IMPORTADO, devido ao grande volume que se destina, internamente, à alimentação humana.
•A importação de arroz, é proveniente, principalmente, do
Mercosul, sobretudo Argentina e Uruguai, cujos solos têm uma fertilidade maior, para esse produto, que o brasileiro, necessitando, portanto, de menos investimento em adubo.
Arroz, o cereal mais consumido no mundo
•Oarroz, uma gramínea do gênero Oryza, é um dos principais cereais do mundo, cultivado por cerca de 100 nações.
•Na maioria dos casos, quase toda a produção é destinada ao consumo interno destes países.
•Arroz cresce nas mais variadas condições: em altitudes inferiores ao nível do mar ou superiores a 3.0 metros.
•Existem pelo menos 9 variedades de arroz:
Vermelho; Parbolizado; Basmati; Tailandês; Selvagem; Japonês; Ráris; Agulha; Integral.
Fonte: IBGE -Produção Agrícola Minicipal Produção média de arroz do Brasil e

Arroz, o cereal mais consumido no mundo
•Oarroz é uma gramínea adaptada ao meio ambiente aquático. Esta adaptação é possível devido a presença de um tecido no colmo da planta, chamado arênquima.
•Ele possibilita a passagem do oxigênio do ar para a camada da rizosfera(sistema radicular). Graças a estas características é possível o plantio no ecossistema de várzeas (irrigado).
•Neste sistema predomina o cultivo com irrigação controlada, onde a cultura é realizada em várzeas sistematizadas, com semeadura feita em solo seco e a água aplicada na forma de banhos.
•Também pode ser realizado sob sistema de várzea úmida, sem controle de irrigação, o que normalmente é realizado por pequenos produtores.
Arroz em casca –Mundo Tabela . Produtividade nos dez principais países, 2002 a 2004 (em quilos por hectare)
Fonte dos dados: Faostat, 2006 Elaboração: Projeto Arroz Brasileiro
Arroz em casca –Mundo Área colhida nos dez principais países, 2002 a 2004 (em hectares)
Fonte dos dados: Faostat, 2006
Elaboração: Projeto Arroz Brasileiro
Arroz em casca –Mundo Produção nos dez principais países, 2002 a 2004 (em toneladas)
Fonte dos dados: Faostat, 2006 Elaboração: Projeto Arroz Brasileiro
Solos
• No Brasil, ele tem sido cultivado em áreas de pastagens degradadas pois, tem boa tolerância a solos ácidos, sendo usado como meio de recuperação desses solos.
• Historicamente, o arroz de sequeiro apresenta baixos níveis de produtividade e, sobretudo, qualidade dos grãos inferior aos produzidos pelo processo irrigado.
• Por isso, pesquisas recentes procuram produzir sementes para o cultivo de terras altas altamente produtivas e com qualidade de grão tão boa quanto a do arroz irrigado.
• Atualmente, 13% dos campos de arroz do mundo cultivam esse tipo de arroz entretanto, representam apenas 4-5% da produção total mundial. Cerca de 20% do arroz de sequeiro do mundo é cultivado na América Latina.
• No Brasil, esse tipo de cultura, concentra-se na Região de Cerrado e, apesar de ocupar cerca de 64% da área cultivada, responde por apenas 39% da produção nacional. Diferentemente do arroz irrigado que, ocupando apenas 40% da área cultivada é responsável por aproximadamente 60% da produção nacional.
Semeadura
•Semeadura direta em covas (manual) : Densidade de 5 a 8 sementes por cova.Espaçamento 30 centímetros entre fileiras e 20 centímetros entre covas. Quantidade de sementes : 50 a 60 quilos por hectare.
•Semeadura direta em linhas ( mecânica):Densidade de 90 a 100 sementes por metro linear de sulco.Espaçamento: 30 centímetros entre fileiras.Quantidade de sementes: 100 quilos por hectare.
•Semeadura a lanço ( sementes pré-germinadas):Recomendase distribuir de 100 a 120 quilos por hectare de sementes selecionadas.
•As sementes deverão ficar submersas em água entre 24 e 36horas.
Os principais sistemas de cultivo
Os principais sistemas de cultivo de arroz irrigado são:
•o sistema convencional,
•plantio direto
• pré-germinado
•e transplante de mudas.
Convencional
Neste sistema o solo precisa ser preparado em duas etapas.
a) O preparo primário consiste em operações mais profundas, normalmente realizadas com arado para o rompimento das camadas compactadas e eliminação e/ou enterro de cobertura vegetal.
b) No preparo secundário, utiliza-se grades ou plainas para nivelar, destorroar, destruir crostas superficiais, incorporar agroquímicos e eliminar plantas daninhas no inicio do seu desenvolvimento. Neste sistema, a semeadura é realizada a lanço ou em linha.
Um aspecto importante que deve ser considerado no preparo do solo é o ponto de umidade ideal.
a)Solo muito úmido sofre danos físicos na estrutura (compactação no lugar onde trafegam as rodas do trator) e tende a aderir (principalmente em solos argilosos) com maior força nos implementos agrícolas até o ponto de inviabilizar a operação desejada.
b)Solo muito seco, pode-se formar "torrões" difíceis de serem quebrados, aumentando o número de operações e, conseqüentemente, aumentará o consumo de combustível e tempo, o que encarece o processo.
Plantio Direto
Neste sistema o solo não precisa ser previamente preparado para receber a semente.
Abre-se um pequeno sulco (ou cova) de profundidade e largura suficientes para garantir uma boa cobertura e contato da semente com o solo sendo que, não mais que 25 ou 30% da superfície do solo são movimentados.
Neste sistema também deve-se realizar o entaipamento(construção da infra-estrutura de irrigação, drenagem e estradas)
Este sistema apresenta, menor custo de produção, racionalização do uso dos insumos, melhor uso do solo, menor necessidade de maquinário (menor custo).
Pré-Germinado
Este sistema caracteriza-se pela semeadura de sementes pré-germinadas em solo previamente inundado.
No preparo do solo, há necessidade de formação de lama e o nivelamento e alisamento são realizados, normalmente, com o solo inundado.
A primeira fase do preparo do solo visa trabalhar a camada superficial para a formação de lama, podendo ser realizada em solo seco com posterior inundação ou em solo já inundado.
As principais técnicas utilizadas nessa fase envolvem: · aração em solo úmido;
· aração seguida de destorroamentocom grade de disco ou enxada rotativa em solo seco, sendo a lama formada após a inundação utilizandose a enxada rotativa; · uso de enxada rotativa sem aração, preferencialmente em solo inundado, repetindo-se a operação, de modo a permitir a formação de lama sem deixar restos de plantas daninhas. Uma alternativa para a formação de lama é a utilização da roda de ferro tipo "gaiola", que oferece maior sustentação e deixa menos rastro das rodas do trator.
Pré-Germinado
A segunda fase compreende o renivelamento e o alisamento, após a formação da lama, utilizando-se pranchões de madeira, com o intuito de tornar a superfície lisa e nivelada, própria para receber a semente pré-germinada. As operações descritas nestas duas fases foram desenvolvidas principalmente para pequenas áreas. Em áreas mais extensas, vem se buscando um sistema próprio de preparo do solo, que consiste das seguintes operações: 1. Uma ou duas arações em solo seco; 2. Uma ou duas gradagens, para destorrar o solo, tendo-se o cuidado de não "pulverizá-lo", para que pequenos torrões impeçam o arraste de sementes pelo vento; 3. Aplainamento e entaipamento; 4. Inundação da área com uma lâmina de, no máximo, 10 cm, mantendo-a por, no mínimo, 15 dias antes da semeadura, para controlar o arroz vermelho; 5. Alisamento com pranchões de madeira; 6. Semeadura das sementes pré-germinadas.

Transplante de Mudas
Este método tem como principal objetivo a obtenção de sementes de alta qualidade, realizado em linhas.
Transplante de Mudas
· Produção de mudas: as mudas podem ser produzidas em caixas, com fundo perfurado, com as seguintes dimensões: 60 cm de comprimento x
30 cm de largura x 5 cm de altura (as medidas de largura e comprimento das caixas, poderão variar de acordo com o tipo de transplantadeira). O solo a ser utilizado deve ser, preferencialmente, de textura franco arenosa, baixo teor de matéria orgânica e livre de sementes nocivas.
Transplante de Mudas Após peneirado, em malha de 5 m, o solo é colocado nas caixas numa espessura de 2,5 cm. São semeadas em torno de 300 g de sementes pré-germinadas por caixa e cobertas com 1 cm de solo. Após a semeadura, as caixas são irrigadas abundantemente, empilhadas e cobertas com lona plástica por 2-4 dias, até a emergência das plântulas (esta fase é variável em função da temperatura).
Transplante de Mudas Quando as plântulas iniciam a emergência, as caixas espalhadas em um viveiro protegido contra o ataque de pássaros e ratos são irrigadas diariamente, até a fase de duas folhas (12-18 dias). Caso haja ocorrência de doenças nas plântulas, estas devem ser controladas com a aplicação de fungicidas específicos.
Transplantio:
O transplante é feito quando as mudas de 10 a 12 cm de altura (12 a 18 dias após a semeadura)
No momento de transplante, as caixas devem estar com umidade adequada, para facilitar o desempenho da transplantadeira.
Esta operação deve ser realizada com área previamente drenada.
Transplantio:
As transplantadeiras normalmente utilizadas, possuem um sistema de regulagem que permite o plantio de 3 a 10 mudas por cova, espassamento de 14 a 2 cm entre covas e 30 cm entre linhas.
O rendimento médio de uma transplantadeira com 6 linhas é em torno de 3.0 metros quadrados por hora de trabalho, sendo necessárias 110-130 caixas de mudas/ha (30- 40 kg de sementes/ha).
Transplantio:
A inundação permanente deve ser evitada por uns 2 ou 3 dias, até o pegamento das mudas.
O preparo do solo, manejo da água, controle de plantas daninhas, de pragas e doenças é idêntico ao recomendado para o sistema prégerminado.

Cultivares
As cultivares de arroz irrigado normalmente são classificadas em três tipos, conforme as características fenotípicas da planta.
Cultivares
Tipo Tradicional: as plantas pertencentes a este grupo apresentam características como porte alto, folhas longas e decumbentes, além de serem menos exigentes em relação ao seu cultivo (maior rusticidade). Os grãos podem ser curtos, médios ou longos (com casca pilosa ou não)
Cultivares
Tipo Intermediário: As plantas deste grupo apresentam porte médio, com folhas curtas, estreitas, semi-eretas e lisas. Os grãos são longos, finos e cilíndricos, apresentando excelente qualidade culinária e grande aceitação no mercado nacional e internacional.
Cultivares
Tipo Moderno: são plantas de porte baixo, folhas curtas e eretas, pilosas ou lisas.
Apresentam colmos curtos e fortes, alta capacidade de perfilhamento e elevado potencial produtivo.
Quanto ao ciclo:
•Em Santa Catarina e no Mato Grosso do Sul e nos demais estados produtores, o ciclo é definido como precoce (< 120 dias), médio (121-135 dias) , semi tardio (136-150 dias) e tardio (+ que 150 dias)
De que se trata?
Nos métodos de irrigação por escoamento sobre a superfície, a água é trazida por canais ou tubos até a parte mais alta da área de cultivo e daí é distribuída, escoando diretamente sobre o solo.
MODALIDADES: • Sulcos;
FAIXAS:

• Retenção em bacias de inundação.
Zonas de bacias hidrográficas onde há água abundante, solo argiloso e relevo plano.


sábado, 15 de agosto de 2015

Colheita, Pós-Colheita e Comercialização do arroz de Sequeiro



COLHEITA E PÓS-COLHEITA DO ARROZ DE SEQUEIRO


As operações de colheita e pós-colheita constituem etapas importantes do processo de produção e, quando malconduzidas, acarretam perdas elevadas de grãos, comprometendo os esforços e os investimentos dedicados à cultura. A colheita pode ser realizada por três métodos: o manual, o semi-mecanizado e o mecanizado. No primeiro, as operações de corte, enleiramento, recolhimento e trilhamento são feitas manualmente; no semi-mecanizado, o corte, o enleiramento e o recolhimento das plantas são, geralmente, manuais, e o trilhamento, mecanizado; no método mecanizado, todas as operações são feitas à máquina. Qualquer que seja o método utilizado, quando o arroz é colhido muito úmido ou tardiamente, com baixo teor de umidade, a produtividade e a qualidade dos grãos são prejudicadas. Para a maioria das cultivares, o ideal é colher o arroz entre 18 a 23% de umidade. No caso da colheita manual, para evitar perdas desnecessárias, recomenda-se, adicionalmente, que o arroz cortado não permaneça enleirado por tempo desnecessário no campo e que se evite o manuseio de feixes muito volumosos de cada vez, para facilitar a operação de trilhamento. Na colheita mecânica, além da regulagem adequada dos mecanismos externos e internos da colhedora, deve-se atentar para a velocidade do molinete, que deve ser suficiente apenas para puxar as plantas para dentro da máquina.



Nas operações de pós-colheita, a secagem pode ser feita por dois processos: o natural e o artificial. O natural, consiste em utilizar o calor e o vento para a secagem; o artificial, com a utilização de equipamentos (secadores) especialmente projetados para esse fim. Para evitar danos ao arroz, quando se destina ao plantio, a temperatura de secagem deve se situar entre 42º C e 45º C. Na secagem de grãos para consumo, a temperatura do ar não deve ultrapassar a 70ºC. No armazenamento, o arroz para ser melhor conservado deve estar limpo e com teor de umidade entre 13% e 14%. Nesta umidade, para a maioria das cultivares, a maturação pós-colheita, isto é, o arroz envelhecido, melhora sua qualidade culinária, ficando seus grãos mais secos e soltos após o cozimento.


MERCADO E COMERCIALIZAÇÃO


Iniciou-se em meados da década de 80 um processo mundial de abertura econômica ao comércio internacional, que desencadeou transformações no modo de produção, comercialização e consumo dos bens e serviços. Na orizicultura nacional as transformações foram mais acentuadas porque, além desses elementos, ocorreram mudanças relacionadas à consolidação da preferência do consumidor pelo arroz tipo "agulhinha", e o retorno, de forma competitiva, quanto a qualidade e preço do arroz conhecido como de terras altas, produzido na região central do país. 



Para melhor entender os reflexos da nova conjuntura sobre a comercialização do arroz fez-se um breve retrospecto das mudanças tecnológicas e nos hábitos de consumo, e traçou-se um rápido perfil da cultura no país tratando, especificamente, dos atuais instrumentos de comercialização utilizados pelo governo e das estratégias adotadas pelos segmentos da cadeia produtiva. 



A produção brasileira de arroz encontra-se dispersa em todo o território nacional. Existem dois tipos principais de sistemas básicos de produção, o arroz de "terras altas" e o irrigado, permitindo, ainda, a divisão em três pólos produtivos. O primeiro é na região Sul, produzindo arroz irrigado com alta tecnologia, destacando os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina; o segundo abrange as regiões Sudeste e Centro-Oeste, envolvendo São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. 



Observa-se, ainda, uma concentração em pólos de produção, de beneficiamento e de empacotamento em torno de grandes agroindústrias, que estão instaladas nas regiões produtoras, em especial no Rio Grande do Sul, principal fornecedor de arroz para os grandes centros consumidores localizados nas Regiões Sudeste e Nordeste do país mas, diante do constante crescimento da produção e qualidade do arroz produzido no Mato Grosso, aliados aos incentivos fiscais nesse estado, percebe-se uma migração das indústrias do Sul para o Centro-Oeste.



As transações no mercado do arroz são basicamente do tipo "spot". No entanto, nota-se uma preocupação em buscar mecanismos de comercialização complementares que ofereçam maior segurança na negociação do produto. Esta constatação foi baseou-se no crescente número de produtores e indústrias que estão buscando processos alternativos de comercialização, cujos resultados são de pequenos vultos, mas demonstram que há interesse em solucionar os pontos de estrangulamento da cadeia produtiva.



Atualmente o Governo Federal procura adotar uma intervenção mínima que garanta o abastecimento de arroz em quantidade suficiente para o abastecimento interno e, ao mesmo tempo, preços compatíveis com a realidade do setor.



Além dos problemas referentes à tecnologia e condução das culturas, os produtores apontam como principais entraves à comercialização do arroz de terras altas: a) a enorme variação qualitativa dos grãos, tornando o armazenamento dispendioso por requerer o acondicionamento em sacos. Isso ocorre porque os lotes que entram no armazém possuem características e classificações diferentes; b) o baixo grau de confiabilidade nas relações comerciais entre produtores e atacadistas; c) a dificuldade de acesso e/ou indisponibilidade de estrutura própria para a secagem e armazenagem do grão imediatamente após a colheita. 



O segmento atacadista reporta que a constante intervenção governamental se constitui numa dificuldade para a comercialização do arroz. No entanto, ficou claro que o mercado ainda não está preparado para funcionar sem ação governamental. 



Os produtores ainda não dispõem de tecnologias e cultivares que sejam capazes de, a curto prazo, atender as exigências do mercado, verificadas por grãos longos finos, uniformes, inteiros, de pequena pegajosidade e rapidez no cozimento. Algumas metas e ajustes tornam-se fundamentais para que se estabeleça uma maior coordenação entre o produtor e a agroindústria, a exemplo do que ocorre com a soja e outros produtos, cujos sistemas de comercialização são mais desenvolvidos. 



Como conclusões adicionais citam-se: a) o sistema de comercialização do arroz ainda é pouco desenvolvido, encontrando-se vários problemas, como o baixo entrosamento e relacionamento entre o setor atacadista/beneficiador e produtor; b) a produção das regiões produtoras mudam de destino, ou seja os mercados são volúveis; c) os fluxos são bastante variáveis; d) a maior parte do arroz de terras altas é comercializada logo após a colheita.



Manejo de Plantas Daninhas, Pragas e Doenças no Arroz de Sequeiro


MANEJO DAS PLANTAS DANINHAS
As estratégias para o manejo de plantas daninhas no arroz de terras altas, já permitem, ao orizicultor, a implantação e a condução da cultura de forma segura e eficiente. A população das plantas daninhas pode ser dividida em três componentes: as sementes ativas; as sementes inativas ou latentes; e as plantas daninhas propriamente ditas. As sementes ativas, prontas para germinar, e as inativas, ou latentes, podem vir de fontes comuns: produção das plantas e de sistemas externos. As ativas, por sua vez, podem originar sementes inativas. O manejo de plantas daninhas pode ser direto ou indireto. No direto, as atividades são direcionadas à eliminação direta das plantas daninhas por métodos químicos, mecânicos, manuais e biológicos. No manejo indireto, as atividades são direcionadas ao sistema solo/cultura e se trabalha com a relação sementes ativas/inativas. Neste caso, aumenta-se a emergência das plantas daninhas para depois controlá-las, com o uso de técnicas, como por exemplo, a aplicação antecipada de dessecantes.

A capacidade competitiva do arroz em relação às plantas daninhas dependem de fatores como emergência mais rápida da cultura em relação às invasoras e a maior taxa de crescimento inicial. Tais fatores de competição estão ligados ao manejo de solo (cultivo mínimo e plantio direto) e manejo cultural (uso de sementes, de variedades adaptadas, plantio sem falhas, espaçamento e densidades adequados, fertilidade e condições físicas do solo propícias ao arroz). Outra estratégia seria a eliminação e/ou redução do crescimento das plantas daninhas por métodos químicos, mecânicos e manuais. A aplicação de herbicidas exige o conhecimento da seletividade do produto para cada variedade de arroz e a eficiência no controle sobre as populações infestantes predominantes.
DOENÇAS E MÉTODOS DE CONTROLE

A cultura do arroz de terras altas, é afetada por doenças durante todo seu ciclo, que reduzem a produtividade e a qualidade dos grãos. A incidência e a severidade das doenças dependem da ocorrência do patógeno virulento, do ambiente favorável e da suscetibilidade da cultivar. As doenças que causam prejuízos significativos na produção e qualidade dos grãos em ordem decrescente de importância são: brusone (Pyricularia grisea), mancha de grãos (Phoma sorghina e Bipolaris oryzae) e escaldadura (Monographella albescens). Os prejuízos direto e indiretos ocasionados pela brusone, nas folhas e nas panículas, são maiores em arroz de terras altas, na região Centro-Oeste, onde, pelas condições favoráveis à doença, as perdas podem chegar em até 100%. Em plantio direto, a incidência e a severidade da brusone nas folhas e nas panículas foram significativamente menores do que no plantio convencional, contudo, este sistema de plantio apresentou maior produtividade. A queima das glumelas é um dos principais componentes das mancha de grãos e pode ocasionar perdas de 12 a 30% no peso, e de 18 a 22%, no número de grãos cheios por panícula, dependendo do grau de suscetibilidade da cultivar, assim como reduzindo a qualidade após o beneficiamento, os grãos totalmente manchados apresentam gessamento e coloração escura. A escaldadura é uma enfermidade comum, principalmente em locais com temperaturas elevadas acompanhadas por períodos prolongados de orvalho ou chuvas contínuas. As perdas resultam da redução da fotossíntese e da paralisação do crescimento da plantas ocasionadas geralmente em plantios de arroz de primeiro ano em solos de cerrado e na Amazônia e região pré-amazônica, a doença é endêmica. Dentre os métodos de controle dessas doenças, a resistência genética é o principal componente do manejo integrado. A utilização de cultivares resistentes além de ser a prática mais econômica, permite racionalizar o seu uso e de outros insumos como adubação e tratamento com fungicidas. Medidas de controle integrado das doenças do arroz de terras altas, aumentam a produtividade levando em consideração os custos de produção e redução dos impactos ambientais das medidas adotadas.

PRAGAS E MÉTODOS DE CONTROLE
No Brasil, a perda anual de produção de arroz devido ao ataque de insetos em nível de lavoura é estimada em 10%. O agroecossistema arroz de terras altas no Brasil, abriga, por períodos variáveis, grande número de pequenos animais, principalmente artrópodes, que comportam-se como fitófagos ou zoófagos. 

Dentre os artrópodes fitófagos encontrados em arroz de terras altas destacam-se aqueles de grande poder daninho ocorrendo com maior freqüência e abundância nas regiões de produção e que são responsabilizados pela maior parte da perda anual, causada por esse ramo à produção de arroz. Existem vários outros fitófagos do arroz que, de forma localizada no país, podem prejudicar a produção das culturas, como por exemplo Rhammatocerus schistocercoidesNeobaridia amplitarsis no estado de Mato Grosso e Oediopalpa spp.no estado do Maranhão.

As espécies comumente envolvidas em arroz de terras altas são as seguintes: cupim-rizófagos, Procornitermes spp; percevejo-castanho, Scaptocoris castanea (Perty, 1830); percevejo-do-colmo, Tibraca limbativentris Stal; percevejo-das-panículas, Oebalus poecilus (Dalas); cigarrinha-das-pastagens,Deois flavopicta Stal; pulgão-da-raiz, Rhopalosiphum rufiabdominaleSasaki; lagarta-dos-arrozais, Spodoptera frugiperda (J.E. Smith); lagarta-dos-capinzais, Mocis latipes (Guenée); lagarta-dos-cereais, Pseudaletia adultera (Schaus, 1894) e P. sequax Franclemont; 1951 broca-do-colo, Elasmopalpus lignosellus (Zeller); broca-do-colmo, Diatraea saccharalis(Fabricius); pulga-da-folha, Chaetocnema sp.; cascudo-preto (bicho-bolo),Euetheola humilis, Burmeister; formigas cortadeiras,Acromyrmex spp. eAtta spp. 

Dentre as medidas de controle para o manejo adequado dessas espécies na cultura incluem práticas culturais, preservação de inimigos naturais e produtos químicos.

NORMAS GERAIS PARA O USO DE AGROTÔXICOS

As normas gerais para o uso de agrotóxicos compreendem assuntos que abrangem desde aspectos conceituais, de formulação e de preparo, até suas características fitotóxicas, toxicológicas e de risco ao meio ambiente e ao homem. 

Tais normas fornecem também a classificação dos fungicidas, herbicidas e inseticidas e a relação destes defensivos comercializados para o arroz em 2002. Adicionalmente, são descritas as medidas gerais para manuseio e uso desses produtos bem como os procedimentos a serem seguidos em caso de acidente, enfatizando as devidas precauções com o destino final das embalagens por parte do usuário e as responsabilidades do revendedor e do fabricante ao fornecer as informações juntamente com o produto.

Pragas e Doenças no Arroz
A proteção da cultura do arroz contra o ataque de insetos e patógenos é fundamental para evitar falhas no estande de plantas, espiguetas vazias e grãos manchados. O sucesso produtivo depende da identificação rápida das ameaças e do uso de táticas de Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Principais pragas do arroz - Planeta Arroz
Manejo contra principais pragas que atacam lavouras de arroz ...

Principais Doenças do Arroz
As infecções causadas por fungos e nematoides atacam desde as folhas até os grãos, afetando a fotossíntese e a produtividade da lavoura.
  • Brusone (Magnaporthe oryzae / Pyricularia oryzae): É a doença mais destrutiva do arroz. Provoca lesões em formato de losango com centro claro nas folhas. Quando ataca o nó da panícula (brusone do pescoço), impede o enchimento dos grãos e quebra a haste.
  • Mancha-Parda (Bipolaris oryzae): Causa manchas ovais e escuras nas folhas e nos grãos. Está muito associada a solos com deficiência nutricional ou estresse hídrico.
  • Escaldadura (Microdochium oryzae): Manifesta-se com lesões que começam nas pontas ou margens das folhas, apresentando faixas concêntricas claras e escuras alternadas.
  • Ponta-Branca (Aphelenchoides besseyi): Doença causada por um nematoide fitoparasita transmitido pelas sementes. Provoca o esbranquiçamento da ponta das folhas e a redução no tamanho das panículas.

Principais Pragas do Arroz
Os insetos-praga atacam o arroz em diferentes fases, atuando como desfolhadores, sugadores ou broqueadores.
  • Gorgulho-Aquático ou Bicheira-do-Arroz (Oryzophagus oryzae): Os adultos cortam as folhas, mas o dano crítico é feito pelas larvas subterrâneas. Elas devoram as raízes do arroz irrigado por inundação, reduzindo severamente a absorção de nutrientes.
  • Lagarta-do-Cartucho (Spodoptera frugiperda): Atua como desfolhadora, devorando rapidamente o tecido das folhas jovens, o que diminui a área de fotossíntese e pode destruir plantas inteiras no início do ciclo.
  • Percevejo-do-Colmo (Tibraca limbativentris): Ataca a base das plantas introduzindo estiletes sugadores. No período vegetativo causa o sintoma de "coração morto" e, na fase reprodutiva, gera panículas brancas e sem grãos.
  • Percevejo-do-Grão (Oebalus spp.): Ataca diretamente as panículas em formação. Suga a seiva dos grãos leitosos, resultando em grãos chochos, quebradiços no beneficiamento ou manchados.

Práticas de Manejo e Controle
O combate eficiente exige combinar medidas preventivas, culturais e biológicas antes de recorrer exclusivamente à aplicação química.
  1. Escolha da Semente: Utilizar sementes certificadas e tratadas livres de nematoides.
  2. Variedades Resistentes: Adotar cultivares geneticamente resistentes a doenças como a brusone.
  3. Manejo do Solo e Resteva: Destruir restos culturais e plantas daninhas na entressafra para eliminar locais de abrigo ou fontes de fungos.
  4. Adubação Equilibrada: Evitar o excesso de nitrogênio, que predispõe o arroz a infecções por fungos.
  5. Controle Químico Assertivo: Usar fungicidas no final do emborrachamento e no início do florescimento para proteger as panículas, e aplicar inseticidas específicos baseando-se em amostragens reais do talhão.

Para que eu possa detalhar melhor as recomendações, você poderia informar o tipo de cultivo (arroz irrigado ou de sequeiro) e se há alguma praga ou sintoma específico afetando a sua lavoura no momento?
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