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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Botânica da Stevia

 

A STEVIA

Botânica

1. Descrição

Moisés Bertoni, em 1905, resumiu assim o seu estudo sistemático sobre a estévia: "Pequena erva de 40 a 80 centímetros de altura,geralmente 50 cm, raízes vivazes, talo sublenhoso, pubescente, débil e com poucas ramificações terminais coroadas por panículas,ormadas de pequenos corimbos, trazendo 2 a 6 flores pequena com corola de lóbulos brancos, alongados e abertos".

A estévia [Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni] pertence à família Compositae, sendo classificadas cerca de 200 espécies no gênero Stevia, com distribuição ampla nas regiões tropicais e subtropicais das Américas. No Brasil foram encontradas quatro espécies, embora existam informações sobre a ocorrência de 14 espécies no Rio Grande do Sul. Das espécies que ocorrem no País merecem destaque a S. rebaudiana e a S. aristata que também apresenta princípios edulcorantes. Todas as 14 espécies paraguaias de Stevia, incluindo Stevia rebaudiana, são agrupadas na série Multiaristatae. Taxonomicamente, esta série é caracterizada por perenialidade rizomatosa, folhas simples inteiras, geralmente opostas na base da planta, crenuladas a crenado-serradas na porção média superior, sésseis a pecioladas. Inflorescências corimbiformes ou paniculiformes, brácteas involucrais geralmente lanceoladas. Flores actinomorfas, corola com cinco lobos perfeitos. Aquênios isomórficos, "pappus" com 10 a 20 aristas cerdosas e simétricas.

2. Habitat

O gênero Stevia ocorre apenas no continente americano, estendendo-se do sudeste dos Estados Unidos ao norte da Argentina, particularmente ao longo das montanhas Andinas, podendo-se estimar em cerca de 120 espécies de Stevia para a América do Sul.

A Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni é endêmica no Paraguai, ocorrendo naturalmente tanto ao norte deste país como nos limites das fronteiras Brasil - Paraguai, já tendo sido coletada no Brasil. De 18 Estévia modo geral, a zona nativa da planta silvestre localiza-se sob clima

tropical, com uma altitude média de 300 metros, situada na região da cordilheira do Amambai ao longo do rio Monda'i, principalmente na pradaria de São Pedro, no Alto Jeju'i, Vakaretã e Yhu, na encosta da cordilheira do Esbakarayu, e ao norte de Mato Grosso do Sul. Essa área está compreendida entre 22º a 25º de latitude sul e 54º a 56º de longitude oeste. Via de regra, a planta é registrada em campos de pastagens com solo arenoso, ligeiramente úmido. A espécie nativa também foi encontrada em focos isolados no arenito do Caiuá, região de origem da planta, localizada na mesma latitude sul, e 53º a 54º de longitude oeste no norte e oeste do Paraná, na bacia do rio Ivaí e parte da bacia do rio Paranapanema, no estado de São Paulo.

3. Fotoperiodismo e floração

A estévia é uma planta de dias curtos para floração, com fotoperíodo crítico de 13 a 14 horas. A sensibilidade aos dias curtos ocorre após a planta desenvolver quatro pares de folhas, sendo necessários apenas dois ciclos (dia/noite) para a indução ao florescimento. Transplantes ou cortes realizados em períodos de dias curtos induz a floração tão logo a planta atinja a idade fisiológica adequada, ocorrendo um crescimento mais lento. Devese evitar a semeadura nos meses de menor comprimento do dia, a fim de se evitar o florescimento das mudas ainda no viveiro.

No gênero Stevia as flores são curtamente exsertas (tubo da corola até duas vezes o tamanho do ovário) (Fig. 2). As folhas são oblongo-lanceoladas a romboídeas, com ambas as faces esparsopilosas.

Os vários aquênios são dispostos em panículas laxas, sendo os aquênios glanduloso-ciliados. As flores são hermafroditas, pequenas e levemente perfumadas, sendo que a polinização é cruzada. O pólen, por ser úmido e pegajoso, pode ser carregado por insetos, porém torna-se difícil a sua dispersão pelo vento.

Fig. 2. Inflorescência da estévia.

A espécie apresenta variações em suas características fisiológicas e morfológicas, devido a fatores genéticos e/ou ambientais.

Plantas oriundas de sementes mostram a variabilidade genética por meio da forma da planta, dos tipos e tamanhos de folhas e do teor dos edulcorantes.

A estévia produz três tipos de frutos, denominados de aquênios, que são constituídos de um embrião pseudogâmico com dois cotilédones e um eixo embrionário envoltos por um endosperma mais denso. A cobertura protetora é exercida pelo fruto (Fig. 3).

Os três tipos de aquênio são:

1) aquênio claro estéril - devido à ausência de polinização não há embrião;

2) aquênio escuro fértil - ocorre a polinização e fecundação da oosfera com formação do embrião;

3) aquênio escuro estéril - ocorre a polinização e o desenvolvimento do tubo polínico, havendo uma interrupção do crescimento deste antes de atingir a oosfera.

A baixa longevidade das sementes, provavelmente, está relacionada com a composição química, cacterizada pela riqueza de lipídeos.

3. Fotoperiodismo e floração

A estévia é uma planta de dias curtos para floração, com fotoperíodo crítico de 13 a 14 horas. A sensibilidade aos dias curtos ocorre após a planta desenvolver quatro pares de folhas, sendo necessários apenas dois ciclos (dia/noite) para a indução ao florescimento. Transplantes ou cortes realizados em períodos de dias curtos induz a floração tão logo a planta atinja a idade fisiológica adequada, ocorrendo um crescimento mais lento. Deve se evitar a semeadura nos meses de menor comprimento do dia, a fim de se evitar o florescimento das mudas ainda no viveiro.

No gênero Stevia as flores são curtamente exsertas (tubo da corola até duas vezes otamanho do ovário) (Fig. 2). As folhas são oblongo-lanceoladas a romboídeas, com ambas as faces esparsopilosas.

Os vários aquênios são dispostos em panículas laxas, sendo os aquênios glanduloso-ciliados. As flores são hermafroditas, pequenas e levemente perfumadas, sendo que a polinização é cruzada. O pólen, por ser úmido e pegajoso, pode ser carregado por insetos, porém torna-se difícil a sua dispersão pelo vento.

Fig. 3. Tipos de sementes (aquênios) de estévia quanto à coloração (clara e escura).


A espécie apresenta variações em suas características fisiológicas e morfológicas, devido a fatores genéticos e/ou ambientais.

Plantas oriundas de sementes mostram a variabilidade genética por meio da forma da planta, dos tipos e tamanhos de folhas e do teor dos edulcorantes.

A estévia produz três tipos de frutos, denominados de aquênios, que são constituídos de um embrião pseudogâmico com dois cotilédones e um eixo embrionário envoltos por um endosperma mais denso. A cobertura protetora é exercida pelo fruto (Fig. 3).

Os três tipos de aquênio são:

1) aquênio claro estéril - devido à ausência de polinização não há embrião;

2) aquênio escuro fértil - ocorre a polinização e fecundação da oosfera com formação do embrião;

3) aquênio escuro estéril - ocorre a polinização e o desenvolvimento do tubo polínico, havendo uma interrupção do crescimento deste antes de atingir a oosfera.

A baixa longevidade das sementes, provavelmente, está relacionada com a composição química, cacterizada pela riqueza de lipídeos.

4. Sistema radicular

O sistema radicular da estévia é pivotante no início do desenvolvimento. Após o primeiro corte verifica-se uma diferenciação celular na região do coleto e o sistema radicular torna-se fasciculado, com maior distribuição na camada superior do solo.

5. Sistema vegetativo

A estévia é uma planta de porte arbustivo e de crescimento determinado, no qual o crescimento vegetativo dá lugar ao crescimento reprodutivo. Durante o primeiro ciclo, observa-se, em média, uma haste principal com 25 ramos secundários por planta.

Observam-se, também, ramificações de terceira, quarta, quinta e até sexta ordem, apesar das três últimas ocorrerem em menor número. Após cada corte ocorre a diminuição dos ramos secundários até que cada perfilho tenha somente a haste principal, onde os cortes sucessivos estimulam o perfilhamento. O vigor da rebrota depende das reservas acumuladas pelo sistema radicular e da fertilidade do solo (Fig. 4).

6. Variedades

Das 200 espécies do gênero Stevia já identificadas, a S. rebaudiana e S. aristata são as únicas que apresentam princípios edulcorantes. Esta última é pouco conhecida e somente Brücher,em 1974, fez menção sobre a mesma. Por sua descrição, a S. aristata parece ter características superiores às da S. rebaudiana para a produção de folhas, tratando-se de uma importante planta para ser estudada. A S. rebaudiana (Bert.) Bertoni, apresenta numerosas variedades.

No Japão foram selecionadas 28 variedades, nas quais foi encontrada uma grande variação no teor de esteviosídeo, entre 2,07 a 8,34%. Os estudos sobre as características morfológicas e o conteúdo dos princípios ativos edulcorantes mostraram ser de

alta herdabilidade. Naquele país foram registradas variedades que tinham alto conteúdo de rebaudiosídeo A.

No Canadá, a Royal-Sweet International Tecnologies Ltd informou ter obtido uma variedade de estévia não sensível ao fotoperiodo, por meio de indução genética, cujo genótipo foi patenteado. Nos Estados Unidos, foram obtidos clones de estévia pelo tratamento de sementes com colchicina, com boas características fenotípicas 1 para a produção de esteviosídeo/rebaudiosídeo . No Brasil, os plantios comerciais existentes são oriundos de semente de meioirmãos, sem identificação de uma cultivar recomendada para o plantio nas várias condições ecológicas de adaptação da estévia.

É importante que a seleção seja dirigida para a obtenção depopulações homogêneas, com resistência a doenças e pragas, com maiores teores de edulcorantes, maior massa foliar, produção de semente viáveis, menos exigentes em nutrientes, com tolerância à seca e insensíveis ao fotoperíodo e altitude, assim como maior número de hastes e ramificações na parte aérea da planta, dentre outras características.



Caracteristicas da Stevia

 

Viabilidade Socioeconômica do Desenvolvimento Agroindustrial da

Estévia

O pleno desenvolvimento dos negócios da agricultura tem-se constituído em um dos principais alicerces do setor primário, com bons reflexos no setor secundário, principalmente considerando a grande vantagem comparativa e competitiva, como é o caso do desenvolvimento agroindustrial da estévia. Para o desempenho eficiente do agronegócio, torna-se imprescindível o estabelecimento e a consolidação da cadeia produtiva, sendo os produtores e consumidores os elos mais importantes. A cadeia produtiva é a lógica do agronegócio.

Para o caso da estévia, a cadeia agroindustrial (Fig. 1) mostra o seu dinamismo econômico e tem amplas condições de ser desenvolvida, com o estabelecimento de pelo menos cinco pontos de comercialização, ou seja, sementes, mudas, folhas secas, esteviosídeo/rebaudiosídeo e produtos industrializados.

A exploração da cultura num sistema tecnificado permite que, da mesma área cultivada, possam ser obtidos, em até quatro cortes por ano, a matéria seca pronta para o processamento e o beneficiamento. Este processo pode ser desenvolvido, economicamente, por seis anos consecutivos, o que reduz os custos de implantação, condução e exploração da cultura.


Segurança Alimentar da Estévia

A qualidade dos produtos oriundos do processo de transformação industrial da estévia deve ser obtida desde o campo, por meio da aplicação das boas práticas de pré-colheita, colheita e pós-colheita das folhas, principal fonte para a produção do esteviosídeo/ rebaudiosídeo e seus derivados.

Apesar de não haver o risco zero na produção de qualquer alimento, o risco pode ser avaliado, gerenciado e comunicado, o que facilita o estudo da probabilidade da ocorrência dos riscos de contaminação física, química e biológica que porventura possam vir a existir.

Para o caso específico da estévia, onde a folha seca produzida sai diretamente do campo para o processamento na indústria, é importante a conscientização do agricultor quanto à adequação de hábitos e atitudes na produção da folha seca, para que sejam atendidas as exigências dos consumidores no que se refere à qualidade do produto.

Os riscos de contaminação química podem ser reduzidos ou evitados pelos cuidados na aplicação de defensivos como fungicidas, inseticidas e herbicidas nos cultivos, e pela precaução no processo de colheita, secagem, acondicionamento, armazenamento, transporte e distribuição das folhas para evitar a ocorrência de micotoxinas (toxinas produzidas por fungos) e bactérias, além de grãos de areia e outros resíduos na fase de colheita das folhas.

Para isso, no processo de articulação e transferência de conhecimentos e tecnologias, os esteviacultores também devem ser orientados no sentido de adotar práticas agrícolas que visem a obtenção dos alimentos seguros da estévia, do campo à mesa.

Em relação à segurança dos alimentos advindos da estévia, as pesquisas científicas têm constatado que o uso do esteviosídeo/rebaudiosídeo não provoca qualquer efeito colateral danoso à saúde humana.



STEVIA: Introdução e Histórico


 

A STEVIA


Introdução


A Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni é um arbusto dicotiledôneo, ordem campanular da família Compositae, alógama, semi-perene, que ocorre espontaneamente na região da Serra do Amambai, entre o Brasil e o Paraguai.

A planta é importante do ponto de vista social, econômico, ambiental e político, principalmente pela produção de dois edulcorantes, o esteviosídeo e o rebaudiosídeo, com maior concentração nas folhas. Estes edulcorantes são, em média, respectivamente, de 300 a 400 vezes mais doces que o açúcar da cana-de-açúcar. Além disso, não são metabolizados pelo corpo humano, possuindo propriedades excepcionais, como serem não

calóricos, antidiabéticos, antiglicêmicos, anticáries e outras, inclusive úteis para a produção de fitormônios bem mais baratos, além do uso do bagaço na alimentação animal.

A exploração racional da estévia representa uma excelente oportunidade de produção e comercialização de adoçantes naturais para o consumo interno e exportação, de grande utilidade para pessoas diabéticas.

O cultivo da estévia é apropriado para agricultores familiares, pelo potencial de agregação de valor que possui, favorecendo a geração de renda, empregos, serviços e outros benefícios para a sociedade.


A cadeia produtiva é bastante promissora, tanto pelo lado agrícola, como pelo lado agroindustrial.

Em termos do aproveitamento agroindustrial da estévia, existem no mundo 15 fábricas de processamento, sendo 13 no Japão, uma na China e uma no Brasil. A fábrica existente no Brasil tem plenas condições de absorver a matéria-prima produzida no país, visando a transformação em produtos para consumo interno e externo.

Considerando as exigências ecológicas da estévia, Mato Grosso do Sul e Paraná, dentre outros, apresentam condições ideais para o seu cultivo, o que requer a geração, divulgação e adoção de conhecimento e tecnologias apropriadas para o desenvolvimento desse agronegócio.

No presente documento são apresentadas as tecnologias disponíveis aos produtores rurais interessados na exploração racional da estévia.


Histórico

Quando os conquistadores espanhóis aportaram na América do Sul, observaram a existência de uma planta que era utilizada para adoçar bebidas medicamentosas, especialmente, o mate cozido pelos índios tupi-guaranis. Apenas no século 19 essa planta voltou a ser mencionada novamente. Isto ocorreu em 1899, quando o naturalista suíço, radicado no Paraguai, Moisés Santiago Bertoni (1857-1929), obteve referências da planta de ervateiros e índios do Mondaíh, em uma de suas viagens às florestas do leste paraguaio em 1887. Por meio de uma porção de ramos e fragmentos de inflorescência, Bertoni classificou a planta, erroneamente, como Eupatorium rebaudianum sp. n., em homenagem ao químico paraguaio Ovídio Rebaudi. O cônsul Britânico em Assunção, C. Gosling descreveu a planta, suas propriedades e habitat, enviando ainda farto material para a Inglaterra, quando verificou-se que a planta pertencia ao gênero Stevia. Seu manuscrito foi publicado em abril de 1901 no Kew Bulletin, da Inglaterra. No Paraguai, a estévia é conhecida na linguagem Guarani por ka'a he’ , que significa erva doce.


Nos anos 20 do século passado, países como os EUA e Polônia pediram sementes ou mudas para o Ministério da Agricultura do Paraguai, para introdução e estudos da planta em seus respectivos domínios. Em 1926, oitocentas plantas, provenientes de sementes importadas, foram cultivadas pelo governo americano, para serem distribuídas aos pesquisadores. Sabe-se, também, que a estévia foi importada pelos soviéticos em 1936. Outro fato digno de nota, refere-se ao interesse dos ingleses pela estévia no início dos anos

Procurava-se, em 1941, um substituto para o açúcar (de canade- açúcar ou beterraba) e a sacarina, devido à crescente escassez de adoçantes durante a II Guerra Mundial. Julgava-se essencial, e de interesse nacional, examinar a possibilidade de produzir substitutos do açúcar natural nas Ilhas Britânicas. Em um memorando do Jardim Botânico Real, na cidade de Kew, de 1941, recomendava-se a estévia como um substituto valioso da sacarose.


Em 1942 e 1943 sementes foram enviadas de Kew para áreas de clima mais ameno do Reino Unido, mais adequadas ao crescimento das plantas. Elas foram cultivadas nos condados de Devon e Cornwall, desenvolvendo-se bem durante o verão. Estes fatos ilustram que a estévia foi cultivada com sucesso no sudeste inglês, e utilizada como adoçante no início dos anos 40.

A primeira descrição da estévia no Brasil foi feita em 1926, quando foi editado o primeiro volume do Dicionário das Plantas Úteis do Brasil, do botânico brasileiro Manuel Pio Correa (1874 -1934).

Provavelmente as primeiras notícias na mídia a respeito da estévia datam de 1926, quando foram publicadas reportagens em matutinos de São Paulo, e na revista "Chácaras e Quintaes", em 1927. Em 1943, novamente o assunto da planta edulcorante voltou à tona, em artigo publicado na Tribuna Farmacêutica de Curitiba,

onde o autor fazia considerações sobre a "novidade", reproduzindo um artigo de Moisés Santiago Bertoni de 1918.

Na década de 70, o interesse comercial ressurgiu por intermédio dos japoneses, quando intensificaram-se, paulatinamente, os estudos relativos à planta. Atualmente a comercialização do edulcorante tende a crescer, principalmente no sudeste asiático e em outras partes do mundo.




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