A STEVIA
Introdução
A Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni é um arbusto dicotiledôneo, ordem campanular da família Compositae, alógama, semi-perene, que ocorre espontaneamente na região da Serra do Amambai, entre o Brasil e o Paraguai.
A planta é importante do ponto de vista social, econômico, ambiental e político, principalmente pela produção de dois edulcorantes, o esteviosídeo e o rebaudiosídeo, com maior concentração nas folhas. Estes edulcorantes são, em média, respectivamente, de 300 a 400 vezes mais doces que o açúcar da cana-de-açúcar. Além disso, não são metabolizados pelo corpo humano, possuindo propriedades excepcionais, como serem não
calóricos, antidiabéticos, antiglicêmicos, anticáries e outras, inclusive úteis para a produção de fitormônios bem mais baratos, além do uso do bagaço na alimentação animal.
A exploração racional da estévia representa uma excelente oportunidade de produção e comercialização de adoçantes naturais para o consumo interno e exportação, de grande utilidade para pessoas diabéticas.
O cultivo da estévia é apropriado para agricultores familiares, pelo potencial de agregação de valor que possui, favorecendo a geração de renda, empregos, serviços e outros benefícios para a sociedade.
A cadeia produtiva é bastante promissora, tanto pelo lado agrícola, como pelo lado agroindustrial.
Em termos do aproveitamento agroindustrial da estévia, existem no mundo 15 fábricas de processamento, sendo 13 no Japão, uma na China e uma no Brasil. A fábrica existente no Brasil tem plenas condições de absorver a matéria-prima produzida no país, visando a transformação em produtos para consumo interno e externo.
Considerando as exigências ecológicas da estévia, Mato Grosso do Sul e Paraná, dentre outros, apresentam condições ideais para o seu cultivo, o que requer a geração, divulgação e adoção de conhecimento e tecnologias apropriadas para o desenvolvimento desse agronegócio.
No presente documento são apresentadas as tecnologias disponíveis aos produtores rurais interessados na exploração racional da estévia.
Histórico
Quando os conquistadores espanhóis aportaram na América do Sul, observaram a existência de uma planta que era utilizada para adoçar bebidas medicamentosas, especialmente, o mate cozido pelos índios tupi-guaranis. Apenas no século 19 essa planta voltou a ser mencionada novamente. Isto ocorreu em 1899, quando o naturalista suíço, radicado no Paraguai, Moisés Santiago Bertoni (1857-1929), obteve referências da planta de ervateiros e índios do Mondaíh, em uma de suas viagens às florestas do leste paraguaio em 1887. Por meio de uma porção de ramos e fragmentos de inflorescência, Bertoni classificou a planta, erroneamente, como Eupatorium rebaudianum sp. n., em homenagem ao químico paraguaio Ovídio Rebaudi. O cônsul Britânico em Assunção, C. Gosling descreveu a planta, suas propriedades e habitat, enviando ainda farto material para a Inglaterra, quando verificou-se que a planta pertencia ao gênero Stevia. Seu manuscrito foi publicado em abril de 1901 no Kew Bulletin, da Inglaterra. No Paraguai, a estévia é conhecida na linguagem Guarani por ka'a he’ , que significa erva doce.
Nos anos 20 do século passado, países como os EUA e Polônia pediram sementes ou mudas para o Ministério da Agricultura do Paraguai, para introdução e estudos da planta em seus respectivos domínios. Em 1926, oitocentas plantas, provenientes de sementes importadas, foram cultivadas pelo governo americano, para serem distribuídas aos pesquisadores. Sabe-se, também, que a estévia foi importada pelos soviéticos em 1936. Outro fato digno de nota, refere-se ao interesse dos ingleses pela estévia no início dos anos
Procurava-se, em 1941, um substituto para o açúcar (de canade- açúcar ou beterraba) e a sacarina, devido à crescente escassez de adoçantes durante a II Guerra Mundial. Julgava-se essencial, e de interesse nacional, examinar a possibilidade de produzir substitutos do açúcar natural nas Ilhas Britânicas. Em um memorando do Jardim Botânico Real, na cidade de Kew, de 1941, recomendava-se a estévia como um substituto valioso da sacarose.
Em 1942 e 1943 sementes foram enviadas de Kew para áreas de clima mais ameno do Reino Unido, mais adequadas ao crescimento das plantas. Elas foram cultivadas nos condados de Devon e Cornwall, desenvolvendo-se bem durante o verão. Estes fatos ilustram que a estévia foi cultivada com sucesso no sudeste inglês, e utilizada como adoçante no início dos anos 40.
A primeira descrição da estévia no Brasil foi feita em 1926, quando foi editado o primeiro volume do Dicionário das Plantas Úteis do Brasil, do botânico brasileiro Manuel Pio Correa (1874 -1934).
Provavelmente as primeiras notícias na mídia a respeito da estévia datam de 1926, quando foram publicadas reportagens em matutinos de São Paulo, e na revista "Chácaras e Quintaes", em 1927. Em 1943, novamente o assunto da planta edulcorante voltou à tona, em artigo publicado na Tribuna Farmacêutica de Curitiba,
onde o autor fazia considerações sobre a "novidade", reproduzindo um artigo de Moisés Santiago Bertoni de 1918.
Na década de 70, o interesse comercial ressurgiu por intermédio dos japoneses, quando intensificaram-se, paulatinamente, os estudos relativos à planta. Atualmente a comercialização do edulcorante tende a crescer, principalmente no sudeste asiático e em outras partes do mundo.

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