terça-feira, 14 de maio de 2019

Sistema agroflorestal na erva-mate



A erva-mate forma um dos sistemas agroflorestais mais característicos da região de ocorrência natural da espécie. Trata-se de uma atividade que apresenta aspectos ambientais, econômicos e sociais altamente positivos. 

Em sistemas agroflorestais, o cultivo da erva-mate é o de maior importância no Sul do Brasil, sendo explorado, na forma natural, com plantio intercalar de culturas anuais, tais como feijão, mandioca, milho e soja. 

Para plantios agroflorestais com a erva-mate, é recomendável o uso de espaçamentos maiores como 4,50 m x 1,50 m, para pequenos produtores. Para grandes produtores, recomenda-se 1,50 m nas linhas de erva-mate, com o espaçamento entre linhas depedente do maquinário a ser utilizado no plantio e na colheita da cultura agrícola.

O plantio direto de culturas agrícolas, sem o uso de herbicidas, nas entrelinhas da erva-mate, utilizando rolo-faca e plantadeira a tração animal, tem se mostrado viável na pequena propriedade rural (Figura 1). 

Nesse caso, recomendam-se três diferentes sistemas de plantio:

Plantio de aveia-preta no inverno, rolagem da mesma quando o grão estiver no "ponto leitoso" e o plantio de soja ou milho no verão.
Plantio no inverno de ervilhaca comum próximo da linha de erva-mate e de aveia-preta no centro da entre-linha, sendo que, no verão, a soja será plantada sobre a aveia-preta e o milho sobre a ervilhaca-comum.
Plantio em toda a área de aveia-preta mais ervilhaca comum, em partes iguais, e plantio de milho ou soja, no verão.
Trabalhos de pesquisa realizados pela Embrapa Florestas, durante vários anos em regiões de concentração da produção de erva-mate, comprovam que a exploração da erva-mate em sistemas agroflorestais apresenta as seguintes e principais vantagens:

melhor utilização da terra e mão-de-obra;
produção simultânea de erva-mate e alimentos;
antecipação do pagamento do custo de implantação do erval;
aumento do emprego, da produção e da renda da propriedade rural.
Por último, os sistemas agroflorestais com erva-mate, que tinham nesta espécie o componente lenhoso, passaram a sofrer um processo de ampliação da complexidade biológica. Hoje, é comum a associação da erva-mate com cultivos agrícolas, para a produção de alimentos ou coberturas de solo e, ainda, com outras espécies florestais arbóreas introduzidas (Figura 2) ou nativas (Figura 3).

Foto: Moacir J. S. Medrado
Figura 1. Plantio direto sem uso de herbicidas nas entrelinhas da erva-mate. 
Propriedade de Pedro Rogoski, Áurea, RS.


Foto: Adroaldo José Waczuk, URICER - Campus de Erechim, RS
Figura 2. Sistema agroflorestal com pínus x erva-mate x soja, aos dois anos e meio de idade. Propriedade de Gregorio Cigainski, Áurea, RS.


Foto: Amilton João Baggio
Figura 3. Transformação de um erval solteiro a pleno sol, em um sistema agroflorestal com base no plantio de espécies nativas para sombreamento das erveiras. Machadinho do Oeste, RS. Propriedade de Lourenço Pieri.


sexta-feira, 19 de abril de 2019

Pragas da Erva-Mate



O número de espécies de insetos encontrados alimentando-se da erva-mate é bastante grande, porém, apenas algumas espécies são consideradas pragas, por ocasionarem danos à cultura, sendo elas, a broca-da-erva-mate, a lagarta-da-erva-mate, a lagarta-do-cartucho-da-erva-mate, a cochonilha-de-cêra, a ampola-da-erva-mate, a broca-dos-ponteiros e, mais recentemente, os ácaros.

Ácaros

Caracterização
São três as espécies de ácaros que ocorrem na erva-mate: Dichopelmus notus, Oligonychus yothersi e Poliphagotarsonemus latus.

Dichopelmus notus, conhecido como o ácaro-do-bronzeado da erva-mate, é específico para esta cultura. Apresenta coloração variando do branco, passando pelo amarelo até o marron, dependendo da maturidade das folhas que lhes servem como alimento. Possuem na parte superior dois círculos formados por pequenos pontos brancos. As fêmeas colocam de 20 a 30 ovos na sua vida. A fase de ovo a adulto dura cerca de 10 dias. Os adultos podem viver mais de 20 dias. São muito móveis, sendo encontrados no campo durante todo o ano.

Oligonychus yothersi, normalmente denominado “ácaro vermelho”, produz uma teia onde colocam os seus ovos. As ninfas são de coloração amarelada e os adultos vermelho-amarelados. A colônia se prolifera nas folhas, protegida por filamentos sedosos que formam uma teia (Figura 1).

Poliphagotarsonemus latus, ou ácaro branco, ataca inúmeras espécies de plantas. Os ovos e as ninfas possuem coloração branca hialina. Os adultos são brancos amarelados e brilhantes. Os ovos são colocados na parte inferior da folha e eclodem em três dias, aproximadamente.

Danos
D. notus: provoca o bronzeamento e queda das folhas, afetando o crescimento e a produção. 

O. yothersi: ataca folhas jovens e adultas, normalmente em reboleiras, provocando o bronzeamento, sendo que ataques severos podem provocar o desfolhamento.

P. latus: causa o prateado das folhas, de consistência áspera. Estes sintomas são detectados tanto em plantas de viveiro como em plantio definitivo. 

Controle
As populações de ácaros fitófagos têm como seus principais inimigos naturais alguns fungos e outros ácaros das famílias Phytoseiidae, Bdellidae, Anystidae, Stigmaeidae e Cheyletidae, os quais são predadores. 

De um modo geral, para todas as pragas desta cultura, o controle químico é pouco recomendável, pois, além de não haver produtos registrados para a cultura, a folha de erva-mate é consumida diretamente na forma de chás e infusões. Também poderia ocasionar desequilíbrios na entomofauna, destruindo os inimigos naturais e ocasionando o surgimento de pragas secundárias.

Foto: Dalva Luiz de Queiroz
Figura 1. Ácaro-vermelho.

Ampola-da-erva-mate
Susete do Rocio Chiarello Penteado; Edson Tadeu Iede

Caracterização
É a segunda principal praga da erva-mate. Trata-se de um inseto específico desta cultura, sendo encontrado tanto no Brasil como na Argentina e no Paraguai. As fêmeas medem em média 2,6 mm e os machos 2,2 mm (Figura 2). Possuem coloração verde-azulada e as antenas são tão compridas quanto o corpo. 

Possuem dois pares de asas e as pernas posteriores são adaptadas para saltar. 

Apresentam de oito a nove gerações anuais e o ciclo completo dura aproximadamente 30 dias. As ninfas são de coloração amarelada e passam por quatro ínstares até se tornarem adultos. 

São encontrados nos ervais durante todo o ano, com maior intensidade entre os meses de outubro e dezembro e de fevereiro a abril. As fêmeas colocam seus ovos na face superior das brotações, ao longo da nervura central. Contudo, antes de efetuar a postura, ela injeta uma substância tóxica que provoca o crescimento desigual do broto, formando a ampola (Figura 3), onde irão se desenvolver as ninfas. Em média, são colocados 32 ovos por postura.

Danos
Causam a deformação das folhas novas, que assumem o aspecto de galhas. As folhas atacadas ficam comprometidas e frequentemente caem. Quando o ataque ocorre em mudas recentemente transplantadas, verifica-se um retardamento no desenvolvimento da planta.

Controle
O uso de inseticidas, mesmo sem registro para a cultura, é uma prática frequente, entretanto, na sua maioria, é realizado de maneira e no momento inadequados, comprometendo ainda mais a rentabilidade econômica da cultura.

A poda e destruição dos ramos mais atacados podem ajudar na diminuição da população deste inseto.

Foto: Susete do R. C. Penteado
Figura 2. Adultos da ampola-da-erva-mate.

Foto: Susete do R. C. Penteado

Figura 3. Danos realizados nas brotações.

Broca-da-erva-mate
Caracterização
É a principal praga da cultura. Sua incidência tem sido registrada em toda a região de ocorrência da erva-mate.

O adulto é um besouro que mede, aproximadamente, 2,5 cm de comprimento (Figura 4), com o corpo de coloração geral preta, recoberto por pêlos brancos.

As antenas são longas e finas. As posturas são feitas, principalmente, na região do colo da planta, podendo também ocorrer nas raízes expostas e brotos ladrões. Após a eclosão, a larva inicia a sua alimentação, construindo galerias subcorticais. Posteriormente, atinge o lenho, podendo dirigir-se para a raiz da planta ou serem ascendentes. As larvas são de coloração geral branca. Durante o processo de broqueamento, a larva vai compactando atrás de si a serragem, que lhe serve de proteção e quando expelida para fora da planta, denuncia a presença da praga (Figura 5).

Quando está próxima de se transformar em pupa, constrói a câmara pupal, onde permanece até a sua emergência. O ciclo de ovo a adulto pode ultrapassar 17 meses. Os adultos vivem muito tempo e estão presentes, em maior número, entre os meses de outubro e junho. Eles roem a casca dos ramos para a sua alimentação, servindo também como indicativo da sua presença na erveira.

Danos
Os maiores danos são ocasionados pelas larvas que, durante a alimentação, constroem galerias, dificultando a circulação da seiva. Isto debilita a planta, diminuindo a sua produção. Se o broqueamento é muito intenso ou se ocorrem sucessivas gerações da praga, os galhos da planta podem secar e, muitas vezes, ocorrer a morte da erveira.

Controle
É difícil o seu controle, pois as larvas, ao escavarem as galerias, compactam atrás de si a serragem, obstruindo o orifício e tornando quase impossível atingi-las e os adultos procuram as regiões mais protegidas da planta para se abrigarem.

A catação manual dos adultos é recomendada e pode ser utilizada por qualquer produtor, pois apresenta custo baixo e não agride o meio ambiente. Entretanto, esta atividade deve ser realizada no período de maior ocorrência dos adultos no campo, outubro a junho, e entre as 10h e 16h horas. 

A utilização do fungo Beauveria bassiana tem apresentado resultados promissores. Um bioinseticida foi desenvolvido, mas ainda está em fase de registro, não estando disponível para utilização no momento.

Foto: Susete do R. C. Penteado
Figura 4. Adultos da broca-da-erva-mate.

Foto: Susete do R. C. Penteado
Figura 5. Larva e galerias da broca da erva-mate.

Broca-dos-ponteiros-da-erva-mate
Caracterização
É um besouro que mede em torno de 1,3 cm de comprimento. Apresenta coloração geral escura, com uma faixa amarela ao longo da porção dorso lateral de cada asa. Logo após a cabeça, aparecem duas manchas arredondadas de cor vermelha e as antenas são longas (Figura 6). As fêmeas fazem posturas em fendas previamente preparadas, no ramo principal (planta com até dois anos) ou nos ramos superiores das plantas mais velhas. Após a eclosão, a larva inicia a sua alimentação, construindo uma galeria descendente no interior do ramo (Figura 6).

Danos
Atacam preferencialmente plantas novas, com até dois anos de idade, cujos galhos broqueados apresentam aspecto enegrecido, por estarem ocos. Quando o ataque se dá em plantas adultas, o dano ocorre nos galhos superiores mais finos.

Empupam dentro do ramo atacado e podem levar plantas novas à morte. São mais frequentes em ervais com regime bienal de poda, visto que observações preliminares indicam que o ciclo é de aproximadamente um ano.

Controle
Poda e queima dos galhos atacados e coleta de adultos.

Foto: Susete do R. C. Penteado
Figura 6. Adulto e danos da broca-dos-ponteiros-da-erva-mate.

Cochonilha-de-cêra
Caracterização
A fêmea adulta tem formato hemisférico, de cor alaranjada, sendo recoberta por uma camada de cera róseo-clara. Normalmente vivem agregadas nos ramos, podendo, algumas vezes, cobri-los totalmente. As formas jovens localizam-se nas folhas, principalmente na sua parte inferior. Apenas as formas jovens e os machos deslocam-se na planta (Figura 7).

Danos
São sugadores, alimentando-se da seiva das plantas, tornando-as debilitadas. Além disso, eliminam uma substância açucarada, da qual se alimentam algumas formigas. Estas disseminam esporos de um fungo que causa a doença denominada fumagina. Quando a população na planta é alta, pode ocorrer a morte da erveira.

Controle
Escovação e/ou poda de ramos infestados são medidas que podem auxiliar no controle.

Foto: Susete do R. C. Penteado
Figura 7. Cochonilha-de-cêra nos ramos de erva-mate.

Lagarta-da-erva-mate
Caracterização
Trata-se de uma pequena mariposa, medindo aproximadamente 38 mm de envergadura. As asas são franjeadas e de coloração amarelo palha, sendo os machos menores que as fêmeas. O corpo é recoberto por pelos longos e amarelados. As posturas geralmente são realizadas na parte superior das folhas, com uma média de 81 ovos por postura. Estes são de coloração esverdeada, tornando-se arroxeados quando maduros e apresentam um período de incubação de 15 a 16 dias. As lagartas, após a eclosão, são de coloração verde clara, apresentando duas faixas escuras longitudinais nos lados do corpo.

No último ínstar, atingem, em média, 40 mm de comprimento e apresentam coloração variando do verde escuro ao negro, com uma faixa amarela dorsal entre duas linhas longitudinais mais escuras (Figura 8). O período de ocorrência das lagartas é de setembro a março, podendo, eventualmente, ocorrer a partir de julho. Completando o desenvolvimento larval, estes insetos deixam a planta e dirigem-se ao solo, onde penetram a uma profundidade de até 10 cm, passando para a fase de pupa, que pode durar de oito a dez meses.

Danos
As lagartas são vorazes e destroem tanto brotações novas quanto as folhas mais velhas da erva-mate. 

Controle
O controle poderá ser feito com a exposição das pupas ao sol; com a coleta dos adultos por meio de armadilha luminosa e com a eliminação de folhas contendo posturas. Inseticidas à base de Bacillus thuringiensis são eficientes no controle e não provocam desequilíbrio ambiental, entretanto ainda não há nenhum produto registrado para uso na erva-mate.

Foto: Susete do R. C. Penteado
Figura 8. Lagarta-da-erva-mate.

Lagarta-do-cartucho-de-seda
Caracterização
É uma mariposa que mede de 40 mm a 45 mm de envergadura. Apresenta o corpo piloso, de coloração negra, com alguns pelos alaranjados nas laterais do abdômen e as asas são de coloração cinza-escura. As posturas são realizadas sobre as folhas ou galhos da erva-mate e cada uma pode conter centenas de ovos. Cada postura mede cerca de 1 cm de diâmetro e são recobertas com pelos do corpo do inseto, de coloração marron-clara. 

As larvas possuem hábito gregário e, quando totalmente desenvolvidas, são de coloração cinza-escura, com fileiras de longos espinhos urticantes espalhados pelo corpo (Figura 9). Medem em torno de 40 mm de comprimento e, para se protegerem, tecem um cartucho de seda que pode conter centenas de lagartas (Figura 10). A época de ocorrência das lagartas se dá, geralmente, entre os meses de setembro e novembro. O empupamento ocorre, geralmente, na planta, em um casulo formado por folhas com fios de seda. Podem também empupar no solo, entre folhas secas.

Danos
São muito vorazes, podendo alimentar-se de folhas novas ou mais velhas, comprometendo a produção. Além disso, por apresentarem pelos urticantes, provocam irritação e queimaduras quando em contato com a pele. Portanto, recomenda-se atenção durante a colheita da erva-mate. Também a mariposa apresenta o abdômen recoberto por pelos urticantes, podendo provocar reações alérgicas às pessoas.

Controle
Catação das massas de ovos e dos cartuchos de seda, que contém uma grande quantidade de lagartas, auxiliam na redução da população. Inseticidas à base de Bacillus thuringiensis são eficientes no controle e não provocam desequilíbrio ambiental, entretanto ainda não há nenhum produto registrado para uso na erva-mate.

Foto: Susete do R. C. Penteado
Figura 9. Lagarta-do-cartucho-de-seda.

Foto: Susete do R. C. Penteado

Figura 10. Cartucho-de-seda contendo as lagartas.


domingo, 10 de março de 2019

Doenças da Erva-Mate



A ocorrência de doenças da erva-mate vem aumentando em função de sua domesticação, do aumento da área plantada e das práticas de manejo utilizadas. Estes problemas são mais graves nos viveiros de mudas, porque neste ambiente as condições são bastante favoráveis ao desenvolvimento de doenças.

As principais doenças são: tombamento ou damping off, mancha-da-folha ou pinta-preta, antracnose. Consideradas de importância secundária, ocorrem podridão-das-raízes, cercosporiose, nematoides, além de outras como fumagina, fuligem, podridão-do-tronco, e queda-de-folhas.

Antracnose
Caracterização da doença e danos
Causada por Colletotrichum sp., é uma doença que ocorre principalmente nas brotações jovens, ápices, folhas e ramos jovens.

Nas sementeiras, geralmente, ocorre a queima do ápice das plântulas, impedindo seu crescimento e provocando seu perfilhamento. Os principais sintomas são manchas escuras, irregulares, incidindo principalmente nas bordas e causando deformações nas folhas jovens.

As condições favoráveis ao desenvolvimento dessa doença são o sombreamento excessivo e a umidade excessiva. Danos causados por insetos e geadas também favorecem a instalação do fungo.

Controle
O controle cultural é feito por meio de seleção de plântulas sadias, desinfestação do substrato e dos recipientes e adubação nitrogenada adequada.

Cercosporiose
Caracterização da doença e danos
Causada por Cercospora sp., é considerada uma doença secundária por sua baixa incidência, sua disseminação bastante lenta e por causar poucos danos à cultura.
Os sintomas são o surgimento de manchas arredondadas, pequenas, bem delimitadas, acinzentadas, com halo escuro, apresentando pequenas pontuações. Essas manchas são mais frequentes em folhas adultas (Figura 1).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 1. Manchas foliares provocadas pelo fungo Cercospora sp.

A condição favorável para o seu aparecimento é o estresse da muda. É muito comum observar tais sintomas em plantas que passaram do ponto de plantio e em mudas pouco desenvolvidas.

Controle
O controle cultural é feito por meio de seleção e descarte das mudas afetadas e do manejo adequado do viveiro.

Fuligem
Caracterização da doença e danos
Causada por Asterina mate, é uma doença de pouca importância econômica, pelos danos causados.

Os sintomas são observados na face ventral das folhas, onde ocorrem manchas superficiais escuras de forma circular que podem se justapor, cobrindo totalmente a folha (Figura 2).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 2. Folhas de erva-mate apresentando sintomas de fuligem.

Controle
As condições favoráveis ao surgimento dessa doença e seu controle cultural são os mesmos da fumagina.

Fumagina
Caracterização da doença e danos
Causada por Meliola sp. e Capnodium sp., que colonizam superficialmente folhas e ramos, é uma doença que não apresenta grande importância econômica na cultura da erva-mate.

Caracteriza-se pela presença de uma crosta espessa e negra cobrindo total ou parcialmente a parte dorsal das folhas e ramos da erveira, prejudicando sua respiração, transpiração e fotossíntese, podendo levá-la à morte. Geralmente, formigas, cochonilhas e pulgões estão associados a esses sintomas (Figura 3).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 3. Folhas de erva-mate apresentando sintomas de fumagina.

As condições favoráveis para o seu aparecimento são ambientes de extrema umidade em ervais muito densos e/ou sombreados e plantas estressadas.

Controle
O controle cultural é feito por meio de melhoria na aeração e ventilação do erval, aumento do espaçamento de plantio, podas adequadas e limpeza da área.

Nematoide
Caracterização da doença e danos
Principalmente os do gênero Meloidogyne podem ocorrer em viveiros de erva-mate, onde não é utilizada a prática de desinfestação do substrato.

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 4. Nematoides em canteiro de erva-mate.

Os sintomas iniciais são a paralisação do crescimento das mudas e o amarelecimento das folhas, ocorrendo, às vezes, murcha e secamento a partir do ápice da muda. Nas raízes, o aparecimento de galhas revela a presença de nematoides.

As condições favoráveis ao surgimento dessa doença são a utilização de substrato não desinfestado, a reutilização de substrato e o estresse da muda ocasionado por excesso de tempo no viveiro.

Controle
O controle cultural é feito por meio da desinfestação do substato e da eliminação de mudas atacadas.

Pinta-preta
Caracterização da doença e danos
É a principal doença da erva-mate, sendo causada pelo fungo Cylindrocladium spathulatum.

Os sintomas aparecem como lesões foliares escuras, arredondadas, às vezes concêntricas, no interior ou nas bordas do limbo. Essas manchas podem alcançar até 2 cm de diâmetro e apresentar abundante frutificação esbranquiçada na face ventral da folha (Figura 5). Ela ocorre basicamente em folhas adultas, provocando sua queda prematura.

Foto: Albino Grigoletti Júnior

Figura 5. Sintoma típico da pinta-preta na folha da erva-mate.

Os substratos e as instalações infestadas são responsáveis pelas infecções primárias. As plantações próximas e a produção contínua de mudas são as principais causas da disseminação e da multiplicação da doença ao longo do ano. Fatores como excesso de umidade e de sombreamento contribuem para o agravamento da doença. 

Controle
O controle cultural é feito por meio da seleção de plântulas sadias, descartando as mudas atacadas, por meio da desinfestação do substrato e dos recipientes, sempre que se inicia nova produção de mudas. A melhoria das condições de luminosidade e umidade e a manutenção da limpeza nas embalagens contribuem para o controle da doença. Todavia, a coleta das folhas caídas é uma prática muito eficiente para evitar a disseminação da doença no viveiro.

Podridão das raízes
Caracterização da doença e danos
Tanto pode ocorrer nas sementeiras como nas mudas repicadas. Os principais fungos associados são Fusarium sp., Rhizoctonia sp. e Phytium sp.

Os sintomas manifestam-se na parte aérea, na forma de manchas foliares, amarelecimento, queda de folhas, redução do crescimento, murcha e secamento das mudas. Esses sintomas podem ser confundidos com os provocados por repicagem inadequada das mudas ou pela falta de água nos canteiros (Figura 6).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 6. Seca das folhas causada pela podridão-das-raízes.

As condições favoráveis ao aparecimento dessa doença são umidade elevada, composição física do substrato e contaminação de recipientes das mudas e do próprio substrato.

Controle
O controle cultural é feito por meio do manejo correto da água, eliminação das plântulas com sintomas e desinfestação do substrato com água quente.

Podridão-do-tronco
Caracterização da doença e danos
A podridão do tronco da erva-mate é causada por fungos basidiomicetos.

Os ramos podados não emitem brotações, secam, apodrecem e, muitas vezes, matam a planta (Figura 7). Esses sintomas são causados pela dificuldade de cicatrização dos ferimentos causados pela poda, que facilita a penetração de fungos oportunistas. Geralmente, na base do tronco, aparecem frutificações típicas de basidiomicetos (cogumelos).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 7. Podridão-do-tronco.

Essa doença também está associada ao sombreamento excessivo da planta com elevada umidade.

As condições favoráveis ao seu surgimento são as podas drásticas sucessivas e umidade elevada.

Controle
Faz-se o controle cultural evitando podas drásticas, que expõem o tronco aos raios solares, os quais causam rachaduras na casca, permitindo a entrada de patógenos.

Para o controle, aconselha-se pincelar a área cortada com produto impermeabilizante.

Queda-de-folhas
Caracterização da doença e danos
As causas da queda anormal de folhas ainda não estão totalmente esclarecidas.

Os sintomas são variados, podendo ocorrer o amarelecimento e posterior queda das folhas (Figura 8), das totalmente verdes e a das verdes manchadas. Neste caso, observa-se a presença de Cylindrocladium spathulatum, o mesmo que provoca a queda das folhas no viveiro.

Foto: Moacir J. S. Medrado
Figura 8. Queda-de-folhas em erva-mate.

As condições favoráveis ao surgimento dessa doença são a compactação do solo, as estiagens prolongadas e longos períodos de precipitação pluviométrica.

Há, todavia, situações em que não há explicação com base nos fatores citados.

Controle
O controle é feito com o emprego de cobertura morta e subsolagem dos solos compactados.

Tombamento
Caracterização da doença e danos
É o principal problema fitossanitário das sementeiras, podendo ocorrer na fase de pré ou pós-emergência das plântulas. Os principais fungos associados são: Botrytis sp, Cylindrocladium spathulatum, Rhizoctonia sp., Fusarium sp. e Pythium sp.

Quando o tombamento ocorre na pré-emergência das plântulas, a semente não germina ou até inicia a germinação, mas não chega a emergir. Na pós-emergência, ocorre o estrangulamento da plântula na região do colo, provocando seu tombamento, fato que dá origem ao nome da doença. Esses sintomas geralmente ocorrem em reboleiras, isto porque a doença se expande em todas as direções, formando áreas mais ou menos circulares (Figura 9).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 9. Sintoma de tombamento de mudas de erva-mate em sementeira.

Os principais fatores que favorecem a ocorrência da doença são sementes e substrato contaminados, alta densidade de semeadura e excesso de umidade, de nitrogênio e de sombreamento às mudas.

A presença de restos da polpa dos frutos e outras impurezas na semente favorece o aparecimento de patógenos, inviabilizando-as ou provocando doença nas plântulas. Ocorre um agravamento da doença, quando esses fatores estão associados ao excesso d`água, ao estiolamento provocado pelo sombreamento demasiado e à excessiva adubação nitrogenada.

Controle
O controle cultural é feito por meio da melhoria das condições de semeadura, irrigação e drenagem. O viveiro deve contar, em qualquer fase, com um sistema de drenagem e um substrato que promovam o escoamento rápido do excesso de água. Deve-se evitar o sombreamento excessivo, começando com 70% de sombra na sementeira e, no viveiro, ir diminuindo a sombra para 50% e, gradativamente, até a muda ficar sob pleno sol, com cerca de um ano de idade. Com relação à adubação, o substrato deve ter baixo teor de matéria orgânica, evitando-se altas doses de nitrogênio no substrato e na sementeira. A desinfestação do substrato pode ser feita com produtos químicos ou com água fervente. Deve-se semear até 250 g de sementes por m², para que as plântulas não fiquem adensadas, favorecendo o aparecimento da doença. Deve-se erradicar as plântulas mortas e as sadias nas bordas da reboleira, após o aparecimento da doença.




sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Doenças da Erva-Mate



A ocorrência de doenças da erva-mate vem aumentando em função de sua domesticação, do aumento da área plantada e das práticas de manejo utilizadas. Estes problemas são mais graves nos viveiros de mudas, porque neste ambiente as condições são bastante favoráveis ao desenvolvimento de doenças.

As principais doenças são: tombamento ou damping off, mancha-da-folha ou pinta-preta, antracnose. Consideradas de importância secundária, ocorrem podridão-das-raízes, cercosporiose, nematoides, além de outras como fumagina, fuligem, podridão-do-tronco, e queda-de-folhas.

Antracnose
Caracterização da doença e danos
Causada por Colletotrichum sp., é uma doença que ocorre principalmente nas brotações jovens, ápices, folhas e ramos jovens.

Nas sementeiras, geralmente, ocorre a queima do ápice das plântulas, impedindo seu crescimento e provocando seu perfilhamento. Os principais sintomas são manchas escuras, irregulares, incidindo principalmente nas bordas e causando deformações nas folhas jovens.

As condições favoráveis ao desenvolvimento dessa doença são o sombreamento excessivo e a umidade excessiva. Danos causados por insetos e geadas também favorecem a instalação do fungo.

Controle
O controle cultural é feito por meio de seleção de plântulas sadias, desinfestação do substrato e dos recipientes e adubação nitrogenada adequada.

Cercosporiose
Caracterização da doença e danos
Causada por Cercospora sp., é considerada uma doença secundária por sua baixa incidência, sua disseminação bastante lenta e por causar poucos danos à cultura.
Os sintomas são o surgimento de manchas arredondadas, pequenas, bem delimitadas, acinzentadas, com halo escuro, apresentando pequenas pontuações. Essas manchas são mais frequentes em folhas adultas (Figura 1).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 1. Manchas foliares provocadas pelo fungo Cercospora sp.

A condição favorável para o seu aparecimento é o estresse da muda. É muito comum observar tais sintomas em plantas que passaram do ponto de plantio e em mudas pouco desenvolvidas.

Controle
O controle cultural é feito por meio de seleção e descarte das mudas afetadas e do manejo adequado do viveiro.

Fuligem
Caracterização da doença e danos
Causada por Asterina mate, é uma doença de pouca importância econômica, pelos danos causados.
Os sintomas são observados na face ventral das folhas, onde ocorrem manchas superficiais escuras de forma circular que podem se justapor, cobrindo totalmente a folha (Figura 2).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 2. Folhas de erva-mate apresentando sintomas de fuligem.

Controle
As condições favoráveis ao surgimento dessa doença e seu controle cultural são os mesmos da fumagina.

Fumagina
Caracterização da doença e danos
Causada por Meliola sp. e Capnodium sp., que colonizam superficialmente folhas e ramos, é uma doença que não apresenta grande importância econômica na cultura da erva-mate.
Caracteriza-se pela presença de uma crosta espessa e negra cobrindo total ou parcialmente a parte dorsal das folhas e ramos da erveira, prejudicando sua respiração, transpiração e fotossíntese, podendo levá-la à morte. Geralmente, formigas, cochonilhas e pulgões estão associados a esses sintomas (Figura 3).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 3. Folhas de erva-mate apresentando sintomas de fumagina.

As condições favoráveis para o seu aparecimento são ambientes de extrema umidade em ervais muito densos e/ou sombreados e plantas estressadas.

Controle
O controle cultural é feito por meio de melhoria na aeração e ventilação do erval, aumento do espaçamento de plantio, podas adequadas e limpeza da área.

Nematoide
Caracterização da doença e danos
Principalmente os do gênero Meloidogyne podem ocorrer em viveiros de erva-mate, onde não é utilizada a prática de desinfestação do substrato.

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 4. Nematoides em canteiro de erva-mate.

Os sintomas iniciais são a paralisação do crescimento das mudas e o amarelecimento das folhas, ocorrendo, às vezes, murcha e secamento a partir do ápice da muda. Nas raízes, o aparecimento de galhas revela a presença de nematoides.
As condições favoráveis ao surgimento dessa doença são a utilização de substrato não desinfestado, a reutilização de substrato e o estresse da muda ocasionado por excesso de tempo no viveiro.

Controle
O controle cultural é feito por meio da desinfestação do substato e da eliminação de mudas atacadas.

Pinta-preta
Caracterização da doença e danos
É a principal doença da erva-mate, sendo causada pelo fungo Cylindrocladium spathulatum.

Os sintomas aparecem como lesões foliares escuras, arredondadas, às vezes concêntricas, no interior ou nas bordas do limbo. Essas manchas podem alcançar até 2 cm de diâmetro e apresentar abundante frutificação esbranquiçada na face ventral da folha (Figura 5). Ela ocorre basicamente em folhas adultas, provocando sua queda prematura.

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 5. Sintoma típico da pinta-preta na folha da erva-mate.

Os substratos e as instalações infestadas são responsáveis pelas infecções primárias. As plantações próximas e a produção contínua de mudas são as principais causas da disseminação e da multiplicação da doença ao longo do ano. Fatores como excesso de umidade e de sombreamento contribuem para o agravamento da doença. 

Controle
O controle cultural é feito por meio da seleção de plântulas sadias, descartando as mudas atacadas, por meio da desinfestação do substrato e dos recipientes, sempre que se inicia nova produção de mudas. A melhoria das condições de luminosidade e umidade e a manutenção da limpeza nas embalagens contribuem para o controle da doença. Todavia, a coleta das folhas caídas é uma prática muito eficiente para evitar a disseminação da doença no viveiro.

Podridão das raízes
Caracterização da doença e danos
Tanto pode ocorrer nas sementeiras como nas mudas repicadas. Os principais fungos associados são Fusarium sp., Rhizoctonia sp. e Phytium sp.
Os sintomas manifestam-se na parte aérea, na forma de manchas foliares, amarelecimento, queda de folhas, redução do crescimento, murcha e secamento das mudas. Esses sintomas podem ser confundidos com os provocados por repicagem inadequada das mudas ou pela falta de água nos canteiros (Figura 6).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 6. Seca das folhas causada pela podridão-das-raízes.

As condições favoráveis ao aparecimento dessa doença são umidade elevada, composição física do substrato e contaminação de recipientes das mudas e do próprio substrato.

Controle
O controle cultural é feito por meio do manejo correto da água, eliminação das plântulas com sintomas e desinfestação do substrato com água quente.

Podridão-do-tronco
Caracterização da doença e danos
A podridão do tronco da erva-mate é causada por fungos basidiomicetos.
Os ramos podados não emitem brotações, secam, apodrecem e, muitas vezes, matam a planta (Figura 7). Esses sintomas são causados pela dificuldade de cicatrização dos ferimentos causados pela poda, que facilita a penetração de fungos oportunistas. Geralmente, na base do tronco, aparecem frutificações típicas de basidiomicetos (cogumelos).

Foto: Albino Grigoletti Júnior
Figura 7. Podridão-do-tronco.

Essa doença também está associada ao sombreamento excessivo da planta com elevada umidade.
As condições favoráveis ao seu surgimento são as podas drásticas sucessivas e umidade elevada.

Controle
Faz-se o controle cultural evitando podas drásticas, que expõem o tronco aos raios solares, os quais causam rachaduras na casca, permitindo a entrada de patógenos.
Para o controle, aconselha-se pincelar a área cortada com produto impermeabilizante.

Queda-de-folhas
Caracterização da doença e danos
As causas da queda anormal de folhas ainda não estão totalmente esclarecidas.

Os sintomas são variados, podendo ocorrer o amarelecimento e posterior queda das folhas (Figura 8), das totalmente verdes e a das verdes manchadas. Neste caso, observa-se a presença de Cylindrocladium spathulatum, o mesmo que provoca a queda das folhas no viveiro.

Foto: Moacir J. S. Medrado
Figura 8. Queda-de-folhas em erva-mate.

As condições favoráveis ao surgimento dessa doença são a compactação do solo, as estiagens prolongadas e longos períodos de precipitação pluviométrica.
Há, todavia, situações em que não há explicação com base nos fatores citados.

Controle
O controle é feito com o emprego de cobertura morta e subsolagem dos solos compactados.

Tombamento
Caracterização da doença e danos
É o principal problema fitossanitário das sementeiras, podendo ocorrer na fase de pré ou pós-emergência das plântulas. Os principais fungos associados são: Botrytis sp, Cylindrocladium spathulatum, Rhizoctonia sp., Fusarium sp. e Pythium sp.
Quando o tombamento ocorre na pré-emergência das plântulas, a semente não germina ou até inicia a germinação, mas não chega a emergir. Na pós-emergência, ocorre o estrangulamento da plântula na região do colo, provocando seu tombamento, fato que dá origem ao nome da doença. Esses sintomas geralmente ocorrem em reboleiras, isto porque a doença se expande em todas as direções, formando áreas mais ou menos circulares (Figura 9).

Foto: Albino Grigoletti Júnior

Figura 9. Sintoma de tombamento de mudas de erva-mate em sementeira.

Os principais fatores que favorecem a ocorrência da doença são sementes e substrato contaminados, alta densidade de semeadura e excesso de umidade, de nitrogênio e de sombreamento às mudas.
A presença de restos da polpa dos frutos e outras impurezas na semente favorece o aparecimento de patógenos, inviabilizando-as ou provocando doença nas plântulas. Ocorre um agravamento da doença, quando esses fatores estão associados ao excesso d`água, ao estiolamento provocado pelo sombreamento demasiado e à excessiva adubação nitrogenada.

Controle
O controle cultural é feito por meio da melhoria das condições de semeadura, irrigação e drenagem. O viveiro deve contar, em qualquer fase, com um sistema de drenagem e um substrato que promovam o escoamento rápido do excesso de água. Deve-se evitar o sombreamento excessivo, começando com 70% de sombra na sementeira e, no viveiro, ir diminuindo a sombra para 50% e, gradativamente, até a muda ficar sob pleno sol, com cerca de um ano de idade. Com relação à adubação, o substrato deve ter baixo teor de matéria orgânica, evitando-se altas doses de nitrogênio no substrato e na sementeira. A desinfestação do substrato pode ser feita com produtos químicos ou com água fervente. Deve-se semear até 250 g de sementes por m², para que as plântulas não fiquem adensadas, favorecendo o aparecimento da doença. Deve-se erradicar as plântulas mortas e as sadias nas bordas da reboleira, após o aparecimento da doença.


domingo, 14 de outubro de 2018

Condução e poda na Erva-Mate



Condução e poda

A capacidade de produção do erval depende, dentre outros fatores, da densidade de plantio, da formação da copa e da altura das plantas, que estão sob o controle do produtor. 

Deve-se fazer a poda de formação no período em que a planta está desenvolvendo a sua estrutura de copa, com o objetivo de orientar o seu crescimento e obter um caule múltiplo. Isto é feito para garantir que, futuramente, a erveira ocupe o espaço que lhe for necessário, sem competir com as vizinhas, captando melhor a luz solar. A poda de produção é um pouco diferente da poda de frutificação, feita em macieiras e pessegueiros, que visa à distribuição e à renovação de ramos frutíferos, mediante raleio e encurtamento.

As podas de limpeza e as podas de renovação também são muito importantes.

Poda de formação

A poda de formação deve ser iniciada dois anos após o plantio e encerrada, no máximo, com três anos de idade. Em alguns casos, o início da poda poderá ser feito já no primeiro ano, mas apenas nas plantas que apresentarem bom desenvolvimento, com tecido marrom a 20 cm de altura do solo (Figura 1).

Recomenda-se, como época para a realização desta poda, os meses de agosto e setembro, podendo-se fazer um repasse nos meses de janeiro ou fevereiro. A poda de formação pode ser feita, inclusive, no viveiro, desde que o “desponte” seja efetuado 30 dias antes do plantio, cortando-se a parte aérea numa altura de 10 cm, e deixando de três a quatro folhas remanescentes.

Foto: Moacir J. S. Medrado
Figura 1. Erveira com um ano de campo, apta para receber a poda de formação. Fazenda Vila Nova de Neiverth Filhos Ltda., Ivaí, PR.

Poda de limpeza 

A poda de limpeza, quando efetuada no início de abril, juntamente com a limpeza dos ramos verdes da parte mais baixa da planta e que estão dominados, poderá evitar a perda do baixeiro (Figura 2), devido à queda de folhas. Em plantas novas, pode-se fazer a poda de limpeza no período de julho a agosto.

Esta modalidade de poda é muito importante para evitar ramos doentes.

Foto: Moacir J. S. Medrado
Figura 2. Poda de limpeza e colheita do baixeiro. Fazenda Vila Nova, Ivaí, PR.

Poda de produção 

Poda tradicional 
O método tradicional de poda de ervais nativos, normalmente utilizando facão, quando aplicado aos ervais plantados, resultam em plantas muito altas, com ramos muito curtos e com poucas folhas (Figura 3a).

Mesmo as variações feitas para a melhoria da poda tradicional, deixando-se um pouco mais de folhas (Figura 3b), tem se mostrado ineficiente, principalmente pela dificuldade em se controlar a altura da planta. 

Foto: Moacir J. S. Medrado
Figura 3a. Poda tradicional. Mato Leitão, RS.

Foto: Moacir J. S. Medrado
Figura 3b. Poda tradicional deixando-se mais folhas.

Poda tipo mesa 

É a poda de colheita feita por cortes sistemáticos dos ramos a serem colhidos, anual ou bienalmente, a uma distância de 10 cm a 15 cm do ponto de inserção (na primeira poda de colheita) e do último corte (nas podas subsequentes), sem a preocupação em abrir o centro da planta. Desta forma, na parte central, situam-se a maioria dos ramos que crescem retos e para cima.

Assim, a altura da planta tende a aumentar cerca de 10 cm a 15 cm a cada poda e a manter o crescimento totalmente reto (Figura 4).

Foto: Moacir J. S. Medrado
Figura 4. Poda tipo mesa. Fazenda Vila Nova, Ivaí, PR.

Poda tipo vaso 

Neste tipo, faz-se a poda de desponte a 20 cm do solo, normalmente aos dois anos de idade, para que essa ramifique e forme os ramos mestres. No terceiro ano, cada ramo mestre fica com uma estrutura formada por um eixo e galhos laterais crescendo para fora.

Entre os meses de abril e maio, deve-se proceder à retirada manual de ramos finos existentes no interior da copa, com a limpeza de ramos verdes excedentes e, ao final do inverno, retirar os ramos remanescentes.

Durante a poda de colheita, deve-se remover, além dos ramos maduros, aqueles que crescerem voltados para o interior da copa e as forquilhas fechadas.

Apesar da prática de alguns produtores, não se recomenda a condução dos ramos mestres, forçando a abertura em cerca de 45 graus com o tronco principal (líder), amarrando os ramos com fitas de náilon ou barbante a estacas fincadas no chão, ou à própria planta, como se faz na poda de frutíferas. Todavia, é fundamental selecionar os ramos mestres muito bem, a fim de formarem ângulos abertos e ficarem bem posicionados no plano horizontal.

Com este tipo de poda, a copa terá o topo mais largo do que a base, assumindo a forma de um sino invertido.

Deve-se limitar o crescimento em altura e diâmetro das plantas para que não haja concorrência entre elas. O volume e a forma da copa devem ser controlados, cortando-se os ramos mestres e os submestres, quando necessário, sempre acima de ramificações que se dirijam para fora do centro da planta, visando à orientação da direção do crescimento das futuras brotações de tais ramos. 

A planta deve ser manejada para chegar a 1,70 m de altura com 2,5 m de largura de copa, a 1,3 m do solo.

Poda de renovação

No Brasil, a quantidade de ervais degradados é muito grande, em decorrência de sucessivas colheitas, de envelhecimento natural, de podas mal feitas que expõem a planta ao sol em demasia, e devido à ocorrência de pragas e doenças. Nestes ervais, recomenda-se a retirada dos ramos piores ou até mesmo a renovação total das erveiras.

Esta poda também é recomendada para plantas em que a altura já chegou a um ponto que dificulta a colheita, podendo ocasionar acidentes, além do encarecimento da colheita.

O período mais indicado compreende os meses de julho a agosto, quando a atividade fisiológica da planta é baixa. Deve-se proceder de acordo com a situação das plantas, realizando-se a poda de forma gradual ou sistemática. 

Renovação gradual

Neste caso, selecionam-se ramos que deverão ser podados a uma altura de 15 cm a 20 cm do solo, deixando os demais para os anos posteriores. A programação de poda deve ser feita de forma que, em três ou quatro anos, toda planta tenha sido renovada.

Renovação sistemática

Neste tipo de poda, dependendo da situação, pode-se efetuar a recepa a 10 cm do solo, em bizel, com a parte mais alta voltada para leste.


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