sábado, 21 de março de 2026

Nutrição e Adubação da Stevia

 

Nutrição e Adubação

Amostragem do solo

Em sua maioria, os solos de Mato Grosso do Sul possuem boas propriedades físicas, porém, originalmente, são de baixa fertilidade, apresentando altos teores de alumínio trocável e disponibilidade limitada de fósforo e outros nutrientes. Todavia,

quando adequadamente manejados, estes solos apresentam elevado potencial produtivo. Para orientar as práticas de manejo a serem implementadas há necessidade de se realizar a análise do solo da área a ser cultivada.

Amostragem do solo com a utilização de diferentes equipamentos.

Na coleta de amostra de solo para a caracterização de sua fertilidade, o interesse é pela camada arável do solo que normalmente é a mais intensamente alterada pelos procedimentos de aração e gradagem e pela aplicação de corretivos e fertilizantes.

Na camada arável (0 a 20 cm) concentra-se também a maior parte das raízes da estévia. Portanto, as amostras devem ser coletadas nesta camada. Recomenda-se, também, que antes da implantação da lavoura sejam coletadas amostras em camadas mais profundas (20 a 40 e 40 a 60 cm), para avaliar a necessidade de corrigir os teores de cálcio e eliminar a presença de alumínio.

Para coletar a amostra de solo, a área a ser cultivada deve ser dividida em glebas uniformes quanto às características de cor, topografia, vegetação, manejo aplicado e culturas anteriores.

Caminhando em ziguezague, deve-se coletar pelo menos 20 amostras simples com a mesma quantidade de terra, em cada camada a ser amostrada. As amostras simples devem ser colocadas em baldes limpos e identificados de acordo com as camadas coletadas. Em seguida, misturar bem e retirar mais ou menos 500 gramas de terra, colocar em saco plástico ou outra embalagem bem limpa e enviar ao laboratório identificando a amostra com o número do talhão, o nome da propriedade, do proprietário e do município. Para a coleta de amostras de solo pode-se utilizar ferramentas específicas para tal fim, como os trados (tipo rosca, holandês, caneco, sonda), pás ou enxadões (Fig. 8).

Acidez do solo e calagem

A disponibilidade de nutrientes é determinada por vários fatores, entre os quais se destaca a acidez do solo, a qual é medida pelo pH, que representa a atividade de íons hidrogênio na solução do solo.

Em pH baixo, a presença de alumínio trocável, em teores elevados, pode se tornar tóxica para as plantas. Para a correção da acidez e eliminação da presença do alumínio, a aplicação de calcário é a prática de manejo indicada. A determinação da quantidade de calcário a ser aplicada é feita com base nos resultados da análise de solo. A metodologia sugerida é a que tem como objetivo a adequação da saturação de bases do solo.

Este método tem como objetivo elevar a saturação de bases trocáveis até um valor que seja adequado para a cultura. No caso da estévia o valor recomendado para a saturação de bases é de 70%.

O cálculo da necessidade de calcário (NC) é feito por meio da

fórmula:

-1 NC (t ha ) = [(V - V ) x T]/100 x f 2 1

sendo:

V = valor de saturação de bases atual do solo (V = 100 x S/T) 1 1

2+ 2+ + -3 S = Ca + Mg + K (cmol dm ) c

V = valor da saturação de bases recomendada pela cultura 2

3+ -3 T = capacidade de troca de cátions, T = S + (H + Al ) (cmol dm ) c

f = fator de correção do PRNT do calcário (f = 100/PRNT)

Qualidade do calcário

Para que a neutralização do alumínio trocável e/ou a elevação dos teores de cálcio e magnésio aconteçam, alguns cuidados devem ser tomados na escolha do calcário:

* O calcário deve passar em peneira com malha de 0,3 mm;

* O calcário deve apresentar teores de CaO + MgO > 38%, com preferência ao uso de calcário dolomítico (teor de MgO > 12%) ou magnesiano (teor de MgO entre 5,1% e 12%) em solos com relação Ca/Mg > 4; -3 * Em solos com teor de Mg menor que 0,8 cmol dm , deve-se cutilizar calcários que tenham Mg para evitar que ocorra desequilíbrio entre o cálcio e o magnésio.

Correção da acidez subsuperficial

Como a incorporação de calcário à profundidades superiores a 30 cm é limitada por dificuldades operacionais e econômicas, a correção de problemas relacionados com teores elevados de alumínio trocável e baixos teores de cálcio, em camadas abaixo de 30 cm, pode ser feita com a aplicação de gesso, que serve também como fonte de enxofre.

A aplicação de gesso é indicada quando se detectar, nas camadas de 20 a 40 e de 40 a 60 cm, saturação de alumínio maior que 20% -3 e/ou teor de cálcio menor que 0,5 cmol dm . Havendo a c necessidade de se aplicar o gesso, a dose a ser usada é calculada de acordo com a fórmula: -1 -1 Necessidade de Gesso (kg ha ) = teor de argila (g kg ) x 5

O efeito residual do gesso, quando aplicado na dose indicada pela fórmula, é de pelo menos cinco anos. Como fonte de cálcio e de enxofre, a aplicação de gesso deve ser restrita a doses em torno de -1 -1 200 kg ha ano 8.5. Adubação

 Adubação orgânica

Na fase de preparo do solo para a implantação da cultura, caso seja -1 disponível, recomenda-se a aplicação a lanço de 30 a 50 t ha de -1 esterco de curral curtido ou 10 a 15 t ha de esterco de galinha incorporado. Misturar o adubo orgânico com a terra com antecedência mínima de 15 dias ao plantio, mantendo-se a umidade adequada.

Adubação nitrogenada

-1 -1 Aplicar no sulco de plantio 20 kg ha de N e 20 dias após 40 kg ha -1 de N. A cada corte aplicar 70 kg ha de N para cada 1.000 kg de folhas secas colhidas, parcelando 30% após o corte e 70% 20 dias após a primeira aplicação

 Adubação fosfatada

Em solos com teores de fósforo enquadrados como baixo ou médio (Tabela 1), deve-se corrigir os seus teores com base nas doses recomendadas na Tabela 2.

Teor de argila Teor de fósforo no solo

Baixo Médio Adequado

g kg-1 mg dm-3< 160 < 12,0 12,1 a 18,0 > 18,0 160 a 350 < 10,0 10,1 a 15,0 > 15,0

360 a 600 < 5,0 5,1 a 8,0 > 8,0 > 600 < 3,0 3,1 a 6,0 > 6,0

Tabela 1. Classes de teores de P extraível (Mehlich 1) de acordo com os teores de argila no solo.

Recomendação de adubação fosfatada corretiva, de acordo com o teor de argila e disponibilidade de fósforo no solo.

Teor de fósforo no solo

Teor de argila

Baixo Médio Adequado

g kg -1 P2O5 (kg ha-1)

< 160 60 30 0

160 a 350 100 50 0

360 a 600 200 100 0

> 600 280 140 0

A adubação corretiva, tem como meta elevar o teor do elemento no solo para níveis onde não se espera respostas à aplicação de doses adicionais do elemento (classe de teor adequado). Procedendo desta forma, devem ser realizadas aplicações posteriores visando

apenas a reposição da quantidade exportada pela cultura. Nas Tabelas 1 e 2 encontram-se relacionadas as classes de teores de P de acordo com o teor de argila e as doses de P O a serem aplicadas 2 5 em área total, incorporando-se o adubo a 20 cm de profundidade, para a correção do teor do nutriente no solo. Uma vez corrigido o -1 teor de fósforo recomenda-se aplicar 40 kg ha de P O no plantio 2 5 e a cada corte fazer a adubação de manutenção. Assim, para cada 1.000 kg de folhas secas produzidas, aplicar 20 kg de P O na linha 2 5 após o corte.

Adubação potássica

Para o manejo do potássio, com o objetivo de corrigir os teores no solo, recomenda-se que sejam adotadas as classes de teores e as doses mencionadas na Tabela 3. As doses indicadas deverão ser aplicadas em área total e incorporadas até 20 cm de profundidade.

-1 Assim procedendo, recomenda-se aplicar no plantio 30 kg ha de K O e após cada corte aplicar 70 kg de K O para cada 1000 kg de 2 2 folhas secas colhidas, parcelando 30% após o corte e 70% aos 20 dias após a primeira aplicação.

Adubação com micronutrientes

Recomenda-se a adubação corretiva com micronutrientes quando os níveis no solo encontrarem-se baixos (Tabela 4). Aplicar a lanço -1 -1 e em área total, se necessário, 2,0 kg ha de boro, 2,0 kg ha de -1 -1 cobre, 6,0 kg ha de manganês e 6,0 kg ha de zinco.

Teor de K no Interpretação

solo

mg dm-3 CTC a pH 7,0 <4 cmolc dm-3 ou

teor de argila < 200 g kg-1

Dose de K2O

kg ha-1

Tabela 3. Classes de teores de K (extraído por Mehlich 1) na camada de 0

a 20 cm e recomendação de adubação corretiva potássica, em função do

teor de potássio e da CTC (pH 7,0) ou do teor de argila no solo.

< 15 Baixo 50

16 a 40 Médio 25

> 40 Adequado 0

mg dm-3 CTC a pH 7,0 > 4 cmolc dm-3 ou

teor de argila > 200 g kg-1 kg ha-1

< 25 Baixo 100

25 a 80 Médio 50

> 80 Adequado 0

Fonte: Sousa & Lobato (2002).

Tabela 4. Classes de teores de B, Cu, Mn e Zn na camada de 0 a 20 cm,

a pHH2O igual a 6,0.

Classe de teor B1 Cu2 Mn2 Zn2 mg dm-3

Baixo < 0,2 < 0,4 < 1,9 < 1,0

Médio 0,2 a 0,5 0,4 a 0,8 1,9 a 5,0 1,0 a 1,6

Visão geral criada por IA

A nutrição e adubação da Stevia rebaudiana são fundamentais para garantir um alto teor de glicosídeos de esteviol (compostos doces) nas folhas, além de promover um crescimento vigoroso. A estévia prefere solos ricos em matéria orgânica, arenosos e com boa drenagem.

Principais Recomendações de Adubação:

  • Matéria Orgânica: A planta aprecia bastante matéria orgânica. Incorporar composto orgânico ou húmus de minhoca no solo antes do plantio é altamente recomendável.

  • Adubação Orgânica (Frequência): Recomenda-se a aplicação de fertilizantes orgânicos, como farinha de osso ou torta de mamona, a cada 30 dias durante o período de crescimento ativo, que vai da primavera ao outono.

  • Bocashi: O uso de fertilizante tipo Bocashi é uma excelente opção orgânica para estimular o crescimento.

  • Solo e pH: A estévia adapta-se a solos com pH ligeiramente ácido, comum no Brasil, mas prefere solos férteis e bem drenados para evitar doenças fúngicas nas raízes.

  • Cuidados: A planta é sensível à salinidade, portanto, deve-se evitar adubos químicos com alto teor de sais. 

  • Dicas para Melhor Produção:

    • Poda: Realizar podas regulares dos galhos não só estimula o crescimento de novas folhas mais doces, mas também melhora o formato da planta.

    • Sol e Água: Requer de 6 a 8 horas de sol direto e irrigação moderada (a cada dois dias ou quando o solo estiver seco).

    • Colheita: A melhor época para colher as folhas é pouco antes da floração, momento em que a concentração de dulçor é máxima.


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segunda-feira, 2 de março de 2026

Folha da mamona no controle alternativo de pragas

uso da folha da mamona no controle alternativo de pragas

Extratos aquosos de várias espécies vegetais têm se mostrado promissores no controle alternativo do nematoide de galhas Meloidogyne incognita (Kofoid & White), um dos agentes mais limitantes para o cultivo da cenoura. O presente estudo avaliou a ação de extratos aquosos provenientes de sete espécies vegetais aplicados aos 40, 50, 60, 70 e 80 dias após a semeadura da cenoura ‘Nantes’ em solo infestado com o nematoide. Outros três tratamentos foram constituídos de manipueira, água destilada (testemunha), os quais foram aplicados nos mesmos períodos dos extratos, e carbofuran 50G (80kg/ha), aplicado 60 dias após a semeadura uma única vez. Asavaliações foram efetuadas aos 90 dias da inoculação, determinando se a massa fresca da parte aérea e do sistema radicular total, o diâmetro e o comprimento das raízes comerciais e o número de galhas presentes nas raízes principais e secundárias. Plantas tratadas com manipueira, extratos de sementes de Ricinus communis L., sementes de Crotalaria juncea L., folhas + ramos + frutos de R. communis, folhas + ramos + inflorescências de Chenopodium ambrosioides L. e sementes de Azadirachta indica A. Juss. apresentaram maiores índices de peso

Maiores pesos da raiz principal foram encontrados em plantas tratadas com manipueira e extrato de semente de R. communis. Com base nos resultados obtidos conclui-se que o extrato de sementes de R. communis e manipueira podem ser promissores no manejo alternativo de M. incognita.

total (raiz + parte aérea) e peso de parte aérea. O extrato à base de folha + ramos + fruto de R. communis proporcionou maior peso radicular total além de maior diâmetro da raiz principal da cenoura.

Visão geral criada por IA

O controle alternativo de pragas 

utiliza produtos de baixa toxicidade (caldas, extratos vegetaisóleos) e métodos naturais (manejo cultural, inimigos naturais) para reduzir populações de insetos e doenças sem agrotóxicos sintéticos. Foca na sustentabilidade, segurança alimentar e seletividade a polinizadores, sendo ideal para sistemas orgânicos e pequenas propriedades. 

Aqui estão os principais métodos e produtos alternativos:

  • Caldas Fitoprotetoras:

  •  Combate ácaros, cochonilhas e fungos, atuando também como repelente

    • Calda Viçosa: Similar à bordalesa, mas com adição de micronutrientes como zinco e magnésio.

  • Extratos e Óleos Vegetais:

    • Extrato de Alho: Funciona como inseticida e repelente, especialmente contra pulgões e ácaros.

    • Óleo de Neem: Inseticida natural que interfere no ciclo de vida das pragas.

    • Sabão (Neutro ou Potássico): Eficaz contra insetos de corpo mole, como pulgões e cochonilhas, agindo por contato.

  • Controle Biológico: Uso de inimigos naturais como joaninhas, vespas parasitoides e fungos entomopatogênicos (que causam doenças nas pragas).

Não aplicar sob sol forte ou temperaturas muito baixas.

  • Sempre usar equipamentos de proteção individual (EPI), como luvas e máscaras, durante o preparo e aplicação.

    Evitar uso de produtos à base de alho/nicotina em solanáceas (tomate, pimentão) para não transmitir viroses.

  • A calda sulfocálcica não deve ser aplicada em cucurbitáceas (abóbora, melão, pepino, melancia).


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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Produção de Sementes e Mudas de Stevia

 

Produção de Sementes e Mudas de Stevia

1. Colheita de sementes

Recomenda-se não colher as folhas quando o objetivo é a produção de sementes. Portanto, as sementes devem ser colhidas no ciclo das plantas em que a produção de folhas é mínima, o que ocorre no inverno. Por serem muito pequenas, leves e plumosas, o que facilita o arraste pelos ventos, as sementes devem ser colhidas quando a inflorescência atingir a coloração amarronzada, garantindo o máximo aproveitamento.

2. Armazenamento de sementes

As sementes devem ser armazenadas em condições ótimas de temperatura e umidade, o que não deve ser feito ao nível de produtores de folhas, sob pena de perdas de germinação. É interessante que a produção de semente seja realizada por produtores com condições técnicas e infra-estrutura para isso.

3. Produção de mudas

Com a terra destorroada, prepara-se canteiros de mudas com 1,0 a 1,5 m de largura, com comprimento variável, de acordo com o tamanho da área a ser plantada (200 m de canteiro para cada hectare plantado), e 20 cm de altura e com os canteiros distanciados 50 cm entre si, usando tijolos, tábuas ou bambu nos lados visando a sustentação. Considerando uma área a ser plantada de 1 hectare, são necessários 2 a 3 kg de sementes. O local deve ser bem drenado e próximo de fontes de água e da área para o transplantio das mudas a serem preparadas. A terra para os canteiros deve ser de textura arenosa, sendo misturada com matéria orgânica e fósforo prontamente assimilável pelas plantas (superfosfato triplo).

Efetua-se a semeadura na proporção de 10 a 15 gramas de sementes por metro quadrado de canteiro, ficando as mesmas exclusivamente na superfície do solo (não enterrar), cobrindo-as com sombrite 50% em contato com o canteiro. O uso do sombrite é necessário para a manutenção da umidade e para que o vento não retire as sementes do local. A semeadura deve ser feita de modo que após a germinação, cada muda possa ocupar uma área ao 2 redor de 16,6 cm , o que corresponde a 600 plantas por metro quadrado. A germinação das sementes ocorrerá de 5 a 10 dias após a semeadura.

A irrigação deve ser diária, mantendo-se os canteiros sempre com umidade próxima à capacidade de campo. Recomenda-se a aplicação de até cinco regas por dia, até que ocorra a germinação das sementes.

Após a emergência, quando as mudas alcançarem 1 a 2 cm de altura, eleva-se o sombrite a uma altura de 40 cm para a aclimatação. Após a elevação do sombrite o número de regas deve ser reduzido para três vezes ao dia. O principal cuidado passa a ser com a qualidade das mudas, tanto no aspecto fitossanitário quanto no vigor de crescimento, retirando as mudas doentes e raquíticas e mantendo o canteiro livre das plantas daninhas (Fig. 6).


4. Transplante de mudas

O transplantio deve ser efetuado quando as mudas estiverem com 70 a 90 dias de viveiro, entre 10 a 15 cm de altura, com pelo menos 10 pares de folhas e um sistema radicular bem formado. Antes da operação de transferência do viveiro para o campo (plantio definitivo), os canteiros devem ser cuidadosamente revolvidos, com auxílio de enxadas, de maneira a não danificar o sistema radicular das plantas. Na seqüência, as mudas são arrancadas e decepadas a uma distância de 5 cm do colo da raiz. As mudas arrancadas e decepadas (raiz nua) devem ser acondicionadas em caixas envoltas em sacos de algodão ou juta e mantidos permanentemente umidecidos. As mudas a serem retiradas dos canteiros devem ser em quantidade compatível com o plantio a ser efetuado no mesmo dia. As folhas oriundas dessa operação podem ser comercializadas (Fig. 7)

Fig. 6. Canteiros de produção de mudas de estévia.

Foto:1 Nilton Pires de Araújo

Foto: 2 Nilton Pires de Araújo

Foto:3 Nilton Pires de Araújo

Foto: 4 Nilton Pires de Araújo




Fig. 7. Seqüência de operações para o transplantio da estévia.



Foto:1 Zander Martinez Lucas

Foto:2 Zander Martinez Lucas

Foto: 3 Zander Martinez Lucas

Foto: 4 Zander Martinez Lucas

Foto: 5 Zander Martinez Lucas


Após o preparo da área para o plantio definitivo (aração, gradagem, sulcamento ou coveamento, calagem e adubação), as mudas devem ser plantadas no espaçamento de 50 cm entre linhas e 20 cm entre plantas. Os sulcos de plantio devem ter entre 10 e 15 cm de profundidade, e adubados com matéria orgânica, nitrogênio, fósforo e potássio, além de micronutrientes quando necessário.

-1 Estima-se que são necessários 5 homens dia para o transplante de 1000 m de mudas de estévia.

Após o plantio, cobrir o solo com palha seca visando à manutenção da umidade, controle de plantas daninhas e erosão do solo, dentre outros efeitos. Nas duas primeiras semanas, as irrigações devem ser diárias passando depois para duas regas semanais. A época ideal para o plantio definitivo da estévia é no inicio das chuvas, que ocorre em meados de outubro. Devem ser evitados solos muito argilosos. Os solos de textura média são os preferidos.




Aspectos Bioquímicos e Organolépticos dos Princípios Ativos da Stevia

 

Aspectos Bioquímicos e Organolépticos dos Princípios Ativos da Stevia

O sabor doce é uma percepção organoléptica que remonta à origem do homem. Na pré-história os açúcares do mel e dos frutos eram os responsáveis pelo sabor doce, estando associados a alimentos sem risco, e o sabor amargo era atribuído a alimentos tóxicos. De modo geral, o sabor doce acentua-se devido aos compostos com maior ou menor doçura. Os adoçantes são compostos de sabor doce, como os açúcares e seus derivados, quase sempre energéticos, sendo a sacarose o composto principal, cujo poder edulcorante é único. Os edulcorantes são compostos de sabor extremamente doce, não são necessariamente açúcares, mas podendo contê-los como parte de suas moléculas, e também não obrigatoriamente energéticos, com poder edulcorante superior à sacarose. Os edulcorantes podem ser divididos em sintéticos e naturais. Por sua natureza quase essencialmente não calórica e seu alto poder adoçante, diminuem sensivelmente a ingestão quantitativa dos adoçantes, o que os faz indispensáveis para regimes dietéticos para diabéticos, dietas de emagrecimento e manutenção de massa corporal.

A estévia é um subarbusto com propriedade edulcorante em suas folhas, devido à presença de glicosídeos diterpênicos com poder adoçante muito superior à sacarose. Os glicosídeos isolados das folhas de estévia, com o respectivo poder adoçante relativo à sacarose, são os seguintes: esteviosídeo (250-300), esteviolbiosídeo (100-125), rebaudiosídeo-A (350-450), rebaudiosídeo-B (300-350), rebaudiosídeo-C (dulcosídeo B) (50- 120), rebaudiosídeo-D (200-300), rebaudiosídeo-E (250-300), dulcosídeo-A (50-120). O teor de esteviosídeo aumenta até o início do florescimento, diminuindo continuamente até a produção de sementes, sendo aconselhável, portanto, a colheita das folhas no início da abertura das flores.

O esteviosídeo possui a maior concentração, 5 a 15% da matéria seca foliar, e um poder adoçante de 250 a 300 vezes superior à sacarose (Fig. 5). O rebaudiosídeo, em menor concentração nas folhas, de 3 a 6%, é mais doce, com um poder adoçante de 350 a 450. Quantidades menores de esteviosídeo também podem ser encontradas nas inflorescências e raízes. Existe uma correlação negativa entre o teor de esteviosídeo e rebaudiosídeo. Devido ao fato dos rebaudiosídeos serem mais doces que o esteviosídeo (1,2 a 1,5 vezes mais doce) e por apresentarem paladar mais agradável, é que o extrato bruto das folhas tem um paladar doce melhor que o esteviosídeo purificado.

O esteviosídeo é utilizado como edulcorante para alimentos, tais como doces, tortas, pudins, iogurte, xaropes, balas, goma de mascar, leite em pó e condensado, algumas bebidas e outros alimentos não calóricos destinados a regimes dietéticos e para pessoas diabéticas, sem causar efeitos colaterais ao ser humano.

Fig. 5. Esteviosídeo puro extraído das folhas de estévia.





terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Botânica da Stevia

 

A STEVIA

Botânica

1. Descrição

Moisés Bertoni, em 1905, resumiu assim o seu estudo sistemático sobre a estévia: "Pequena erva de 40 a 80 centímetros de altura,geralmente 50 cm, raízes vivazes, talo sublenhoso, pubescente, débil e com poucas ramificações terminais coroadas por panículas,ormadas de pequenos corimbos, trazendo 2 a 6 flores pequena com corola de lóbulos brancos, alongados e abertos".

A estévia [Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni] pertence à família Compositae, sendo classificadas cerca de 200 espécies no gênero Stevia, com distribuição ampla nas regiões tropicais e subtropicais das Américas. No Brasil foram encontradas quatro espécies, embora existam informações sobre a ocorrência de 14 espécies no Rio Grande do Sul. Das espécies que ocorrem no País merecem destaque a S. rebaudiana e a S. aristata que também apresenta princípios edulcorantes. Todas as 14 espécies paraguaias de Stevia, incluindo Stevia rebaudiana, são agrupadas na série Multiaristatae. Taxonomicamente, esta série é caracterizada por perenialidade rizomatosa, folhas simples inteiras, geralmente opostas na base da planta, crenuladas a crenado-serradas na porção média superior, sésseis a pecioladas. Inflorescências corimbiformes ou paniculiformes, brácteas involucrais geralmente lanceoladas. Flores actinomorfas, corola com cinco lobos perfeitos. Aquênios isomórficos, "pappus" com 10 a 20 aristas cerdosas e simétricas.

2. Habitat

O gênero Stevia ocorre apenas no continente americano, estendendo-se do sudeste dos Estados Unidos ao norte da Argentina, particularmente ao longo das montanhas Andinas, podendo-se estimar em cerca de 120 espécies de Stevia para a América do Sul.

A Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni é endêmica no Paraguai, ocorrendo naturalmente tanto ao norte deste país como nos limites das fronteiras Brasil - Paraguai, já tendo sido coletada no Brasil. De 18 Estévia modo geral, a zona nativa da planta silvestre localiza-se sob clima

tropical, com uma altitude média de 300 metros, situada na região da cordilheira do Amambai ao longo do rio Monda'i, principalmente na pradaria de São Pedro, no Alto Jeju'i, Vakaretã e Yhu, na encosta da cordilheira do Esbakarayu, e ao norte de Mato Grosso do Sul. Essa área está compreendida entre 22º a 25º de latitude sul e 54º a 56º de longitude oeste. Via de regra, a planta é registrada em campos de pastagens com solo arenoso, ligeiramente úmido. A espécie nativa também foi encontrada em focos isolados no arenito do Caiuá, região de origem da planta, localizada na mesma latitude sul, e 53º a 54º de longitude oeste no norte e oeste do Paraná, na bacia do rio Ivaí e parte da bacia do rio Paranapanema, no estado de São Paulo.

3. Fotoperiodismo e floração

A estévia é uma planta de dias curtos para floração, com fotoperíodo crítico de 13 a 14 horas. A sensibilidade aos dias curtos ocorre após a planta desenvolver quatro pares de folhas, sendo necessários apenas dois ciclos (dia/noite) para a indução ao florescimento. Transplantes ou cortes realizados em períodos de dias curtos induz a floração tão logo a planta atinja a idade fisiológica adequada, ocorrendo um crescimento mais lento. Devese evitar a semeadura nos meses de menor comprimento do dia, a fim de se evitar o florescimento das mudas ainda no viveiro.

No gênero Stevia as flores são curtamente exsertas (tubo da corola até duas vezes o tamanho do ovário) (Fig. 2). As folhas são oblongo-lanceoladas a romboídeas, com ambas as faces esparsopilosas.

Os vários aquênios são dispostos em panículas laxas, sendo os aquênios glanduloso-ciliados. As flores são hermafroditas, pequenas e levemente perfumadas, sendo que a polinização é cruzada. O pólen, por ser úmido e pegajoso, pode ser carregado por insetos, porém torna-se difícil a sua dispersão pelo vento.

Fig. 2. Inflorescência da estévia.

A espécie apresenta variações em suas características fisiológicas e morfológicas, devido a fatores genéticos e/ou ambientais.

Plantas oriundas de sementes mostram a variabilidade genética por meio da forma da planta, dos tipos e tamanhos de folhas e do teor dos edulcorantes.

A estévia produz três tipos de frutos, denominados de aquênios, que são constituídos de um embrião pseudogâmico com dois cotilédones e um eixo embrionário envoltos por um endosperma mais denso. A cobertura protetora é exercida pelo fruto (Fig. 3).

Os três tipos de aquênio são:

1) aquênio claro estéril - devido à ausência de polinização não há embrião;

2) aquênio escuro fértil - ocorre a polinização e fecundação da oosfera com formação do embrião;

3) aquênio escuro estéril - ocorre a polinização e o desenvolvimento do tubo polínico, havendo uma interrupção do crescimento deste antes de atingir a oosfera.

A baixa longevidade das sementes, provavelmente, está relacionada com a composição química, cacterizada pela riqueza de lipídeos.

3. Fotoperiodismo e floração

A estévia é uma planta de dias curtos para floração, com fotoperíodo crítico de 13 a 14 horas. A sensibilidade aos dias curtos ocorre após a planta desenvolver quatro pares de folhas, sendo necessários apenas dois ciclos (dia/noite) para a indução ao florescimento. Transplantes ou cortes realizados em períodos de dias curtos induz a floração tão logo a planta atinja a idade fisiológica adequada, ocorrendo um crescimento mais lento. Deve se evitar a semeadura nos meses de menor comprimento do dia, a fim de se evitar o florescimento das mudas ainda no viveiro.

No gênero Stevia as flores são curtamente exsertas (tubo da corola até duas vezes otamanho do ovário) (Fig. 2). As folhas são oblongo-lanceoladas a romboídeas, com ambas as faces esparsopilosas.

Os vários aquênios são dispostos em panículas laxas, sendo os aquênios glanduloso-ciliados. As flores são hermafroditas, pequenas e levemente perfumadas, sendo que a polinização é cruzada. O pólen, por ser úmido e pegajoso, pode ser carregado por insetos, porém torna-se difícil a sua dispersão pelo vento.

Fig. 3. Tipos de sementes (aquênios) de estévia quanto à coloração (clara e escura).


A espécie apresenta variações em suas características fisiológicas e morfológicas, devido a fatores genéticos e/ou ambientais.

Plantas oriundas de sementes mostram a variabilidade genética por meio da forma da planta, dos tipos e tamanhos de folhas e do teor dos edulcorantes.

A estévia produz três tipos de frutos, denominados de aquênios, que são constituídos de um embrião pseudogâmico com dois cotilédones e um eixo embrionário envoltos por um endosperma mais denso. A cobertura protetora é exercida pelo fruto (Fig. 3).

Os três tipos de aquênio são:

1) aquênio claro estéril - devido à ausência de polinização não há embrião;

2) aquênio escuro fértil - ocorre a polinização e fecundação da oosfera com formação do embrião;

3) aquênio escuro estéril - ocorre a polinização e o desenvolvimento do tubo polínico, havendo uma interrupção do crescimento deste antes de atingir a oosfera.

A baixa longevidade das sementes, provavelmente, está relacionada com a composição química, cacterizada pela riqueza de lipídeos.

4. Sistema radicular

O sistema radicular da estévia é pivotante no início do desenvolvimento. Após o primeiro corte verifica-se uma diferenciação celular na região do coleto e o sistema radicular torna-se fasciculado, com maior distribuição na camada superior do solo.

5. Sistema vegetativo

A estévia é uma planta de porte arbustivo e de crescimento determinado, no qual o crescimento vegetativo dá lugar ao crescimento reprodutivo. Durante o primeiro ciclo, observa-se, em média, uma haste principal com 25 ramos secundários por planta.

Observam-se, também, ramificações de terceira, quarta, quinta e até sexta ordem, apesar das três últimas ocorrerem em menor número. Após cada corte ocorre a diminuição dos ramos secundários até que cada perfilho tenha somente a haste principal, onde os cortes sucessivos estimulam o perfilhamento. O vigor da rebrota depende das reservas acumuladas pelo sistema radicular e da fertilidade do solo (Fig. 4).

6. Variedades

Das 200 espécies do gênero Stevia já identificadas, a S. rebaudiana e S. aristata são as únicas que apresentam princípios edulcorantes. Esta última é pouco conhecida e somente Brücher,em 1974, fez menção sobre a mesma. Por sua descrição, a S. aristata parece ter características superiores às da S. rebaudiana para a produção de folhas, tratando-se de uma importante planta para ser estudada. A S. rebaudiana (Bert.) Bertoni, apresenta numerosas variedades.

No Japão foram selecionadas 28 variedades, nas quais foi encontrada uma grande variação no teor de esteviosídeo, entre 2,07 a 8,34%. Os estudos sobre as características morfológicas e o conteúdo dos princípios ativos edulcorantes mostraram ser de

alta herdabilidade. Naquele país foram registradas variedades que tinham alto conteúdo de rebaudiosídeo A.

No Canadá, a Royal-Sweet International Tecnologies Ltd informou ter obtido uma variedade de estévia não sensível ao fotoperiodo, por meio de indução genética, cujo genótipo foi patenteado. Nos Estados Unidos, foram obtidos clones de estévia pelo tratamento de sementes com colchicina, com boas características fenotípicas 1 para a produção de esteviosídeo/rebaudiosídeo . No Brasil, os plantios comerciais existentes são oriundos de semente de meioirmãos, sem identificação de uma cultivar recomendada para o plantio nas várias condições ecológicas de adaptação da estévia.

É importante que a seleção seja dirigida para a obtenção depopulações homogêneas, com resistência a doenças e pragas, com maiores teores de edulcorantes, maior massa foliar, produção de semente viáveis, menos exigentes em nutrientes, com tolerância à seca e insensíveis ao fotoperíodo e altitude, assim como maior número de hastes e ramificações na parte aérea da planta, dentre outras características.



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