quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Cultura do Arroz de Sequeiro (Terras Altas) Características e Importância



Características da Cultura .+

A cultura do arroz de sequeiro, pouco exigente em insumos e tolerante à solos ácidos, teve um destacado papel como cultura pioneira durante o processo de ocupação agrícola dos cerrados, iniciado na década de 60. Este processo de abertura de área teve seu pico no período 75-85, em que a cultura chegou a ocupar área superior a 4,5 milhões de ha. O sistema de exploração caracterizava-se pelo baixo custo de produção, devido à baixa adoção das práticas recomendadas, incluindo plantios tardios. A significativa ocorrência de veranicos fazia com que a cultura apresentasse uma produtividade média muito baixa, ao redor de 1 t/ha, sendo considerada como de alto risco e gerando centenas de casos de Proagro (Seguro agrícola). 
Apesar desse panorama pouco promissor, a pesquisa nesse período, já oferecia um leque de alternativas para minimização da adversidade climática, incluindo cultivares tolerantes à seca, classificação do grau de risco dos municípios produtores, adequação da época de semeadura e do ciclo da cultivar, preparo de solo e manejo de fertilizantes visando aprofundamento radicular e aumento da reserva útil de água do solo, além de técnicas do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas

Com a progressiva redução das áreas de abertura, em meados da década de 80, a área cultivada com arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro, foi sendo gradativamente reduzida, ao mesmo tempo em que a fronteira agrícola se moveu no sentido sudeste-noroeste. A conseqüência desse movimento foi a redução do risco climático, o que tornou mais propícia a aplicação das tecnologias recomendadas pela pesquisa. Para estas novas e promissoras áreas, a criação de cultivares de tipo de planta moderno (estatura e perfilhamento intermediários, folhas eretas), de maior potencial produtivo e grão do tipo "agulhinha", além do crescimento do nível de insumos aplicados, motivado pela melhor relação custo/benefício, trouxe também um substancial aumento da aceitação do produto pela indústria e consumidores.

Apesar da expressiva redução da área cultivada (-50%), que hoje perfaz apenas 2,2 milhões de ha, a produção se manteve nos mesmos níveis da década de 70, devido ao grande aumento da produtividade, que cresceu para 2 t/ha (50%). Este aumento da produtividade média é bastante animador; contudo, ainda está muito aquém do que é possível obter com a nova cultura, ora denominada de "arroz de terras altas". Em lavouras bem conduzidas, em áreas favorecidas quanto à distribuição de chuvas, como no Centro-Norte do MT, pode-se alcançar mais de 4 t/ha, enquanto em nível experimental, tem-se obtido até 6 t/ha. A inserção do arroz como componente de sistemas agrícolas de sequeiro vem ocorrendo de forma gradual, especialmente na região Sudoeste e Centro-Norte do Mato Grosso. Além do bom rendimento nessas condições, o arroz promove o desempenho de outras culturas, como a soja, quando utilizado em rotação e/ou sucessão. 

Atualmente, a pesquisa com a cultura do arroz de terras altas, prioriza ações, que visam consolidar a presença da cultura em sistemas de produção de grãos nas regiões favorecidas dos cerrados e, especialmente, adaptá-la ao sistema de plantio direto, que oferece vários desafios. Também fazem parte da agenda, o consórcio de arroz com pastagem, no Sistema Barreirão (renovação de pastagem degrada) e no Sistema Santa Fé (integração lavoura-pecuária), assim como o sistema sob irrigação suplementar e o de abertura de novas áreas. Neste documento, coloca-se ao alcance dos usuários, os conhecimentos e tecnologias resultantes da pesquisa de Embrapa e suas parceiras, obtidas ao longo de quase 30 anos de experiência com a cultura, envolvendo socioeconomia, mercado, melhoramento, manejo da planta, solo e fertilidade, manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas, entre outras linhas relevantes. Espera-se que venham a estimular e que possam promover a exploração da cultura do arroz, no ambiente dos cerrados, de forma sustentável e competitiva.

.Importância Econômica+

Até a década de 70 a produção do arroz de terras altas e do arroz irrigado eram complementares no abastecimento nacional e a concorrência entre eles era baixa, pois os produtos se dirigiam à diferentes mercados consumidores. A partir de meados dos anos 70 o arroz irrigado passou a dominar a preferência nacional e obter maiores cotações no mercado. Neste aspecto, ressalta-se que a mudança de preferência do consumidor provocou um aumento da área cultivada do arroz irrigado. A partir do início da década de 80, a produtividade média nacional apresenta uma tendência de crescimento.

Com essas mudanças, a área de cultivo com arroz de terras altas reduziu, mas a produção cresceu e a qualidade melhorou, com isso, recuperou parte do prestígio que havia perdido. A perspectiva é que a produção dos diferentes ecossistemas continue desempenhando um papel de complementariedade, mas com uma certa concorrência. Mas, essa concorrência não deve ser acirrada, pois a curto prazo, nenhum sistema sozinho é capaz de atender a demanda interna. No entanto, na competitividade do arroz não está circunscrita a disputa entre o arroz de terras altas e arroz irrigado, mas sim a organização da produção. 

Com o propósito de oferecer subsídios que permitam um melhor entendimento do assunto apresenta-se um breve retrospecto das história recente da cultura, considerando os avanços, mudanças tecnológicas e de preferência de consumo, aliados à conjuntura macroecnômica. 

Apesar da pulverização da produção, pode-se dividir a produção de arroz no Brasil, em três pólos: o primeiro é a Região Sul, com destaque para o Estado do Rio Grande do Sul, o segundo é a região Central, abrangendo os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso. O terceiro pólo, o estado do Maranhão que, além da importância histórica na produção, na década de 90 foi o terceiro maior estado produtor deste cereal. 

No período de 1970 a 1975 ocorreram variações nos preço, mas o arroz de terras altas continuou com o preço mais alto. Em 1975, houve uma inversão, mas o domínio do arroz irrigado passou a vigorar a partir de 1980. Ressalta-se que nesse processo, ocorreu uma ligeira mudança do perfil do produtor de arroz de terras altas, principalmente no estado do Mato Grosso e que o nível de exigência do consumidor foi fundamental na determinação dos rumos do processo produtivo. Outro componente importante foi a mudança do papel do governo, que era o maior comprador e vendedor de arroz. Um aspecto relevante também a ser mencionado é que o governo não primava pela qualidade, ou seja, não havia estímulo para que se produzisse com qualidade, mas sim quantidade. 

No período de 1994 a 2001, observou-se que a participação média do agronegócio no produto interno bruto - PIB foi cerca de 30,5%, enquanto o PIB da agricultura foi 21,5% e da pecuária foi de 9%, caracterizando o agronegócio e respondendo por cerca de um terço da economia nacional. Neste contexto, a rizicultura ocupa uma posição de destaque no agronegócio brasileiro pois, no período de 1990 a 2002, respondeu por 6,88% da renda agrícola total, sendo o sexto produto em renda, ficando atrás da soja (18,47%), cana-de-açúcar (13,94%), milho (13,68%), laranja (7,67%)m e café (7,38%).

Apesar das importantes inovações tecnológicas conseguidas nas décadas de 80 e 90, a rizicultura de terras altas tem dois grandes desafios; o primeiro, a consolidação da cultura de forma sustentável nos diferentes sistemas de produção de grãos, especialmente sob plantio direto e o segundo é a mudança do perfil do rizilcultor, ainda falta muito para se alcançar um estágio que possa classificá-los como profissionais na cultura. 

No âmbito mundial, o arroz é cultivado nos cinco continentes, tanto em regiões tropicais como temperadas. A Ásia é a principal produtora, nela concentra-se mais de 90% da produção mundial. Os países que se destacam são: China, Índia e Indonésia que respondem, respectivamente, por 30%, 23% e 8% da produção mundial. Nos últimos dez anos, na América do Sul e na África, a produção de arroz cresceu, respectivamente, a uma taxa média de 3,2% e 3,6% a.a. A expectativa para o próximo decênio é que a taxa de crescimento não ultrapasse a 2,5% a.a. Essa projeção se apoia, principalmente, na premissa que não vão ocorrer novos ganhos de rendimentos. Nos grandes países asiáticos a produção de arroz é suficiente para atender o consumo doméstico. Países como China e Indonésia, exercem grande influência no comportamento do mercado mundial, haja vista que são grandes produtores e possuem alto nível populacional. 

O consumo de arroz teve um forte progresso nos últimos trinta anos. Os padrões de consumo podem ser classificados em três grandes modelos. O modelo asiático que corresponde a um consumo médio per capita superior a 100 kg a.a. Neste grupo há países que o consumo alcança até 200 kg. a.a. Um exemplo desse grupo é a China, que apresenta um consumo anual médio de 110 kg per capita. O modelo subtropical apresenta um consumo per capita médio que varia de 35 a 65 kg a.a. O Brasil é um país representativo desse grupo, o consumo médio gira em torno de 45 kg. a.a. de arroz beneficiado. No modelo ocidental o consumo per capita médio é baixo, cerca de 10 kg. a.a. Como exemplo desse grupo pode-se citar a França com um consumo per capita de 5 kg a.a. 

Existem dois grandes mercados de arroz no mundo. O mercado de alto padrão e o mercado de baixo padrão. As diferenças de padrões são definidas basicamente, pelo percentual de quebrado. Nas cotações de preços internacionais somente se distinguem as seguintes características: país de origem, percentual de arroz quebrado, aromático ou não aromático, parbolizado ou branco. 

Para se fazer uma prospecção da rizilcultura brasileira com um certo grau de confiabilidade é uma tarefa difícil, porque alguns pontos considerados estratégicos não estão claros, por exemplo, a) indefinição quanto o grau der interesse por parte dos planejadores de política públicas pelo produto; b) desdobramentos do aumento do processo de verticalização e concentração nas empresas privadas no mercado de alimentos; c) a postura nos itens anteriores e vão determinar se o país vai se inserir no mercado internacional como importador ou aumentar a dependência de importação para abastecer o mercado interno, cujo o eventuais fornecedores seja os países ricos, que continuam aperfeiçoando suas produções com o objetivo de conquistar novos mercados.


FONTE EMBRAPA






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