quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Aspectos Bioquímicos e Organolépticos dos Princípios Ativos da Stevia

 

Aspectos Bioquímicos e Organolépticos dos Princípios Ativos da Stevia

O sabor doce é uma percepção organoléptica que remonta à origem do homem. Na pré-história os açúcares do mel e dos frutos eram os responsáveis pelo sabor doce, estando associados a alimentos sem risco, e o sabor amargo era atribuído a alimentos tóxicos. De modo geral, o sabor doce acentua-se devido aos compostos com maior ou menor doçura. Os adoçantes são compostos de sabor doce, como os açúcares e seus derivados, quase sempre energéticos, sendo a sacarose o composto principal, cujo poder edulcorante é único. Os edulcorantes são compostos de sabor extremamente doce, não são necessariamente açúcares, mas podendo contê-los como parte de suas moléculas, e também não obrigatoriamente energéticos, com poder edulcorante superior à sacarose. Os edulcorantes podem ser divididos em sintéticos e naturais. Por sua natureza quase essencialmente não calórica e seu alto poder adoçante, diminuem sensivelmente a ingestão quantitativa dos adoçantes, o que os faz indispensáveis para regimes dietéticos para diabéticos, dietas de emagrecimento e manutenção de massa corporal.

A estévia é um subarbusto com propriedade edulcorante em suas folhas, devido à presença de glicosídeos diterpênicos com poder adoçante muito superior à sacarose. Os glicosídeos isolados das folhas de estévia, com o respectivo poder adoçante relativo à sacarose, são os seguintes: esteviosídeo (250-300), esteviolbiosídeo (100-125), rebaudiosídeo-A (350-450), rebaudiosídeo-B (300-350), rebaudiosídeo-C (dulcosídeo B) (50- 120), rebaudiosídeo-D (200-300), rebaudiosídeo-E (250-300), dulcosídeo-A (50-120). O teor de esteviosídeo aumenta até o início do florescimento, diminuindo continuamente até a produção de sementes, sendo aconselhável, portanto, a colheita das folhas no início da abertura das flores.

O esteviosídeo possui a maior concentração, 5 a 15% da matéria seca foliar, e um poder adoçante de 250 a 300 vezes superior à sacarose (Fig. 5). O rebaudiosídeo, em menor concentração nas folhas, de 3 a 6%, é mais doce, com um poder adoçante de 350 a 450. Quantidades menores de esteviosídeo também podem ser encontradas nas inflorescências e raízes. Existe uma correlação negativa entre o teor de esteviosídeo e rebaudiosídeo. Devido ao fato dos rebaudiosídeos serem mais doces que o esteviosídeo (1,2 a 1,5 vezes mais doce) e por apresentarem paladar mais agradável, é que o extrato bruto das folhas tem um paladar doce melhor que o esteviosídeo purificado.

O esteviosídeo é utilizado como edulcorante para alimentos, tais como doces, tortas, pudins, iogurte, xaropes, balas, goma de mascar, leite em pó e condensado, algumas bebidas e outros alimentos não calóricos destinados a regimes dietéticos e para pessoas diabéticas, sem causar efeitos colaterais ao ser humano.

Fig. 5. Esteviosídeo puro extraído das folhas de estévia.





terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Botânica da Stevia

 

A STEVIA

Botânica

1. Descrição

Moisés Bertoni, em 1905, resumiu assim o seu estudo sistemático sobre a estévia: "Pequena erva de 40 a 80 centímetros de altura,geralmente 50 cm, raízes vivazes, talo sublenhoso, pubescente, débil e com poucas ramificações terminais coroadas por panículas,ormadas de pequenos corimbos, trazendo 2 a 6 flores pequena com corola de lóbulos brancos, alongados e abertos".

A estévia [Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni] pertence à família Compositae, sendo classificadas cerca de 200 espécies no gênero Stevia, com distribuição ampla nas regiões tropicais e subtropicais das Américas. No Brasil foram encontradas quatro espécies, embora existam informações sobre a ocorrência de 14 espécies no Rio Grande do Sul. Das espécies que ocorrem no País merecem destaque a S. rebaudiana e a S. aristata que também apresenta princípios edulcorantes. Todas as 14 espécies paraguaias de Stevia, incluindo Stevia rebaudiana, são agrupadas na série Multiaristatae. Taxonomicamente, esta série é caracterizada por perenialidade rizomatosa, folhas simples inteiras, geralmente opostas na base da planta, crenuladas a crenado-serradas na porção média superior, sésseis a pecioladas. Inflorescências corimbiformes ou paniculiformes, brácteas involucrais geralmente lanceoladas. Flores actinomorfas, corola com cinco lobos perfeitos. Aquênios isomórficos, "pappus" com 10 a 20 aristas cerdosas e simétricas.

2. Habitat

O gênero Stevia ocorre apenas no continente americano, estendendo-se do sudeste dos Estados Unidos ao norte da Argentina, particularmente ao longo das montanhas Andinas, podendo-se estimar em cerca de 120 espécies de Stevia para a América do Sul.

A Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni é endêmica no Paraguai, ocorrendo naturalmente tanto ao norte deste país como nos limites das fronteiras Brasil - Paraguai, já tendo sido coletada no Brasil. De 18 Estévia modo geral, a zona nativa da planta silvestre localiza-se sob clima

tropical, com uma altitude média de 300 metros, situada na região da cordilheira do Amambai ao longo do rio Monda'i, principalmente na pradaria de São Pedro, no Alto Jeju'i, Vakaretã e Yhu, na encosta da cordilheira do Esbakarayu, e ao norte de Mato Grosso do Sul. Essa área está compreendida entre 22º a 25º de latitude sul e 54º a 56º de longitude oeste. Via de regra, a planta é registrada em campos de pastagens com solo arenoso, ligeiramente úmido. A espécie nativa também foi encontrada em focos isolados no arenito do Caiuá, região de origem da planta, localizada na mesma latitude sul, e 53º a 54º de longitude oeste no norte e oeste do Paraná, na bacia do rio Ivaí e parte da bacia do rio Paranapanema, no estado de São Paulo.

3. Fotoperiodismo e floração

A estévia é uma planta de dias curtos para floração, com fotoperíodo crítico de 13 a 14 horas. A sensibilidade aos dias curtos ocorre após a planta desenvolver quatro pares de folhas, sendo necessários apenas dois ciclos (dia/noite) para a indução ao florescimento. Transplantes ou cortes realizados em períodos de dias curtos induz a floração tão logo a planta atinja a idade fisiológica adequada, ocorrendo um crescimento mais lento. Devese evitar a semeadura nos meses de menor comprimento do dia, a fim de se evitar o florescimento das mudas ainda no viveiro.

No gênero Stevia as flores são curtamente exsertas (tubo da corola até duas vezes o tamanho do ovário) (Fig. 2). As folhas são oblongo-lanceoladas a romboídeas, com ambas as faces esparsopilosas.

Os vários aquênios são dispostos em panículas laxas, sendo os aquênios glanduloso-ciliados. As flores são hermafroditas, pequenas e levemente perfumadas, sendo que a polinização é cruzada. O pólen, por ser úmido e pegajoso, pode ser carregado por insetos, porém torna-se difícil a sua dispersão pelo vento.

Fig. 2. Inflorescência da estévia.

A espécie apresenta variações em suas características fisiológicas e morfológicas, devido a fatores genéticos e/ou ambientais.

Plantas oriundas de sementes mostram a variabilidade genética por meio da forma da planta, dos tipos e tamanhos de folhas e do teor dos edulcorantes.

A estévia produz três tipos de frutos, denominados de aquênios, que são constituídos de um embrião pseudogâmico com dois cotilédones e um eixo embrionário envoltos por um endosperma mais denso. A cobertura protetora é exercida pelo fruto (Fig. 3).

Os três tipos de aquênio são:

1) aquênio claro estéril - devido à ausência de polinização não há embrião;

2) aquênio escuro fértil - ocorre a polinização e fecundação da oosfera com formação do embrião;

3) aquênio escuro estéril - ocorre a polinização e o desenvolvimento do tubo polínico, havendo uma interrupção do crescimento deste antes de atingir a oosfera.

A baixa longevidade das sementes, provavelmente, está relacionada com a composição química, cacterizada pela riqueza de lipídeos.

3. Fotoperiodismo e floração

A estévia é uma planta de dias curtos para floração, com fotoperíodo crítico de 13 a 14 horas. A sensibilidade aos dias curtos ocorre após a planta desenvolver quatro pares de folhas, sendo necessários apenas dois ciclos (dia/noite) para a indução ao florescimento. Transplantes ou cortes realizados em períodos de dias curtos induz a floração tão logo a planta atinja a idade fisiológica adequada, ocorrendo um crescimento mais lento. Deve se evitar a semeadura nos meses de menor comprimento do dia, a fim de se evitar o florescimento das mudas ainda no viveiro.

No gênero Stevia as flores são curtamente exsertas (tubo da corola até duas vezes otamanho do ovário) (Fig. 2). As folhas são oblongo-lanceoladas a romboídeas, com ambas as faces esparsopilosas.

Os vários aquênios são dispostos em panículas laxas, sendo os aquênios glanduloso-ciliados. As flores são hermafroditas, pequenas e levemente perfumadas, sendo que a polinização é cruzada. O pólen, por ser úmido e pegajoso, pode ser carregado por insetos, porém torna-se difícil a sua dispersão pelo vento.

Fig. 3. Tipos de sementes (aquênios) de estévia quanto à coloração (clara e escura).


A espécie apresenta variações em suas características fisiológicas e morfológicas, devido a fatores genéticos e/ou ambientais.

Plantas oriundas de sementes mostram a variabilidade genética por meio da forma da planta, dos tipos e tamanhos de folhas e do teor dos edulcorantes.

A estévia produz três tipos de frutos, denominados de aquênios, que são constituídos de um embrião pseudogâmico com dois cotilédones e um eixo embrionário envoltos por um endosperma mais denso. A cobertura protetora é exercida pelo fruto (Fig. 3).

Os três tipos de aquênio são:

1) aquênio claro estéril - devido à ausência de polinização não há embrião;

2) aquênio escuro fértil - ocorre a polinização e fecundação da oosfera com formação do embrião;

3) aquênio escuro estéril - ocorre a polinização e o desenvolvimento do tubo polínico, havendo uma interrupção do crescimento deste antes de atingir a oosfera.

A baixa longevidade das sementes, provavelmente, está relacionada com a composição química, cacterizada pela riqueza de lipídeos.

4. Sistema radicular

O sistema radicular da estévia é pivotante no início do desenvolvimento. Após o primeiro corte verifica-se uma diferenciação celular na região do coleto e o sistema radicular torna-se fasciculado, com maior distribuição na camada superior do solo.

5. Sistema vegetativo

A estévia é uma planta de porte arbustivo e de crescimento determinado, no qual o crescimento vegetativo dá lugar ao crescimento reprodutivo. Durante o primeiro ciclo, observa-se, em média, uma haste principal com 25 ramos secundários por planta.

Observam-se, também, ramificações de terceira, quarta, quinta e até sexta ordem, apesar das três últimas ocorrerem em menor número. Após cada corte ocorre a diminuição dos ramos secundários até que cada perfilho tenha somente a haste principal, onde os cortes sucessivos estimulam o perfilhamento. O vigor da rebrota depende das reservas acumuladas pelo sistema radicular e da fertilidade do solo (Fig. 4).

6. Variedades

Das 200 espécies do gênero Stevia já identificadas, a S. rebaudiana e S. aristata são as únicas que apresentam princípios edulcorantes. Esta última é pouco conhecida e somente Brücher,em 1974, fez menção sobre a mesma. Por sua descrição, a S. aristata parece ter características superiores às da S. rebaudiana para a produção de folhas, tratando-se de uma importante planta para ser estudada. A S. rebaudiana (Bert.) Bertoni, apresenta numerosas variedades.

No Japão foram selecionadas 28 variedades, nas quais foi encontrada uma grande variação no teor de esteviosídeo, entre 2,07 a 8,34%. Os estudos sobre as características morfológicas e o conteúdo dos princípios ativos edulcorantes mostraram ser de

alta herdabilidade. Naquele país foram registradas variedades que tinham alto conteúdo de rebaudiosídeo A.

No Canadá, a Royal-Sweet International Tecnologies Ltd informou ter obtido uma variedade de estévia não sensível ao fotoperiodo, por meio de indução genética, cujo genótipo foi patenteado. Nos Estados Unidos, foram obtidos clones de estévia pelo tratamento de sementes com colchicina, com boas características fenotípicas 1 para a produção de esteviosídeo/rebaudiosídeo . No Brasil, os plantios comerciais existentes são oriundos de semente de meioirmãos, sem identificação de uma cultivar recomendada para o plantio nas várias condições ecológicas de adaptação da estévia.

É importante que a seleção seja dirigida para a obtenção depopulações homogêneas, com resistência a doenças e pragas, com maiores teores de edulcorantes, maior massa foliar, produção de semente viáveis, menos exigentes em nutrientes, com tolerância à seca e insensíveis ao fotoperíodo e altitude, assim como maior número de hastes e ramificações na parte aérea da planta, dentre outras características.



Caracteristicas da Stevia

 

Viabilidade Socioeconômica do Desenvolvimento Agroindustrial da

Estévia

O pleno desenvolvimento dos negócios da agricultura tem-se constituído em um dos principais alicerces do setor primário, com bons reflexos no setor secundário, principalmente considerando a grande vantagem comparativa e competitiva, como é o caso do desenvolvimento agroindustrial da estévia. Para o desempenho eficiente do agronegócio, torna-se imprescindível o estabelecimento e a consolidação da cadeia produtiva, sendo os produtores e consumidores os elos mais importantes. A cadeia produtiva é a lógica do agronegócio.

Para o caso da estévia, a cadeia agroindustrial (Fig. 1) mostra o seu dinamismo econômico e tem amplas condições de ser desenvolvida, com o estabelecimento de pelo menos cinco pontos de comercialização, ou seja, sementes, mudas, folhas secas, esteviosídeo/rebaudiosídeo e produtos industrializados.

A exploração da cultura num sistema tecnificado permite que, da mesma área cultivada, possam ser obtidos, em até quatro cortes por ano, a matéria seca pronta para o processamento e o beneficiamento. Este processo pode ser desenvolvido, economicamente, por seis anos consecutivos, o que reduz os custos de implantação, condução e exploração da cultura.


Segurança Alimentar da Estévia

A qualidade dos produtos oriundos do processo de transformação industrial da estévia deve ser obtida desde o campo, por meio da aplicação das boas práticas de pré-colheita, colheita e pós-colheita das folhas, principal fonte para a produção do esteviosídeo/ rebaudiosídeo e seus derivados.

Apesar de não haver o risco zero na produção de qualquer alimento, o risco pode ser avaliado, gerenciado e comunicado, o que facilita o estudo da probabilidade da ocorrência dos riscos de contaminação física, química e biológica que porventura possam vir a existir.

Para o caso específico da estévia, onde a folha seca produzida sai diretamente do campo para o processamento na indústria, é importante a conscientização do agricultor quanto à adequação de hábitos e atitudes na produção da folha seca, para que sejam atendidas as exigências dos consumidores no que se refere à qualidade do produto.

Os riscos de contaminação química podem ser reduzidos ou evitados pelos cuidados na aplicação de defensivos como fungicidas, inseticidas e herbicidas nos cultivos, e pela precaução no processo de colheita, secagem, acondicionamento, armazenamento, transporte e distribuição das folhas para evitar a ocorrência de micotoxinas (toxinas produzidas por fungos) e bactérias, além de grãos de areia e outros resíduos na fase de colheita das folhas.

Para isso, no processo de articulação e transferência de conhecimentos e tecnologias, os esteviacultores também devem ser orientados no sentido de adotar práticas agrícolas que visem a obtenção dos alimentos seguros da estévia, do campo à mesa.

Em relação à segurança dos alimentos advindos da estévia, as pesquisas científicas têm constatado que o uso do esteviosídeo/rebaudiosídeo não provoca qualquer efeito colateral danoso à saúde humana.



STEVIA: Introdução e Histórico


 

A STEVIA


Introdução


A Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni é um arbusto dicotiledôneo, ordem campanular da família Compositae, alógama, semi-perene, que ocorre espontaneamente na região da Serra do Amambai, entre o Brasil e o Paraguai.

A planta é importante do ponto de vista social, econômico, ambiental e político, principalmente pela produção de dois edulcorantes, o esteviosídeo e o rebaudiosídeo, com maior concentração nas folhas. Estes edulcorantes são, em média, respectivamente, de 300 a 400 vezes mais doces que o açúcar da cana-de-açúcar. Além disso, não são metabolizados pelo corpo humano, possuindo propriedades excepcionais, como serem não

calóricos, antidiabéticos, antiglicêmicos, anticáries e outras, inclusive úteis para a produção de fitormônios bem mais baratos, além do uso do bagaço na alimentação animal.

A exploração racional da estévia representa uma excelente oportunidade de produção e comercialização de adoçantes naturais para o consumo interno e exportação, de grande utilidade para pessoas diabéticas.

O cultivo da estévia é apropriado para agricultores familiares, pelo potencial de agregação de valor que possui, favorecendo a geração de renda, empregos, serviços e outros benefícios para a sociedade.


A cadeia produtiva é bastante promissora, tanto pelo lado agrícola, como pelo lado agroindustrial.

Em termos do aproveitamento agroindustrial da estévia, existem no mundo 15 fábricas de processamento, sendo 13 no Japão, uma na China e uma no Brasil. A fábrica existente no Brasil tem plenas condições de absorver a matéria-prima produzida no país, visando a transformação em produtos para consumo interno e externo.

Considerando as exigências ecológicas da estévia, Mato Grosso do Sul e Paraná, dentre outros, apresentam condições ideais para o seu cultivo, o que requer a geração, divulgação e adoção de conhecimento e tecnologias apropriadas para o desenvolvimento desse agronegócio.

No presente documento são apresentadas as tecnologias disponíveis aos produtores rurais interessados na exploração racional da estévia.


Histórico

Quando os conquistadores espanhóis aportaram na América do Sul, observaram a existência de uma planta que era utilizada para adoçar bebidas medicamentosas, especialmente, o mate cozido pelos índios tupi-guaranis. Apenas no século 19 essa planta voltou a ser mencionada novamente. Isto ocorreu em 1899, quando o naturalista suíço, radicado no Paraguai, Moisés Santiago Bertoni (1857-1929), obteve referências da planta de ervateiros e índios do Mondaíh, em uma de suas viagens às florestas do leste paraguaio em 1887. Por meio de uma porção de ramos e fragmentos de inflorescência, Bertoni classificou a planta, erroneamente, como Eupatorium rebaudianum sp. n., em homenagem ao químico paraguaio Ovídio Rebaudi. O cônsul Britânico em Assunção, C. Gosling descreveu a planta, suas propriedades e habitat, enviando ainda farto material para a Inglaterra, quando verificou-se que a planta pertencia ao gênero Stevia. Seu manuscrito foi publicado em abril de 1901 no Kew Bulletin, da Inglaterra. No Paraguai, a estévia é conhecida na linguagem Guarani por ka'a he’ , que significa erva doce.


Nos anos 20 do século passado, países como os EUA e Polônia pediram sementes ou mudas para o Ministério da Agricultura do Paraguai, para introdução e estudos da planta em seus respectivos domínios. Em 1926, oitocentas plantas, provenientes de sementes importadas, foram cultivadas pelo governo americano, para serem distribuídas aos pesquisadores. Sabe-se, também, que a estévia foi importada pelos soviéticos em 1936. Outro fato digno de nota, refere-se ao interesse dos ingleses pela estévia no início dos anos

Procurava-se, em 1941, um substituto para o açúcar (de canade- açúcar ou beterraba) e a sacarina, devido à crescente escassez de adoçantes durante a II Guerra Mundial. Julgava-se essencial, e de interesse nacional, examinar a possibilidade de produzir substitutos do açúcar natural nas Ilhas Britânicas. Em um memorando do Jardim Botânico Real, na cidade de Kew, de 1941, recomendava-se a estévia como um substituto valioso da sacarose.


Em 1942 e 1943 sementes foram enviadas de Kew para áreas de clima mais ameno do Reino Unido, mais adequadas ao crescimento das plantas. Elas foram cultivadas nos condados de Devon e Cornwall, desenvolvendo-se bem durante o verão. Estes fatos ilustram que a estévia foi cultivada com sucesso no sudeste inglês, e utilizada como adoçante no início dos anos 40.

A primeira descrição da estévia no Brasil foi feita em 1926, quando foi editado o primeiro volume do Dicionário das Plantas Úteis do Brasil, do botânico brasileiro Manuel Pio Correa (1874 -1934).

Provavelmente as primeiras notícias na mídia a respeito da estévia datam de 1926, quando foram publicadas reportagens em matutinos de São Paulo, e na revista "Chácaras e Quintaes", em 1927. Em 1943, novamente o assunto da planta edulcorante voltou à tona, em artigo publicado na Tribuna Farmacêutica de Curitiba,

onde o autor fazia considerações sobre a "novidade", reproduzindo um artigo de Moisés Santiago Bertoni de 1918.

Na década de 70, o interesse comercial ressurgiu por intermédio dos japoneses, quando intensificaram-se, paulatinamente, os estudos relativos à planta. Atualmente a comercialização do edulcorante tende a crescer, principalmente no sudeste asiático e em outras partes do mundo.




terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Coleta e Preparo de Ramas para Plantio da Mandioca


 

A planta de mandioca propaga-se por meio das ramas, e sua qualidade relaciona-se diretamente com a brotação, o enraizamento e a resistência a doenças, podendo acarretar, em uma lavoura, desuniformidade no desenvolvimento inicial das plantas e redução no número de plantas.

O sucesso de toda lavoura depende de boas sementes, e isso não é diferente para a mandioca.

As ramas representam em torno de 2% do custo variável de produção em anos normais e, no máximo, 6% em anos de maior demanda. Por exemplo, no caso do milho a semente poderá representar 27% do custo variável de produção.


ÉPOCA DE COLETA DAS RAMAS

As ramas mais indicadas para plantio são colhidas com 8 a 14 meses, no outono e inverno. Em anos de escassez, podem ser utilizadas ramas de plantas que foram podadas no primeiro ciclo e que cresceram no segundo ciclo. Ramas de plantas com dois ciclos de idade, de preferência, não devem ser utilizadas por serem mais lenhosas e apresentarem maior dificuldade de brotação.

Os cuidados para que sejam obtidas boas ramas se iniciam no verão, com vistorias prévias da lavoura, no intuito de detectar possíveis doenças que são mais facilmente percebidas quando as plantas estão com mais folhas. Talhões com doenças ou com muita mistura de variedades devem ser previamente evitados.

As ramas oriundas de solos mais férteis são melhores, pois originam plantas mais vigorosas durante o desenvolvimento inicial das lavouras. Portanto, é importante selecionar as ramas das melhores áreas.

A maturidade da planta para fornecimento das ramas ocorre a partir de maio, com redução da atividade da planta e queda natural das folhas. A maturação da rama pode ser verificada pelo aspecto cristalino da medula, que é a porção central da rama, e pela relação dos diâmetros da medula com o diâmetro da rama, que deve ser de um para a rama e meio para a medula (porção central).

O melhor segmento para mudas é o retirado do terço médio da rama para baixo.

As mudas do ponteiro são mais finas e imaturas, e as da base da planta são mais lenhosas e mais resistentes à seca.

As mudas imaturas ou retiradas do ponteiro das ramas são muito sensíveis à estiagem, embora em condições ideais de umidade possam brotar com mais rapidez.

Já as mudas mais velhas, da base das ramas, resistem mais à estiagem, porém são as que mais demoram a brotar.

A maturação das ramas também varia bastante entre as diferentes variedades e a época em que a lavoura foi plantada.

CORTE DAS RAMAS

O corte das ramas deve ser feito o mais reto possível e sem ferimentos, evitando o formato em bisel (corte enviesado), que acarreta muitas perdas na armazenagem e no plantio. No corte das ramas é importante mais uma seleção com relação às pragas e doenças e misturas de variedades.




TRANSPORTE DOS FEIXES DE RAMAS

O feixe das ramas deve ser firme e, quando necessário, deverá ser amarrado com duas cordas e transportado com o máximo cuidado. A integridade das gemas ou olhos é de extrema importância, pois é nesse ponto que ocorrerá a brotação. As ramas com muitos ferimentos aumentam consideravelmente o risco de doenças na fase inicial da lavoura.


ARMAZENAGEM DAS RAMAS

A armazenagem das ramas, quando necessária, deve ser feita em local arejado na lavoura ou no abrigo de árvores, mas evitando sombras excessivas. Em locais com maior incidência de geadas é conveniente guardá-las sob árvores ou dentro de bosques, pois a céu aberto há o risco de perdas, mesmo que a pilha de ramas esteja coberta com palha. Em locais de geadas menos intensas, é possível armazenar as ramas diretamente na lavoura. Em locais menos sombreados, a cobertura com palha ou capim seco é fundamental para garantir boa armazenagem.

A cobertura com palha deve ser feita por toda a pilha, pois quando feita somente na parte superior proporciona pouca proteção. As pilhas, quando bem cobertas com palha, mantêm a temperatura das ramas mais uniforme e garante melhor conservação.

A posição das ramas na armazenagem influencia a conservação e a manutenção da viabilidade. Quando armazenadas na posição vertical, as ramas devem ser emparelhadas para que todas tenham contato com o solo. As ramas também podem ser armazenadas na posição horizontal, mas sua durabilidade é menor.

A armazenagem das ramas devido à desidratação poderá ocasionar mais falhas na lavoura. Porém, as plantas originárias de ramas armazenadas normalmente soltam mais hastes que proporcionam plantas com mais folhas.

A durabilidade das ramas na armazenagem depende da variedade de mandioca.

Esse é um detalhe importante de ser observado.



AVALIAÇÃO DA VIABILIDADE

A avaliação da viabilidade da rama, guardada ou não, poderá ser executada por meio do teste do canivete. Nela é feito um pequeno corte, e caso a seiva ou o leite flua rápida e abundantemente, a rama presta para plantio.


As ramas que passaram por geadas e estão intactas por fora podem internamente estar com as células rompidas, tornando a seiva mais rala, e podem comprometer a brotação e o vigor das mudas.



QUANTIDADE DE RAMAS PARA PLANTIO

A quantidade de ramas para plantio sofre influência da variedade (ramificada ou ereta), da duração da armazenagem das ramas, do espaçamento entre as plantas e do tamanho da muda.

As variedades mais ramificadas tendem a necessitar de mais ramas em função das perdas que ocorrem no momento da seleção. Os feixes das variedades ramificadas têm menos ramas que as variedades mais retas, devido aos espaços vazios quando emparelhadas e empilhadas.

Na armazenagem das ramas estimam-se perdas de 20% durante o processo. Com isso, é importante que a quantidade inicial de ramas na armazenagem seja superior à necessária para o plantio.

O número de plantas que será adotado na lavoura também alterará a quantidade de ramas utilizadas. Por exemplo, no espaçamento de 1,0 metro por 1,0 metro, o número de plantas por hectare será de 10.000 plantas, e se for de 1,0 metro por 0,7 metro, o número de plantas por hectare será de 14.285, diferença de 4.285 plantas.

Como média, pode-se adotar que a taxa mínima de multiplicação da mandioca é de um para quatro, ou seja, de um hectare de mandioca é possível plantar quatro hectares. Caso as ramas tenham bom padrão, essa taxa de multiplicação poderá ser de até um para dez.





segunda-feira, 1 de julho de 2024

Características do café arábica

 

O café é uma espécie arbustiva de crescimento contínuo, com desenvolvimento vegetativo e com característica fisiológica denominada “dimorfismo de ramos”, que é a emissão ou formação de dois tipos de ramos com diferentes funções, a partir do tronco principal (Figura 1).

O ramo vertical que forma a haste ou tronco é denominado ortotrópico, sendo este um ramo improdutivo; sua principal função é formar e sustentar os ramos produtivos, bem como, promover a recuperação da planta em caso de traumas ou podas. No ramo ortotrópico se encontram dois tipos de gemas vegetativas, as “seriadas” e as “cabeça-de-série”. As gemas seriadas dão origem somente aos ramos “ladrões”, e as gemas cabeça-de-série dão origem aos ramos “horizontais”, chamados plagiotrópicos (Figura 1). A gema formadora do ramo ortotrópico é seriada (múltipla), ou seja, se um ramo for eliminado, a planta pode emitir naquele mesmo lugar outros ramos ortotrópicos.

Figura 1. Ramificações do cafeeiro

Plagiotrópicos são os ramos laterais que crescem com inclinação entre 45º e 90° em relação ao ramo principal, ou seja, nascem e crescem na direção horizontal, perpendicularmente ao ramo ortotrópico, formando a copa do cafeeiro (Figura 1). Esses são os ramos produtivos, ou seja, onde serão formados os botões florais e, consequentemente, os frutos do cafeeiro. O ramo plagiotrópico também possui dois tipos de gemas, as “seriadas” e as “cabeça- de-série”. As gemas seriadas podem originar frutos e ramos plagiotrópicos de ordem secundária, já as gemas cabeça-de-série dão origem apenas aos ramos plagiotrópicos de ordem secundária. A gema formadora do ramo plagiotrópico é única, ou seja, jamais surge mais de um ramo plagiotrópico no mesmo lugar, dessa forma, se um ramo perecer, não nascerá outro no seu lugar.

A perda dos ramos plagiotrópicos decorrente da má condução da lavoura, ataque de pragas ou doenças, ou da ocorrência de secas ou geadas, favorece a incidência de luz no interior da copa da planta, estimulando, assim, as gemas seriadas adormecidas, induzindo a brotação de ramos ortotrópicos, denominados “ramos ladrões”, os quais crescem paralelamente ao tronco e competem com os ramos produtivos por luz, água e nutrientes (Figura 1). Nesse caso, é fundamental realizar a desbrota logo após a colheita e/ou poda para manter a copa homogênea e, assim, evitar a competição por fotoassimilados, bem como facilitar a colheita.

O café arábica leva 2 anos para completar o ciclo fenológico (Tabela 1).


No primeiro ano, durante os meses em que os dias se tornam mais longos (primavera e verão), ocorrem a vegetação e a formação das gemas florais, ou seja, são formados os ramos plagiotrópicos com as gemas vegetativas axilares nos nós do ramo ortotrópico. No outono, quando os dias começam a encurtar, e durante o inverno, período de dias mais curto do ano, as gemas vegetativas axilares são induzidas, por fotoperiodismo, em gemas produtivas.

Essas gemas amadurecem, entram em dormência e se tornam aptas para antese (abertura dos botões florais) logo após a ocorrência de irrigação ou de precipitação de no mínimo 10 mm.

O segundo ano fenológico começa com a florada, que acontece cerca de 10 a 15 dias após a ocorrência de precipitação (ou irrigação), seguida pela formação do “chumbinho” e a expansão dos grãos até atingir o tamanho final, com posterior granação (enchimento) e maturação dos frutos.

O cafeeiro possui sistema radicular pivotante, sendo que cerca de 90% das raízes se encontram nos primeiros 40 cm de profundidade do solo, mas também podem ser encontradas até 2 m de profundidade. O fruto é uma drupa ovoide e, quando maduro, pode apresentar exocarpo vermelho, amarelo ou vermelho-alaranjado, denominado cereja. A má-formação do fruto ou da semente pode ocasionar quatro tipos de anomalias:

1. “Moca” – um óvulo se desenvolve e o outro atrofia, formando uma única semente.

2. “Chocho” – os lóculos não se desenvolvem, tendo apenas vestígios dos óvulos ou sementes.

3. “Concha e parte interna” – dois ou mais óvulos se desenvolvem conjuntamente no mesmo lóculo do fruto, também denominado de “monstro”.

4. “Triângulo” – grão de formato triangular, que se desenvolve no fruto com três ou mais sementes.

Ressalta-se que, na tabela de equivalência de defeitos, os grãos “moca” e “triângulo” não são considerados defeitos que depreciam o tipo café.


sábado, 30 de março de 2024

Café das Serras de Minas Gerais

 

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por 45% da produção mundial, produzindo 47,71 milhões de sacas beneficiadas em 2021, sendo 31,4 milhões de café arábica (Coffea arabica L.). Em 2022 estima-se uma produção de café arábica de aproximadamente 29 sacas por hectare, o que representará um aumento de 10 % em relação à safra 2021, porém uma redução de aproximadamente 13% relativamente ao obtido na safra 2020, ano de bienalidade positiva, assim como 2022. Apesar de muitas lavouras apresentarem bom desenvolvimento vegetativo em função da boa distribuição hídrica e temperatura ocorridas a partir de outubro de 2021, esse decréscimo se deve aos reflexos das condições adversas, como estiagem prolongada e intensas geadas, registradas entre junho e setembro de 2021, período no qual o potencial produtivo da safra de 2022 foi estabelecido.

Essas adversidades climáticas ocorridas em algumas regiões, afetaram consideravelmente a viabilidade de “pegamento” dos chumbinhos, mesmo quando as primeiras floradas ocorreram em boa intensidade, pois essas adversidades climáticas propiciaram maiores abortamentos de frutos e, consequentemente, diminuição na expectativa de produtividade.O estado de Minas Gerais concentra a maior área de produção da espécie arábica, com 1.323,2 mil hectares, o que representa 72,8% da área cultivada no país. Desta forma, o estado é o maior produtor nacional, e responde por 20% da produção mundial. Quando considerada a cadeia produtiva do café, ela gera aproximadamente quatro milhões de empregos no estado, envolvendo desde a produção de insumos até o preparo para consumo. A cafeicultura gera divisas, renda e qualidade de vida para os mineiros envolvidos nessa atividade já que aproximadamente 600, entre os 853 municípios do estado, têm na cafeicultura sua principal atividade econômica. Minas Gerais tem quatro regiões cafeeiras que se destacam como as principais: Matas de Minas (Zona da Mata/Rio Doce), Sul de Minas (Sul/Sudoeste), Cerrado de Minas (Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba) e Chapada de Minas (Vale do Jequitinhonha/Mucuri).

As Matas de Minas se destacam por apresentar atualmente um expressivo aumento de área cultivada, bem como lavouras com bom vigor vegetativo, ou seja, bem enfolhadas, com bom aspecto nutricional e sem sinais de incidências relevantes de pragas e doenças, reflexo das chuvas abundantes na região a partir de outubro de 2021 e dos maiores cuidados com os tratos culturais em função dos bons preços de comercialização do café. Estima-se que a produtividade média em 2022 na região seja superior à de 2021 (ano de bienalidade negativa), mas sem alcançar o máximo potencial produtivo de ciclo de bienalidade positiva, pois a escassez pluviométrica no período anterior a florada associada as baixas reservas nutricionais e hídricas no momento das primeiras floradas, contribuíram para a má formação dos frutos e, consequentemente, queda do potencial produtivo.

Os cafés produzidos na região das Matas de Minas podem alcançar alta qualidade, uma vez que sua característica principal é o relevo montanhoso, cuja altitude varia desde 174 até 2.829 metros, sendo que 78% das áreas da região estão compreendidas entre a altitude de 400 e 1.000 metros. Abaixo de 400 metros encontra-se 13% da área e as maiores altitudes, acima de 1.000 metros, encontradas principalmente nas serras do Brigadeiro e do Caparaó, representam 9% da área total. Tal característica faz com que a altitude média da região seja de 697 metros, o que proporciona temperaturas mais amenas à região. Tais características, favorecem a produção de cafés de qualidade com atributos e diversidade de sabores, que tem garantido prêmios em concursos nacionais e internacionais.

Ressalta-se que a temperatura é uma das características mais marcantes, dentre todos os elementos climáticos que caracterizam o clima da região, o qual é considerado como temperado úmido, favorável a formação de neblina, com inverno seco e verão ameno no qual a temperatura média do mês mais quente é inferior a 22 ºC e durante pelo menos quatro meses  é superior a 10 ºC. Tais características são de relevante importância no ciclo do cafeeiro, e consequentemente, na qualidade final do produto.

O Sul de Minas apresenta clima e relevo favoráveis a cafeicultura, com temperaturas amenas, que variam entre 18 ºC e 20 ºC, e altitudes elevadas de até 1.400 metros, sujeito a geadas, com moderada deficiência hídrica. Nessa região uma parte da Serra da Mantiqueira que fica no estado se destaca pelos vários prêmios obtidos na produção de cafés de qualidade, raros e surpreendentes devido ao terroir e a tradição da produção artesanal herdada por gerações.

O Cerrado Mineiro que é formado por municípios ao longo do Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro, Alto São Francisco, Noroeste e Norte de Minas; apresenta clima mais seco durante na época da colheita, o que contribui para qualidade final do grão. O relevo é representado por áreas de altiplano, com altitude que variam de 820 m a 1.100 m, e o clima caracterizado como ameno sujeito a geadas de baixa intensidade.

A Chapada de Minas é uma região que compreende as áreas geográficas delimitadas, por parte das regiões do Jequitinhonha, Alto Jequitinhonha, Nortee Minas, Mucuri e Rio Doce. De grande extensão territorial, apresenta relevo de Planalto com altitude média de 850 metros e áreas de espigão elevado, com altitude de até 1.099 m, isentas de geada, com baixo índice de insolação.

A temperatura é amena, e mais de 70% da área plantada são aptas a mecanização, sendo suas características ideais para o cultivo do café arábica.

De modo geral o estado tem vocação para a cafeicultura, sendo que suas quatro principais regiões produtoras apresentam características climáticas que favorecem a produção do grão. Todavia, não se pode esquecer que a adoção correta das tecnologias pelo produtor é primordial para assegurar a máxima produtividade e qualidade no processo produtivo. O cafeeiro é uma planta perene, e erros na sua implantação acarretarão prejuízos ao longo de todo o ciclo de vida da cultura. Cerca de 90% dos erros encontrados nos cafezais são, geralmente, provenientes de mudas malformadas e implantação incorreta da lavoura. Assim, para formar e explorar o cafezal com rendimentos compensadores, é prudente e recomendável o máximo de atenção, já que os bons resultados desejados pelo produtor não são apenas nos aspectos produtivos, mas também nos econômicos.



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