quinta-feira, 6 de julho de 2017

Manejo da Alfafa

Manejo da Forragem

A produtividade e persistência do alfafal estão diretamente relacionadas ao seu manejo, uma vez que a rebrota da planta se efetua às expensas de reservas de carboidratos das raízes e da coroa da planta, acumuladas durante o período de crescimento da forrageira. O primeiro corte ou pastejo da alfafa deve ser realizado quando a cultura se encontra em florescimento pleno, com 80% das plantas florescidas, para que, por meio da fotossíntese, acumule maior quantidade de reservas de carboidratos e apresente coroa e sistema radicular bem desenvolvidos. Para as cultivares testadas na região Sudeste do país, esse período é de 70 a 80 dias. A partir do segundo corte ou pastejo, é recomendado realizar o corte ou iniciar o pastejo quando 10% das plantas entram em florescimento, período em que há equilíbrio entre a produção e a qualidade da forragem. No período de inverno pode não haver emissão de flores e, quando esse fato ocorre, recomenda-se que a alfafa seja cortada ou pastejada quando a brotação basal atingir altura média de 3 cm a 5 cm. Isto permitirá que a planta, depois de cada pastejo, acumule quantidade suficiente de substâncias de reserva para favorecer boa rebrota, elevada produção e alta persistência ao longo do tempo. O corte da forragem deve ser realizado entre 8 cm e 10 cm da superfície do solo, mesma altura em que deve ser mantido o resíduo de pastejo. O pastejo em alfafa é diário, com período de descanso na região Sudeste, no inverno, ao redor de 34 dias e, nas demais estações do ano, próximo de 28 dias. O sistema com pastejo rotacionado possibilita o descanso necessário para que a recomposição de reservas nas raízes redunde em rebrotes vigorosos e pastagens longevas e produtivas (RASSINI et al., 2008). Na Figura 1 é apresentada de forma esquemática uma planta de alfafa, formada por raiz principal, raízes laterais, coroa, brotação da coroa, hastes, pecíolos, folhas e folíolos.
A coroa da alfafa é formada por tecidos perenes provenientes do talo e também pela parte superior da raiz. A conformação da coroa é influenciada por período de frio, período de seca, práticas culturais, ataque de pragas e de doenças, vigor geral e idade das plantas. Como essa estrutura situa-se abaixo do nível do solo, ela fica protegida de danos causados pelo pastejo e pelo corte da planta, de modo que essa localização é um mecanismo natural de proteção da alfafa (RODRIGUEZ e EROLES, 2008). Na Figura 2, estão imagens da coroa de alfafa já formada com um, dois, três e quatro anos de vida.



Figura 1. Forma esquemática de uma planta de alfafa.

O rebrote da alfafa é promovido por meio de reservas de carboidratos armazenados principalmente na parte superior de sua raiz e na coroa basal, constituídos em maior proporção por amido e, em menor escala, por glicose, frutose e sacarose. Todavia, se deve salientar que, em função do tipo de exploração da planta forrageira (corte ou pastejo), esse acúmulo de reservas não é contínuo, uma vez que é interrompido em cada período de produção da planta. É nesse tempo decorrido entre intervalo de corte ou pastejo que se acumulam carboidratos não estruturais na raiz e na coroa basal. Dessa forma, um maior percentual de reservas de carboidratos na alfafa implica numa redução do tempo necessário para que o novo rebrote atinja o ponto de corte ou pastejo. Por outro lado, se forem menores as reservas, o tempo para que o rebrote atinja o ponto de corte ou pastejo será maior (RASSINI et al., 2008).
Fotos: Nora Estela Rodríguez

Figura 2. Coroa de alfafa com um (a), dois (b), três (c) e quatro (d) anos de vida.


No que se refere à qualidade de forragem, não se deve considerar somente o teor de proteína, mas também outras variáveis, como porcentagem de folhas, de talo, de fibra e de lignina, digestibilidade e consumo. Quando cortada em estádios imaturos, a alfafa produz forragem de melhor qualidade, mas isso reduz significativamente sua produção e a persistência. Estádios muito maduros produzem maior quantidade de forragem, mas de menor qualidade, embora a persistência melhore (RODRIGUES et al., 2008).
Na Figura 3, é apresentada a variação nos teores de proteína bruta da alfafa em diferentes estádios de pré-florescimento e de florescimento. Observa-se que, à medida que avança o estádio de desenvolvimento da planta, reduz-se o teor de proteína bruta da alfafa, que alcança o ápice no estádio de pré-botão. Entretanto, a alfafa não deve ser manejada no estádio de pré-botão, por não permitir a recuperação das reservas.
Além de o teor de proteína bruta e de fibra em detergente neutro (FDN) ser bastante variável conforme o estádio de desenvolvimento da planta, esses teores também dependem da altura ou do extrato em que a planta é colhida ou pastejada. Observa-se que o teor de PB diminuiu linearmente do ápice para a base da planta e os teores de fibra em detergente neutro (FDN) aumentam do ápice para a base (Figura 4). Na base da planta, as folhas são mais velhas, a parede celular é mais espessa, os teores de FDN são maiores e, consequentemente, a digestibilidade é menor (Figura 5).

 

Figura 3. Porcentagem de proteína bruta da alfafa em função de estádios de crescimento.
Fonte: Department of Agricultural, Food and Rural Initiatives (2006).
 

Figura 4. Qualidade da forragem expressa em porcentagem de proteína bruta (PB) e de fibra em detergente
neutro (FDN) em pastagem de alfafa.
Fonte: Comerón e Romero (2007).
 

Figura 5. Variação da digestibilidade da alfafa de acordo com extratos de pastejo.
Fonte: Cangiano (2007).


Autores
Joaquim Bartolomeu Rassini
Reinaldo de Paula Ferreira
Eduardo Alberto Comeron
Nora Estela Rodriguez
Marcelo Antonio Araldi Brandoli
1.Introdução 
A alfafa (Medicago sativa), leguminosa originária da Ásia Central é considerada a "rainha das plantas forrageiras", por apresentar elevado valor nutritivo, grande produtividade e boa palatabilidade. Sabe-se do seu cultivo já no ano de 700 a.C. pelos árabes e talvez tenha sido a primeira herbácea a ser cultivada no mundo (IBAÑEZ, 1976). Segundo da dados de COSTA & MONTEIRO, 1997, estima-se que a área cultivada com alfafa no mundo é da ordem de 32.266.605 ha, com a seguinte distribuição: no hemisfério norte, destaca-se como maior produtor os Estados Unidos da América, que representa também, a maior produção mundial, com 10,5 milhões de hectares ( 26% sob irrigação, segundo GUITJENS, 1990), seguidos pela ex-União Soviética, com 3,3 milhões, Canadá, com 2,5 milhões e Itália, com 1,3 milhões.
     No hemisfério Sul, o maior produtor e o segundo em nível mundial, é a Argentina com 7,5 milhões de hectares Seguido pela África do Sul, com 300.000 e Peru, com 120.000. O Brasil apresenta uma área cultivada de apenas de apenas 26.000 hectares. As dificuldades para expansão do cultivo da alfafa no Brasil ainda, vão desde o desconhecimento da cultura, passando por aspectos de fertilidade do solo, manejo, irrigação em áreas secas, produção de sementes, até a necessidade de produção de material mais adaptado e em equilíbrio com as principais doenças e pragas, que acompanham a alfafa em todo o mundo. Paim, 1994 citado por COSTA & MONTEIRO, (1997) 
A alfafa pode ser cultivada em monocultura, em rotação com outras culturas de grãos, e em mistura com várias espécies de forrageiras. Seu principal uso é como feno, silagem e pastagem para ruminantes, ou como fonte de proteínas e vitamina A para animais não ruminantes, como aves domésticas e porcos (HEICHEL, 1983). 
No Brasil, a cultura vem sendo tradicionalmente cultivada no sul do país devido, principalmente, a sua boa tolerância ao frio, bem como sua elevada exigência quanto à fertilidade do solo (CUNHA et al., 1994). 
No entanto, a expansão da eqüinocultura e a bovinocultura leiteira para áreas mais ao centro do país, tornou crescente a busca por forrageiras produtivas de alto valor nutricional, expandindo o cultivo da alfafa para regiões com diferentes condições edafoclimáticas. Somente no estado de Goiás a taxa de crescimento da bovinocultura leiteira em 1995 foi de 15,4% enquanto que a produção brasileira foi de 12,0%. Já em 1996 acentuou-se a diferença entre essas duas taxas, sendo que neste período a produção leiteira goiana cresceu 24,6% e a produção nacional foi de 6,3%(A GRANJA, 1997). No entanto, deve-se considerar que os aumentos na produtividade de quaisquer cultivos estão na dependência de certos fatores, tais como: genéticos, climáticos, edáficos e principalmente aqueles relacionados com o manejo das culturas (irrigação, pragas, doenças, entre outras). 
A suplementacão hídrica através da irrigação, se constitui numa das técnicas que podem ser adotadas visando a minimização dos efeitos do déficit hídrico. Porém, na maioria dos casos os custos são mais elevados e o acréscimo desejado na produtividade não é atingido, ficando desta forma, comprometidas a receitas líquidas do produtor. Isto pode ser atribuído em grande parte à falta de informações e conseqüente manejo inadequado da irrigação por parte dos agricultores, principalmente com relação a quantidade adequada de água e o momento oportuno de aplicação. Assim, quando dizemos manejo correto da irrigação, faz-se necessário o conhecimento das exigências hídricas da cultura no local, métodos de irrigação, levando-se em conta os mais eficazes e com menor custo possível, objetivando a máxima produtividade e conseqüentemente as maiores receitas liquídas.
2. Exigências hídricas 
A água é essencial para a hidratação dos tecidos da planta e segundo (GOMES, 1994) a necessidade hídrica de qualquer cultura esta relacionada com a evapotranspiração, que corresponde a quantidade de água que passa a atmosfera em forma de vapor, pela evaporação do solo e transpiração das plantas, mais a quantidade d'água que é incorporada à massa vegetal. Essa quantidade que é retida pela planta, que se denomina água de constituição, é muito pequena com relação a água evaporada e transpirada, e por isto se considera que a necessidade de água da planta ou do conjunto solo-planta é igual à água que é transferida para a atmosfera pela evaporação do solo e transpiração das plantas. O conjunto dos dois fenômenos é denominado evapotranspiração da cultura. 
Blad (1983), citado por GUITJENS (1990) relata que evapotranspiração ocorre em resposta a demanda atmosférica por água, mas a intensidade deste processo pode ser modificado pela quantidade de água disponível para as plantas no solo. Um decréscimo nesta quantidade poderá afetar o transporte de água através da planta, e portanto, o crescimento desta. GUITJENS (1990) cita que o potencial do solo não pode ser menor do que -200kPa. 
A evapotranspiração depende basicamente do clima, do tipo e estado de desenvolvimento da cultura. 
Normalmente quando maior a evapotranspiração, maior será a quantidade de matéria seca produzida, como mostra a figura 1 (GUITJENS, 1990).
Algumas pesquisas tem mostrado que o requerimento de água da alfafa é maior que do milho e sorgo, que realizam fotossíntese pela via C4. As estimativas do requerimento de água da alfafa varia conforme a variedade, condições de crescimento, e das perdas de água no solo pela evaporação e percolação (HEICHEL, 1983). Briggs & Shantz (1914, citados por HEICHEL, 1983) relataram que o requerimento de água está entre 631 a 834kg de H2O por kg de matéria seca de alfafa. Já Shantz & Piemeisel (1927, citados por HEICHEL, 1983) encontraram um requerimento de 890 a 957kg de H2O por matéria seca de alfafa, dependendo do cultivar. Gifforrd & Jensen (1967, citados por HEICHEL, 1983) observaram um requerimento de água de 800kg de H2O por matéria seca de alfafa, crescendo em solo úmido, e 1360kg para alfafa crescendo em solo seco. Quando a alfafa está crescendo em campo irrigado, considerando-se todos os fatores que levam à perda d'água, as taxas de requerimento de água variam de 512 a 663kg de H2O por kg de matéria seca, considerando-se as diferentes condições climáticas ao longo do ano. Estes valores sugerem que a alfafa requer cerca de 5,6 a 7,3cm.ha-1 de água por tonelada de matéria seca para satisfazer suas necessidades transpiracionais durante a estação de crescimento (HEICHEL, 1983). 
Os estágios de desenvolvimento da alfafa de maior requerimento de água são a de germinação, estabelecimento da muda, período pós-corte e na fase de produção de sementes (HEICHEL, 1983). A irrigação, principalmente nestas fases, é primordial para um bom desenvolvimento da planta e conseqüente aumento na produtividade, quando não pode-se contar com água das chuvas. O manejo da irrigação durante o crescimento vegetativo varia com a estação do ano, com as características do solo e com a situação financeira do produtor. 
Recomenda-se irrigação no período de pré-plantio da alfafa para deixar o solo em condições de umidade ideal para a germinação da semente, além de evitar o risco de encrostamento, principalmente em solos salinos, o que atrapalharia o estabelecimento da muda por aumentar o atrito do mesmo (HEICHEL, 1983).

2.1.Clima 
Originalmente, a cultura da alfafa é de clima temperado. Entretanto, atualmente, ocorrem diversas variedades produtivas adaptadas ao clima tropical, entre estas destacam-se CRIOULA e PIONNER. Seu crescimento pode ocorrer com variações de clima acima de 30° C ou abaixo de 10° C; porém a uma temperatura estável de 25° C, em condições de baixa umidade relativa do ar, a produtividade é maior (Manual do Irrigante, 1987). No verão têm-se obtido as melhores produtividades. Entretanto, no inverno, desde que não rigoroso, o ganho na produtividade pode ser compensado com o uso da irrigação. ALVIM & BOTREL (1995) informam que os resultados de pesquisas do CNPGL mostram que sob condições de irrigação, aproximadamente 42% da produção anual da alfafa pode ser obtido nesta época do ano. A temperatura influencia diretamente no intervalo de cortes, ou seja, no crescimento vegetativo. Em geral, quanto maior a temperatura menor será o intervalo(Tabela 1) (DOORENBOS & PRUITT, 1977) . 

TABELA 1. Intervalo de corte e temperatura.

Tmédia,° C
10
15
20
25
30
35
Intervalo, dias
100
50
35
25
20
18
2.2. Estado de desenvolvimento 
Quanto maior for a densidade de plantas e a zona radicular, a evapotranspiração potencial tende a ser maior. Em geral, durante o ciclo fenológico, a alfafa aumenta seu consumo hídrico no início da floração (semente) e imediatamente após o corte (silagem), quando começa a diminuir e logo se estabiliza (GOMES, 1994; Manual do Irrigante, 1987).
Para cada fase de crescimento da cultura existe a seguinte relação: 
Em que: 
Kc: coeficiente de cultivo; 
Etp: evapotranspiração potencial da cultura considerada, ou seja, quantidade de água consumida, em um determinado intervalo de tempo, pela cultura em plena atividade vegetativa; 
ETo: evapotranspiração de referência medida no lugar da cultura considerada, ou seja, é a taxa de evapotranspiração de uma superfície com vegetação rasteira.

  1. O coeficiente de cultura (Kc) é considerado um parâmetro confiável no dimensionamento do consumo d'água para os mais diversos fins, no que concerne às relações hídricas. Segundo SANTOS et al. (1996), o Kc da alfafa aumenta a partir do corte, até uma estabilização próxima aos trinta dias, para o período de primavera-verão. Para culturas como a alfafa, em função do manejo de cortes adotado, uma curva média de Kc do início do rebrote até a estabilização da área foliar, representa a seqüência contínua da variação das suas necessidades hídricas (Figura. 2). 
  2. HEICHEL (1983) encontrou taxas de evapotranspiração máxima da alfafa por volta de 7,6 a 9,0mm.dia-1, embora extremos de 4,1 a 12mm.dia-1 também foram encontrados. 
  3. O consumo médio de água estão entre 800 e 1600mm por período vegetativo, dependendo do clima e da duração do período vegetativo (Manual do irrigante, 1987). WRIGHT (1988) verificou que consumo de água foi de 1022mm (abril-outubro) durante 5 anos, num total de água de 58,1mm para produzir uma tonelada por hectare, para uma eficiência do uso da água de 17,2 Kg/ha/mm. O valor de Kc está por volta de 0,4 após o corte, aumentando para 1,05 até 1,2 imediatamente antes do próximo corte (forragem), ou até a metade da floração (produção de sementes). Neste caso, o valor de Kc se reduz bruscamente após este período (DOORENBOS.& PRUITT, 1977). 

2.2.1. Desenvolvimento do sistema radicular 
A alfafa tem um sistema radicular profundo que se estende a até 3m em solos profundos. A máxima profundidade das raízes se alcança depois do primeiro ano. O cultivo pode extrair água desde uma grande profundidade, demonstrando que o efeito da irrigação para solos rasos (lençol freático situado até 2m da superfície) é baixo. Normalmente quando a planta está completamente desenvolvida 100% da água extraída está situada de 1 a 2m de profundidade. Segundo TAYLOR & MARBLE (1986) verificaram os mais altos rendimentos quando a extração de água no solo estava confinada a uma profundidade de até 0,6m, e quando a disponibilidade de água no solo era de 16% numa profundidade de 0,6 a 1,2m e 89% na profundidade, de 1,2 a 1,8m o sistema radicular não conseguiu extrair água devido a restrição física do solo. 
Quando a evapotranspiração máxima é de 5 a 6mm.dia-1, pode esgotar-se ao redor de 50% do total da água disponível no solo, antes que absorção da água precedente afete a evapotranspiração do cultivo (FAO, 1980).
3.Efeitos do stress hídrico 
Quando a demanda da evaporação excede a capacidade da planta em transportar água através de seu sistema, ocorre o chamado stress hídrico. Embora o stress hídrico reduza a produtividade (Donavan &Meek, 1983; citados por GUIJENS, 1990) a planta apresenta uma habilidade de recuperar-se quando o stress acaba. 
Brown & Tanner (1983; citados por GUITJENS, 1990) concluíram que o stress hídrico na última metade do ciclo de crescimento não afetou a densidade de caules e folhas e o total de peso seco, entretanto, a densidade de caules diminuiu 23% quando o stress ocorreu durante os primeiros 14 dias do rebrote, e uma vez reduzido este número, as irrigações 
posteriores não foram capazes de aumentar o mesmo. Segundo HEICHEL (1983), com o aumento do stress hídrico no solo há uma diminuição do crescimento das raízes e da nodulação. A atividade da nitrogenase nos nódulos pode se reduzir até 85%. 
Umidade do solo abundante é essencial para a germinação e para o estabelecimento da plântula. Segundo HEICHEL (1983), a germinação é inibida em potenciais osmóticos de -12 a -15bars. A redução do potencial de água de -0,5 para -10,0bars durante quatro semanas causou uma redução de 28% no número de caules da muda de alfafa. Nestas mesmas condições o número de brotos foi reduzido 31%, e o peso da planta decaiu 58%.
A figura acima ilustra os vários efeitos do stress hídrico na planta da alfafa. Sendo: A: menor crescimento do caule; B, C e D: desenvolvimento anormal de flores e sementes (GUITJENS, 1990).
4.Métodos de Irrigação
Para a produção da alfafa utiliza-se o método de irrigação por aspersão, e por superfície. Dentro do método de irrigação por aspersão existem numerosas maneiras para se irrigar a cultura , variando em função da área, condições climáticas, capital investido, qualidade e quantidade de água, entre outros. Neste seminário, procuramos nos ater aos mais usuais em nosso país.
4.1. Irrigação por aspersão
O método de irrigação por aspersão consiste na aplicação de água às plantas em forma de chuva artificial, por meio de dispositivos especiais (aspersores), abastecidos com água sob pressão. Estes dipositivos especiais chamados de aspersores são basicamente, pequenos orifícios ou bocais com a função de pulverizar os jatos d'água que saem das tubulações, conferindo uma certa uniformidade na precipitação (GOMES,1996). Este método é muito indicado principalmente para solos arenosos com alta capacidade de infiltração e portanto alta percolação, inviabilizado a utilização da irrigação por superfície. Estes tipos de solos também possuem uma baixa capacidade de retenção de água requerendo irrigações constantes, com aplicação de menor quantidade d'água, o que é mais fácil de ser conseguido com irrigação por aspersão do que por superfície (BERNARDO,1989). 
A aspersão permite a utilização da quimigação (aplicação de fertilizantes e produtos químicos via água de irrigação) propiciando grande economia de mão-de-obra. Vários fatores climáticos afetam a distribuição da precipitação, como o vento, umidade relativa do ar e temperatura. Em locais de ventos fortes e constantes, temperaturas altas e de baixa umidade relativa do ar inviabilizam a utilização do método. 
Os componentes básicos são: aspersores, tubulações, conjunto motobomba, sendo este responsável pela captação da água de irrigação do manancial, sua condução à linha lateral e aspersores.
4.1.1. Sistemas de aspersão convencionais 
A denominação "convencional" deve-se ao fato de este tipo de aspersão Ter sido o primeiro a ser idealizado e ainda o de emprego mais tradicional (VIEIRA,1995) 
Na aspersão convencional a água é aplicada na cultura por meio de aspersores instalados ao longo de uma tubulação. Os aspersores são de baixa (4 a 20 mca) e média pressão (20 a 40 mca), com espaçamentos compreendidos de 6 a 36m, instalados sobre tubos porta-aspersores conectados à linha lateral e estes à fonte de abastecimento de água mediante uma rede principal de tubulações de distribuição. Os métodos de aspersão convencionais são os mais empregados devido ao menor custo de implantação e a maior flexibilidade no manejo. 
São classificados, segundo a forma de instalação, manejo das tubulações e aspersores, em portátil, semiportátil e fixo.
4.1.1.1. Sistema portátil 
São aqueles cujas tubulações de distribuição e as linhas laterais são instaladas sobre o terreno, sendo transportadas para várias posições de irrigação dentro da área. Normalmente são feitos com materiais leves, como alumínio ou PVC rígido, dotados de engates rápidos para facilitar as operações de transporte.
São sistemas que requerem menor investimento em capital. Entretanto, apresentam como desvantagem, maior necessidade de mão-de-obra. Deve-se projetar o sistema com no mínimo 2 linhas laterais trabalhando de 18 a 24 horas por dia, para que quando completar um irrigação em toda a área, deve estar na hora de iniciar uma nova irrigação.
4.1.1.2. Sistema semiportáteis
Considerado uma variação do sistema portátil, a exceção que as tubulações de distribuição (linha principal) são fixas e normalmente ficam enterradas.
4.1.1.3. Sistemas fixos 
As tubulações de distribuição e as linhas laterais cobrem toda superfície da parcela irrigada, necessitando de pouca mão-de-obra. É um opção quando o custo do sistema portátil, mais os custos adicionais com a mão-de-obra necessária para a irrigação, supera o custo de implantação da instalação fixa.
4.1.2. Sistema de aspersão não convencionais 
São aqueles empregados em condições especiais de solo, topografia do terreno, área a irrigar, disponibilidade de energia ou capacidade de investimento das instalações. Possui restrições de aplicação a determinados tipos de cultura. Destacam-se o canhão hidráulico e o pivô central.
4.1.2.1 Canhão hidráulico 
São equipamentos de irrigação que funcionam com pressões que variam de 40mca a até mais de 100mca, e cujo raio de alcance varia entre os valores compreendidos desde 30 a 100m, dependendo do modelo de cada fabricante. Na maioria dos casos o canhão hidráulico é utilizado de forma portátil, instalado sobre as linhas laterais, de maneira similar ao funcionamento de um sistema convencional. O canhão irriga separadamente cada setor da área da parcela e é deslocado de uma posição a outra após a aplicação de cada irrigação. Ele também pode ser utilizado acoplado a sistema autopropelido ou automotriz. O sistema autopropelido recebe água por meio de uma mangueira suficientemente resistente para suportar a pressão interna do líquido e os arrastes sobre o terreno. Quando se adota esta solução, a instalação da rede de abastecimento de água se reduz exclusivamente a tubulação de distribuição, normalmente enterrada, com válvulas ou hidrantes para conectar com a mangueira do sistema móvel.

4.2.2.2 Pivô Central 
O sistema pivô consiste fundamentalmente de uma tubulação metálica, onde são instalados os aspersores, que gira continuamente ao redor de uma estrutura fixa. Os aspersores, que são abastecidos pela tubulação metálica (ala do pivô), dão origem a uma irrigação uniformemente distribuída sobre uma grande superfície circular (fig. 7). A tubulação que recebe água sob pressão do dispositivo central, denominado "ponto pivô", se apoia em várias torres metálicas triangulares, montadas sobre grandes rodas pneumáticas. As torres se movem continuamente, acionadas individualmente por dispositivos elétricos ou hidráulicos, descrevendo circunferências concêntricas ao redor do ponto do pivô (GOMES,1994). 
A superfície irrigada pelo pivô é proporcional ao quadrado do comprimento (L) da tubulação de distribuição (A=Õ L2), e por essa razão quanto maior for o comprimento da ala maior será a superfíce irrigada por metro de tubulação. O investimento unitário ( em unidades monetárias por hectare), necessário para equipar uma unidade pivô, será tanto menor quanto maior for o comprimento da ala (GOMES,1994). São as seguintes as principais vantagens e desvantagens do sistema (BERNARDO, 1989): 
. A principal vantagé a economia em mão de obra, para efetuar a irrigação; 
. Economia de tubulações, quando se usa água subterrânea, pois não precisa de linha principal; 
. Mantém o mesmo alinhamento e velocidade de movimentação, em todas as irrigações; 
. Após completar uma irrigação, o sistema estará no ponto inicial, para a outra irrigação; 
. Pode-se obter uma boa uniformidade de aplicação, quando bem dimensionado.

Desvantagens:

. É muito difícil mudá-lo da área, para poder aumentar a área irrigada, por unidade de equipamento; 
. Perde 20% da área, aproximadamente ( com um raio de 400 m irriga de 50 a 54 ha de cada 40 a 140 mm/h); 
. Tem uma alta intensidade de aplicação, na extremidade do ô, geralmente variando entre 40 a 140mm/h;
. Por causa da alta intensidade de aplicação, na extremidade do pivô, precisa-se tomar cuidado com o escoamento superficial.em 
4.2.1 Irrigação de superfície 
A irrigação de superfície é um método simples, largamente empregado no Brasil, quase exclusivamente na cultura do arroz e frutíferas. Existem muitas variações mas todas envolvendo a divisão do terreno em unidades menores limitadas por pequenos diques, de modo que cada uma, de superfície quase plana denominada tabuleiro, formam um compartimento onde é colocada uma lâmina de água para se infiltrar no solo (OLITTA, 1987). 
Este método, apresenta como vantagens: maior simplicidade operacional; independem de quaisquer parâmetros climáticos; elevado potencial para reduzir o consumo de energia; aproveitamento de águas de má qualidade física, química ou microbiológica; maior margem de segurança à cultura; independe da altura das plantas. No entanto, a limitação consiste na disponibilidade de recursos hídricos suficientes; são inadequados para solos muito arenosos, com alta capacidade de infiltração e topografia plana e uniforme; limitações em solos salinos e quando a água apresenta teores elevados de sais. 
O método de irrigação por superfície apresenta vários sistemas, entre eles: irrigação por sulcos de infiltração, irrigação por faixas e irrigação por inundação. 
Para a cultura da alfafa o sistema mais utilizado consiste na irrigação por faixas .Deve-se ressaltar, que neste método, é muito importante evitar o encharcamento excessivo do solo pois a cultura da alfafa é extremamente sensível a falta de aeração do mesmo. 
Na irrigação por faixas a água é aplicada em faixas de terreno compreendidas entre pequenos diques paralelos. As faixas devem ter declividade transversal praticamente nula enquanto a longitudinal não deve ser inferior a 0,1% e nem superior a 3%. As dimensões das faixas dependem da natureza do solo, declividade do terreno e vazão. 
A vazão de entrada deve ser suficiente para manter a lâmina hídrica em toda a superfície, sem porém causar erosão. 
A eficiência da irrigação por faixas depende das perdas, que ocorrem por percolação profunda, escoamento no final do sulco e evaporação direta da água. Em média gira em torno de 60%.
5. Aspectos econômicos 
Na literatura são escassos os trabalhos envolvendo custos de produção e rentabilidade da cultura. 
A alfafa tem sido comumente utilizada para a produção de feno, uma menor parte em silagem e pastejo( principalmente na Argentina). 
Como exemplo, a Fazenda São Joaquim, localizada no munício de Pereira Barreto-SP, iniciou em 1997 o plantio da alfafa sob pivô central (sem controle da irrigação) . Atualmente, produtividade média vem situando-se na casa de 1000t/ha (oitavo corte) podendo chegar a 12 cortes/ano, com o custo estimado de 300 reais por hectare. No momento, toda a produção vem sendo utilizada para consumo próprio(fazenda leiteira) mas estimam o preço para venda em torno de 600 reais por tonelada. 
Segundo Passos(1994) citado por COSTA & MONTEIRO (1997), a produção de alfafa por unidade de área aumenta linearmente com o fornecimento de água até a capacidade de campo, desde que o solo não apresente impedimento físico e químico, tendo em vista que não tolera solos com excesso de umidade e alumínio livre, além de apresentar crescimento limitado em solos de pH baixo, ressaltando que a cultura da alfafa tem potencial de rendimento de matéria seca (MS) ao redor de 25t/ha/ano. Entretanto, esta marca muitas vezes não é atingida, principalmente pela manejo incorreto da cultura. 
RESENDE & FILHO (1994) estimaram o custo total de US$ 36,60 por tonelada de alfafa verde (área experimental de 3,3 ha) com irrigação por aspersão. Tomando-se como base uma relação massa verde/feno de 5:1, ou seja, um gasto de 5t de matéria verde para produzir uma tonelada de feno, tem-se que na produção do feno, o custo relativo à alfafa será de US$ 183, 00, ou seja, US$ 36,60 X 5ton. Somando-se a este valor o custo relativo à desidratação artificial, tem-se um custo final de, aproximadamente US$251,00 por t de feno produzido e armazenado. O autor ainda estima o preço de mercado do feno a US$ 0,29 /kg. 


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