AGRICULTURA BRASILEIRA EM FOCO: clima, solos, plantio, irrigação, tratos culturais, controle de pragas e doenças, colheita, comercialização e muito mais
Aspectos
Bioquímicos e Organolépticos dos Princípios Ativos da Stevia
O
sabor doce é uma percepção organoléptica que remonta à origem do
homem. Na pré-história os açúcares do mel e dos frutos eram os
responsáveis pelo sabor doce, estando associados a alimentos sem
risco, e o sabor amargo era atribuído a alimentos tóxicos. De modo
geral, o sabor doce acentua-se devido aos compostos com maior ou
menor doçura. Os adoçantes são compostos de sabor doce, como os
açúcares e seus derivados, quase sempre energéticos, sendo a
sacarose o composto principal, cujo poder edulcorante é único. Os
edulcorantes são compostos de sabor extremamente doce, não são
necessariamente açúcares, mas podendo contê-los como parte de suas
moléculas, e também não obrigatoriamente energéticos, com poder
edulcorante superior à sacarose. Os edulcorantes podem ser divididos
em sintéticos e naturais. Por sua natureza quase essencialmente não
calórica e seu alto poder adoçante, diminuem sensivelmente a
ingestão quantitativa dos adoçantes, o que os faz indispensáveis
para regimes dietéticos para diabéticos, dietas de emagrecimento e
manutenção de massa corporal.
A
estévia é um subarbusto com propriedade edulcorante em suas folhas,
devido à presença de glicosídeos diterpênicos com poder adoçante
muito superior à sacarose. Os glicosídeos isolados das folhas de
estévia, com o respectivo poder adoçante relativo à sacarose, são
os seguintes: esteviosídeo (250-300), esteviolbiosídeo (100-125),
rebaudiosídeo-A (350-450), rebaudiosídeo-B (300-350),
rebaudiosídeo-C (dulcosídeo B) (50- 120), rebaudiosídeo-D
(200-300), rebaudiosídeo-E (250-300), dulcosídeo-A (50-120). O teor
de esteviosídeo aumenta até o início do florescimento, diminuindo
continuamente até a produção de sementes, sendo aconselhável,
portanto, a colheita das folhas no início da abertura das flores.
O
esteviosídeo possui a maior concentração, 5 a 15% da matéria seca
foliar, e um poder adoçante de 250 a 300 vezes superior à sacarose
(Fig. 5). O rebaudiosídeo, em menor concentração nas folhas, de 3
a 6%, é mais doce, com um poder adoçante de 350 a 450. Quantidades
menores de esteviosídeo também podem ser encontradas nas
inflorescências e raízes. Existe uma correlação negativa entre o
teor de esteviosídeo e rebaudiosídeo. Devido ao fato dos
rebaudiosídeos serem mais doces que o esteviosídeo (1,2 a 1,5 vezes
mais doce) e por apresentarem paladar mais agradável, é que o
extrato bruto das folhas tem um paladar doce melhor que o
esteviosídeo purificado.
O
esteviosídeo é utilizado como edulcorante para alimentos, tais como
doces, tortas, pudins, iogurte, xaropes, balas, goma de mascar, leite
em pó e condensado, algumas bebidas e outros alimentos não
calóricos destinados a regimes dietéticos e para pessoas
diabéticas, sem causar efeitos colaterais ao ser humano.
Fig.
5. Esteviosídeo puro extraído das folhas de estévia.
Moisés
Bertoni, em 1905, resumiu assim o seu estudo sistemático sobre a
estévia: "Pequena
erva de 40 a 80 centímetros de altura,geralmente 50 cm, raízes
vivazes, talo sublenhoso, pubescente, débil e com poucas
ramificações terminais coroadas por panículas,ormadas de pequenos
corimbos, trazendo 2 a 6 flores pequena com corola de lóbulos
brancos, alongados e abertos".
A
estévia [Stevia
rebaudiana (Bert.)
Bertoni] pertence à família Compositae,
sendo classificadas cerca de 200 espécies no gênero Stevia,
com distribuição ampla nas regiões tropicais e subtropicais das
Américas. No Brasil foram encontradas quatro espécies, embora
existam informações sobre a ocorrência de 14 espécies no Rio
Grande do Sul. Das espécies que ocorrem no País merecem destaque a
S.
rebaudiana e
a S.
aristata que
também apresenta princípios edulcorantes. Todas as 14 espécies
paraguaias de Stevia,
incluindo
Stevia
rebaudiana,
são agrupadas na série Multiaristatae.
Taxonomicamente,
esta série é caracterizada por perenialidade rizomatosa, folhas
simples inteiras, geralmente opostas na base da planta, crenuladas a
crenado-serradas na porção média superior, sésseis a pecioladas.
Inflorescências corimbiformes ou paniculiformes, brácteas
involucrais geralmente lanceoladas. Flores actinomorfas, corola com
cinco lobos perfeitos. Aquênios isomórficos, "pappus" com
10 a 20 aristas cerdosas e simétricas.
2.
Habitat
O
gênero Stevia
ocorre
apenas no continente americano, estendendo-se do sudeste dos Estados
Unidos ao norte da Argentina, particularmente ao longo das montanhas
Andinas, podendo-se
estimar em cerca de 120 espécies de Stevia
para
a América do Sul.
A
Stevia
rebaudiana (Bert.)
Bertoni é endêmica no Paraguai, ocorrendo naturalmente tanto ao
norte deste país como nos limites das fronteiras Brasil - Paraguai,
já tendo sido coletada no Brasil. De 18 Estévia
modo
geral, a zona nativa da planta silvestre localiza-se sob clima
tropical,
com uma altitude média de 300 metros, situada na região da
cordilheira do Amambai ao longo do rio Monda'i, principalmente na
pradaria de São Pedro, no Alto Jeju'i, Vakaretã e Yhu,
na encosta da cordilheira do Esbakarayu, e ao norte de Mato Grosso do
Sul. Essa área está compreendida entre 22º a 25º de latitude sul
e 54º a 56º de longitude oeste. Via de regra, a planta é
registrada em campos de pastagens com solo arenoso, ligeiramente
úmido. A espécie nativa também foi encontrada em focos isolados no
arenito do Caiuá, região de origem da planta, localizada na mesma
latitude sul, e 53º a 54º de longitude oeste no norte e oeste do
Paraná, na bacia do rio Ivaí e parte da bacia do rio Paranapanema,
no estado de São Paulo.
3.
Fotoperiodismo e floração
A
estévia é uma planta de dias curtos para floração, com
fotoperíodo crítico de 13 a 14 horas. A sensibilidade aos dias
curtos ocorre após a planta desenvolver quatro pares de folhas,sendo
necessários apenas dois ciclos (dia/noite) para a indução ao
florescimento. Transplantes ou cortes realizados em períodos de dias
curtos induz a floração tão logo a planta atinja a idade
fisiológica adequada, ocorrendo um crescimento mais lento. Devese
evitar a semeadura nos meses de menor comprimento do dia, a fim de se
evitar o florescimento das mudas ainda no viveiro.
No
gênero Stevia
as
flores são curtamente exsertas (tubo da corola até duas vezes o
tamanho do ovário) (Fig. 2). As folhas são oblongo-lanceoladas a
romboídeas, com ambas as faces esparsopilosas.
Os
vários aquênios são dispostos em panículas laxas, sendo os
aquênios glanduloso-ciliados. As flores são hermafroditas, pequenas
e levemente perfumadas, sendo que a polinização é cruzada. O
pólen, por ser úmido e pegajoso, pode ser carregado por insetos,
porém torna-se difícil a sua dispersão pelo vento.
Fig.
2. Inflorescência da estévia.
A
espécie apresenta variações em suas características fisiológicas
e morfológicas, devido a fatores genéticos e/ou ambientais.
Plantas
oriundas de sementes mostram a variabilidade genética por meio da
forma da planta, dos tipos e tamanhos de folhas e do teor dos
edulcorantes.
A
estévia produz três tipos de frutos, denominados de aquênios, que
são constituídos de um embrião pseudogâmico com dois cotilédones
e um eixo embrionário envoltos por um endosperma mais denso. A
cobertura protetora é exercida pelo fruto (Fig. 3).
Os
três tipos de aquênio são:
1)
aquênio claro estéril - devido à ausência de polinização não
há embrião;
2)
aquênio escuro fértil - ocorre a polinização e fecundação da
oosfera com formação do embrião;
3)
aquênio escuro estéril - ocorre a polinização e o desenvolvimento
do tubo polínico, havendo uma interrupção do crescimento deste
antes de atingir a oosfera.
A
baixa longevidade das sementes, provavelmente, está relacionada com
a composição química, cacterizada pela riqueza de lipídeos.
3.
Fotoperiodismo e floração
A
estévia é uma planta de dias curtos para floração, com
fotoperíodo crítico de 13 a 14 horas. A sensibilidade aos dias
curtos
ocorre após a planta desenvolver quatro pares de folhas, sendo
necessários apenas dois ciclos (dia/noite) para a indução ao
florescimento. Transplantes ou cortes realizados em períodos de dias
curtos induz a floração tão logo a planta atinja a idade
fisiológica adequada, ocorrendo um crescimento mais lento. Deve se
evitar a semeadura nos meses de menor comprimento do dia, a fim de se
evitar o florescimento das mudas ainda no viveiro.
No
gênero Stevia
as
flores são curtamente exsertas (tubo da corola até duas vezes
otamanho do ovário) (Fig. 2). As folhas são oblongo-lanceoladas a
romboídeas, com ambas as faces esparsopilosas.
Os
vários aquênios são dispostos em panículas laxas, sendo os
aquênios glanduloso-ciliados. As flores são hermafroditas, pequenas
e levemente perfumadas, sendo que a polinização é cruzada. O
pólen, por ser úmido e pegajoso, pode ser carregado por insetos,
porém torna-se difícil a sua dispersão pelo vento.
Fig.
3. Tipos de sementes (aquênios) de estévia quanto à
coloração (clara e escura).
A
espécie apresenta variações em suas características fisiológicas
e morfológicas, devido a fatores genéticos e/ou ambientais.
Plantas
oriundas de sementes mostram a variabilidade genética por meio da
forma da planta, dos tipos e tamanhos de folhas e do teor dos
edulcorantes.
A
estévia produz três tipos de frutos, denominados de aquênios, que
são constituídos de um embrião pseudogâmico com dois cotilédones
e um eixo embrionário envoltos por um endosperma mais denso. A
cobertura protetora é exercida pelo fruto (Fig. 3).
Os
três tipos de aquênio são:
1)
aquênio claro estéril - devido à ausência de polinização não
há embrião;
2)
aquênio escuro fértil - ocorre a polinização e fecundação da
oosfera
com formação do embrião;
3)
aquênio escuro estéril - ocorre a polinização e o desenvolvimento
do tubo polínico, havendo uma interrupção do crescimento deste
antes de atingir a oosfera.
A
baixa longevidade das sementes, provavelmente, está relacionada com
a composição química, cacterizada pela riqueza de lipídeos.
4.
Sistema radicular
O
sistema radicular da estévia é pivotante no início do
desenvolvimento. Após o primeiro corte verifica-se uma diferenciação
celular na região do coleto e o sistema radicular torna-se
fasciculado, com maior distribuição na camada superior do solo.
5.
Sistema vegetativo
A
estévia é uma planta de porte arbustivo e de crescimento
determinado, no qual o crescimento vegetativo dá lugar ao
crescimento reprodutivo. Durante o primeiro ciclo, observa-se, em
média, uma haste principal com 25 ramos secundários por planta.
Observam-se,
também, ramificações de terceira, quarta, quinta e até sexta
ordem, apesar das três últimas ocorrerem em menor número. Após
cada corte ocorre a diminuição dos ramos secundários até que cada
perfilho tenha somente a haste principal, onde os cortes sucessivos
estimulam o perfilhamento. O vigor da rebrota depende das reservas
acumuladas pelo sistema radicular e da
fertilidade do solo (Fig. 4).
6.
Variedades
Das
200 espécies do gênero Stevia
já
identificadas, a S.
rebaudiana e S. aristata são
as únicas que apresentam princípios edulcorantes. Esta última é
pouco conhecida e somente Brücher,em
1974, fez menção sobre a mesma. Por sua descrição, a S.
aristata parece
ter
características
superiores às da S.
rebaudiana para
a produção de folhas, tratando-se de uma importante planta para ser
estudada. A S.
rebaudiana (Bert.)
Bertoni, apresenta numerosas variedades.
No
Japão foram selecionadas 28 variedades, nas quais foi encontrada uma
grande variação no teor de esteviosídeo, entre 2,07 a 8,34%. Os
estudos sobre as características morfológicas e o conteúdo dos
princípios ativos edulcorantes mostraram ser de
alta
herdabilidade. Naquele país foram registradas variedades que tinham
alto conteúdo de rebaudiosídeo A.
No
Canadá, a Royal-Sweet International Tecnologies Ltd informou ter
obtido uma variedade de estévia não sensível ao fotoperiodo, por
meio de indução genética, cujo genótipo foi patenteado. Nos
Estados Unidos, foram obtidos clones de estévia pelo tratamento de
sementes com colchicina, com boas características fenotípicas 1
para a produção de esteviosídeo/rebaudiosídeo . No Brasil, os
plantios comerciais existentes são oriundos de semente de
meioirmãos, sem identificação de uma cultivar recomendada para o
plantio nas várias condições ecológicas de adaptação da
estévia.
É
importante que a seleção seja dirigida para a obtenção
depopulações homogêneas, com resistência a doenças e pragas,
com maiores teores de edulcorantes, maior massa foliar, produção de
semente viáveis, menos exigentes em nutrientes, com tolerância à
seca e insensíveis ao fotoperíodo e altitude, assim como maior
número de hastes e ramificações na parte aérea da planta, dentre
outras
características.
Viabilidade
Socioeconômica do Desenvolvimento Agroindustrial da
Estévia
O
pleno desenvolvimento dos negócios da agricultura tem-se constituído
em um dos principais alicerces do setor primário, com bons reflexos
no setor secundário, principalmente considerando a grande vantagem
comparativa e competitiva, como é o caso do desenvolvimento
agroindustrial da estévia. Para o desempenho eficiente do
agronegócio, torna-se imprescindível o estabelecimento e a
consolidação da cadeia produtiva, sendo os produtores e
consumidores os elos mais importantes. A cadeia produtiva é a lógica
do agronegócio.
Para
o caso da estévia, a cadeia agroindustrial (Fig. 1) mostra o seu
dinamismo econômico e tem amplas condições de ser desenvolvida,
com o estabelecimento de pelo menos cinco pontos de comercialização,
ou seja, sementes, mudas, folhas secas, esteviosídeo/rebaudiosídeo
e produtos industrializados.
A
exploração da cultura num sistema tecnificado permite que, da mesma
área cultivada, possam ser obtidos, em até quatro cortes por ano, a
matéria seca pronta para o processamento e o beneficiamento. Este
processo pode ser desenvolvido, economicamente, por seis anos
consecutivos, o que reduz os custos
de implantação, condução e exploração da cultura.
Segurança Alimentar da Estévia
A
qualidade dos produtos oriundos do processo de transformação
industrial da estévia deve ser obtida desde o campo, por meio da
aplicação das boas práticas de pré-colheita, colheita e
pós-colheita das folhas, principal fonte para a produção do
esteviosídeo/ rebaudiosídeo e seus derivados.
Apesar
de não haver o risco zero na produção de qualquer alimento, o
risco pode ser avaliado, gerenciado e comunicado, o que facilita o
estudo da probabilidade da ocorrência dos riscos de contaminação
física, química e biológica que porventura possam vir a existir.
Para
o caso específico da estévia, onde a folha seca produzida sai
diretamente do campo para o processamento na indústria, é
importante a conscientização do agricultor quanto à adequação de
hábitos e atitudes na produção da folha seca, para que sejam
atendidas as exigências dos consumidores no que se refere à
qualidade do produto.
Os
riscos de contaminação química podem ser reduzidos ou evitados
pelos cuidados na aplicação de defensivos como fungicidas,
inseticidas e herbicidas nos cultivos, e pela precaução no processo
de colheita, secagem, acondicionamento, armazenamento, transporte e
distribuição das folhas para evitar a ocorrência de micotoxinas
(toxinas produzidas por fungos) e bactérias, além de grãos de
areia e outros resíduos na fase de colheita das folhas.
Para
isso, no processo de articulação e transferência de conhecimentos
e tecnologias, os esteviacultores também devem ser orientados no
sentido de adotar práticas agrícolas que visem a obtenção dos
alimentos seguros da estévia, do campo à mesa.
Em
relação à segurança dos alimentos advindos da estévia, as
pesquisas científicas têm constatado que o uso do
esteviosídeo/rebaudiosídeo não provoca qualquer efeito colateral
danoso
à saúde humana.
A
Stevia
rebaudiana (Bert.)
Bertoni é um arbusto dicotiledôneo, ordem campanular da família
Compositae,
alógama, semi-perene, que ocorre espontaneamente na região da Serra
do Amambai, entre o Brasil e o Paraguai.
A
planta é importante do ponto de vista social, econômico, ambiental
e político, principalmente pela produção de dois edulcorantes, o
esteviosídeo e o rebaudiosídeo, com maior concentração nas
folhas. Estes edulcorantes são, em média, respectivamente, de 300 a
400 vezes mais doces que o açúcar da cana-de-açúcar. Além disso,
não são metabolizados pelo corpo humano, possuindo propriedades
excepcionais, como serem não
calóricos,
antidiabéticos, antiglicêmicos, anticáries e outras, inclusive
úteis para a produção de fitormônios bem mais baratos, além do
uso do bagaço na alimentação animal.
A
exploração racional da estévia representa uma excelente
oportunidade de produção e comercialização de adoçantes naturais
para o consumo interno e exportação, de grande utilidade para
pessoas diabéticas.
O
cultivo da estévia é apropriado para agricultores familiares, pelo
potencial de agregação de valor que possui, favorecendo a geração
de renda, empregos, serviços e outros benefícios para a sociedade.
A
cadeia produtiva é bastante promissora, tanto pelo lado agrícola,
como pelo lado
agroindustrial.
Em
termos do aproveitamento agroindustrial da estévia, existem no mundo
15 fábricas de processamento, sendo 13 no Japão, uma na China e uma
no Brasil. A fábrica existente no Brasil tem plenas condições de
absorver a matéria-prima produzida no país, visando a transformação
em produtos para consumo interno e externo.
Considerando
as exigências ecológicas da estévia, Mato Grosso do Sul e Paraná,
dentre outros, apresentam condições ideais para o seu cultivo, o
que requer a geração, divulgação e adoção de conhecimento e
tecnologias apropriadas para o desenvolvimento desse agronegócio.
No
presente documento são apresentadas as tecnologias disponíveis aos
produtores rurais interessados na exploração racional da estévia.
Histórico
Quando
os conquistadores espanhóis aportaram na América do Sul, observaram
a existência de uma planta que era utilizada para adoçar bebidas
medicamentosas, especialmente, o mate cozido pelos índios
tupi-guaranis. Apenas no século 19 essa planta voltou a ser
mencionada novamente. Isto ocorreu em 1899, quando o naturalista
suíço, radicado no Paraguai, Moisés Santiago Bertoni (1857-1929),
obteve referências da planta de ervateiros e índios do Mondaíh, em
uma de suas viagens às florestas do leste paraguaio em 1887. Por
meio de uma porção de ramos e fragmentos de inflorescência,
Bertoni classificou a planta, erroneamente, como Eupatorium
rebaudianum sp.
n., em homenagem ao químico paraguaio Ovídio Rebaudi. O cônsul
Britânico em Assunção, C. Gosling descreveu a planta, suas
propriedades e habitat, enviando ainda farto material para a
Inglaterra, quando verificou-se que a planta pertencia ao gênero
Stevia.
Seu
manuscrito foi publicado em abril de 1901 no Kew Bulletin, da
Inglaterra. No Paraguai, a estévia é conhecida na linguagem Guarani
por ka'a he’ , que significa erva doce.
Nos
anos 20 do século passado, países como os EUA e Polônia pediram
sementes ou mudas para o Ministério da Agricultura do Paraguai, para
introdução e estudos da planta em seus respectivos domínios. Em
1926, oitocentas plantas, provenientes de sementes importadas, foram
cultivadas pelo governo americano, para serem distribuídas aos
pesquisadores. Sabe-se, também, que a estévia foi importada pelos
soviéticos em 1936. Outro fato digno de nota, refere-se ao interesse
dos ingleses pela estévia no início dos anos
Procurava-se,
em 1941, um substituto para o açúcar (de canade- açúcar ou
beterraba) e a sacarina, devido à crescente escassez de adoçantes
durante a II Guerra Mundial. Julgava-se essencial, e de interesse
nacional, examinar a possibilidade de produzir substitutos do açúcar
natural nas Ilhas Britânicas. Em um memorando do Jardim Botânico
Real, na cidade de Kew, de 1941, recomendava-se a estévia como um
substituto valioso da sacarose.
Em
1942 e 1943 sementes foram enviadas de Kew para áreas de clima mais
ameno do Reino Unido, mais adequadas ao crescimento das plantas. Elas
foram cultivadas nos condados de Devon e Cornwall, desenvolvendo-se
bem durante o verão. Estes fatos ilustram que a estévia foi
cultivada com sucesso no sudeste inglês, e utilizada como adoçante
no início dos anos 40.
A
primeira descrição da estévia no Brasil foi feita em 1926, quando
foi
editado o primeiro volume do Dicionário das Plantas Úteis do
Brasil, do botânico brasileiro Manuel Pio Correa (1874 -1934).
Provavelmente
as primeiras notícias na mídia a respeito da estévia datam de
1926, quando foram publicadas reportagens em matutinos de São Paulo,
e na revista "Chácaras e Quintaes", em 1927. Em 1943,
novamente o assunto da planta edulcorante voltou à tona, em artigo
publicado na Tribuna Farmacêutica de Curitiba,
onde
o autor fazia considerações sobre a "novidade",
reproduzindo um artigo de Moisés Santiago Bertoni de 1918.
Na
década de 70, o interesse comercial ressurgiu por intermédio dos
japoneses,
quando intensificaram-se, paulatinamente, os estudos relativos à
planta. Atualmente a comercialização do edulcorante tende a
crescer, principalmente no sudeste asiático e em outras partes do
mundo.
A
planta de mandioca propaga-se por meio das ramas, e sua qualidade
relaciona-se diretamente
com a brotação, o enraizamento e a resistência a doenças, podendo
acarretar, em uma lavoura, desuniformidade no desenvolvimento inicial
das plantas e redução no número de plantas.
O
sucesso de toda lavoura depende de boas sementes, e isso não é
diferente para a mandioca.
As
ramas representam em torno de 2% do custo variável de produção em
anos normais e, no máximo, 6% em anos de maior demanda. Por exemplo,
no caso do milho a semente poderá representar 27% do custo variável
de produção.
ÉPOCA
DE COLETA DAS RAMAS
As
ramas mais indicadas para plantio são colhidas com 8 a 14 meses, no
outono e inverno. Em anos de escassez, podem ser utilizadas ramas de
plantas que foram podadas no primeiro ciclo e que cresceram no
segundo ciclo. Ramas de plantas com dois ciclos de idade, de
preferência, não devem ser utilizadas por serem mais lenhosas e
apresentarem maior dificuldade de brotação.
Os
cuidados para que sejam obtidas boas ramas se iniciam no verão, com
vistorias prévias da lavoura, no intuito de detectar possíveis
doenças que são mais facilmente percebidas quando as plantas estão
com mais folhas. Talhões com doenças ou com muita mistura de
variedades devem ser previamente evitados.
As
ramas oriundas de solos mais férteis são melhores, pois originam
plantas mais vigorosas durante o desenvolvimento inicial das
lavouras. Portanto, é importante selecionar as ramas das melhores
áreas.
A
maturidade da planta para fornecimento das ramas ocorre a partir de
maio, com redução da atividade da planta e queda natural das
folhas. A maturação da rama pode ser verificada pelo aspecto
cristalino da medula, que é a porção central da rama, e pela
relação dos diâmetros da medula com o diâmetro da rama, que deve
ser de um para a rama e meio para a medula (porção central).
O
melhor segmento para mudas é o retirado do terço médio da rama
para baixo.
As
mudas do ponteiro são mais finas e imaturas, e as da base da planta
são mais lenhosas
e mais resistentes à seca.
As
mudas imaturas ou retiradas do ponteiro das ramas são muito
sensíveis à estiagem, embora em condições ideais de umidade
possam brotar com mais rapidez.
Já
as mudas mais velhas, da base das ramas, resistem mais à estiagem,
porém são as que mais demoram a brotar.
A
maturação das ramas também varia bastante entre as diferentes
variedades e a época em que a lavoura foi plantada.
CORTE
DAS RAMAS
O
corte das ramas deve ser feito o mais reto possível e sem
ferimentos, evitando o formato em bisel (corte enviesado), que
acarreta muitas perdas na armazenagem e no plantio. No corte das
ramas é importante mais uma seleção com relação às pragas e
doenças e misturas de variedades.
TRANSPORTE
DOS FEIXES DE RAMAS
O
feixe das ramas deve ser firme e, quando necessário, deverá ser
amarrado com
duas cordas e transportado com o máximo cuidado. A integridade das
gemas ou
olhos é de extrema importância, pois é nesse ponto que ocorrerá a
brotação. As ramas
com muitos ferimentos aumentam consideravelmente o risco de doenças
na fase
inicial da lavoura.
ARMAZENAGEM
DAS RAMAS
A
armazenagem das ramas, quando necessária, deve ser feita em local
arejado na lavoura ou no abrigo de árvores, mas evitando sombras
excessivas. Em locais com maior incidência de geadas é conveniente
guardá-las sob árvores ou dentro de bosques, pois a céu aberto há
o risco de perdas, mesmo que a pilha de ramas esteja coberta com
palha. Em locais de geadas menos intensas, é possível armazenar as
ramas diretamente na lavoura. Em locais menos sombreados, a cobertura
com palha ou capim seco é fundamental para garantir boa armazenagem.
A
cobertura com palha deve ser feita por toda a pilha, pois quando
feita somente na
parte superior proporciona pouca proteção. As pilhas, quando bem
cobertas com palha, mantêm a temperatura das ramas mais uniforme e
garante melhor conservação.
A
posição das ramas na armazenagem influencia a conservação e a
manutenção da viabilidade. Quando armazenadas na posição
vertical, as ramas devem ser emparelhadas para que todas tenham
contato com o solo. As ramas também podem ser
armazenadas na posição horizontal, mas sua durabilidade é menor.
A
armazenagem das ramas devido à desidratação poderá ocasionar mais
falhas na lavoura. Porém, as plantas originárias de ramas
armazenadas normalmente soltam mais hastes que proporcionam plantas
com mais folhas.
A
durabilidade das ramas na armazenagem depende da variedade de
mandioca.
Esse
é um detalhe importante de ser observado.
AVALIAÇÃO
DA VIABILIDADE
A
avaliação da viabilidade da rama, guardada ou não, poderá ser
executada por meio do teste do canivete. Nela é feito um pequeno
corte, e caso a seiva ou o leite flua rápida e abundantemente, a
rama presta para plantio.
As
ramas que passaram por geadas e estão intactas por fora podem
internamente estar com as células rompidas, tornando a seiva mais
rala, e podem comprometer a brotação e o vigor das mudas.
QUANTIDADE
DE RAMAS PARA PLANTIO
A
quantidade de ramas para plantio sofre influência da variedade
(ramificada ou ereta), da duração da armazenagem das ramas, do
espaçamento entre as plantas e do tamanho da muda.
As
variedades mais ramificadas tendem a necessitar de mais ramas em
função das perdas que ocorrem no momento da seleção. Os feixes
das variedades ramificadas têm menos ramas que as variedades mais
retas, devido aos espaços vazios quando emparelhadas
e empilhadas.
Na
armazenagem das ramas estimam-se perdas de 20% durante o processo.
Com isso, é importante que a quantidade inicial de ramas na
armazenagem seja superior à necessária para o plantio.
O
número de plantas que será adotado na lavoura também alterará a
quantidade de ramas utilizadas. Por exemplo, no espaçamento de 1,0
metro por 1,0 metro, o número de plantas por hectare será de 10.000
plantas, e se for de 1,0 metro por 0,7
metro, o número de plantas por hectare será de 14.285, diferença
de 4.285 plantas.
Como
média, pode-se adotar que a taxa mínima de multiplicação da
mandioca é de um para quatro, ou seja, de um hectare de mandioca é
possível plantar quatro hectares. Caso as ramas tenham bom padrão,
essa taxa de multiplicação poderá ser de
até um para dez.
O café é uma espécie arbustiva de crescimento contínuo, com desenvolvimento vegetativo e com característica fisiológica denominada “dimorfismo de ramos”, que é a emissão ou formação de dois tipos de ramos com diferentes funções, a partir do tronco principal (Figura 1).
O ramo vertical que forma a haste ou tronco é denominado ortotrópico, sendo este um ramo improdutivo; sua principal função é formar e sustentar os ramos produtivos, bem como, promover a recuperação da planta em caso de traumas ou podas. No ramo ortotrópico se encontram dois tipos de gemas vegetativas, as “seriadas” e as “cabeça-de-série”. As gemas seriadas dão origem somente aos ramos “ladrões”, e as gemas cabeça-de-série dão origem aos ramos “horizontais”, chamados plagiotrópicos (Figura 1). A gema formadora do ramo ortotrópico é seriada (múltipla), ou seja, se um ramo for eliminado, a planta pode emitir naquele mesmo lugar outros ramos ortotrópicos.
Figura 1. Ramificações do cafeeiro
Plagiotrópicos são os ramos laterais que crescem com inclinação entre 45º e 90° em relação ao ramo principal, ou seja, nascem e crescem na direção horizontal, perpendicularmente ao ramo ortotrópico, formando a copa do cafeeiro (Figura 1). Esses são os ramos produtivos, ou seja, onde serão formados os botões florais e, consequentemente, os frutos do cafeeiro. O ramo plagiotrópico também possui dois tipos de gemas, as “seriadas” e as “cabeça- de-série”. As gemas seriadas podem originar frutos e ramos plagiotrópicos de ordem secundária, já as gemas cabeça-de-série dão origem apenas aos ramos plagiotrópicos de ordem secundária. A gema formadora do ramo plagiotrópico é única, ou seja, jamais surge mais de um ramo plagiotrópico no mesmo lugar, dessa forma, se um ramo perecer, não nascerá outro no seu lugar.
A perda dos ramos plagiotrópicos decorrente da má condução da lavoura, ataque de pragas ou doenças, ou da ocorrência de secas ou geadas, favorece a incidência de luz no interior da copa da planta, estimulando, assim, as gemas seriadas adormecidas, induzindo a brotação de ramos ortotrópicos, denominados “ramos ladrões”, os quais crescem paralelamente ao tronco e competem com os ramos produtivos por luz, água e nutrientes (Figura 1). Nesse caso, é fundamental realizar a desbrota logo após a colheita e/ou poda para manter a copa homogênea e, assim, evitar a competição por fotoassimilados, bem como facilitar a colheita.
O café arábica leva 2 anos para completar o ciclo fenológico (Tabela 1).
No primeiro ano, durante os meses em que os dias se tornam mais longos (primavera e verão), ocorrem a vegetação e a formação das gemas florais, ou seja, são formados os ramos plagiotrópicos com as gemas vegetativas axilares nos nós do ramo ortotrópico. No outono, quando os dias começam a encurtar, e durante o inverno, período de dias mais curto do ano, as gemas vegetativas axilares são induzidas, por fotoperiodismo, em gemas produtivas.
Essas gemas amadurecem, entram em dormência e se tornam aptas para antese (abertura dos botões florais) logo após a ocorrência de irrigação ou de precipitação de no mínimo 10 mm.
O segundo ano fenológico começa com a florada, que acontece cerca de 10 a 15 dias após a ocorrência de precipitação (ou irrigação), seguida pela formação do “chumbinho” e a expansão dos grãos até atingir o tamanho final, com posterior granação (enchimento) e maturação dos frutos.
O cafeeiro possui sistema radicular pivotante, sendo que cerca de 90% das raízes se encontram nos primeiros 40 cm de profundidade do solo, mas também podem ser encontradas até 2 m de profundidade. O fruto é uma drupa ovoide e, quando maduro, pode apresentar exocarpo vermelho, amarelo ou vermelho-alaranjado, denominado cereja. A má-formação do fruto ou da semente pode ocasionar quatro tipos de anomalias:
1. “Moca” – um óvulo se desenvolve e o outro atrofia, formando uma única semente.
2. “Chocho” – os lóculos não se desenvolvem, tendo apenas vestígios dos óvulos ou sementes.
3. “Concha e parte interna” – dois ou mais óvulos se desenvolvem conjuntamente no mesmo lóculo do fruto, também denominado de “monstro”.
4. “Triângulo” – grão de formato triangular, que se desenvolve no fruto com três ou mais sementes.
Ressalta-se que, na tabela de equivalência de defeitos, os grãos “moca” e “triângulo” não são considerados defeitos que depreciam o tipo café.
O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por 45% da produção mundial, produzindo 47,71 milhões de sacas beneficiadas em 2021, sendo 31,4 milhões de café arábica (Coffea arabica L.). Em 2022 estima-se uma produção de café arábica de aproximadamente 29 sacas por hectare, o que representará um aumento de 10 % em relação à safra 2021, porém uma redução de aproximadamente 13% relativamente ao obtido na safra 2020, ano de bienalidade positiva, assim como 2022. Apesar de muitas lavouras apresentarem bom desenvolvimento vegetativo em função da boa distribuição hídrica e temperatura ocorridas a partir de outubro de 2021, esse decréscimo se deve aos reflexos das condições adversas, como estiagem prolongada e intensas geadas, registradas entre junho e setembro de 2021, período no qual o potencial produtivo da safra de 2022 foi estabelecido.
Essas adversidades climáticas ocorridas em algumas regiões, afetaram consideravelmente a viabilidade de “pegamento” dos chumbinhos, mesmo quando as primeiras floradas ocorreram em boa intensidade, pois essas adversidades climáticas propiciaram maiores abortamentos de frutos e, consequentemente, diminuição na expectativa de produtividade.O estado de Minas Gerais concentra a maior área de produção da espécie arábica, com 1.323,2 mil hectares, o que representa 72,8% da área cultivada no país. Desta forma, o estado é o maior produtor nacional, e responde por 20% da produção mundial. Quando considerada a cadeia produtiva do café, ela gera aproximadamente quatro milhões de empregos no estado, envolvendo desde a produção de insumos até o preparo para consumo. A cafeicultura gera divisas, renda e qualidade de vida para os mineiros envolvidos nessa atividade já que aproximadamente 600, entre os 853 municípios do estado, têm na cafeicultura sua principal atividade econômica. Minas Gerais tem quatro regiões cafeeiras que se destacam como as principais: Matas de Minas (Zona da Mata/Rio Doce), Sul de Minas (Sul/Sudoeste), Cerrado de Minas (Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba) e Chapada de Minas (Vale do Jequitinhonha/Mucuri).
As Matas de Minas se destacam por apresentar atualmente um expressivo aumento de área cultivada, bem como lavouras com bom vigor vegetativo, ou seja, bem enfolhadas, com bom aspecto nutricional e sem sinais de incidências relevantes de pragas e doenças, reflexo das chuvas abundantes na região a partir de outubro de 2021 e dos maiores cuidados com os tratos culturais em função dos bons preços de comercialização do café. Estima-se que a produtividade média em 2022 na região seja superior à de 2021 (ano de bienalidade negativa), mas sem alcançar o máximo potencial produtivo de ciclo de bienalidade positiva, pois a escassez pluviométrica no período anterior a florada associada as baixas reservas nutricionais e hídricas no momento das primeiras floradas, contribuíram para a má formação dos frutos e, consequentemente, queda do potencial produtivo.
Os cafés produzidos na região das Matas de Minas podem alcançar alta qualidade, uma vez que sua característica principal é o relevo montanhoso, cuja altitude varia desde 174 até 2.829 metros, sendo que 78% das áreas da região estão compreendidas entre a altitude de 400 e 1.000 metros. Abaixo de 400 metros encontra-se 13% da área e as maiores altitudes, acima de 1.000 metros, encontradas principalmente nas serras do Brigadeiro e do Caparaó, representam 9% da área total. Tal característica faz com que a altitude média da região seja de 697 metros, o que proporciona temperaturas mais amenas à região. Tais características, favorecem a produção de cafés de qualidade com atributos e diversidade de sabores, que tem garantido prêmios em concursos nacionais e internacionais.
Ressalta-se que a temperatura é uma das características mais marcantes, dentre todos os elementos climáticos que caracterizam o clima da região, o qual é considerado como temperado úmido, favorável a formação de neblina, com inverno seco e verão ameno no qual a temperatura média do mês mais quente é inferior a 22 ºC e durante pelo menos quatro meses é superior a 10 ºC. Tais características são de relevante importância no ciclo do cafeeiro, e consequentemente, na qualidade final do produto.
O Sul de Minas apresenta clima e relevo favoráveis a cafeicultura, com temperaturas amenas, que variam entre 18 ºC e 20 ºC, e altitudes elevadas de até 1.400 metros, sujeito a geadas, com moderada deficiência hídrica. Nessa região uma parte da Serra da Mantiqueira que fica no estado se destaca pelos vários prêmios obtidos na produção de cafés de qualidade, raros e surpreendentes devido ao terroir e a tradição da produção artesanal herdada por gerações.
O Cerrado Mineiro que é formado por municípios ao longo do Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro, Alto São Francisco, Noroeste e Norte de Minas; apresenta clima mais seco durante na época da colheita, o que contribui para qualidade final do grão. O relevo é representado por áreas de altiplano, com altitude que variam de 820 m a 1.100 m, e o clima caracterizado como ameno sujeito a geadas de baixa intensidade.
A Chapada de Minas é uma região que compreende as áreas geográficas delimitadas, por parte das regiões do Jequitinhonha, Alto Jequitinhonha, Nortee Minas, Mucuri e Rio Doce. De grande extensão territorial, apresenta relevo de Planalto com altitude média de 850 metros e áreas de espigão elevado, com altitude de até 1.099 m, isentas de geada, com baixo índice de insolação.
A temperatura é amena, e mais de 70% da área plantada são aptas a mecanização, sendo suas características ideais para o cultivo do café arábica.
De modo geral o estado tem vocação para a cafeicultura, sendo que suas quatro principais regiões produtoras apresentam características climáticas que favorecem a produção do grão. Todavia, não se pode esquecer que a adoção correta das tecnologias pelo produtor é primordial para assegurar a máxima produtividade e qualidade no processo produtivo. O cafeeiro é uma planta perene, e erros na sua implantação acarretarão prejuízos ao longo de todo o ciclo de vida da cultura. Cerca de 90% dos erros encontrados nos cafezais são, geralmente, provenientes de mudas malformadas e implantação incorreta da lavoura. Assim, para formar e explorar o cafezal com rendimentos compensadores, é prudente e recomendável o máximo de atenção, já que os bons resultados desejados pelo produtor não são apenas nos aspectos produtivos, mas também nos econômicos.