segunda-feira, 15 de maio de 2017

Produção de Sementes de Algodão

Sementes

O produtor que adquire uma semente de qualidade deve esperar que o seu plantio resulte na reprodução das características especificadas pela descrição da cultivar, com o máximo de uniformidade.
O controle de qualidade das sementes é regulamentado pelo Governo Federal em legislação específica que trata do comércio e fiscalização de sementes e mudas.
A legislação brasileira recente permitiu a implantação, em todo o país, de sementes certificadas. A produção de sementes envolve diferentes entidades, responsáveis pelas sucessivas etapas que resultam na disponibilização das sementes aos produtores.
Abaixo, são descritos os papéis das diferentes entidades envolvidas na produção de sementes como segue:

Entidade certificadora

É considerada entidade certificadora o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ou pessoa jurídica por este credenciada para executar a certificação de sementes e mudas. Essa entidade pode produzir a semente certificada. Entretanto, esse papel vem sendo desempenhado pelo setor privado, por meio de contratos estabelecidos entre o obtentor da cultivar e uma entidade produtora.

Entidade produtora

Pode ser do setor público ou privado. Caracteriza-se por ser responsável pelo nível de qualidade constante do certificado. Quem emite o certificado, de acordo com as análises realizadas, é a entidade certificadora; porém, quem se responsabiliza perante o cliente consumidor pelo que consta no certificado é a entidade produtora.

Cooperante

É o indivíduo em cuja área agrícola são produzidas as sementes. Quando a entidade produtora não dispõe de área suficiente para produzir toda a semente a que se propõe, faz contratos específicos com outros produtores para este fim.
No Cerrado brasileiro, para a produção de sementes de algodão, normalmente, a entidade produtora é também cooperante, uma vez que produz as sementes em sua própria área agrícola.

Classes de Sementes

A semente certificada é o resultado de um material vegetal, de cujas características genéticas os atores envolvidos no processo produtivo têm pleno conhecimento. Para que se produza a semente certificada, o ponto de partida é uma pequena quantidade de sementes de determinada cultivar, obtida pelo melhoramento genético ou da multiplicação das sementes de uma cultivar já existente, sob condições rigorosamente controladas (Carvalho & Nakagawa, 1980).
Essa pequena quantidade de sementes, ao ser multiplicada, resulta no aparecimento de algumas classes intermediárias, até se alcançar o nível de semente certificada:
  1. Semente Genética: material de reprodução obtido a partir de processo de melhoramento de plantas, sob a responsabilidade e controle direto do seu obtentor ou introdutor, mantidas as suas características de identidade e pureza genéticas. É produzida sob responsabilidade do melhorista. A partir desta, é produzida a semente básica.
  2. Semente Básica: material obtido da reprodução de semente genética, realizada de forma a garantir sua identidade genética e sua pureza varietal. Resulta da multiplicação da semente genética, produzida sob a responsabilidade do obtentor ou de uma instituição por ele autorizada. Em geral, é a partir desta classe que se produz a certificada.
  3. Semente Certificada de Primeira Geração (C1): material de reprodução vegetal resultante da reprodução da semente básica ou da semente genética. Resulta da multiplicação da semente básica, mantendo sua pureza varietal e identidade genética e produzida sob controle da entidade certificadora.
  4. Semente Certificada de Segunda Geração (C2): material de reprodução vegetal resultante da reprodução da semente genética, da semente básica ou da semente certificada de primeira geração. É produzida pela entidade produtora de acordo com normas estabelecidas pela entidade certificadora.
  5. Semente S1 e Semente S2:  referem-se, respectivamente, às sementes de primeira e de segunda geração da classe não certificada, com origem genética comprovada. Quando não houver tecnologia disponível para a produção de sementes genéticas da espécie, o MAPA poderá permitir a produção de “Semente S1" e "Semente S2" sem comprovação de origem genética.

Estabelecimento de campo para produção de sementes

O estabelecimento de um campo de produção de sementes requer uma série de medidas, cujo objetivo principal é evitar que as sementes sofram contaminação genética ou varietal durante qualquer uma das fases do processo produtivo. As principais medidas a serem tomadas visando a produção de sementes são:
  1. Definição da cultivar.
  2. Registro do produtor ou contrato firmado com o obtentor da cultivar.
  3. Escolha da área.
  4. Isolamento dos campos de produção; e
  5. Purificação ou "roguing".

Cuidados a serem tomados no processo de produção de sementes de algodoeiro

Taxa de cruzamento natural: também conhecida como taxa de alogamia. É considerada bastante baixa no Cerrado, em função da baixa população de abelhas silvestres, grande extensão de lavouras comerciais e alta frequência de aplicação de inseticidas que provocam a morte de insetos polinizadores. Esta taxa varia de 0% a 15% no Estado de Mato Grosso.
Misturas mecânicas: podem ocorrer durante as operações de plantio, colheita e armazenamento, beneficiamento, ensacamento e deslintamento. Devem ser tomadas medidas preventivas visando evitar as misturas, destacando-se entre estas: evitar o plantio de algodão em área previamente plantada com algodão; passar corrente de ar com uso de compressor pelos fusos da colheitadeira e dutos da algodoeira; limpar as máquinas entre o beneficiamento de uma cultivar e outra; eliminar uma pequena parte do material beneficiado após a mudança de cultivar.
Degeneração genética natural: fenômeno que ocorre de forma natural, principalmente quando a cultivar é derivada de hibridação interespecífica. Para minimizar tal problema, deve-se evitar o plantio sucessivo de algodão em uma mesma área e isolar os campos de produção de sementes.
O isolamento de um campo de produção de sementes de algodão deve levar em consideração as seguintes distâncias entre campos cultivados com diferentes variedades:

Isolamento de campos para produção de sementes básica, certificada, S1 e S2

250 metros entre cultivares diferentes;
800 metros entre espécies diferentes.

Inspeções no campo

O objetivo das inspeções nos campos de produção de sementes é comparar a qualidade dos mesmos, com os padrões de lavoura recomendados oficialmente (Tabela 1). Estas inspeções visam assegurar que as sementes não estejam contaminadas, física ou geneticamente além dos limites tolerados (Vieira & Beltrão, 1999).
Os campos de produção de sementes de algodoeiro devem ser inspecionados, pelo menos, duas vezes visando confirmar os padrões de isolamento, presença e incidência de plantas fora do padrão, de plantas de outras espécies, raças e cultivares, ervas daninhas proibidas e doenças, entre outros. Os estádios fenológicos onde as inspeções devem ocorrer são os seguintes:
Pré-floração: compreendido o período de crescimento vegetativo que precede o florescimento;
Floração: período em que as flores estão abertas, o estigma receptivo e a antera liberando pólen. Para fins de inspeção, 5% ou mais de plantas florescidas, caracteriza o período de floração;
Pré-colheita: quando 50% das maçãs encontram-se abertas, as sementes se aproximam da maturação fisiológica e estão completamente formadas. É possível que, inspeções posteriores, sejam necessárias.
Tabela 1. Padrões oficiais mínimos de sementes exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Fatores de Qualidade
Níveis de tolerância
Básica
Certificada 1
Certificada 2
Germinação
70%
75%
75%
Pureza
98%
98%
98%
Outras espécies cultivadas/350g1
zero
1
1
Outras espécies de algodão2
zero
zero
zero
Sementes silvestres
Sementes nocivas toleradas/1000
1
1
2
2
2
2
Sementes nocivas proibidas/1000
Presença adventícia de OGM em semente convencional3
Zero

1%
Zero

1%
Zero

1%
Plantas atípicas (inclusive algodão árboreo

1/10.000

1/2.000

1/1.000
Fonte: MAPA.
1Esta determinação de Outras Sementes por Número em Teste Reduzido Limitado será realizada em conjunto com a análise de pureza.
2Esta identificação resulta da prática do “roguing” que deverá ser realizada antes da floração.
3 É obrigatória a análise qualitativa para a detecção da presença de Organismos Geneticamente Modificados - OGM nos lotes de sementes de cultivares convencionais. Constatada a presença, será obrigatória a determinação quantitativa, tolerando-se o índice máximo de 1% (um por cento).
Existem, também, padrões de sanidade de sementes de algodão definidos por uma comissão que trata desse assunto em nível nacional (Tabela 2)
Tabela 2. Proposta de padrões de tolerância de patógenos em sementes de algodoeiro.  
Patógenos
Classes de sementes
Básica
Certificada1
Certificada2
C. gossypii var. cephalosporioides
0
0
0
Fusarium oxysporum f. sp vasinfectum
0
0
0
Xanthomonas axonopodis pv.malvacearum
0
0
0
Fonte: Menten (1997).

Qualidade física e fisiológica das sementes

Para cultivos altamente tecnificados, como aqueles conduzidos em regime de irrigação, a qualidade da semente é de fundamental importância, pois a utilização de sementes de alta qualidade pode prevenir problemas na lavoura e prejuízos financeiros decorrentes de desuniformidade e falhas na emergência. Fracassos em algodoais nas várias regiões produtoras do país são frequentes, por causa, principalmente, da utilização de sementes de origem e qualidade desconhecidas.
O uso de sementes de elevada qualidade possibilita a obtenção de estande uniforme, com plantas vigorosas e sadias, aumentando significativamente a chance de sucesso das operações e práticas culturais durante o ciclo da cultura.

Vantagens do uso de sementes de elevada qualidade

O bom desempenho das plântulas sob condições desfavoráveis é a principal vantagem quando são oriundas de sementes vigorosas, entre outras arroladas a seguir:
  • Maior resistência das plântulas às pragas e doenças iniciais.
  • Estabelecimento mais rápido de um estande uniforme, que contribui para maior precocidade das plantas.
  • As plântulas são mais tolerantes ao estresse hídrico inicial.
  • As necessidades de replantio são significativamente reduzidas.
  • A quantidade de sementes por área é menor.
  • A emergência é mais rápida e o crescimento do sistema radicular, mais vigoroso.

Critérios para controle de qualidade

A análise de sementes é essencial para o controle da qualidade na comercialização, sendo esta realizada em laboratórios oficiais credenciados.
Para a avaliação de um lote de sementes, analisa-se uma pequena amostra, extrapolando-se o resultado para o lote em questão. É importante que a amostra seja representativa do lote analisado, que deve ser homogêneo, a fim de expressar sua real qualidade.

Análise de pureza

A pureza diz respeito à composição física de um lote de sementes, demonstrando a limpeza do campo de produção e a eficiência da colheita e do beneficiamento. É feita em laboratório, com base nas metodologias prescritas nas Regras para Análise de Sementes, e separam-se na amostra os seguintes componentes:
  • Sementes puras: sementes pertencentes à cultivar em análise.
  • Outras sementes: sementes de outras cultivares ou espécies.
  • Material inerte: tudo o que não é semente e está presente na amostra.
O grau de pureza da amostra analisada deve ser, no mínimo, de 98%.

Teste de germinação

O principal atributo da qualidade fisiológica de qualquer lote de semente é a porcentagem de germinação, que representa a capacidade da semente em dar origem a uma plântula normal e sadia.
A porcentagem de germinação é determinada por meio do teste de germinação, com o objetivo de avaliar as sementes tanto para fins de plantio como para comercialização.
As sementes usadas no teste de germinação são originadas da fração “semente pura” e devem ser contadas sem discriminação quanto ao tamanho e aparência.
O prazo para a avaliação da germinação é de 2 semanas, sendo a primeira e segunda contagens com 7 e 14 dias; é quando as plântulas são avaliadas.
O poder germinativo das amostras testadas é a média da porcentagem das plântulas normais, presentes em 4 ou 8 repetições. Considera-se uma plântula normal aquela que apresenta características indicativas de sua capacidade de, sob condições favoráveis, crescer e se transformar em planta normal.
O potencial de germinação das amostras testadas pode ser avaliado pelo próprio cotonicultor por meio de testes de emergência no campo ou em areia.
No teste de areia, que é o mais simples, para cada amostra, utilizam-se 4 repetições de 50 sementes cada uma, que devem ser semeadas em caixas de madeira, de 22 cm x 30 cm x 10 cm, contendo cerca de 4 kg de solo de textura média. Devem-se fazer 5 sulcos em cada uma e colocar 10 sementes por sulco. A quantidade de água a ser aplicada nas caixas de solo deve ser controlada para evitar encharcamento. Em geral, de 7 a 10 dias após a semeadura, dependendo da temperatura ambiental, ocorre a germinação quando se realiza a contagem das plântulas emergidas, ou seja, aquelas cujas partes aéreas se apresentarem normais.
O resultado do teste de germinação da amostra analisada deve ser de pelo menos 80%, com um mínimo admissível de 75%.

Grau de umidade

O objetivo desta análise é determinar o teor de água nas sementes por métodos adequados em análises de rotina, que se baseiam na perda de massa das sementes secas em estufa.
A determinação deste critério é importante, porque o teor de umidade das sementes afeta diversos processos biológicos. Se a semente for armazenada com teor de umidade superior ao ideal, pode ocorrer o desenvolvimento de fungos e outros microrganismos, inclusive a indução de sua germinação.
O teor de água máximo tolerável para a amostra de sementes de algodão é de 12%, pois favorece a manutenção da germinação e possibilita a conservação das sementes em ambiente aberto, durante 6 a 8 meses, podendo acarretar nesta faixa ataque de insetos.

1. INTRODUÇÃO
O algodoeiro é um importante componente do sistema de produção, permitindo a rotação de culturas com soja e milho, sendo uma das fibras vegetais cultivadas mais antigas do mundo (EMBRAPA AGROPECUÁRIA OESTE).
As sementes são produzidas por produtores e empresas especializadas. A semente é um pacote cujo conteúdo são todos os genes que caracterizam a espécie e a cultivar. Se uma cultivar é eleita pela pesquisa e pelo consenso dos produtores, é porque seu comportamento é o melhor possível para as condições de clima, solo e de tecnologia agrícola da região, e as características de seus produtos são as mais aceitas. Consequentemente, o patrimônio genético desta cultivar, tem que ser protegido.
Ao desenvolver uma nova cultivar de algodão, o melhorista coloca todo o seu trabalho à disposição do consumidor final da semente, o cotonicultor. Seja para um rendimento maior, para resistência a determinadas doenças ou pragas ou outras características que tragam benefícios (EMBRAPA ALGODÃO).
Para garantir aos agricultores em qualidade e em quantidade suficiente de sementes, há um grupo formado por produtores, responsáveis por multiplicarem a trabalho realizado pelo melhorista. Os produtores de semente tem se organizado cada vez mais, no que se diz respeito a controle de qualidade e sistemas de avaliação, com o intuito de melhorar a qualidade do produto final.
A produção de sementes de algodão no Brasil vem se ampliando a cada ano visando, sobretudo, atender a expansão da área cultivada na região Centro-Oeste (GUERRA).
Este trabalho tem como objetivo conhecer os processos produtivos de um campo de sementes de algodão, assim como tomar conhecimentos da legislação e logística em torno desse processo.
2. ENTIDADES ENVOLVIDAS NO PROCESSO PRODUTIVO
2.1 ENTIDADE CERTIFICADORA
Desempenha diferentes papéis no processo de produção de sementes certificadas.
É responsável pelo programa de melhoramento genético, dos quais as novas cultivares são registradas, protegidas e recomendas aos produtores. A entidade certificadora também exerce papel fiscalizador de todas as etapas do processo produtivo, podendo aprovar ou rejeitar o trabalho de produção da semente.
Guerra, em seu trabalho de inspeção fitossanitária em campos de produção de sementes de algodão destaca a importância de inspeções regulares de caráter fiscalizatório nos campos de produção de sementes, ressaltando a melhoria dos padrões fitossanitários dos materiais disponibilizados aos produtores comerciais e conclui que as fiscalizações servem para conscientizar os produtores de sementes quanto à necessidade de atendimento às exigências de mercado.
2.2 ENTIDADE PRODUTORA
Pode ser do setor público ou privado, sendo responsável pelo nível de qualidade constante do certificado. O produtor de sementes deve estar inscrito no RENASEM, dispor de área para tal fim, possuir infra-estrutura, recursos humanos e equipamentos e instalações adequados à produção de sementes. Além de encaminhar o mapa de produção e comercialização de sementes e manter à disposição do órgão de fiscalização projeto técnico de produção, laudos de vistoria, controle de beneficiamento, atestado de origem genética e boletim de análise das sementes produzidas.
2.3 ENTIDADE COOPERANTE
É indivíduo em cuja área agrícola serão produzidas as sementes. Quando a entidade produtora não dispõe de área suficiente para produzir toda a semente a que se propõe, faz contratos específicos com outros produtores para esse fim.
3. SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE SEMENTES
O sistema de produção de sementes de sementes de algodão do Brasil prevê dois modelos de produção de sementes: o sistema de produção de semente fiscalizada e o sistema de produção de semente certificada.
O sistema de produção fiscalizada é menos rigoroso, com um controle e organização inicial, procurando selecionar e educar os produtores a fim de oferecer ao cotonicultor, uma semente de origem conhecida de produção controlada, a um custo mais acessível.
O sistema de produção de sementes certificadas divide-se em classes: i) Semente genética: é produzida sob responsabilidade do melhorista e mantida sob suas características de pureza genética. A partir desta é produzida a semente básica; i) Semente básica: produzida sob a responsabilidade do obtentor ou de uma instituição por ele autorizada. Em geral é a partir desta classe que se produz a certificada, dependendo da quantidade produzida; i) Semente fiscalizada: resulta da multiplicação da semente básica, certificada ou da própria fiscalizada, mantendo sua pureza varietal e identidade genética e produzida sob controle da entidade certificadora; iv) Semente certificada: resulta da multiplicação da semente básica, da registrada ou da própria certificada da categoria. É produzida pela entidade pela entidade produtora de acordo com as normas estabelecidas pela entidade certificadora. É a classe de semente que será disponibilizada aos produtores.
4. CUIDADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE SEMENTES
A EMBRAPA ALGODÃO cita alguns cuidados que o produtor de sementes deve ter conhecimento quanto ao manejo, isolamento de área e genético da cultura. i) taxa de cruzamento natural: também conhecida como alogamia. Considerada bastante baixa no cerrado devido a baixa população de abelhas silvestres e do uso constante de inseticidas, além de grandes extensões de lavouras cultivadas. Esta taxa varia de 0 a 15% no estado do Mato grosso; i) misturas mecânicas: podem ocorrer durante as operações de plantio, colheita, armazenamento, beneficiamento, ensacamento e deslintamento. Evitar plantios sucessivos de algodão numa mesma área, limpar máquinas entre beneficiamento de uma cultivar e outra, limpeza das colhedeiras e algodoeiras são algumas medidas preventivas que contribuem para a diminuição de misturas; i) degeneração genética natural: esse fenômeno ocorre de maneira natural, principalmente quando a cultivar é derivada de hibridação interespecífica. Evitar o plantio sucessivo de algodão e uma mesma área e isolar os campos de produção de sementes ajudam a minimizar esse problema; iv) o isolamento do campo de sementes de algodão deve levar em consideração as seguintes distâncias de acordo com a variedade: para campos de produção de sementes básica e certificada o isolamento da área deve ser de 50 metros quando houver barreira vegetal e de
800 metros quando não houver barreira vegetal. Já para o isolamento de campos de produção de sementes fiscalizada a distância ideal do isolamento é de 30 metros quando houver barreira vegetal e de 500 metros quando essa barreira vegetal não existir.
5. ESTABELECIMENTO DE CAMPO PARA PRODUÇÃO DE SEMENTES
O estabelecimento de um campo de produção de sementes requer uma série de medidas, cujo objetivo principal é evitar que as sementes sofram contaminação genética ou varietal durante qualquer uma das fases do processo produtivo. A EMBRAPA ALGODÃO cita medidas primordiais a serem tomadas visando a produção de sementes: i) definição da cultivar: as sementes deve ter pureza genética, origem e classe conhecida, ser livre de doenças e com alta germinação e vigor; i) registro do produtor ou contrato firmado com obtentor da cultivar; i) escolha da área: histórico do campo e da região, regime de chuvas, espécies ou cultivares produzidos anteriormente, plantas daninhas, pragas e doenças existentes, condições de fertilidade são alguns fatores a serem considerados na escolha da área; iv) Isolamento dos campos de produção: contribui para evitar a contaminação genética e varietal; v) purificação ou “roguing”: consiste na retirada de plantas indesejáveis que possam polinizar, produzir sementes que causem contaminação mecânica na colheita, plantas daninhas de difícil controle químico e plantas doentes.
6. PROCESSAMENTO E ARMAZENAMENTO
O processamento de sementes de algodão envolve etapas diferenciadas como o descaroçamento e deslintamento, além do armazenamento temporário no campo, que podem causar danos mecânicos e efeitos imediatos e latentes na sua qualidade (SILVA et al, 2006). De uma maneira geral, o roteiro seguido das sementes do campo até a usina consiste na colheita, armazenamento temporário por um mês no campo, transporte, armazenamento temporário por três meses na usina em forma de tulhas, transporte e beneficiamento em descaroçadores de serra ou de rolo, além é claro do processo de deslintamento das sementes que são armazenadas até a próxima semeadura.
Durante o armazenamento temporário, o línter presente nas sementes de algodão pode ser um importante veículo de disseminação de patógenos, que pode comprometer o sucesso da cultura. O línter também favorece a presença de fungos saprófitas que podem dificultar a detecção de microorganismos importantes (LIMA et al., 1982 apud SILVA et al., 2006). Dessa forma o deslintamento melhora a qualidade fisiológica das sementes por reduzir os microorganismos que se encontram na superfície das sementes.
Silva et al. (2006), em um trabalho que observaram o desempenho das sementes de algodão após o processamento e armazenamento submeteram as sementes ao deslintamento químico utilizando ácido sulfúrico concentrado na dose de 0,15L por quilo de semente por três minutos e depois lavadas com água corrente e neutralizadas com solução de carbonato de sódio, na proporção de 1kg de carbonato de sódio para cada 10L de água.
Após o deslintamento e a classificação, as sementes são embaladas em sacaria de papel e armazenadas, aguardando a próxima semeadura. O Serviço de Produção de Sementes Básicas da Embrapa Algodão, em Campina Grande-PB, recomenda o armazenamento das sementes de algodão por no máximo oito meses, nas condições ambientais e com teor de umidade abaixo dos 10%.
No trabalho realizado por SILVA et al. o armazenamento temporário das sementes de algodão em fardo no campo, por até 85 dias, não causa perda imediata da qualidade das sementes e completam que a porcentagem de germinação mantém-se dentro do padrão para o comércio por até seis meses após a colheita.
Fonte: EMBRAPA

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