sábado, 12 de maio de 2018

Eucalipto no Sistema Agroflorestal

Considerações gerais

No Brasil, diversas políticas governamentais têm como objetivo encorajar ações de desenvolvimento sócio-econômico atreladas às questões de proteção e de sustentabilidade ambiental. Dentro desse contexto, a adoção de sistemas agroflorestais (SAFs) se justifica pela necessidade de associar a produção agropecuária com serviços ambientais, tais como sequestro de carbono, aumento de estoque e qualidade de água, conservação do solo, diminuição da erosão, e aumento da biodiversidade dos sistemas produtivos.
Devido ao caráter de múltiplo uso, os sistemas agroflorestais, nas suas diferentes modalidades, constituem-se em alternativas econômicas, ecológicas e sociais viáveis para o fortalecimento da agricultura. Consequentemente, promovem uma série de benefícios como aumentos da produção, do nível de emprego e da renda dos produtores rurais, sempre primando pelo desenvolvimento sustentável, ou seja, pela produção com respeito ao ambiente.
Nos SAFs, árvores e arbustos são cultivados de forma interativa com cultivos agrícolas, pastagens e/ou animais, visando a múltiplos propósitos, constituindo-se numa opção viável para melhor utilização do solo, para reverter os processos de degradação dos recursos naturais, para aumentar a disponibilidade de madeira, de alimentos e de serviços ambientais. Esses sistemas são classificados de acordo com a natureza e arranjo de seus componentes, podendo ser assim denominados: Silviagrícolas, aqueles constituídos de árvores e/ou de arbustos com culturas agrícolas; Silvipastoris, cultivos de árvores e/ou de arbustos com pastagens e animais; e Agrossilvipastoris, cultivo de árvores e/ou arbustos com culturas agrícolas, pastagens e animais.
Uma desvantagem aparente da introdução do eucalipto em pastagens é a necessidade de se isolar a área plantada, por um período mínimo de um a dois anos. Há trabalhos, no entanto, que mostram que dependendo da espécie de eucalipto e do solo onde o sistema esteja sendo implantado, no início do segundo ano os animais já podem entrar na área. Além disso, há situações onde a pastagem necessita ser reformada, quando normalmente os animais são retirados da área para permitir essa operação. Em áreas onde a pastagem ainda não foi implantada, pode-se associar a espécie florestal com culturas agrícolas nos primeiros anos.
Na utilização de culturas agrícolas na fase inicial dos plantios florestais - sistemas silviagrícolas - diversos estudos mostram que as receitas obtidas da colheita das culturas agrícolas nas entrelinhas do plantio florestal (aveia, soja, sorgo e milho), pelo período de um a dois anos, contribuem parcialmente para cobrir o investimento feito pelo produtor na implantação e manutenção do empreendimento florestal (PASSOS et al., 1992; SCHREINER, 1994; RIBASKI et al., 2005).
Com relação à entrada dos animais nos sistemas silvipastoris, esta precisa ser planejada desde o momento do seu estabelecimento e ao longo de seu desenvolvimento. É necessário que se possua informações técnicas pormenorizadas de cada um dos componentes do sistema e que sejam observadas suas características particulares, para que se possa fazer ajustes.
Resultados de pesquisa mostram que existe uma interação negativa entre a intensidade de danos às árvores provocados pelos animais e a altura média da floresta e que isto está correlacionado, também, com o tamanho e idade dos animais. Assim, em povoamentos jovens recomenda-se o pastejo com animais leves e carga animal adequada em função do nível de ganho em produto animal a atingir (SILVA et al., 2001).
A partir de um bom planejamento e tomadas de decisões corretas, é possível integrar as atividades florestal e de pecuária com benefícios econômicos e ambientais. O sucesso dessa integração está alicerçado no equilíbrio da exploração dos recursos naturais pelos três principais componentes bióticos deste sistema: a árvore, a pastagem e o animal ruminante. Quando as interações são equilibradas, desde o seu estabelecimento até a colheita final dos produtos, possibilitando a produção simultânea dos componentes arbóreo, forrageiro e animal, então temos um sistema socioeconomicamente viável. Contudo, ainda é comum verificar, em condições de propriedades rurais, dificuldades no estabelecimento deste manejo equilibrado entre os componentes. Isso determina que muitos empreendimentos realizem uma integração temporária, isto é, apenas até o momento em que a árvore limite o crescimento da pastagem e a oferta de forragem (VARELLA et al., 2008).
Por outro lado, em regiões com pouca tradição florestal, existe a necessidade de introduzir um novo conceito, o de produtor florestal, que requer o desenvolvimento e a viabilização de tecnologias para obter produtos de qualidade, diversificados e competitivos. Da mesma forma, a agregação de valor só vai acontecer na medida em que o produtor se especializar no manejo e condução dos povoamentos florestais, com desbastes e podas planejadas, no processo do beneficiamento da madeira e de outros produtos agroflorestais.
Normalmente, os sistemas silvipastoris superam as atividades conduzidas na forma de monoculturas. Entretanto, dentro da cadeia produtiva, as estratégias destes empreendimentos devem incluir economia de escala e valores agregados a madeira produzida. Desta forma, fomentar a conversão de áreas de pastagens em sistemas silvipastoris usando espécies de rápido crescimento, como as do gênero Eucalyptus, entre outras, poderá ser um importante diferencial competitivo do agronegócio brasileiro, tanto para o setor pecuário quanto para o setor de base florestal, uma vez que estes sistemas apresentam a possibilidade de geração de emprego e incremento da renda com maior eficiência que a pecuária extensiva e, consequentemente, maior tendência para oferecer a sustentabilidade social e econômica.

Silvicultura das espécies de Eucalyptus

A silvicultura, baseada nas espécies do gênero Eucalyptus, estimulada pelos incentivos fiscais, tornou o setor florestal fortemente competitivo, principalmente pelo segmento de florestas plantadas. Entretanto, a atividade florestal ainda apresenta algumas restrições para médios e pequenos produtores, principalmente, por problemas de fluxo de caixa e longos períodos de investimento. Todavia, esse comportamento vem mudando por meio da possibilidade da utilização de sistemas agroflorestais, que permite a diversificação de produtos florestais e agrícolas na mesma unidade de área, e geração de renda e de empregos.
Os plantios tradicionais de eucalipto são representados por densos maciços florestais, plantados em espaçamentos regulares e normalmente com uma única espécie. Entretanto, nas propriedades rurais, além dessa possibilidade de plantio, as árvores também podem ser plantadas de forma integrada com as atividades agrícola e pecuária ou, ainda, como prestadoras de serviços como quebra-ventos, cercas vivas, proteção de animais sem, no entanto, desconsiderar o seu potencial para gerar produtos econômicos.
O plantio de árvores em áreas de pastagens e/ou de culturas agrícolas pode resultar em vários benefícios para os componentes do ecossistema: clima, solo, micro-organismos, plantas e animais. Dessa forma, o produtor rural, além de garantir condições ambientais mais propícias para suas pastagens e criações, garante também um suprimento de madeira (para uso próprio ou comércio), sem que para isso tenha que abandonar sua vocação agrícola ou pecuária.
Na análise de um sistema agrossilvipastoril com eucalipto na região do Cerrado de Minas Gerais, Oliveira et al. (2000) concluíram que implantar o sistema em consórcio de eucalipto com arroz, soja e pastagens é uma opção viável economicamente, desde que, pelo menos 5% da madeira produzida seja usada para serraria e a madeira restante seja usada para energia ou para outro fim que alcance valor igual ou mais alto no mercado.

Microclima

Nos sistemas agroflorestais, a presença do componente arbóreo contribui para regular a temperatura do ar, reduzindo sua variação ao longo do dia, ou seja, faz com que haja redução dos extremos climáticos, amenizando o calor ou o frio e, consequentemente, tornando o ambiente mais estável, o que traz benefícios às plantas e aos animais componentes desses sistemas.
O microclima existente debaixo da copa das árvores beneficia os animais domésticos, mantendo-os confortáveis à sombra, ao contrário da exposição à insolação direta ou às baixas temperaturas do inverno (MONTOYA e BAGGIO, 1992; PORFÍRIO-DA-SILVA, 1994). Esse é um aspecto importante, pois melhora o índice de conforto térmico para os animais e, consequentemente, produz reflexos positivos sobre a sua produtividade e reprodução.
Na criação de bovinos, a existência de sombra é uma condição favorável para amenizar o estresse pelo calor e frio, aumentar o período de ruminação e descanso, com nítidos efeitos sobre o desempenho animal. Kurtz e Pavetti (2006), ao avaliarem comparativamente o comportamento animal em sistemas de produção pecuária a céu aberto e com sistemas silvipastoris com espécies dos gêneros Pinus e Eucalyptus, na Argentina, constataram efeitos benéficos da sombra sobre o gado, traduzidos por maior tempo dedicado ao pastoreio, maior consumo de alimento, menor requerimento de água, etc.
Avaliações de desempenho animal e da pastagem em sub-bosque de eucalipto realizadas em sistemas silvipastoris evidenciam o grande potencial de produção destes sistemas, observando-se melhoria da qualidade da pastagem sombreada (CARVALHO, 1998; RIBASKI et al., 2003) bem como ganhos de peso dos animais (SILVA e SAIBRO, 1998; VARELLA, 1997). Além disso, a presença do componente arbóreo em sistemas silvipastoris contribui para reduzir os danos provocados por geadas na pastagem (PORFÍRIO-DA-SILVA, 1994; CARVALHO, 1998).

Espaçamentos e densidades

Nos sistemas agroflorestais, normalmente são usadas menores densidades de plantio e diferentes arranjos espaciais das espécies florestais em campo. Plantios mais adensados resultam na produção de um elevado número de árvores com pequenos diâmetros, as quais normalmente são utilizadas para fins menos nobres como lenha, carvão, celulose, engradados e estacas para cercas. Espaçamentos amplos resultam em um número menor de plantas por unidade de área, tornando mais fácil o acesso de máquinas para o plantio e tratos culturais. Facilitam também a retirada da madeira e empregam menos mão-de-obra, além de permitirem a produção de madeira de melhor valor comercial (postes, vigas, esteios e serraria). Como desvantagens, há maior necessidade de tratos culturais e menor desrama natural.
Na produção de madeira de alta qualidade, para serraria, é necessário que os espaços entre as plantas sejam superiores ao normal. Práticas de manejo em eucalipto, caracterizadas por espaçamentos iniciais largos, desbastes precoces e pesados e podas altas, revelam-se superiores aos tradicionais, com a produção de madeira de boa qualidade, com bons resultados econômicos (RIBASKI, 2007). Além disso, permite a penetração de altos níveis de radiação no sub-bosque o que, por sua vez, favorece o desenvolvimento satisfatório de outras espécies, possibilitando a integração das atividades agrícola, florestal e pecuária em um sistema de produção misto.
Dentro desse contexto, uma das decisões mais importantes no estabelecimento de sistemas silvipastoris, por exemplo, é a definição do espaçamento e arranjos de árvores. Esta decisão determinará a condição do ambiente luminoso para o crescimento das forrageiras desde o plantio até a colheita das árvores. Quanto maior o espaçamento entre as linhas das árvores (renques), maior será a penetração de radiação no substrato forrageiro, favorecendo o acúmulo de biomassa. Entretanto, o espaçamento entre os renques não pode ser excessivo, a ponto de comprometer a quantidade e a qualidade do produto florestal por área e a cobertura arbórea desejada para a proteção dos animais e da pastagem.
A pesquisa científica vem estudando, nos últimos anos, o efeito de diferentes densidades de árvores em sistemas silvipastoris, principalmente no Sul do Brasil. No Rio Grande do Sul, por exemplo, áreas de estudo silvipastoril foram implantadas em arranjos de fileiras simples de árvores (eucalipto e acácia-negra) com diferentes espaçamentos: 3 x 2; 3 x 3; 3,5 x 3,5; 5 x 5; 6 x 2; 7 x 7; 9 x 3, 10 x 2, 15 x 3 e 12 x 2 m (VARELLA e SAIBRO, 1999; CASTILHOS et al., 2003; SILVA e BARRO, 2005). Outros espaçamentos com eucalipto e acácia-negra também vêm sendo utilizados em estudos no extremo sul do Brasil, testando fileiras duplas ou triplas de árvores (RIBASKI et al., 2005; VARELLA, 2008).
Em estudo realizado no município de Alegrete,RS, com Eucalyptus grandis, observou-se que o sistema silvipastoril com 1.000 árvores/ha-¹, composto por linhas triplas (3 x 1,5) x 14 m (largura do corredor para a pastagem), apresentou uma disponibilidade de radiação média de 30% sob eucalipto em relação ao pleno sol (Figura 1). Já nos sistemas menos adensados, com linhas triplas de (3 x 1,5) x 34 m (500 árvores/ha-¹), a disponibilidade de radiação média na entrelinha foi de aproximadamente 65% sob eucalipto em relação ao pleno sol. A presença da vegetação nativa nas entrelinhas foi crescente à medida que o ambiente luminoso ficou favorável às condições de fotossíntese. A densidade de árvores que mais favoreceu o crescimento da pastagem nas entrelinhas foi de 500 árvores por hectare até os cinco anos de idade.
Foto: Jorge Ribaski
Figura 1. Sistema silvipastoril com Eucalyptus grandis (1.000 árvores/ha-¹), com dois anos de idade, no município de Alegrete, RS.
A manipulação da densidade arbórea em sistemas agrossilvipastoris é uma estratégia adotada para modificar a produção de biomassa dos outros componentes, pelo controle da competição intra e interespecífica. Para se obter níveis de iluminação mais adequados para o sub-bosque (50 a 60%) é indispensável a prática de podas e desbastes em momentos oportunos. Alguns estudos recomendam realizar desbaste pré-comercial ao terceiro/quarto ano, onde são retiradas as árvores com troncos retorcidos, bifurcados, com galhos grossos, em geral com má formação, defeituosos, árvores baixas, até obter a densidade desejada.

Conservação e proteção dos solos

Nos SAFs, as árvores também têm o potencial de melhorar os solos por diferentes processos. Em síntese, elas podem influenciar na quantidade e disponibilidade de nutrientes dentro da zona de atuação do sistema radicular das culturas consorciadas, principalmente pela possibilidade de recuperar nutrientes abaixo do sistema radicular das culturas agrícolas e pastagens e reduzir as perdas por lixiviação e erosão. Dessa maneira, a ciclagem de nutrientes minerais, em termos de sustentabilidade, é maior nos sistemas agroflorestais.
Em pastagens degradadas ou em início de degradação, a cobertura do solo é deficiente, portanto mais sujeita aos efeitos prejudiciais da erosão, tanto hídrica quanto eólica. A presença das árvores em sistemas silvipastoris produz efeitos importantes no que diz respeito à conservação dos solos e proteção contra a erosão.
Uma pesquisa desenvolvida em solos arenosos na região de Alegrete,RS, constatou-se que as perdas de solo, no período de julho a setembro de 2004 (42,9 mm de chuva), foram significativamente maiores na área cultivada com aveia e milho. Estas perdas foram da ordem de 359 kg/ha-¹ contra 42 kg/ha-¹ perdidos na área com pastagem nativa e, somente 18 kg/ha-¹ no sistema silvipastoril, com eucalipto (RIBASKI et al., 2005). Estes resultados comprovam a fragilidade desses solos e mostram a importância das árvores como elementos essenciais no processo de proteção dos mesmos.

Forrageiras

A presença do eucalipto (Corymbia citriodora), em um sistema silvipastoril com braquiária (Brachiaria brizantha) na região noroeste do Paraná, influenciou a disponibilidade de matéria seca e a qualidade da forragem produzida. Nos locais mais próximos das árvores, a produção de biomassa forrageira foi reduzida, porém apresentou melhor qualidade em termos nutricionais, em função do aumento dos teores de nitrogênio na matéria seca (RIBASKI et al., 2003). Dessa forma, o sistema silvipastoril mostrou-se potencialmente viável, principalmente em função de não apresentar diferença na quantidade de nitrogênio/ha-¹ (proteína bruta) disponível para os animais, em relação à testemunha (pastagem sem árvores) e pelo adicional de madeira produzido na área (204 m³/ha-¹).
A tolerância ao sombreamento é uma condição essencial em associações entre culturas agrícolas e pastagens com árvores e pode variar sensivelmente entre espécies. Algumas gramíneas crescem melhor debaixo da sombra da copa das árvores e produzem maior quantidade de forragem, além de possuírem melhor qualidade nutritiva (menor conteúdo de fibra e maior conteúdo de proteína bruta) quando comparadas às que crescem a pleno sol. Já outras não apresentam essa mesma tolerância nem plasticidade para se adaptar a ambientes com luminosidade reduzida.
A adaptação de espécies forrageiras para ambientes sombreados tem sido tema de pesquisa em diversas instituições do mundo. Avaliação e seleção de genótipos forrageiros são normalmente feitas em ambientes com sombra artificial (sob sombrites) ou natural (sob árvores) e comparada à produção a pleno sol. Resultados desses trabalhos têm confirmado a tolerância superior das espécies Brachiaria brizanthaB. decumbensPanicum maximum e Setaria sphacelata.
Outras forrageiras têm sido apontadas como medianamente tolerantes ao sombreamento, como Pennisetum purpureum (capim elefante), Hemarthria altissima (capim limpo), Paspalum notatum var. saurae(pensacola), Lolium multiflorum (azevém anual), Avena strigosa (aveia preta), etc. (STÜR, 1990; ANDRADE et al., 2002; PERI, 2002; GARCIA et al., 2003; CASTILHOS et al., 2003; LUCAS, 2004; BARRO, 2007).
Na Tabela 1 estão classificadas, segundo dados da literatura nacional e internacional, as espécies forrageiras quanto à sua produção potencial para uso em sistemas silvipastoris (SSP). Estas indicações servem de guia aos empreendedores rurais, mas deve-se resguardar das variações que podem ocorrer, dependendo do ambientes e das práticas de manejo aplicadas.
Tabela 1. Produção potencial de espécies forrageiras à sombra. Dados pesquisados na literatura nacional e internacional.
Espécies forrageiras com elevado potencial de produção em SSP
(40-60% sombreamento)
Espécies forrageiras com médio potencial de produção em SSP
(<40 o:p="" sombreamento="">
Axonupus catharinensis
Avena strigosa
Brachiaria brizantha cv. Marandu
Bromus catharticus
Brachiaria decumbens cv. Basilisk
Digitaria decumbens
Bromus auleticus
Hemarthria altissima cv. Florida
Dactylis glomerata
Lolium multiflorum
Digitaria diversinervis
Lotus corniculatus
Lotus pedunculatus cv. Maku
Medicago sativa
Panicum maximum cv. Aruana
Paspalum dilatatum
Panicum maximum cv. Mombaça
Paspalum notatum
Panicum maximum cv. Tanzânia
Trifolium repens
Paspalum conjugatum
Trifolium subterraneum
Paspalum regnelli
Trifolium vesiculosum




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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Sistemas de plantio para o Eucalipto


Considerações gerais

O plantio é uma das operações mais importantes para o sucesso da implantação de florestas. A adoção do sistema adequado requer uma definição clara de objetivos e usos potenciais dos produtos e subprodutos que se espera da floresta.
O sucesso de um plantio e a obtenção de povoamentos produtivos e com madeira de qualidade deve ser pautado por práticas silviculturais tais como: a escolha e limpeza da área, controle de pragas e doenças, definição do método de plantio e tratos culturais. 
O plantio se caracteriza pela colocação da muda no campo. Pode ser (a) mecanizado, ou semi mecanizado e (b) manual, dependendo da topografia, recursos financeiros e disponibilidade de mão-de-obra e/ou equipamentos.
  1. O plantio mecanizado ou semi-mecanizado aplica-se onde o relevo é plano, possibilitando o uso de plantadoras tracionadas por tratores. As plantadoras, normalmente, fazem o sulcamento, distribuem o adubo e efetivam o plantio. No sistema semi-mecanizado, as operações de preparo de solo e tratos culturais são mecanizadas e o plantio propriamente dito é manual. 
  2. O plantio manual é recomendado para áreas declivosas ou em situações onde não é viável o uso de máquinas agrícolas. 
Os plantios de eucaliptos realizados no Sul do Brasil, em sua maioria, adotam o sistema manual, em função da rusticidade da espécie, da disponibilidade de mão-de-obra e, em muitas situações, pelas condições de relevo. 
Alguns fatores importantes devem ser definidos previamente ao plantio propriamente dito, com destaque para o espaçamento de plantio, as operações de manejo, os tratos culturais e a adubação das mudas. Constituem-se operações básicas para a implantação de um maciço florestal o preparo de solo e o plantio.

Preparo do solo

Os principais tópicos associados ao preparo do solo são:
1. Planejamento do plantio
No planejamento definem-se as vias de acesso e o dimensionamento/posicionamento dos talhões, ações que facilitarão as operações de plantio, tratos culturais, operações de proteção, principalmente controle de fogo e as operações de retirada da madeira. 
Observe-se que o dimensionamento/posicionamento dos talhões assume importância estratégica, pois as operações de colheita (derrubada e retirada da madeira) são responsáveis por mais de 30% do custo da madeira produzida e colocada no pátio da fábrica.
2. Construção de estradas 
A construção das vias de acesso deve considerar a distância máxima do arraste ou transporte da madeira no interior da floresta, que por razões técnicas e econômicas não devem ultrapassar 150 m. Assim, os talhões devem ser dimensionados com a largura máxima de 300 m e com comprimento variando de 500 a 1.000 m. 
A definição do tamanho do talhão é importante também para a proteção da floresta em caso de incêndio. Por exemplo, em áreas declivosas, a distância de arraste não deve exceder 50 m. 
3. Aceiros
Os aceiros separam os talhões e servem de ligação às estradas de escoamento da produção. Podem ser internos (com largura de 4 a 5 m) ou de divisa (com largura de 15 m). A cada quatro ou cinco talhões recomenda-se ainda que se estabeleça aceiros internos de 10 m de largura. É desejável que os aceiros possuam leitos carroçáveis, com aproximadamente 60% da largura. 
A área total ocupada por aceiros, considerando áreas planas ou suavemente onduladas, deve ser da ordem de 5% da área útil.
4. Limpeza 
A limpeza da área para plantio corresponde às operações de derrubada, remoção e enleiramento da vegetação/resíduos da exploração. 
Na limpeza recomenda-se retirar apenas o material lenhoso aproveitável, como por exemplo, a lenha (energia ou carvão) e madeira para serraria, moirões etc., sendo que o restante do material, considerado como resíduo da exploração, deve permanecer no campo como uma importante reserva de nutrientes a ser reciclada.
Dependendo da densidade da vegetação a ser retirada e do relevo local (observe-se os aspectos legais), pode-se utilizar equipamentos e/ou máquinas pesadas. 
5. Preparo do solo propriamente dito 
As áreas destinadas ao cultivo de espécies florestais devem receber cuidados especiais, visto que delas dependerão, em grande parte, o resultado econômico da atividade. 
O principal objetivo do preparo da área é oferecer condições adequadas ao plantio e estabelecimento das mudas no campo. Como condições adequadas pode-se considerar a redução da competição por plantas daninhas, melhoria das condições físicas do solo (ausência de compactação) e a presença de resíduos da exploração (folhas e galhos devidamente trabalhados para não prejudicarem as operações que demandam uso de máquinas).
Estes resíduos são importantes na manutenção da matéria orgânica no solo e consequentemente na ciclagem e disponibilização de nutrientes às plantas. Alguns fatores importantes devem ser definidos antes do plantio propriamente dito, com destaque para o espaçamento de plantio e suas características.  
6. Espaçamento 
O espaçamento influenciará as taxas de crescimento, a qualidade da madeira produzida, a idade de corte, os desbastes, as práticas de manejo e consequentemente os custos de produção. 
O espaçamento ou densidade de plantio é provavelmente uma das principais técnicas de manejo que visa a qualidade e a produtividade da matéria-prima. Deve ser definido em função dos objetivos do plantio, considerando-se que a influência do espaçamento é mais expressiva no crescimento em diâmetro do que em altura.
O planejamento da densidade de plantio também deve visar à obtenção do máximo de retorno por área. Se, por um lado, a densidade for muito baixa, as árvores não aproveitarão todos os recursos como água, nutrientes e luz disponíveis e, por consequência, haverá menor produção por unidade de área. Mas, por outro lado, se a densidade de plantio for muito elevada, tais recursos não serão suficientes para atender a demanda do povoamento, o que também repercutirá no decréscimo de volume e na própria qualidade das árvores. 
Normalmente os plantios são feitos sob espaçamentos variando entre 3x1,5m, 3x2m, 3x2,5m, 2,5x2,5m e 3x3m, os quais favorecem os tratos culturais mecânicos.
Empresas integradas destinam a madeira dos primeiros desbastes para energia ou celulose, e as árvores remanescentes do povoamento, com porte mais expressivo, são utilizadas para a fabricação de serrados ou para a laminação. 
Em síntese, tem-se:
  • Espaçamentos maiores (densidade baixa): menor produção em volume individual, menor custo de implantação, maior número de tratos culturais, maior conicidade de fuste e desbastes tardios. 
  • Espaçamentos menores (densidade alta): maior produção em volume por hectare, rápido fechamento do dossel, menor número de tratos culturais, menor conicidade do fuste e exigem desbastes precoces.
Quanto à forma dos espaçamentos, os quadrados ou retangulares são os mais indicados e praticados, podendo ser bastante apertados para produção de madeira para fins energéticos, ou mais amplos, quando se deseja matéria-prima para fins de fabricação de papel e celulose ou serraria e laminados.


quinta-feira, 3 de maio de 2018

Produção de mudas de Eucalipto



Substratos

A definição do substrato a ser utilizado num viveiro florestal depende da análise de uma série de fatores, dentre eles destacam-se:
  1. Espécie a ser semeada;
  2. Disponibilidade próxima do local do viveiro de matérias-primas para composição do substrato, caso a decisão seja a produção própria do substrato;
  3. Sistema de irrigação utilizado nas diferentes etapas da produção da muda (semeadura, crescimento e rustificação).
  4. Tipo de embalagem utilizada;
  5. Relação custo/benefício.
Atualmente, o solo puro como substrato para viveiros não tem sido muito utilizado por diversas razões, podendo-se destacar o problema ambiental criado com a retirada do solo. A dificuldade de seu manuseio no viveiro em vista de seu elevado peso; se for de superfície, pode carregar sementes de plantas invasoras e esporos de patógenos, impróprio para a utilização em recipientes como os tubetes plásticos.
Existem vários componentes que podem ser utilizados para a produção de substratos, a saber: aqueles classificados como inertes como vermiculita (nome comercial de produto a base de mica expandida), casca de arroz carbonizada, moinha de carvão vegetal e orgânicos como turfa, bagaço de cana decomposto, fibra de coco, estercos de bovino, aves e suínos, cascas de pínus ou eucaliptos, compostos derivados de resíduos orgânicos, etc.
Cada um destes componentes apresenta suas peculiaridades em relação ao teor de nutrientes (macros e micros) e a disponibilização dos mesmos às mudas, condutividade elétrica, capacidade de retenção e disponibilização de água, compactação sob irrigação, granulometria e porosidade, etc.
A produção de substratos normalmente envolve conhecimentos específicos sobre as características físico-químicas de seus componentes e a maneira pela qual interagem quando misturados. Suas implicações na produção das mudas variam em função da espécie, do sistema de irrigação disponível no viveiro e da disponibilidade local dos componentes a serem utilizados.
É desejável que o substrato possua características como:
a) Porosidade: é determinada pelo grau de agregação e estruturação das partículas que compõem o substrato, devendo apresentar um bom equilíbrio entre os microporos que retém água, e os macroporos que retém o ar. Esse equilíbrio é que determinará a capacidade de drenagem do substrato.
b) Retenção de umidade: de grande importância para se determinar o regime de irrigação. É determinada pelo teor, quantidade e qualidade dos componentes do substrato, principalmente a matéria orgânica e alguns tipos de material inerte, como a vermiculita.
Alguns materiais como a fibra de coco retém grande quantidade de água, o que pode reduzir substancialmente a necessidade de irrigações ao longo do dia, principalmente no inverno.

c) Granulometria: é recomendável que os componentes do substrato apresentem densidades semelhantes para evitar fracionamento das partes, principalmente no momento do enchimento dos recipientes, quando se utiliza mesa vibratória. Componentes muito finos também podem interferir na capacidade de drenagem do substrato, o que é prejudicial para a formação das mudas.
d) pH: a acidez de um substrato é medida ao final da mistura de componentes, devendo variar entre 6 a 6,5 (medido em H2O). Valores abaixo ou acima desta faixa trazem problemas à formação das mudas devido à indisponibilidade de alguns nutrientes e à fitotoxidez. O ajuste do pH do substrato (acidificação ou calagem) nem sempre fornece bons resultados. Por isso, a escolha de componentes da mistura que variem o pH dentro da faixa recomendada e a mistura resultante que se mantenha dentro da faixa de tolerância, com um bom poder tampão, facilita o manejo deste parâmetro.
Características químicas desejáveis: 
- pH em H2O: 6,0 a 6,5
- Fósforo: 300 a 600 g/cm-³
- Potássio (níveis de (K/T-¹ x 100): 5 a 8%
- Cálcio + Magnésio (níveis de Ca + Mg/T-¹ x 100): 85 a 95%
Obs.: T = capacidade de troca catiônica

Recipientes

A escolha do recipiente determina todo o manejo do viveiro, o tipo de sistema de irrigação a ser utilizado e sua capacidade de produção anual. Dentre os tipos de recipientes que podem ser utilizados na produção de mudas de eucalipto, podem-se citar:
a) Sacos plásticos: ainda hoje utilizados, porém seu uso vem diminuindo gradualmente, devido à grande quantidade de substrato necessário ao seu enchimento, peso final da muda pronta, menor produção de mudas por área de viveiro, maior necessidade de mão-de-obra, dificuldades de transporte, além de gerar grande quantidade de resíduos no ato do plantio devido ao seu descarte.
b) Tubetes plásticos: utilizados na capacidade de 50 cm³ e acondicionados em bandejas próprias, são os recipientes com melhor aceitação no mercado atualmente. Apresentam como vantagens o uso racional da área do viveiro, permitindo o acondicionamento de um número grande de mudas, automatização do sistema de produção, desde o seu enchimento até a semeadura e expedição das bandejas para a área de germinação. Os tubetes também podem ser reutilizados por mais de cinco anos, dependendo da qualidade do plástico utilizado na sua fabricação e do adequado armazenamento.
O uso de tubetes requer um cronograma rígido de produção e expedição de mudas para o campo. A manutenção das mudas por um período além daquele necessário à rustificação pode causar a morte de raízes e deficiências nutricionais, o que resulta em menor sobrevivência das mudas no plantio a campo ou mortes posteriores, por problemas de baixa capacidade de absorção de água ou tombamentos das árvores pelo vento devido à má distribuição das raízes no solo. Um cuidado especial na escolha dos tubetes é em relação à existência de frisos internos que direcionem as raízes para a abertura inferior dos mesmos, onde serão podadas pelo contato com o ar. Além disso, a existência de rebarbas de plástico na parte inferior dos tubetes de má qualidade causa problemas de enovelamento das raízes da parte basal das mudas, conforme pode ser observado na Figura 1.
Foto: Ivar Wendling
Figura 1. Muda com raiz enovelada em função de tubete de má qualidade.
Foto: Ivar Wendling
Figura 2. Tubete para produção de mudas de eucalipto: A) visão geral, com frisos internos e abertura lateral; B)detalhe dos frisos até a base do tubete; C) detalhes dos frisos até a parte superior do tubete.
Orifícios laterais na parte basal dos tubetes têm sido recomendados por diminuírem a concentração de raízes naquela parte, formando-se, com isso, um sistema radicular mais aberto na base.
Há algum tempo, tubetes biodegradáveis estão sendo desenvolvidos e testados. Entretanto, até o momento, estes não têm sido utilizados em escala comercial. Segundo citações, as vantagens deste tipo de tubete em relação ao tradicional seriam:
  • Diminuição de despesas com mão-de-obra e materiais, tanto no viveiro quanto no plantio a campo, uma vez que não haveria necessidade de limpeza dos tubetes, retirada das mudas dos mesmos antes do plantio, nem retorno dos tubetes ao viveiro.
  • Menor demanda de espaço para armazenamento.
  • Não geração de resíduos (tubetes estragados).
  • Melhor conformação do sistema radicular, uma vez que as raízes poderiam transpor a parede do tubete e não seriam todas direcionadas para a base.
Como desvantagens dos tubetes biodegradáveis, podem ser citadas a necessidade desses serem diferenciados para distintos tempos de produção de mudas, o que é variável em função de espécies e condições de manejo. Embora ainda não se tenham resultados efetivos em termos de custos, pressupõe-se que este tipo de recipiente possa vir a apresentar custos mais elevados em relação aos demais.
Sistemas conjugados substrato/recipiente são aqueles que funcionam como recipiente e substrato ao mesmo tempo. Esses são constituídos de materiais orgânicos prensados (geralmente turfas), os quais, após umedecidos se expandem. Quando a muda estiver no ponto de plantio definitivo, esta é levada ao campo e plantada com o material, não havendo a necessidade de ser retirada da embalagem.
Os sistemas conjugados de produção de mudas reduzem o gasto com mão-de-obra, uma vez que não há necessidade de preparação do substrato, do enchimento das embalagens e da retirada da embalagem na hora do plantio. Além disso, segundo estudos realizados, as mudas produzidas nestes tipos de recipientes apresentam melhor desempenho de crescimento a campo, com menor deformação das raízes quando comparadas com mudas produzidas em tubetes plásticos.
Diferentes tipos desses materiais foram desenvolvidos para produção de mudas em sistemas conjugados: aqueles onde os blocos são individualizados (um bloco ou torrão para cada muda) e aqueles onde os blocos funcionam como uma bandeja (blocos prensados), onde se produzem várias mudas, as quais na hora do plantio são individualizadas por meio de máquinas específicas. No Brasil, esses sistemas de produção de mudas não têm sido utilizados em escala comercial.

Enchimento de recipientes

A colocação do substrato nos recipientes requer alguns cuidados para se evitar que o mesmo se torne pouco compactado, com falhas no interior do recipiente (Figura 3) ou compactado em excesso, prejudicando a drenagem, a germinação das sementes e o desenvolvimento do sistema radicular. Para recipientes de enchimento manual, como os sacos plásticos, apenas a experiência poderá definir o quanto o substrato poderá ser compactado, sem excesso, de modo a não se desagregar no momento da retirada da muda, e ao mesmo tempo permitir um bom desenvolvimento do sistema radicular.
Foto: Ivar Wendling
Figura 3. Muda de eucalipto produzida em substrato pouco compactado no momento do enchimento do tubete.
No caso de tubetes, existem máquinas próprias para o seu enchimento, também conhecidas como mesas vibratórias, que permitem dosar a quantidade de substrato e a compactação do mesmo por todo o perfil da embalagem de maneira adequada (Figura 4), embora ofereçam grandes riscos de compactação imperfeita caso não sejam bem manejadas.
Fotos: Ivar Wendling 

Figura 4. Mesa vibratória para enchimento de tubetes em bandejas de plástico e de metal.
 
É importante ressaltar que, para qualquer tipo de embalagem ou substrato, no momento do enchimento do recipiente, o substrato deverá estar adequadamente umedecido (nunca encharcado), para a melhor agregação das partículas e a compactação adequada. Em substratos secos, as partículas não se agregam e não permitem a sua compactação e, no caso de recipientes com o fundo aberto, como é o caso dos tubetes, os substratos escoam pela parte inferior.

Sistemas de irrigação

A irrigação é um dos fatores de maior importância para o viveiro. O excesso e a falta d`água podem comprometer qualquer uma das fases de formação das mudas.
À escolha do equipamento adequado associa-se o manejo do sistema como um todo, onde devem ser considerados dentre outros fatores, o tipo de substrato e recipientes utilizados pelo produtor, a espécie escolhida para a produção de mudas, a fase de desenvolvimento em que a muda se encontra (germinação – incluindo repicagem, crescimento ou rustificação), a época do ano em que se está produzindo, a região onde está instalado o viveiro, em função da temperatura e do regime de chuvas e hora do dia em que se está realizando a operação de irrigação.
Assim, em regiões de calor intenso com inverno ameno, normalmente, a exigência das mudas por água em qualquer fase do desenvolvimento é maior que em regiões de clima temperado ou subtropical. Por outro lado, alguns tipos de substratos, por terem menor capacidade de retenção de água, exigem que se aplique mais água a cada irrigação ou que se aumente a frequência das mesmas.
As horas do dia em que deverá ocorrer a irrigação também merecem atenção. É recomendável que a mesma se processe nas primeiras horas do dia, após às 15h e ao entardecer. O tempo que o sistema deve permanecer ligado e o número de irrigações ao longo do dia devem ser determinados pela prática, observando-se se, após a irrigação, ao processar o substrato esse se encontra suficientemente úmido sem estar encharcado e se, no intervalo entre uma irrigação e outra, não ocorre murchamento das mudas por falta de água.
É importante ressaltar que, para cada etapa de formação das mudas e para diferentes tipos de recipientes, existem diferentes sistemas de irrigação, com bicos de diferentes vazões, pressão de trabalho e área de cobrimento (Figura 5).
Existem empresas especializadas que prestam assessoria e ajudam o produtor a determinar o melhor equipamento para o seu sistema de produção.
Foto: Márcio Pinheiro Ferrari
Figura 5. Irrigação por aspersão em mudas de Pinus taeda, em início da fase de rustificação (MANASA).

Controle fitossanitário

Em todas as etapas de formação das mudas pode ocorrer o aparecimento de pragas e doenças como o tombamento, podridões de raiz e outros, levando à acentuada mortalidade, se medidas de controle não forem tomadas. É importante, nesses casos, procurar identificar o agente causal para se decidir pelo melhor controle.
A utilização de quaisquer produtos químicos requer cuidados especiais quanto à segurança do aplicador, doses a serem aplicadas e quanto ao descarte das embalagens, estando as instruções descritas nos rótulos das embalagens dos produtos.
O aparecimento de doenças e pragas muitas vezes está associado ao manejo inadequado do regime hídrico do viveiro, à ocupação excessiva de mudas por unidade de área e ao sombreamento excessivo na fase de germinação
Medidas como a diminuição da quantidade de água aplicada, diminuição do sombreamento e maior espaçamento entre mudas aumentam a aeração, diminuindo o excesso de umidade no micro ambiente das bandejas, desfavorecendo a propagação de fungos.

Geadas

A produção de mudas no inverno em regiões sujeitas a geadas é problemática, principalmente para viveiros que possuem a fase de germinação fora da estufa. Para esses casos, é recomendável que as semeaduras sejam realizadas fora desse período.
Algumas providências podem ser adotadas antecipadamente pelo produtor para tornar as mudas mais resistentes aos efeitos das geadas, principalmente se as mesmas se encontrarem na fase de crescimento, destacando-se:
  1. Redução do nitrogênio no programa de adubação de crescimento um mês antes do período mais crítico;
  2. Construção de estruturas provisórias (“estufins”) sobre as bandejas com recobrimento de filme plástico adequado, até o chão. O plástico das paredes laterais das estruturas deve ser removido ou enrolado durante as horas mais quentes do dia e abaixados a partir das 15h para a conservação do calor interno, o que manterá a temperatura interna acima de 0ºC;
  3. Medidas emergenciais como nebulização e irrigação do viveiro. A irrigação deverá permanecer até as primeiras horas do dia, quando a temperatura começar a se elevar. Caso seja interrompida antes, pode aumentar a mortalidade das mudas, em função do congelamento da água sobre as folhas ou no sistema radicular.

Etapas de formação das mudas

A formação das mudas de eucalipto é uma das fases mais importantes da produção e é constituída de etapas às quais deve-se dedicar o máximo esmero, a saber: semeadura, crescimento das mudas e rustificação das mudas.
Semeadura
A semeadura é uma das etapas que mais influencia no índice de germinação das sementes e, consequentemente, no rendimento do viveiro. Para o êxito da operação, algumas considerações devem ser observadas:
1. Preparo da semeadura e semeio
Por seu tamanho, as sementes de eucalipto apresentam-se, muitas vezes, com uma quantidade alta de material inerte misturado, principalmente sementes não fecundadas, reduzindo o número de sementes viáveis por quilo. Por isso, é recomendável passar a semente por um separador de ar. Com o uso de peneiras classificadoras e de agitador mecânico, pode-se separar as sementes do lote por tamanho. Este procedimento aumenta o seu teor de pureza e a velocidade de germinação das sementes. Recomenda-se também a peletização das sementes, visando o aumento de seu tamanho, facilitando a semeadura e aumentando a eficiência do processo.
O processo de semeadura pode ocorrer pelo método mecânico, com a utilização de seringas e bandejas de semeadura ou máquinas automáticas ou semi-automáticas (Figura 6), com diferentes princípios de funcionamento e produtividades. O que determinará a escolha do método de semeadura a ser empregado é a quantidade de mudas a ser produzida anualmente, justificando-se ou não a mecanização da atividade e o porte do equipamento a ser adquirido.
Fotos: JT-Agro®
 
Figura 6. Máquina a vácuo para semeadura.
As seringas de semeadura são uma alternativa simples e barata, embora não se tenha precisão na quantidade de sementes depositadas por recipiente. Elas podem ser facilmente montadas, com materiais simples e facilmente disponíveis, como canos de PVC ou com a utilização de um paliteiro de plástico, conforme visualizado na Figura 7 ou outra embalagem plástica de formato parecido.
A regulagem do tamanho do furo ou ranhura para a entrada das sementes permite a utilização da seringa com diferentes tamanhos de semente. Para a semeadura com a seringa, basta colocar a boca de saída das sementes sobre o centro do recipiente onde serão semeadas e apertar a haste dosadora que empurrará as sementes para fora da seringa.
As bandejas de semeadura consistem de duas chapas de plástico reforçado ou outro material que se encontram sobrepostas e apresentam furos, em espaçamentos pré-definidos. As sementes ficam na parte de cima da bandeja e após um movimento da chapa, os furos desta e da chapa de baixo se encontram, originando um orifício por onde ocorre a queda da(s) semente(s) (Figura 8). No caso do eucalipto, em função do pequeno tamanho das sementes, este tipo de bandeja é recomendado somente para sementes peletizadas.
Foto: Ivar Wendling
Figura 7. Seringa de semeadura montada a partir de um paliteiro de plástico.
Foto: Ivar Wendling
Figura 8. Bandeja de semeadura.
A semeadura manual é vantajosa para pequenas quantidades de sementes, porém, alguns cuidados devem ser observados como:
  • Após o enchimento dos recipientes, proceder uma cavidade rasa central no substrato com uma pequena haste com diâmetro aproximado de 0,7 cm, que pode ser de madeira. A profundidade da cavidade não deve superar o tamanho da semente. Este procedimento evita que a semente seja enterrada a uma profundidade que impossibilite a germinação e, ao mesmo tempo, que sua deposição não ocorra de forma descentralizada, encostada na parede do recipiente, o que comprometeria o desenvolvimento das raízes;
  • Peneirar sobre os recipientes semeados uma fina camada do próprio substrato ou vermiculita fina, estando o material levemente umedecido. Essa camada não deve ser maior que a altura da semente deitada (aproximadamente 1 mm), para permitir a manutenção da umidade sobre a mesma.
O uso do semeador automático dispensa a marcação das cavidades, e muitos modelos realizam o recobrimento das sementes em apenas uma operação.
2. Repicagem
Normalmente, devido ao pequeno tamanho das sementes de eucalipto, não se consegue semear apenas uma por embalagem, principalmente no caso da semeadura manual, podendo-se germinar um número grande de plântulas por recipiente, as quais deverão ser removidas mantendo-se apenas uma. A utilização da repicagem aumenta o aproveitamento das sementes germinadas, reduzindo custos na compra deste insumo e permitindo um ganho de tempo no cronograma de formação de novas mudas.
O processo de repicagem deve ser realizado à sombra, quando as plântulas se apresentarem com 2,5 a 3,0 cm de altura. O arranque só deverá ser realizado após a irrigação do substrato, de modo a torná-lo o mais solto possível. Deve-se selecionar para permanecer no recipiente a plântula mais central e vigorosa, retirando todas as outras, descartando-se da repicagem as que não apresentarem tamanho adequado ou que não estiverem sadias e vigorosas.
As plântulas selecionadas para a repicagem devem ser transportadas em recipientes rasos, contendo água. Deve-se promover a repicagem o mais rapidamente possível.
Os recipientes que receberão as novas mudas, também deverão estar previamente irrigados. Realiza-se um furo central no substrato, com o uso de um furador (chucho) com o diâmetro aproximado de 8 mm, a uma profundidade de 3,5 a 4,0 cm, onde serão inseridas as plântulas a serem repicadas. Após a inserção da muda no furo, tapá-lo com uma pequena quantidade de substrato fresco e pouco úmido, mas não totalmente seco. Nesta etapa, deve-se evitar o enovelamento da raiz e o enterramento excessivo dos caules, mantendo-se as folhas cotiledonares acima do substrato. Para tanto, é necessário puxar levemente a muda para cima. 
Comprimir levemente o substrato ao redor da muda, evitando-se o esmagamento do caule. Proceder imediatamente a uma irrigação, mantendo o substrato sempre úmido, porém sem encharcamento. As mudas permanecerão à sombra (sombrite 50%) por um período de dez a quinze dias, até o seu completo pegamento. Após este período, entram na sequência normal de produção, recebendo as primeiras adubações de arranque.
De maneira geral, quando a semente não é insumo limitante, não se recomenda a realização da repicagem, uma vez que esta poderá resultar em mudas com sérios problemas nas raízes, caso não seja realizada por pessoa treinada.
3. Sombreamento
As sementes requerem um período de aproximadamente uma semana de sombra para a sua completa germinação, devendo então serem descobertas. Embora existam diferentes alternativas para este sombreamento, o mais utilizado tem sido o sombrite, com sombreamento ao redor de 50%.
Geralmente, esses sistemas contemplam o uso de casas de germinação, que nada mais são que estufas plásticas apropriadas para este fim. Neste caso, consegue-se uma vantagem inicial, que é a proteção contra as geadas e chuvas fortes, que costumam provocar a perda das sementes por lavagem do substrato.
Decorrido o período de germinação, as mudas devem ser descobertas e transferidas para estufas semelhantes, recobertas apenas com plástico, ou então transferidas para locais a pleno sol.
O processo de germinação requer um tempo aproximado de sete a dez dias no verão, e de dez a quinze dias no inverno, embora em regiões sem frio pronunciado ocorram grandes reduções nestes períodos.
4. Irrigação durante a fase de semeadura
Durante a fase de germinação das sementes e do início de crescimento das mudas, a irrigação requer extremo cuidado, pois são muito sensíveis à falta ou excesso de água. Cuidados como hora ideal para o seu procedimento, frequência e encharcamento já foram discutidos no item Sistemas de irrigação. 
Recomenda-se durante todo esse período o consumo até seis litros de água/m-² de viveiro/dia-¹. Essa quantidade deve ser ajustada para cada região, tipo de substrato utilizado e período do ano em que as mudas estão sendo produzidas.
A Figura 9 é ilustrativa dos efeitos negativos do excesso de água na etapa de germinação, que se torna irregular, além da formação de algas verdes em abundância, que competem com as plântulas por luz e nutrientes.
Foto: Márcio Pinheiro Ferrari
Figura 9. Germinação deficiente e formação de algas verdes por excesso de água.
5. Adubação na fase de germinação
Na fase de germinação das sementes, não se recomenda o uso de adubações. Os substratos adquiridos no mercado normalmente já possuem uma quantidade de nutrientes suficiente para as necessidades nutricionais das plântulas neste período inicial. Para os substratos formulados pelo produtor, deve-se proceder a incorporação de adubos conforme mencionado no item 2 (substratos).
Etapas de formação das mudas - crescimento das mudas
1. Densidade de mudas
Na fase de crescimento, as mudas apresentam um aumento das necessidades nutricionais e de consumo de água, devido à aceleração do seu metabolismo. Ocorre também uma busca mais intensa por luz solar, resultando na necessidade de modificações no manejo que vinha sendo adotado desde a fase de germinação.
No caso de utilização de sacos plásticos, é possível manter as mudas no espaçamento original da montagem dos canteiros (100% de ocupação), devido ao tamanho dos recipientes. Já para os tubetes, deve-se adotar a intercalação das mudas, com ocupação de 50% da área de cada bandeja. Esta prática permite melhor aeração entre as mudas, reduzindo o risco de contaminação por fungos patogênicos, possibilitando melhor irrigação, aplicação de adubos e insolação das mudas.
2. Irrigação durante a fase de crescimento
A irrigação das mudas nesta fase deve ser aumentada em relação à de germinação, necessitando ser condizente com o aumento da biomassa e maior metabolismo. As recomendações sobre os procedimentos a serem adotados são as mesmas em relação à fase de germinação.
A quantidade de água a ser aplicada varia em função do período do ano, da região, do tipo de substrato e da embalagem utilizada. No caso dos tubetes, no verão, recomenda-se uma aplicação que não deve ultrapassar 13 L/m-² de viveiro/dia-¹. No entanto, os ajustes devem ser feitos pelo viveirista para cada situação, verificando o estado de turgidez das mudas e o escorrimento de água do substrato, quando apertado entre os dedos.
3. Adubação na fase de crescimento
Devido ao ritmo acelerado de crescimento nesta fase, as mudas precisam de uma suplementação maior de nutrientes, sob pena de apresentarem deficiências que comprometam o seu crescimento.
Imediatamente após a saída da fase de germinação, não se recomenda uma adubação muito concentrada, para que as mudas não tenham os tecidos mais jovens e menos lignificados queimados pelo adubo. Dentre várias possibilidades, sugere-se a separação da adubação nesta etapa em duas fases distintas:

a) Adubação de arranque (1ª a 3ª semana após a saída da fase de germinação):

  • Super fosfato simples: 4,6 gramas por litro de água
  • Sulfato de amônio: 0,3 gramas por litro de água
  • Cloreto de potássio: 2,1 gramas por litro de água
  • FTE* BR 10: 0,5 gramas por litro de água
(*) produto comercial que contém micronutrientes
Os adubos deverão ser solubilizados em água, aplicando-se 3 L dessa solução para cada 1.000 tubetes (seis a oito aplicações intercaladas a cada três dias).
Antes da aplicação da solução de adubos é importante reduzir a irrigação das mudas, provocando um pequeno murchamento, de modo a otimizar o aproveitamento da solução. Se esse procedimento não for adotado, a solução aplicada pode ser perdida em função da saturação de água no substrato e consequente drenagem da água excedente. As aplicações devem ser realizadas nas primeiras horas do dia, ou ao entardecer e nunca nos horários de maior insolação e calor. Após a adubação, proceder imediatamente a uma irrigação para lavagem da parte aérea, para evitar a queima das folhas pelos adubos, especialmente por sulfato de amônio.
O ritmo proposto entre as aplicações visa manter a quantidade de nutrientes disponível no substrato, para acelerar o crescimento das plantas. Se os intervalos de aplicações fossem mais espaçados, poderia haver deficiência na disponibilidade dos nutrientes.
b) Adubação de crescimento (iniciada após a adubação de arranque):
  • Uréia: 8,0 gramas por litro de água
  • Yoorin MG (ou super fosfato simples): 6,0 gramas por litro de água
  • Cloreto de potássio: 6,0 gramas por litro de água
  • FTE BR 10: 0,5 gramas por litro de água
Os adubos deverão ser dissolvidos em água. Recomenda-se aplicar 3 L dessa solução em 1.000 tubetes (cinco a 20 aplicações intercaladas a cada três ou quatro dias).
Vale ressaltar a importância do ajuste das formulações de adubação para cada viveiro, conforme suas especificidades. Aliado a isto, há grande variedade de formulações comerciais de adubos disponíveis no mercado, com diferentes níveis de solubilidade e concentração de nutrientes, o que facilita muito os trabalhos de adubação.
As adubações podem ser processadas manualmente com a utilização de regadores, o que exige mão-de-obra previamente treinada para se evitar a aplicação irregular dos adubos, ou com o uso de aplicadores automáticos, que processam as adubações nas concentrações e horas pré-estabelecidas. Sistemas totalmente automatizados são baseados na condutividade elétrica das soluções aplicadas. A aquisição desses sistemas é definida em função do tamanho do viveiro e a quantidade de mudas a ser produzida anualmente.
4. Padronização das mudas
Ao final da fase de crescimento, as mudas devem estar vigorosas, com a copa bem formada e o sistema radicular abundante. O tamanho das copas deve estar se aproximando do comprimento dos tubetes, mantendo uma relação parte aérea/sistema radicular de 1:1, aproximadamente, e com o diâmetro de colo ao redor de 2 mm.
As mudas com crescimento deficiente ou fora de padrão deverão ser separadas do lote, retornando às adubações de crescimento.
Rustificação das mudas
A etapa de rustificação tem como objetivo preparar a muda fisiologicamente para o plantio e para as primeiras semanas que o sucedem. Nessa etapa, as mudas deverão ser preparadas para serem levadas ao campo, com reserva nutricional disponível para o pronto crescimento e, ao mesmo tempo, resistentes ao estresse provocado pelas atividades de plantio (falta de água, retirada dos tubetes e transporte).
Algumas práticas de rustificação das mudas envolvendo o manejo do regime de irrigação e adubação podem minimizar esses problemas. Durante o processo de rustificação deve-se, portanto, considerar os seguintes pontos:
1. Irrigação de rustificação
Para a rustificação das mudas, a irrigação deve ser paulatinamente diminuída, permitindo um leve murchamento dos ápices, porém, sem crestamento. O processo de rustificação deve ocorrer num prazo máximo de dez a quinze dias.
2. Adubação de rustificação
Antes de proceder às adubações de rustificação, realizar a lavagem acentuada das mudas para a lixiviação do nitrogênio em excesso. Após a lavagem, interromper a irrigação até leve murchamento dos ápices, porém, sem crestamento.
A formulação apresentada a seguir, permite que haja uma diminuição do ritmo do crescimento em altura das mudas, ao mesmo tempo, favorecendo o desenvolvimento do sistema radicular e engrossamento do diâmetro do colo, o que se traduz em menos tecidos túrgidos e maior reserva nutricional para o período inicial pós-plantio, quando as raízes deverão iniciar a exploração do solo ao seu redor. As concentrações e produtos apresentados podem ser ajustadas de acordo com as necessidades.
Exemplo de formulação de adubação para rustificação:
  • Sulfato de amônio: 5,0 gramas por litro de água
  • Super fosfato simples (ou Yoorin): 10,0 gramas por litro de água
  • Cloreto de potássio: 4,0 gramas por litro de água
  • FTE BR 10: 0,5 gramas por litro de água
Os adubos deverão ser dissolvidos em água. Recomenda-se a aplicação de 3 L dessa solução para cada 1.000 tubetes (aplicações intercaladas a cada três ou quatro dias para um máximo de ocupação de 500 tubetes/m-²).
Na etapa de rustificação, o excesso de chuvas pode acarretar deficiências sérias de nitrogênio e, eventualmente, de potássio. O produtor deve ficar atento aos sintomas de deficiência nutricional que eventualmente o lote passe a apresentar, e providenciar as correções necessárias.
3. Padronização das mudas
Após o final da etapa de rustificação, as mudas deverão passar por um processo de seleção e padronização. Mudas que estiverem fora dos padrões estabelecidos deverão regressar à fase de rustificação ou, eventualmente, para a de crescimento.
Para estarem aptas ao plantio, os seguintes padrões de qualidade de mudas são recomendados:
  • Altura da parte aérea: 15 a 25 cm
  • Diâmetro de colo: > 2 mm
  • Sistema radicular ocupando toda a área interna do tubete, com bom desenvolvimeno e coloração branca (Figura 10).
Foto: Ivar Wendling
Figura 10. Detalhe de sistema radicular bem formado, com raízes brancas.


Expedição das mudas para o campo

A logística de expedição das mudas para o campo é definida em função do tipo de recipiente utilizado no viveiro. Os sacos plásticos podem ser acondicionados em caixas plásticas ou de madeira de tamanho padronizado, para facilitar o controle do número de mudas expedidas. 
A expedição de mudas produzidas em tubetes requer a adoção de uma logística que permita a sua recuperação após o plantio e devolução ao viveiro ou a expedição das mesmas sem os recipientes. Este último sistema implica em cuidados para evitar que as raízes ressequem, como o seu empacotamento em filme plástico (sistema rocambole) que mantém a umidade do sistema radicular (Figura 11).
Fotos: Paulo Eduardo Telles dos Santos
Figura 11. Sistema rocambole para expedição de mudas produzidas em tubetes.
Seja qual for o tipo de recipiente utilizado e o sistema de expedição adotado, as mudas devem ser acondicionadas no veículo de transporte de modo a não permitir estresses que provoquem amassamentos e abafamento das mesmas. No caso do uso de utilitários com caçamba sem capota, há a necessidade de se providenciar algum tipo de cobertura sobre as mudas, de modo a protegê-las do vento, o qual pode causar ressecamento dos ponteiros ou danos mais severos. Ao mesmo tempo, é importante permitir a existência de algumas entradas de ar lateralmente, de modo a ventilar as mudas, principalmente em situações de alta insolação.
É recomendável uma irrigação final das mudas antes do seu embarque e, no caso de percursos muito longos, repetir a operação para manter a umidade do substrato. Chegando ao destino, as mudas devem ser descarregadas, irrigadas e postas à sombra enquanto aguardam o plantio definitivo.
No caso de rocambole, recomenda-se que as mudas não permaneçam neste sistema por mais de uma semana.



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