sábado, 21 de março de 2026

Nutrição e Adubação da Stevia

 

Nutrição e Adubação

Amostragem do solo

Em sua maioria, os solos de Mato Grosso do Sul possuem boas propriedades físicas, porém, originalmente, são de baixa fertilidade, apresentando altos teores de alumínio trocável e disponibilidade limitada de fósforo e outros nutrientes. Todavia,

quando adequadamente manejados, estes solos apresentam elevado potencial produtivo. Para orientar as práticas de manejo a serem implementadas há necessidade de se realizar a análise do solo da área a ser cultivada.

Amostragem do solo com a utilização de diferentes equipamentos.

Na coleta de amostra de solo para a caracterização de sua fertilidade, o interesse é pela camada arável do solo que normalmente é a mais intensamente alterada pelos procedimentos de aração e gradagem e pela aplicação de corretivos e fertilizantes.

Na camada arável (0 a 20 cm) concentra-se também a maior parte das raízes da estévia. Portanto, as amostras devem ser coletadas nesta camada. Recomenda-se, também, que antes da implantação da lavoura sejam coletadas amostras em camadas mais profundas (20 a 40 e 40 a 60 cm), para avaliar a necessidade de corrigir os teores de cálcio e eliminar a presença de alumínio.

Para coletar a amostra de solo, a área a ser cultivada deve ser dividida em glebas uniformes quanto às características de cor, topografia, vegetação, manejo aplicado e culturas anteriores.

Caminhando em ziguezague, deve-se coletar pelo menos 20 amostras simples com a mesma quantidade de terra, em cada camada a ser amostrada. As amostras simples devem ser colocadas em baldes limpos e identificados de acordo com as camadas coletadas. Em seguida, misturar bem e retirar mais ou menos 500 gramas de terra, colocar em saco plástico ou outra embalagem bem limpa e enviar ao laboratório identificando a amostra com o número do talhão, o nome da propriedade, do proprietário e do município. Para a coleta de amostras de solo pode-se utilizar ferramentas específicas para tal fim, como os trados (tipo rosca, holandês, caneco, sonda), pás ou enxadões (Fig. 8).

Acidez do solo e calagem

A disponibilidade de nutrientes é determinada por vários fatores, entre os quais se destaca a acidez do solo, a qual é medida pelo pH, que representa a atividade de íons hidrogênio na solução do solo.

Em pH baixo, a presença de alumínio trocável, em teores elevados, pode se tornar tóxica para as plantas. Para a correção da acidez e eliminação da presença do alumínio, a aplicação de calcário é a prática de manejo indicada. A determinação da quantidade de calcário a ser aplicada é feita com base nos resultados da análise de solo. A metodologia sugerida é a que tem como objetivo a adequação da saturação de bases do solo.

Este método tem como objetivo elevar a saturação de bases trocáveis até um valor que seja adequado para a cultura. No caso da estévia o valor recomendado para a saturação de bases é de 70%.

O cálculo da necessidade de calcário (NC) é feito por meio da

fórmula:

-1 NC (t ha ) = [(V - V ) x T]/100 x f 2 1

sendo:

V = valor de saturação de bases atual do solo (V = 100 x S/T) 1 1

2+ 2+ + -3 S = Ca + Mg + K (cmol dm ) c

V = valor da saturação de bases recomendada pela cultura 2

3+ -3 T = capacidade de troca de cátions, T = S + (H + Al ) (cmol dm ) c

f = fator de correção do PRNT do calcário (f = 100/PRNT)

Qualidade do calcário

Para que a neutralização do alumínio trocável e/ou a elevação dos teores de cálcio e magnésio aconteçam, alguns cuidados devem ser tomados na escolha do calcário:

* O calcário deve passar em peneira com malha de 0,3 mm;

* O calcário deve apresentar teores de CaO + MgO > 38%, com preferência ao uso de calcário dolomítico (teor de MgO > 12%) ou magnesiano (teor de MgO entre 5,1% e 12%) em solos com relação Ca/Mg > 4; -3 * Em solos com teor de Mg menor que 0,8 cmol dm , deve-se cutilizar calcários que tenham Mg para evitar que ocorra desequilíbrio entre o cálcio e o magnésio.

Correção da acidez subsuperficial

Como a incorporação de calcário à profundidades superiores a 30 cm é limitada por dificuldades operacionais e econômicas, a correção de problemas relacionados com teores elevados de alumínio trocável e baixos teores de cálcio, em camadas abaixo de 30 cm, pode ser feita com a aplicação de gesso, que serve também como fonte de enxofre.

A aplicação de gesso é indicada quando se detectar, nas camadas de 20 a 40 e de 40 a 60 cm, saturação de alumínio maior que 20% -3 e/ou teor de cálcio menor que 0,5 cmol dm . Havendo a c necessidade de se aplicar o gesso, a dose a ser usada é calculada de acordo com a fórmula: -1 -1 Necessidade de Gesso (kg ha ) = teor de argila (g kg ) x 5

O efeito residual do gesso, quando aplicado na dose indicada pela fórmula, é de pelo menos cinco anos. Como fonte de cálcio e de enxofre, a aplicação de gesso deve ser restrita a doses em torno de -1 -1 200 kg ha ano 8.5. Adubação

 Adubação orgânica

Na fase de preparo do solo para a implantação da cultura, caso seja -1 disponível, recomenda-se a aplicação a lanço de 30 a 50 t ha de -1 esterco de curral curtido ou 10 a 15 t ha de esterco de galinha incorporado. Misturar o adubo orgânico com a terra com antecedência mínima de 15 dias ao plantio, mantendo-se a umidade adequada.

Adubação nitrogenada

-1 -1 Aplicar no sulco de plantio 20 kg ha de N e 20 dias após 40 kg ha -1 de N. A cada corte aplicar 70 kg ha de N para cada 1.000 kg de folhas secas colhidas, parcelando 30% após o corte e 70% 20 dias após a primeira aplicação

 Adubação fosfatada

Em solos com teores de fósforo enquadrados como baixo ou médio (Tabela 1), deve-se corrigir os seus teores com base nas doses recomendadas na Tabela 2.

Teor de argila Teor de fósforo no solo

Baixo Médio Adequado

g kg-1 mg dm-3< 160 < 12,0 12,1 a 18,0 > 18,0 160 a 350 < 10,0 10,1 a 15,0 > 15,0

360 a 600 < 5,0 5,1 a 8,0 > 8,0 > 600 < 3,0 3,1 a 6,0 > 6,0

Tabela 1. Classes de teores de P extraível (Mehlich 1) de acordo com os teores de argila no solo.

Recomendação de adubação fosfatada corretiva, de acordo com o teor de argila e disponibilidade de fósforo no solo.

Teor de fósforo no solo

Teor de argila

Baixo Médio Adequado

g kg -1 P2O5 (kg ha-1)

< 160 60 30 0

160 a 350 100 50 0

360 a 600 200 100 0

> 600 280 140 0

A adubação corretiva, tem como meta elevar o teor do elemento no solo para níveis onde não se espera respostas à aplicação de doses adicionais do elemento (classe de teor adequado). Procedendo desta forma, devem ser realizadas aplicações posteriores visando

apenas a reposição da quantidade exportada pela cultura. Nas Tabelas 1 e 2 encontram-se relacionadas as classes de teores de P de acordo com o teor de argila e as doses de P O a serem aplicadas 2 5 em área total, incorporando-se o adubo a 20 cm de profundidade, para a correção do teor do nutriente no solo. Uma vez corrigido o -1 teor de fósforo recomenda-se aplicar 40 kg ha de P O no plantio 2 5 e a cada corte fazer a adubação de manutenção. Assim, para cada 1.000 kg de folhas secas produzidas, aplicar 20 kg de P O na linha 2 5 após o corte.

Adubação potássica

Para o manejo do potássio, com o objetivo de corrigir os teores no solo, recomenda-se que sejam adotadas as classes de teores e as doses mencionadas na Tabela 3. As doses indicadas deverão ser aplicadas em área total e incorporadas até 20 cm de profundidade.

-1 Assim procedendo, recomenda-se aplicar no plantio 30 kg ha de K O e após cada corte aplicar 70 kg de K O para cada 1000 kg de 2 2 folhas secas colhidas, parcelando 30% após o corte e 70% aos 20 dias após a primeira aplicação.

Adubação com micronutrientes

Recomenda-se a adubação corretiva com micronutrientes quando os níveis no solo encontrarem-se baixos (Tabela 4). Aplicar a lanço -1 -1 e em área total, se necessário, 2,0 kg ha de boro, 2,0 kg ha de -1 -1 cobre, 6,0 kg ha de manganês e 6,0 kg ha de zinco.

Teor de K no Interpretação

solo

mg dm-3 CTC a pH 7,0 <4 cmolc dm-3 ou

teor de argila < 200 g kg-1

Dose de K2O

kg ha-1

Tabela 3. Classes de teores de K (extraído por Mehlich 1) na camada de 0

a 20 cm e recomendação de adubação corretiva potássica, em função do

teor de potássio e da CTC (pH 7,0) ou do teor de argila no solo.

< 15 Baixo 50

16 a 40 Médio 25

> 40 Adequado 0

mg dm-3 CTC a pH 7,0 > 4 cmolc dm-3 ou

teor de argila > 200 g kg-1 kg ha-1

< 25 Baixo 100

25 a 80 Médio 50

> 80 Adequado 0

Fonte: Sousa & Lobato (2002).

Tabela 4. Classes de teores de B, Cu, Mn e Zn na camada de 0 a 20 cm,

a pHH2O igual a 6,0.

Classe de teor B1 Cu2 Mn2 Zn2 mg dm-3

Baixo < 0,2 < 0,4 < 1,9 < 1,0

Médio 0,2 a 0,5 0,4 a 0,8 1,9 a 5,0 1,0 a 1,6

Visão geral criada por IA

A nutrição e adubação da Stevia rebaudiana são fundamentais para garantir um alto teor de glicosídeos de esteviol (compostos doces) nas folhas, além de promover um crescimento vigoroso. A estévia prefere solos ricos em matéria orgânica, arenosos e com boa drenagem.

Principais Recomendações de Adubação:

  • Matéria Orgânica: A planta aprecia bastante matéria orgânica. Incorporar composto orgânico ou húmus de minhoca no solo antes do plantio é altamente recomendável.

  • Adubação Orgânica (Frequência): Recomenda-se a aplicação de fertilizantes orgânicos, como farinha de osso ou torta de mamona, a cada 30 dias durante o período de crescimento ativo, que vai da primavera ao outono.

  • Bocashi: O uso de fertilizante tipo Bocashi é uma excelente opção orgânica para estimular o crescimento.

  • Solo e pH: A estévia adapta-se a solos com pH ligeiramente ácido, comum no Brasil, mas prefere solos férteis e bem drenados para evitar doenças fúngicas nas raízes.

  • Cuidados: A planta é sensível à salinidade, portanto, deve-se evitar adubos químicos com alto teor de sais. 

  • Dicas para Melhor Produção:

    • Poda: Realizar podas regulares dos galhos não só estimula o crescimento de novas folhas mais doces, mas também melhora o formato da planta.

    • Sol e Água: Requer de 6 a 8 horas de sol direto e irrigação moderada (a cada dois dias ou quando o solo estiver seco).

    • Colheita: A melhor época para colher as folhas é pouco antes da floração, momento em que a concentração de dulçor é máxima.


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