terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Coleta e Preparo de Ramas para Plantio da Mandioca

 

A planta de mandioca propaga-se por meio das ramas, e sua qualidade relaciona-se diretamente com a brotação, o enraizamento e a resistência a doenças, podendo acarretar, em uma lavoura, desuniformidade no desenvolvimento inicial das plantas e redução no número de plantas.

O sucesso de toda lavoura depende de boas sementes, e isso não é diferente para a mandioca.

As ramas representam em torno de 2% do custo variável de produção em anos normais e, no máximo, 6% em anos de maior demanda. Por exemplo, no caso do milho a semente poderá representar 27% do custo variável de produção.


ÉPOCA DE COLETA DAS RAMAS

As ramas mais indicadas para plantio são colhidas com 8 a 14 meses, no outono e inverno. Em anos de escassez, podem ser utilizadas ramas de plantas que foram podadas no primeiro ciclo e que cresceram no segundo ciclo. Ramas de plantas com dois ciclos de idade, de preferência, não devem ser utilizadas por serem mais lenhosas e apresentarem maior dificuldade de brotação.

Os cuidados para que sejam obtidas boas ramas se iniciam no verão, com vistorias prévias da lavoura, no intuito de detectar possíveis doenças que são mais facilmente percebidas quando as plantas estão com mais folhas. Talhões com doenças ou com muita mistura de variedades devem ser previamente evitados.

As ramas oriundas de solos mais férteis são melhores, pois originam plantas mais vigorosas durante o desenvolvimento inicial das lavouras. Portanto, é importante selecionar as ramas das melhores áreas.

A maturidade da planta para fornecimento das ramas ocorre a partir de maio, com redução da atividade da planta e queda natural das folhas. A maturação da rama pode ser verificada pelo aspecto cristalino da medula, que é a porção central da rama, e pela relação dos diâmetros da medula com o diâmetro da rama, que deve ser de um para a rama e meio para a medula (porção central).

O melhor segmento para mudas é o retirado do terço médio da rama para baixo.

As mudas do ponteiro são mais finas e imaturas, e as da base da planta são mais lenhosas e mais resistentes à seca.

As mudas imaturas ou retiradas do ponteiro das ramas são muito sensíveis à estiagem, embora em condições ideais de umidade possam brotar com mais rapidez.

Já as mudas mais velhas, da base das ramas, resistem mais à estiagem, porém são as que mais demoram a brotar.

A maturação das ramas também varia bastante entre as diferentes variedades e a época em que a lavoura foi plantada.

CORTE DAS RAMAS

O corte das ramas deve ser feito o mais reto possível e sem ferimentos, evitando o formato em bisel (corte enviesado), que acarreta muitas perdas na armazenagem e no plantio. No corte das ramas é importante mais uma seleção com relação às pragas e doenças e misturas de variedades.




TRANSPORTE DOS FEIXES DE RAMAS

O feixe das ramas deve ser firme e, quando necessário, deverá ser amarrado com duas cordas e transportado com o máximo cuidado. A integridade das gemas ou olhos é de extrema importância, pois é nesse ponto que ocorrerá a brotação. As ramas com muitos ferimentos aumentam consideravelmente o risco de doenças na fase inicial da lavoura.


ARMAZENAGEM DAS RAMAS

A armazenagem das ramas, quando necessária, deve ser feita em local arejado na lavoura ou no abrigo de árvores, mas evitando sombras excessivas. Em locais com maior incidência de geadas é conveniente guardá-las sob árvores ou dentro de bosques, pois a céu aberto há o risco de perdas, mesmo que a pilha de ramas esteja coberta com palha. Em locais de geadas menos intensas, é possível armazenar as ramas diretamente na lavoura. Em locais menos sombreados, a cobertura com palha ou capim seco é fundamental para garantir boa armazenagem.

A cobertura com palha deve ser feita por toda a pilha, pois quando feita somente na parte superior proporciona pouca proteção. As pilhas, quando bem cobertas com palha, mantêm a temperatura das ramas mais uniforme e garante melhor conservação.

A posição das ramas na armazenagem influencia a conservação e a manutenção da viabilidade. Quando armazenadas na posição vertical, as ramas devem ser emparelhadas para que todas tenham contato com o solo. As ramas também podem ser armazenadas na posição horizontal, mas sua durabilidade é menor.

A armazenagem das ramas devido à desidratação poderá ocasionar mais falhas na lavoura. Porém, as plantas originárias de ramas armazenadas normalmente soltam mais hastes que proporcionam plantas com mais folhas.

A durabilidade das ramas na armazenagem depende da variedade de mandioca.

Esse é um detalhe importante de ser observado.



AVALIAÇÃO DA VIABILIDADE

A avaliação da viabilidade da rama, guardada ou não, poderá ser executada por meio do teste do canivete. Nela é feito um pequeno corte, e caso a seiva ou o leite flua rápida e abundantemente, a rama presta para plantio.


As ramas que passaram por geadas e estão intactas por fora podem internamente estar com as células rompidas, tornando a seiva mais rala, e podem comprometer a brotação e o vigor das mudas.



QUANTIDADE DE RAMAS PARA PLANTIO

A quantidade de ramas para plantio sofre influência da variedade (ramificada ou ereta), da duração da armazenagem das ramas, do espaçamento entre as plantas e do tamanho da muda.

As variedades mais ramificadas tendem a necessitar de mais ramas em função das perdas que ocorrem no momento da seleção. Os feixes das variedades ramificadas têm menos ramas que as variedades mais retas, devido aos espaços vazios quando emparelhadas e empilhadas.

Na armazenagem das ramas estimam-se perdas de 20% durante o processo. Com isso, é importante que a quantidade inicial de ramas na armazenagem seja superior à necessária para o plantio.

O número de plantas que será adotado na lavoura também alterará a quantidade de ramas utilizadas. Por exemplo, no espaçamento de 1,0 metro por 1,0 metro, o número de plantas por hectare será de 10.000 plantas, e se for de 1,0 metro por 0,7 metro, o número de plantas por hectare será de 14.285, diferença de 4.285 plantas.

Como média, pode-se adotar que a taxa mínima de multiplicação da mandioca é de um para quatro, ou seja, de um hectare de mandioca é possível plantar quatro hectares. Caso as ramas tenham bom padrão, essa taxa de multiplicação poderá ser de até um para dez.





segunda-feira, 1 de julho de 2024

Características do café arábica

 

O café é uma espécie arbustiva de crescimento contínuo, com desenvolvimento vegetativo e com característica fisiológica denominada “dimorfismo de ramos”, que é a emissão ou formação de dois tipos de ramos com diferentes funções, a partir do tronco principal (Figura 1).

O ramo vertical que forma a haste ou tronco é denominado ortotrópico, sendo este um ramo improdutivo; sua principal função é formar e sustentar os ramos produtivos, bem como, promover a recuperação da planta em caso de traumas ou podas. No ramo ortotrópico se encontram dois tipos de gemas vegetativas, as “seriadas” e as “cabeça-de-série”. As gemas seriadas dão origem somente aos ramos “ladrões”, e as gemas cabeça-de-série dão origem aos ramos “horizontais”, chamados plagiotrópicos (Figura 1). A gema formadora do ramo ortotrópico é seriada (múltipla), ou seja, se um ramo for eliminado, a planta pode emitir naquele mesmo lugar outros ramos ortotrópicos.

Figura 1. Ramificações do cafeeiro

Plagiotrópicos são os ramos laterais que crescem com inclinação entre 45º e 90° em relação ao ramo principal, ou seja, nascem e crescem na direção horizontal, perpendicularmente ao ramo ortotrópico, formando a copa do cafeeiro (Figura 1). Esses são os ramos produtivos, ou seja, onde serão formados os botões florais e, consequentemente, os frutos do cafeeiro. O ramo plagiotrópico também possui dois tipos de gemas, as “seriadas” e as “cabeça- de-série”. As gemas seriadas podem originar frutos e ramos plagiotrópicos de ordem secundária, já as gemas cabeça-de-série dão origem apenas aos ramos plagiotrópicos de ordem secundária. A gema formadora do ramo plagiotrópico é única, ou seja, jamais surge mais de um ramo plagiotrópico no mesmo lugar, dessa forma, se um ramo perecer, não nascerá outro no seu lugar.

A perda dos ramos plagiotrópicos decorrente da má condução da lavoura, ataque de pragas ou doenças, ou da ocorrência de secas ou geadas, favorece a incidência de luz no interior da copa da planta, estimulando, assim, as gemas seriadas adormecidas, induzindo a brotação de ramos ortotrópicos, denominados “ramos ladrões”, os quais crescem paralelamente ao tronco e competem com os ramos produtivos por luz, água e nutrientes (Figura 1). Nesse caso, é fundamental realizar a desbrota logo após a colheita e/ou poda para manter a copa homogênea e, assim, evitar a competição por fotoassimilados, bem como facilitar a colheita.

O café arábica leva 2 anos para completar o ciclo fenológico (Tabela 1).


No primeiro ano, durante os meses em que os dias se tornam mais longos (primavera e verão), ocorrem a vegetação e a formação das gemas florais, ou seja, são formados os ramos plagiotrópicos com as gemas vegetativas axilares nos nós do ramo ortotrópico. No outono, quando os dias começam a encurtar, e durante o inverno, período de dias mais curto do ano, as gemas vegetativas axilares são induzidas, por fotoperiodismo, em gemas produtivas.

Essas gemas amadurecem, entram em dormência e se tornam aptas para antese (abertura dos botões florais) logo após a ocorrência de irrigação ou de precipitação de no mínimo 10 mm.

O segundo ano fenológico começa com a florada, que acontece cerca de 10 a 15 dias após a ocorrência de precipitação (ou irrigação), seguida pela formação do “chumbinho” e a expansão dos grãos até atingir o tamanho final, com posterior granação (enchimento) e maturação dos frutos.

O cafeeiro possui sistema radicular pivotante, sendo que cerca de 90% das raízes se encontram nos primeiros 40 cm de profundidade do solo, mas também podem ser encontradas até 2 m de profundidade. O fruto é uma drupa ovoide e, quando maduro, pode apresentar exocarpo vermelho, amarelo ou vermelho-alaranjado, denominado cereja. A má-formação do fruto ou da semente pode ocasionar quatro tipos de anomalias:

1. “Moca” – um óvulo se desenvolve e o outro atrofia, formando uma única semente.

2. “Chocho” – os lóculos não se desenvolvem, tendo apenas vestígios dos óvulos ou sementes.

3. “Concha e parte interna” – dois ou mais óvulos se desenvolvem conjuntamente no mesmo lóculo do fruto, também denominado de “monstro”.

4. “Triângulo” – grão de formato triangular, que se desenvolve no fruto com três ou mais sementes.

Ressalta-se que, na tabela de equivalência de defeitos, os grãos “moca” e “triângulo” não são considerados defeitos que depreciam o tipo café.


sábado, 30 de março de 2024

Café das Serras de Minas Gerais

 

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por 45% da produção mundial, produzindo 47,71 milhões de sacas beneficiadas em 2021, sendo 31,4 milhões de café arábica (Coffea arabica L.). Em 2022 estima-se uma produção de café arábica de aproximadamente 29 sacas por hectare, o que representará um aumento de 10 % em relação à safra 2021, porém uma redução de aproximadamente 13% relativamente ao obtido na safra 2020, ano de bienalidade positiva, assim como 2022. Apesar de muitas lavouras apresentarem bom desenvolvimento vegetativo em função da boa distribuição hídrica e temperatura ocorridas a partir de outubro de 2021, esse decréscimo se deve aos reflexos das condições adversas, como estiagem prolongada e intensas geadas, registradas entre junho e setembro de 2021, período no qual o potencial produtivo da safra de 2022 foi estabelecido.

Essas adversidades climáticas ocorridas em algumas regiões, afetaram consideravelmente a viabilidade de “pegamento” dos chumbinhos, mesmo quando as primeiras floradas ocorreram em boa intensidade, pois essas adversidades climáticas propiciaram maiores abortamentos de frutos e, consequentemente, diminuição na expectativa de produtividade.O estado de Minas Gerais concentra a maior área de produção da espécie arábica, com 1.323,2 mil hectares, o que representa 72,8% da área cultivada no país. Desta forma, o estado é o maior produtor nacional, e responde por 20% da produção mundial. Quando considerada a cadeia produtiva do café, ela gera aproximadamente quatro milhões de empregos no estado, envolvendo desde a produção de insumos até o preparo para consumo. A cafeicultura gera divisas, renda e qualidade de vida para os mineiros envolvidos nessa atividade já que aproximadamente 600, entre os 853 municípios do estado, têm na cafeicultura sua principal atividade econômica. Minas Gerais tem quatro regiões cafeeiras que se destacam como as principais: Matas de Minas (Zona da Mata/Rio Doce), Sul de Minas (Sul/Sudoeste), Cerrado de Minas (Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba) e Chapada de Minas (Vale do Jequitinhonha/Mucuri).

As Matas de Minas se destacam por apresentar atualmente um expressivo aumento de área cultivada, bem como lavouras com bom vigor vegetativo, ou seja, bem enfolhadas, com bom aspecto nutricional e sem sinais de incidências relevantes de pragas e doenças, reflexo das chuvas abundantes na região a partir de outubro de 2021 e dos maiores cuidados com os tratos culturais em função dos bons preços de comercialização do café. Estima-se que a produtividade média em 2022 na região seja superior à de 2021 (ano de bienalidade negativa), mas sem alcançar o máximo potencial produtivo de ciclo de bienalidade positiva, pois a escassez pluviométrica no período anterior a florada associada as baixas reservas nutricionais e hídricas no momento das primeiras floradas, contribuíram para a má formação dos frutos e, consequentemente, queda do potencial produtivo.

Os cafés produzidos na região das Matas de Minas podem alcançar alta qualidade, uma vez que sua característica principal é o relevo montanhoso, cuja altitude varia desde 174 até 2.829 metros, sendo que 78% das áreas da região estão compreendidas entre a altitude de 400 e 1.000 metros. Abaixo de 400 metros encontra-se 13% da área e as maiores altitudes, acima de 1.000 metros, encontradas principalmente nas serras do Brigadeiro e do Caparaó, representam 9% da área total. Tal característica faz com que a altitude média da região seja de 697 metros, o que proporciona temperaturas mais amenas à região. Tais características, favorecem a produção de cafés de qualidade com atributos e diversidade de sabores, que tem garantido prêmios em concursos nacionais e internacionais.

Ressalta-se que a temperatura é uma das características mais marcantes, dentre todos os elementos climáticos que caracterizam o clima da região, o qual é considerado como temperado úmido, favorável a formação de neblina, com inverno seco e verão ameno no qual a temperatura média do mês mais quente é inferior a 22 ºC e durante pelo menos quatro meses  é superior a 10 ºC. Tais características são de relevante importância no ciclo do cafeeiro, e consequentemente, na qualidade final do produto.

O Sul de Minas apresenta clima e relevo favoráveis a cafeicultura, com temperaturas amenas, que variam entre 18 ºC e 20 ºC, e altitudes elevadas de até 1.400 metros, sujeito a geadas, com moderada deficiência hídrica. Nessa região uma parte da Serra da Mantiqueira que fica no estado se destaca pelos vários prêmios obtidos na produção de cafés de qualidade, raros e surpreendentes devido ao terroir e a tradição da produção artesanal herdada por gerações.

O Cerrado Mineiro que é formado por municípios ao longo do Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro, Alto São Francisco, Noroeste e Norte de Minas; apresenta clima mais seco durante na época da colheita, o que contribui para qualidade final do grão. O relevo é representado por áreas de altiplano, com altitude que variam de 820 m a 1.100 m, e o clima caracterizado como ameno sujeito a geadas de baixa intensidade.

A Chapada de Minas é uma região que compreende as áreas geográficas delimitadas, por parte das regiões do Jequitinhonha, Alto Jequitinhonha, Nortee Minas, Mucuri e Rio Doce. De grande extensão territorial, apresenta relevo de Planalto com altitude média de 850 metros e áreas de espigão elevado, com altitude de até 1.099 m, isentas de geada, com baixo índice de insolação.

A temperatura é amena, e mais de 70% da área plantada são aptas a mecanização, sendo suas características ideais para o cultivo do café arábica.

De modo geral o estado tem vocação para a cafeicultura, sendo que suas quatro principais regiões produtoras apresentam características climáticas que favorecem a produção do grão. Todavia, não se pode esquecer que a adoção correta das tecnologias pelo produtor é primordial para assegurar a máxima produtividade e qualidade no processo produtivo. O cafeeiro é uma planta perene, e erros na sua implantação acarretarão prejuízos ao longo de todo o ciclo de vida da cultura. Cerca de 90% dos erros encontrados nos cafezais são, geralmente, provenientes de mudas malformadas e implantação incorreta da lavoura. Assim, para formar e explorar o cafezal com rendimentos compensadores, é prudente e recomendável o máximo de atenção, já que os bons resultados desejados pelo produtor não são apenas nos aspectos produtivos, mas também nos econômicos.



Produção e obtenção de mudas de Mandioca

 

Mudas e Sementes

Produção e obtenção de mudas ou sementes

O plantio da mandioca é realizado com manivas ou manivas-semente, também denominadas manaíbas ou toletes ou rebolos, que são pedaços das hastes ou ramas do terço médio da planta, com mais ou menos 20 cm de comprimento e com 5 a 7 gemas. Devido à multiplicação vegetativa, a seleção das ramas e o preparo das manivas são pontos importantes para o sucesso da plantação.

Seleção e preparo do material de plantio

A seleção e preparo do material de plantio são determinantes para um ótimo desenvolvimento da cultura da mandioca, resultando em aumento de produção com pequenos custos. Nessa fase alguns aspectos de ordem fitossanitária e agronômica devem ser considerados. Dentro do aspecto fitossanitário, vale ressaltar que o material de plantio deve estar sadio, ou seja, livre de pragas e doenças, considerando que a disseminação de patógenos é maior nas culturas propagadas vegetativamente do que nas espécies propagadas por meio de sementes sexuais. É necessário, portanto, inspeção constante do mandiocal de onde serão retiradas as ramas para plantio, para avaliar sua sanidade, devendo ser evitados mandiocais com alta ocorrência de bacteriose, broca da haste, ácaros e percevejo-de-renda, ou que sofreram granizos ou geadas.


Tabela 5. Características quantitativas, qualitativas e morfológicas de cultivares de mandioca recomendadas para a Região dos Cerrados


Tabela 5. Características quantitativas, qualitativas e morfológicas de cultivares de mandioca recomendadas para a Região dos Cerrados

Cultivares

Rendimento de raiz (t/ha)

Teor de amido (%)

Resistência à bacteriose

Teor de HCN

Cor da película

Cor da casca

Cor da polpa

Para mesa

IAC 24-2 (Mantiqueira)

16

26

Resistente

Baixo

Marrom

Rósea

Branca

IAC 352-6

16

25

Resistente

Baixo

Marrom

Creme

Branca

IAC 352-7 (Jaçanã)

20

28

Resistente

Baixo

Marrom

Branca

Branca

Para indústria

IAC 12-829

30

33

Tolerante

Médio

Marrom

Branca

Branca

IAC 7-127 (Iracema)

28

32

Tolerante

Alto

Marrom

Branca

Branca

Sonora

28

32

Tolerante

Alto

Marrom

Branca

Branca

EAB 81

30

31

Tolerante

Médio

Marrom

Branca

Branca

EAB 653

28

32

Resistente

Alto

Marrom

Branca

Branca

Fonte: Embrapa Cerrados.

Outros aspectos a serem observados são os agronômicos, que, apesar de simples, resultam em aumento de produção do mandiocal, às vezes sem acréscimo ao custo de produção:

a) Escolha da cultivar

 A escolha da cultivar deverá estar de acordo com o objetivo da exploração, se para alimentação humana in natura, uso industrial ou forrageiro, e a que melhor se adapte às condições da região. É sempre indicado o plantio de uma só cultivar numa mesma área, evitando-se a mistura de cultivares. Necessitando-se usar mais de uma cultivar, o plantio deverá ser feito em quadras separadas.

b) Seleção de ramas

As ramas devem estar maduras, provenientes de plantas com 10 a 14 meses de idade e do terço médio da planta, eliminando-se a parte herbácea superior, que possui poucas reservas, e a parte de baixo, muito lenhosa e com gemas geralmente inviáveis ou “cegas”. É importante verificar o teor de umidade da rama, o que pode ser comprovado se ocorrer o fluxo de látex imediatamente após o corte.

c) Conservação de ramas

 A falta de coincidência entre a colheita da mandioca e os novos plantios tem sido um dos problemas na preservação de cultivares, a nível de produtor, e muitas vezes resulta na perda de material de alto valor agronômico. Quando as ramas não vão ser utilizadas para novos plantios imediatamente após a colheita, elas devem ser conservadas por algum tempo para não reduzir ou perder a viabilidade. Recomenda-se que a conservação ocorra o mais próximo possível da área a ser plantada, em local fresco, com umidade moderada, sombreado, portanto protegidas dos raios solares diretos e de ventos frios e quentes. O período de conservação deve ser o menor possível, podendo as ramas ser dispostas vertical ou horizontalmente. Na posição vertical, as ramas são preparadas cortando-se as ramificações e a maniva-mãe, tendo as suas bases enterradas cerca de 5 cm, em solo previamente afofado e que permanecerá molhado durante o período do armazenamento. Quando armazenadas na posição horizontal, as ramas devem conservar a cepa ou maniva-mãe e ser empilhadas e cobertas com capim seco ou outro material. O armazenamento também pode ser feito em silos tipo trincheira ou em leirões, em regiões onde ocorrem geadas, para proteger as manivas das baixas temperaturas. Vale ressaltar que deverá ser reservada uma área com cerca de 20% do mandiocal, como campo de multiplicação de maniva-semente, para a instalação de novos plantios, exceto em áreas com riscos de geadas.

d) Seleção e preparo das manivas

As manivas-semente devem ter 20 cm de comprimento, com pelo menos 5 a 7 gemas, e diâmetro em torno de 2,5 cm, com a medula ocupando 50% ou menos. As manivas podem ser cortadas com auxílio de um facão ou utilizando uma serra circular em motores estacionários, ou mesmo as existentes em máquinas plantadeiras, de modo que o corte forme um ângulo reto, no qual a distribuição das raízes é mais uniforme do que no corte inclinado. No caso da utilização de facão, o corte é realizado segurando a rama com uma mão, dando-lhe um golpe com o facão de um lado, girando a rama 180 graus e dando outro golpe no outro lado da rama, cortando assim a maniva; evita-se, assim, apoiar a rama em qualquer superfície, para não esmagar as gemas das manivas

e) Quantidade de manivas

A quantidade de manivas para o plantio de um hectare é de 4 m³ a 6 m³, sendo que um hectare da cultura, com 12 meses de ciclo, produz hastes para o plantio de 4 a 5 hectares. Um metro cúbico de hastes pesa aproximadamente 150 kg e pode fornecer cerca de 2.500 a 3.000 manivas com 20 cm de comprimento.


domingo, 17 de março de 2024

Exigências climáticas para a Ervilha

 

Exigências climáticas

Um bom desenvolvimento da cultura da ervilha esta relacionado, entre outros fatores, as condicoes climaticas favoraveis. Por ser uma cultura adaptada a climas temperados, o seu desenvolvimento vegetativo e favorecido por temperaturas compreendidas entre entre 13 oC e 18 oC e umidade relativa entre 60% a 70%; a umidade relativa do ar nao afeta diretamente a producao, entretanto acima de 80% pode propiciar o aparecimento de doencas, como aumento da incidencia do fungo Ascochyta pisi, alem de prejudicar a qualidade dos graos.

E uma planta bem tolerante a baixas temperaturas, sendo que as sementes germinam a partir de 4 oC, embora geadas possam prejudicar seu cultivo, principalmente na fase de

florescimento e durante a formacao de vagens (Figura 11). A produtividade e prejudicada em temperaturas acima de 27 oC, podendo ainda afetar a qualidade dos graos, favorecendo a conversao dos acucares em amido.

Assim, o cultivo da ervilha adapta-se melhor na regiao Sul do pais, em regioes serranas ou de planalto e em microclimas de temperatura amenas com altitude superior a 500 m. No Planalto Central, seu cultivo e realizado durante o inverno sob condicoes de irrigacao, principalmente nas fases iniciais do seu desenvolvimento.

Vagens de ervilha com danos causados por geada.

A ervilha e considerada uma das culturas cujo desenvolvimento mais fielmente responde ao sistema de unidades termicas ou graus-dia. Nesse conceito, a taxa de desenvolvimento da planta e condicionada pela temperatura do ar no ambiente de cultivo.

Outros fatores ambientais com potencial efeito no ciclo da cultura nao sao considerados no calculo de graus-dia.

Em linhas gerais, a necessidade de graus-dia de crescimento da ervilha e na ordem dos 700 a 850 graus-dia para as cultivares precoces, 850 a 1.000 para as cultivares semiprecoces e mais do que 1.000 graus-dia para as cultivares tardias.


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Cultivares de Ervilhas

 

Cultivares

As características que influem na escolha da cultivares para cada tipo varietal devem estar relacionadas ao sistema de cultivo utilizado e principalmente a finalidade a que se destinam.

Assim, deve-se levar em consideração a arquitetura e o porte da planta (determinado ou indeterminado), coloracao das vagens (claras ou escuras), textura do cotyledons (lisos amilaceos ou enrugados doces) e cor do cotiledone que, com raras exceções quando utilizados na alimentação humana, sao verdes.

As cultivares utilizadas para a produção de ervilha seca possuem grãos redondos e lisos, que sao utilizados partidos ou inteiros; nesse ultimo caso, visando o enlatamento (apos reidratacao). Graos pequenos (140 g/100 a 160 g/100 graos), de tamanho uniforme e com baixa porcentagem de descoloração são os ideais para a industria.

A cultivar mais plantada no pais e a ‘Mikado’. Essa cultivar (originaria da Holanda) possui um ciclo aproximado de 110 dias e foi introduzida e avalia-da nas condições brasileiras durante vários anos pela Embrapa Hortaliças. E bastante produtiva, apresenta otima qualidade industrial (tamanho, boa reidratação e menor porcentagem de descoloramento dos grãos); e, entretanto, suscetivel ao oidio, uma das principais doenças que ocorrem em nossas condições. A Embrapa Hortaliças desenvolveu e liberou varias cultivares visando o encantamento Tais como: ‘Amelia’, ‘Dileta’, ‘Flavia’, ‘Kodama’, ‘Luiza’, ‘Maria’, ‘Marina’ e ‘Vicosa’.

Para o segmento de ervilha verde enlatada utilizam-se cultivares de granos rugosos. Visando atender este seguimento do mercado, a Embrapa Hortalicas disponibilizou ao mercado, as cultivares ‘Axe’, ‘Forro’, ‘Frevo’, ‘Pagode’ e ‘Samba’. Estas cultivares sao indicadas especialmente para a agroindustria de graos verdes enlatados ou congelados, sem a necessidade de reidratação antes de serem processadas.

A cultivar ‘Axe’ pode ainda ser utilizada na produção de ervilha verde debulhada. Outras cultivares de origem estrangeira tem sido utilizadas por algumas (poucas) empresas aqui no pais que atuam neste segmento.

Existem outras cultivares de ervilha verde que são utilizadas para a produção de ervilha debulhada, geralmente utilizada por pequenos agricultores e comercializadas em feiras.

A diferenca basica entre as cultivares de sementes lisas e rugosas e sua composição química. As semen-tes lisas (que e uma caracteristica dominante) apresentam teores mais elevados de amido e menor teor de sacarose quando comparadas com as sementes rugosas que apresentam um excesso de sacarose. Durante a maturação das sementes, ocorre inicialmente maior acumulo de açúcares e menor sintese de amido; logo em seguida, o conteúdo de açúcar cai bruscamente e o teor de amido aumenta.

Em cultivares de sementes lisas, o primeiro estagio e bem mais curto; sendo que nas sementes rugosas, o acumulo de acucar e significante. Com a redução do teor de açúcar durante a maturação, as sementes das cultivares de ervilha verde apresentam fenotipos caracterizados por enrugamento (sementes rugosas). Estas diferenças de composição química e formato das sementes podem influenciar a qualidade fisiológica e sanitária. Por exemplo, as sementes das cultivares de ervilha verde, por possuírem maior teor de açúcar, sao mais suscetíveis ao ataque de fungos durante a germinação e estabelecimento de plântulas.

No segmento de ervilha-vagem a cultivar mais utilizada no Brasil e a ‘Torta de Flor Roxa’, que apresenta porte indeterminado, com plantas entre 1,2 metros a 1,5 metros, uni florais e tegumento das sementes pigmentado e cotilédones amarelos (Figura 9). O comprimento das vagens e de 10 cm a 14 cm e a largura e de 2 cm a 3 cm. O ciclo e de aproximadamente 100 dias com inicio de colheita aos 70 dias. A maioria das cultivares e suscetível ao oídio; entretanto, a cultivar ‘MK 13’ apresenta resistencia a esta doenca. As cultivares de ervilha do tipo forrageira são indicadas para adubação verde e cobertura do solo, preferencialmente antecedendo gramineas, ou para alimentacao animal como pasto, silagem ou racao. Apresentam caracteristicas importantes para a conservacao e fertilidade do solo, sendo cultivada no inverno. Representa também opção vantajosa devido ao rápido crescimento inicial, precocidade, grande massa verde, uniformidade, redução da utilização de fertilizantes a base de nitrogênio nas culturas subsequentes e redução dos custos de produção e dos impactos ambientais. A aptidão dos grãos para a formulação de ração animal, principalmente para suinos, pode ser mais uma alternativa de utilização, por apresentar altos niveis de proteina bruta. Nesse segmento, a Embrapa Hortaliças desenvolveu em parceria com a Embrapa Trigo, a cultivar forrageira ‘BRS Sulina’ (Figura 10), indicada para adubação verde e para cobertura de solo, no inverno. ‘BRS Sulina’ apresenta um rapido crescimento inicial, precocidade e uniformidade, reduzindo assim o uso de herbicidas dessecantes em sistema de plantio direto.

Campo de produção de sementes da cultivar BRS Sulina.


terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Botânica da Ervilha

 

Botânica

A ervilha e uma leguminosa pertencente a família Fabaceae, subfamilia Faboideae (sin. Papilionoideae), a tribo Vicieae (sing. Fabeae), ao genero Pisum e a especie Pisum sativum L. O genero Pisum possui grande variabilidade genetica, presente nas variedades comerciais e nos materiais dos bancos de germoplasma. Dentro deste genero, sao relatadas sete es-pecies: P. arvense, P. elatius, P. formo-sum, P. fulvum, P. humile, P. jomardie e P. sativum. Entretanto, alguns autores reconhecem apenas duas especies, P. arvense L. (ervilha forrageira) e P. sativum L. (ervilha verde). No entanto, todos os tipos são classificados dentro da especie P. sativum, onde se incluem também as ervilhas forrageiras.

Importação de ervilha no Brasil entre os anos 2011-2015.

A ervilha e uma especie diploide (2n=2x=14), anual de inverno, herbacea e com germinacao hipogea (Figura 2). Apresenta habito de crescimento determinado ou indeterminado (Figura 3), possui hastes finas formadas por nos e entrenos. As folhas são compostas distribuídas de forma alternada, formadas por 2 a 3 pares de foliolos ovalados, de margem inteira ou sinuado-dentados na parte superior, na base das folhas dispõem-se duas estipulas arredondadas e podem ser encontradas em três formas: afila, semiafila e normal (Figura 4). Suas inflorescências estão distribuídas de forma alternada ao longo do caule, e podem ter uma ou mais brácteas, de forma e dimensões variáveis que surgem nas axilas foliares. Ate o surgimento da primeira inflorescência, o numero de nos e constante, característica utilizada para a caracterizacao de precocidade de cultivares.

Etapas da germinação de sementes de ervilha.

Campos de produção de ervilha de crescimento indeterminado (A) e determinado (B).

Tipos de folhas de ervilha: afila (A); semi-afila (B); normal (C)

A flor da ervilha e composta por cinco pétalas, sendo a maior delas denominada de estandarte. As petalas menores sao as asas, e na parte anterior da flor se encontram as duas pétalas que formam a quilha. Ja o calice verde e formado por cinco sepalas unidas, duas atras do estandarte, duas opostas as asas e uma anterior e oposta a quilha. O gineceu e constituído pelo pistilo e um ovário e o androceu e formado por dez estames. O pistilo e formado por um único carpelo e um ovário que contem duas fileiras de óvulos inseridos em duas placentas paralelas. As flores podem encontrar-se solitárias ou em grupo de 3 ou 4 e apresentam uma coloração branca ou violácea (Figura 5).

Flores de ervilha de coloração branca (A) e violacea (B).

E uma especie autogama, cleistogamica, com polinização ocorrendo aproximadamente 24 horas antes da abertura da flor (antese). A germinação do tubo polínico pode levar de 8 a 12 horas e a fertilizacao de 24 a 28 horas apos a polinizacao. Seu estigma fica receptivo ao pólen alguns dias antes da antese ate um dia apos o murchamento da flor. O polen, por sua vez, e viavel desde o momento da deiscencia das anteras. Apos o pro-cesso da fecundação, desenvolve-se o fruto que consiste em uma vagem de forma, tamanho, coloração e textura variáveis.

Suas sementes maduras sao globulares, podendo ser lisas ou rugosas, e o tegumento pode ser tanto hialino quanto colorido e seu embrião formado por dois cotilédones e um hipocótilo bem desenvolvido. Os cotilédones podem ser encontrados nas cores amarela ou verde e nas texturas lisa ou enrugada. O ciclo vegetativo da ervilha, dependendo da cultivar e das condições climáticas necessárias para o seu desenvolvimento, e de 90 a 140 dias. Em função do fotoperíodo, são estabelecidos tres distintos grupos varietais de ervilha:

Precoces – Se caracterizam pelo aparecimento das primeiras flores entre o 6o e o 9o entrenó e sao normal-mente indiferentes ao fotoperiodo.

Semi Precoces – As primeiras flores deste grupo varietal aparecem entre o 9o e o 11o entrenó e são medianamente sensíveis ao fotoperíodo.

A ervilha-vagem (também conhecida como “ervilha torta”), (Figura 6), nao apresenta pergaminho, devido a presença de dois genes com interação não alélica localizados nos cromossomos 4 e 6. O genotipo duplo-dominante (PPVV) apresenta esclerênquima nas vagens e o duplo recessivo proporciona ausencia total de fibras. As demais combinacoes (ppVV e PPvv) possuem areas irregulares de tecido esclerenquimatoso distribuido nas paredes das vagens e, por esse motivo, nao sao comestiveis.

As cultivares utilizadas para a produção de ervilha seca possuem sementes redondas e lisas, que podem ser utilizadas partidas ou inteiras, e neste caso, visando o enlatamento apos a reidratacao (Figura 7a). Ja as cultivares utilizadas para producao de graos verdes, destinados ao enlatamento possuem geralmente sementes rugosas e elevado teor de acucar (Figura 7b). No caso dos graos imaturos destinados ao congelamento, a coloração verde escura e a mais desejável.

A ervilha forrageira (P. sativum subsp. arvense) apresenta caules flexuosos, estriados, delicados, simples ou quase simples; suas folhas sao paripinadas apresentando gavinhas,

ramos, geralmente terminais; possui entre 1 - 3 pares de foliolos ovalados, mucronados, de margem inteira ou sinuado-dentados na sua parte superior.

A coloração de suas flores e um vermelho-violáceas, podendo ser encontradas solitarias ou geminadas sobre pedunculos axilares aristados; sua corola geralmente e rosa-violácea com alas violaceo-purpúreas (Figura 8).

Os frutos são vagens oblongas, que podem, de acordo com a sua forma, apresentar terminacao obtusa, curvada ou fortemente em forma de pico; apresentam sementes lisas, esfericas, ovaladas ou rugosas (cilindricas, comuns), verdes (normal, palido,amarelo), creme, marrons ou com manchas de cor castanha-purpura.

Como na maioria das dicotiledôneas, as reservas do endosperma sao direcionadas para o embriao, se acumulando nos cotiledones, sendo assim denominadas exalbuminous.

Detalhe de uma planta de ervilha forrageira.


Produção de ervilha da cultivar ‘Torta de Flor Roxa’.

Sementes de ervilha lisas (A) e rugosas (B).



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